Ambivalência

  Nessa tua sandice, o dom maior é o domínio

Busque irrequieta tuas canções, mas domines.

Não te arvores em queixumes nem desanimes

Nem percas as bases e o raciocínio.  

 

Todos conflitos e soluções são ambivalentes

Mesmo que não compreendas teus momentos

Mas eles sempre te darão alegrias e lamentos

Quer diga sim ou não. São todos equivalentes.

 

Se toda espera fortalece tua saudade

Também o encontro nem sempre te completa

Sorva dessa canção toda essa desigualdade

 

E reflita,no segundo seguinte,qual profeta

Porque ele não será o mesmo em igualdade

E porque tu também permanecerás inquieta.

 

 

NAMORO

 

Namoro, corrida louca para o amor

Caminho para a vida, vale da criação.

Quem me dera voltar de novo. Oh. Bela flor!

Quando tudo era loucura, era tudo, então.

 

Namoro, passeio pelo jardim da vida

Pranto de corações, regaço de queixumes

lembranças, saudades, cartas e despedida

Adeus, esperas, fotografias e ciúmes

 

Namoro, beijo no portão bem escondido,

poesias, declarações, viagens, retorno lento

Serenatas, festas, bailes chuva e vento

 

Namoro, que saudade que tão doce alento

Se eu pudesse voltar a esse tempo perdido

Sem perder tempo tão logo teria partido  

 

 

 

DOCE ENCANTO

 

Quantas vezes passei nos tempos idos

Imaginando sonhos de aventuras ,

Quando então me sentia nas alturas

Na construção de castelos destruídos.

 

Hoje vejo essas maravilhas erigidas

Num jardim de rosas puras

E sinto sempre todas as ternuras,

Em meu peito quente reunidas!

 

E se os sonhos acalentados de outrora

Se apagassem. Que mágoa  teria eu agora ,

que meu coração sorri e canta.

 

Talvez o destino frio, sem remédio

Jogasse meu futuro no escuro tédio

que hoje liberto e viril encanta.

 

 

 

A CRENÇA

 

Eis que lá longe, bem mesmo muito ao longe,

No perder destes meus pequeninos passos,

Vislumbrei o encontro de misteriosos traços

E sorri ao medo qual inocente monge.

 

Noutro tempo, nos confins da inexistência

Ainda perdido nos astrais fracassos

Penetrei no interior de muitos braços

Muitas vezes me atrasando nessa ausência .

 

E agora, já mais cansado ainda procuro

Nos etésios refrescantes a eterna ida ,

Qual prócer figura de existir tão puro.  

 

Sei que está a minha espera, bem escondido

Tal misterioso recôndito seguro

Óh. Sublime amor, divino, eterna vida!

 

 

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