PEDRA
Dentro
das noites estranguladas
Que
vontade de me tornar pedra
e
desafiar a Verdade.
Ser
eterno no silêncio da lápide
e
verter cristais nos meus sonhos;
Ser
inerte como o tédio....
Ousarei
indagar no infinito
O
porquê da existência
e esperarei até findar o átomo.
Caminharei
na poeira dos segundos
e
esmagarei farrapos de estrelas
e
verterei prantos de manhãs.
Serei
pedra na cripta do tempo
para
descobrir a eternidade das horas
e esperar o caos do silêncio.
Assim,
verei o início da vida
e
arrancarei pedaços do universo
do
pó do vácuo.
Eis-me
então no delírio das cinzas
sendo
consumido, sendo iludido.
Eis-me
então pó de pedra: cinzas do delírio.
A! Que vontade de ser pedra!
ser pedra eternamente
para desafiar a Verdade!
PEQUENO
EGOÍSMO
Avoluma-se,
preenche de brilho
e ainda espera.
Silenciosa,
reflete em si
toda
a insignificância
de
ser pequena.
Mas
espera, e a espera é longa
é
longa por que o sonho é longo.
Sente
que o futuro virá
mas
enquanto não vem
embeleza-se
emoldura-se e brilha.
Pouco
e pouco como todas as outras
que
a precederam, toma forma
agiganta-se
e a sua turgescência
espelha
a natureza.
Homens,
flores, pássaros e árvores
tudo
enfim caminha para o fim.
Somente
ela, juntamente com outras
verão
o outro dia.
É
pequena, ínfima mesmo
mas
a sua força total
está
se concentrando.
As
nuvens tremerão
a
terra estalará sob o seu poderio
as
árvores serão partidas
os
rios transbordarão.
Mas
ela é pequena
e
tem a esperança
que
cada um de nós tem dentro de si.
Tem
a dimensão diminuta
de
nossa existência
e
possui o egoísmo de querer ser grande.
Porém
é pequena
É
gota d´água.
MORTE
PRECOCE
No
meu peito pungia
a
dor de uma canção morta:
Uma
canção que não chegou a ser.
Morreu
no crepúsculo da incerteza
feriu-me
internamente
com
seus espinhos de esperança;
Quis
sair, brotar, romper,
mas
rompeu-se a si mesma, morreu.
Tal
canção, intuí-a no abstrato
e nas labaredas dos sentimentos;
Tinha
algo de belo e feroz,
iria
sem dúvida acomodar-se
na
verdadeira posteridade
e
descansar nas nuvens
e
reger estrelas.
Iria
sem dúvida encantar deusas,
cansar
lábios;
Iria
buscar o silêncio dos ventos
no
etéreo vácuo;
Iria
viver,
Mas
nasceu morta...
VERDALUZ
(musa inspiradora)
A
lira cansada canta ainda
o
silêncio do poeta,
e
o poeta no silêncio do pranto
canta
silencioso.
Verdaluz
o inspira
e
lhe dói no interior,
mas
lá dentro é bonito
é
diferente de cá fora.
O
poeta chora,
a
musa esconde-se
na
névoa da inspiração.
Verdaluz
quer sair
chora
e transborda
sabe
da verdade e sente a luz,
mas
lá dentro é bonito
é
diferente de cá fora.
Vem
verdaluz. Vem!
Vem
cá fora cantar
o
meu silêncio
e sufocar o meu pranto!
Vem
alegrar a tristeza
chorar
alegre
a
minha vida silenciosa
e
dar verdade à poesia.
Vem
verter o meu pranto
nas
liras da saudade
que
tangem o meu amor!.
Vem,
então, verdaluz,
foge
um instante
vem
conhecer a mentira cá fora,
por
que a verdade está aí dentro.
Vem
verdaluz!
O
teu canto canta a vida
o meu pranto canta a morte!
MENSAGEM
DE UM PAI
(Ao Jovem filho)
Madrugada
de canções esmaecidas,
Boemia
de violão quebrado,
Espera
sem esperança de diálogo,
Portão
de Colégio; aula morta,
Pais
distantes em longa ausência.
Onde
procurar a manhã perdida?
E restaurar o fugidio começo da volta?
Como
esperar o “Como vai meu filho?”
da
esquecida voz paterna?
Quando
encontrar na escola o apoio amigo?
Sei,
jovem, que a eterna procura
do
abrigo insofismável e duradouro,
só se encontra na harmonia de seu silêncio,
porém na presença de seu conflito
Procure
a porta de saída que ela existe.
Saiba dizer não no momento certo;
Leve a mensagem para aquele que o seduz
Vença
na raça e na coragem o desejo maldito.
Fuja
da viagem
e recrie esperanças.
Construa-se a si mesmo por que o mundo é seu
DEIXE
DE SER VÍTIMA! O MUNDO É VOCÊ!
FUGA
CÉLERE
A
incerteza dos momentos
as
pétalas de rosa
que
o vento trouxe até a porta;
Tudo
é quimera
Tudo
morre.
E
as primaveras fugitivas do eterno
e
o elementar que retorna ao caos
para
ser consumido;
Tudo
é quimera
Tudo
morre.
Até
os passos cansados do universo
se
transformam em céleres fugitivos;
Até
as cãlidas manhãs de sol
percorrem
o infinito velozes;
Tudo
se movimenta ininterruptamente
com
velocidades exiomáticas.
Dias
e noites, segundos e milênios
percorrem
ionicamente o fim e o começo
num
retumbar incessante
de
têmporas explodindo;
Tudo
é quimera
Tudo morre...
CANTO
DE VOLTA
No
passado deixei lembranças
descoloridas
e sentimentos rudes
Volto
agora com o amor para amar
Espero
sentir a vida na sua essência
Para
ofertá-la às flores do meu jardim
Quero
cantar hinos e ouvir cânticos
celestes anunciando o arco-íris;
Quero
amar e sair do pesadelo
Quero
o soluço e as lágrimas da chegada
Quero
voltar, caminhar, viver, ser
É
tão linda a flor que nasce
Do enigma pálido e esquecido;
É
tão lindo o pássaro que procura
O
abrigo na imensidão do perdido
É
tão lindo viver para ser.
Por
isso deixo as quimeras lembranças
Deixo
o pessimismo e a mentira
Naufragarem
na sede de voltar
Sou
eu, existo e criarei porque sou vida
Sou
amor, porque sou parte da verdade maior.
Poeta
errante
Na
síntese lírica
de
um poeta errante
Que
vontade de vir a ser
de
novo o começo!.
De
iniciar
engatinhando
nas
curvas do tempo
e
repassar o passado
a vida que hoje é vivida.
Sentir
no despontar
do
sublime, o arco-íris
Esse matiz de passado e glória.
Que vontade de vibrar
com a lentidão
Esse
espaço
de tempo parado
E reviver, voltar, eternizar...
Este
é o meu canto
canto
de volta
canto
de poeta profeta
que
vê o passado
Porque
a vida se repete
recomeça
e
jamais pára.
Este
é o meu canto
canto
sem pranto
porque
já viví
PERMISSÃO
Deixe-me
dizer-te
que
os momentos
serão
séculos
e
que as lembranças
serão
martírios.
Deixe-me
dizer-te
que
a saudade
será
passageira
e
o encontro
será
realidade.
Deixe-me
amar-te
mesmo
na distância.
Deixe-me
compreender
que
essa ausência
é
desnecesária.
Deixe-me
morrer.
longe
de ti
para
não ter que voltar
E
morrer
outra vez
de
saudade.
Deixe-me
pensar
na
ilusão da presença
mesmo
que eu me perca
na
distância da ausência.
Deixe-me
dizer-te
mesmo
na loucura
do
desencontro
Que eu te AMO!
UM
NOVO DIA
Lá
bem longe
onde
o horizonte
se
encontra
com
a alma da gente,
Eu
espero ver um dia
A
luz brilhar de novo.
Eis
que é chegado o momento
De
cantarmos o amor
E
pedirmos o perdão.
Perdão!
Perdão! Perdão!
Por
que o horizonte
está
brilhando.
Pra
nós todos,
O
dia renascerá
e
a aurora semeará
a
Paz que veio do Amor
Cantemos
o novo dia!
Cantemos
o novo cantar!
Se
a prece se elevou,
restará
somente a espera
para
ver nascer a esperança.
Precisamos
crer, precisamos ver
o
renascer de novas vidas,
o
cantar do novo Amor.
Aí
então diremos sem medo
Adeus
a tudo e veremos
o
novo dia brilhar.
Lá,
bem longe...
BÍBLIA
Livro
das verdades incompreendidas
Continente
do passado e do futuro
Na
vóz de Deus ao mundo transmitidas
Com
sublime amor angelical e puro
Divina
essência da fé. Abrigo seguro
Onde
Davi registrou emudecidas
As
palavras da fé e o mistério obscuro
do
começo e do findar de nossas vidas
Luz
divina do amor na senda da vida
Amparo
dos crentes cristãos; tão querida
Profeta
eterno no silêncio profundo
Aí
no seu interior de prisões, tão graves
Possui
emudecidas, solitárias chaves
Que
nos abrem todos os mistérios do mundo
VONTADE
DE FICAR
Puxa!
Que vontade de ficar
um
pouquinho mais...
Sentir
a saudade tão distante,
Ver
a tua ausência ausente
estar
presente na ilusão
de minha presença!
Para
mim, todo meu amor
viverá
na minha lembrança
quando
eu partir.
As
noites não terão mais fim,
Estarei
sozinho na partida.
As
nossas lembranças
caminharão
na saudade,
As
nossas lágrimas
encherão
o tédio
Estarei
pensando em ti na
distância,
Não
chores quando eu partir,
Deixa
as lágrimas
para
a minha chegada;
São
mais nobres e felizes
as
lágrimas do reencontro
do
que as da partida.
Estas,
ferem;
a
te amar ainda mais!
VAZIOS
Estarei
presente
no
silêncio da ausência
Estarei
sempre contigo
Porque
é tanto o meu amor
que
as noites tão vazias
são
preenchidas
Não
deixarei
que
todo o amor que te dei
e
tenho ainda para dar
se
perca na distância
Deixarei
lembranças minhas
Em
tudo que é teu
Somente
assim perpetuarei
a
minha presença
Eu
te amarei mesmo
que
tudo passe
Deixarei
os segundos
percorrerem
a distância
louca
da ausência
E
me entregarei a ti
na
ilusão dos pensamentos
Mesmo que sofra
Mesmo
que chore
AMANHÃ...?
Olho
o poema na estrada
Olho
os sonhos nas nuvens
E
os pássaros na areia
E
vejo a cor dos anos
Escurecendo
o passado.
Até
a pouco
O
chão era relva
E
as estrelas estavam longe
O
passado passou
E
o futuro chegou.
Quanto
pensar naquelas tardes
Naqueles
ares
Naquelas
faces
Hoje
o passado é agora
O
futuro foi ontem.
Não
se sabe o que é o amanhã
O
homem sufocado nas manhãs
E
nas noites velozes
Procura
o caminho de volta
Sem conseguir encontrá-lo...
Hoje sou apenas poesia
Depois serei passado
E meus guardados serão lembranças
Serão noites embriagadas
De canções esmaecidas!
NÓS
SABEMOS...
Quantas
vezes os nossos olhos
se
encontraram...
Quantas
vezes os nossos lábios
se
uniram...
Quantas
vezes as nossas gargantas
sufocaram
gritos de amor...
Já
nem sabemos,
Não
é mesmo?
Quantas
vezes as nossas lágrimas
brilharam
na distância...
Quantas
vezes nossos sussurros
ecoaram
ensurdecedoramente
na
solidão cavernosa das noites...
Quantas
vezes nossos pensamentos
coincidiram
nos espaços vazios...
Já
nem sabemos
Não
é mesmo?
Quantas
vezes nossas saudades
remoeram
paixões e gritaram dores...
Quantas
dores nas distâncias sufocadas...
Quanto
veneno no tempo lento...
Quanta
amargura na felicidade...
Quanta
tristeza no pranto...
Já
nem sabemos,
Não
é mesmo?
E
os anos, meses, dias, horas,
minutos e segundos que estivemos juntos.
Isso
nós sabemos, não
é mesmo?
ETERNIDADE
Meu
amor
Muita
coisa passou...
O
tempo ingrato
manteve
o seu curso
muita
coisa mudou.
Lembra-se
de quando começamos?
Sempre juntos, todos os dias...
Tínhamos
tempo para tudo
tanto
tempo que até brigávamos;
para passar o tempo...
Ouvíamos
as mesmas músicas
trilhávamos
os mesmos caminhos...
A
saudade não existia
a
distância era ínfima.
Fomos
passando,
eu
com o meu ideal
você
com sua resignação...
Hoje
temos pouco tempo,
não
há tempo para as músicas,
não
há tempo para caminhos,
muito
menos para brigas.
A
saudade é constante
e
a distância é real...
Meu
amor, estamos passando
sem
perceber estamos sendo levados
por
esse tempo sem tempo...
Vamos
passando
e
ele vai escrevendo
pelas
trilhas da saudade
o
passado que não volta mais...
Nós
não somos os mesmos,
Nossa
face já foi marcada,
E nossas cãs esbanquiçadas,
revelam nossas andanças
mas
o nosso sentimento
Será sempre recomeço
jamais
passará
porque
é ETERNO!
BANDEIRA:
DEUSA SERENA
Tremulante
e colorida vibra ao vento,
Desafiando
magestosa o rude fardo.
Desfraldada
revela com muito alardo,
Um
país glorioso e com igual portento.
Sim,
bandeira! És triunfante e dás alento
A
um nobre povo, culto e saber tão largo!
Tens
nas cores o símbolo tão galhardo,
De
tantas coisas que foge ao pensamento!
Com
que ternura te respeito e contemplo!
Ó
tu do meu Brasil soberano exemplo!
Real
maravilha de drapejar tão belo.
Nesse
verde e amarelo há encantamento!
Nesse
branco e azul deslumbramento!
Nessas
estrelas existe um Deus tão singelo.
VIRTUALIDADE
Vou,
mas a ida é breve
Voltarei
aos braços teus
Tão
logo a manhã
arrebente
os grilhões da noite
Fui,
estou pensando em ti
Nessa
viagem a tarde é calma
Olho
a paisagem da estrada
e
me vejo de volta te encontrando
Estou
lá querida
Penso
nas noites e carícias
e
canto poemas coloridos
Ainda
é ida sem volta
Passam
os incontáveis segundos
inesgotáveis,
infinitos...
Olho
as nuvens, vejo o pensamento
Sinto
a brisa, penso nos teus beijos
Passaram-se os turbulentos momentos
Estou
de volta, fim da ida
Fique
com esta imagem minha
Tão longe na distância
Tão perto na lembrança
INCERTEZAS
Haja
vida no ser humano
que
espera a morte;
Emudeça
a voz da sombra
que
controla o tempo.
Sem
luar sem riso
não
se vive;
Haja
esperança na brisa
e
cresçam os sonhos.
Tão
logo se vão os anos
a
quimera vida morre;
A
morte sempre espera,
E a vida vai ao encontro dela.
Tanto
se faz,
E
as portas se fecham,
De
nada adianta
se
a morte espera...
Mas
a ilusão existe
na
quimera incerteza
Que
fazer?
Sim,
esperar...
O momento da verdade
E preparar nossa viagem
Pelo caminho do retorno.
SER
ETER
Que
mais a alma deseja
senão
fugir para a verdade final
passar
pelas barreiras do além
e
cansar suavemente no descanso.
Chegar
ao infinito e ao éter...
sentir
tão longe as almas em ebulição
sair
do esquálido restrito
e
pensar livremente na luz.
Fugir
dos recalques e frustrações
extrapolar
o enigmático
sentir-se
livre do esboço
e
do carcinoma humano.
“Alma
minha gentil que te partiste...”
Estás
cansando nas estrelas
O
fulgor de tua ambição.
És
livre; se embeba do pó do éter
E sejas éter, eternamente,
Sejas livre eternamente,
Para seres eternamente livre!
Caro jovem
Embriaguez corrompida
em névoa entorpecente
Aí
está o imaginário
e a fantasia
Reflexo
da aventura...cruel desdita
Seja ser humano, alma e fé
Desafie a vontade
E
o prazer maior
Frágilidade?
mude de roupa
Que se aproveite
os vôos para dentro de si mesmo:
Reflexão, labirintos, caminhos...
Porque grandes altitudes...
com asas curtas?
É apenas fraqueza...
Só faz descer. E depois?
Outro vôo?
Para onde?
Neurose... Psicose...Fuga?
De um retorno e...
Que se procure o encontro
Sem contradições.
ELE
Talvez
ninguém saiba
Mas
eu sei das coisas;
Sei
das coisas do Universo,
Sei
da incompreensão,
Sei
do egoísmo,
Sei
da morte,
Sei
das estrelas.
Penso
nelas
Mas
não falo;
Sei
de mim e dos outros,
Sei
tudo , ninguém sabe
Sei
da crença; ninguém crê.
Olho
em volta de mim
Vejo
as coisas e sei delas,
Sei
de tal modo que não crêem.
Quando
falo, não exprimo,
Ninguém
entende, sou esquecido
Sei
do esquecido, sei da vida,
Sei
do homem, sei da ida.
Olham
para mim, vêem o Nada,
Mas
eu me vejo e creio.
Ninguém
me vê; ninguém se vê.
Mas eu vejo tudo!
Sei
da razão, da consciência,
Sei
da verdade; eu a vejo;
Sou
a Luz,
SOU
O QUE SOU!
PRIMAVERA
A
Primavera
despontou
no tempo
e
deixou incontáveis segundos
mortos
nos caminhos.
Hoje
é primavera,
as
flores da noite
encantam
a lua.
Os
segundos não passam.
É
primavera eterna
nos
sonhos de meus sonhos,
Não
há corridas, nem tempo
tudo
parou no infinito.
Quero
a fantasia das horas
estampadas
na tumba cruel
Do
incessante vórtice
que
esmaga coloridos.
Quero
as cinzas do passado
de
volta ao presente,
Quero
o amor fantasiado
de
poemas e arco-íris.
Quero
a primavera da vida,
Quero
tudo, quero a ida,
Quero
a volta, quero a eternidade,
Quero
a ti querida.
Arquetipo da fé
Desceu
das nuvens
um
homem num pássaro
chamado
GRANDE.
Era
grande o homem
cheio
de planos para o mundo
cheio
de sentimentos e moral.
Rugia
dentro dele
a
vocação de ser bom
e
comandar verdades.
Queria
dar certeza e esperanças
queria
fazer, ordenar, abrilhantar
queria
dar fé e refletir silêncios.
Planejou
humildade e amor
Edificou a justiça, caridade...
Tudo
planejou e construiu
e
viu crescer o humano...
Partiu
para as nuvens
o
homem num pássaro
chamado
pequeno.
Era
o mesmo homem
Era um Grande Homem
mas partiu num pássaro
chamado pequeno,
cheio
de...
IMAGEM
DA ILUSÃO
Lembre-se
de mim
quando
eu partir
Busque
no passado
a
certeza de que
não sou ilusão.
Veja
nos lugares
que
junto percorremos
a
minha presença
Pense
que não parti ainda
e
terás a sensação
de
minha presença
Aguarde
como um sonho
que
não se extigue
o
meu regresso
Viva
pensando, em mim
a
cada segundo
e
terás o meu corpo
e
minha alma
nos
desejos solitários
Faça
isso e eu
jamais
partirei
Estarei
sempre contigo
porque,
mesmo na ausência
O
que importa
é
a ilusão da presença
Pensa
nisso
E
eu estarei
sempre
junto de ti
Meu
amor.
ENIGMA CONGELADO
Eu
sei da pedra
e
do enigma imóvel,
Eu
sei do adinâmico
pois
eu conheço o estático.
Viajei
por quimeras da aridez
para
poder sentir a rudeza da ida
e
a aspereza da volta.
Eu
não sei quem sou
só
sei que sou,
Para
mim partida, é saudade
e
saudade é a volta.
Eu
vi lágrimas secas
brotando
de face sem olhos,
Eu
vi tristeza na boca da noite.
Eu
não conheço o impossível
pois
ele não existe,
Eu
só sei de mim
e
os outros são eus de mim.
Cantei
para os segundos infinitos
que
percorriam o eterno
e
gritei um nome esquecido.
Eu
só sei o que sei
por
isso eu sei tudo,
pois
tudo é nada
e eu não sei nada!
Olhei
as flores do campo
e
o sol espezinhando suas cores
e
lembrei a lembrança.
Eu
existo em tudo
porque
sou nada
E
o nada existe em tudo.
Tenho
só que esperar
na
ilusão do cansaço
o
atraso da chegada.
Já
antevejo a queda
dos
preconceitos científicos
e
o desespero da compreensão.
Chego
a prever
o
mutismo emperdenido
das
glotes sufocadas
rompendo
o sono dos milênios.
Posso
adiantar-me no esboço
da
síntese proibida
e
pecar contra a restriçção
da
matéria entorpecida.
Ondes
e jás, agoras e sempres
Milênios
antecedendo os presentes
Silêncios gritando verdades!
Eis
aí o mistério fantástico
do
pouco sabido e do muito esperado.
É
tempo novo; É tempo de ser.
É tempo de expandir a consciência
E de evoluir o pensamento.
É tempo de ir e vir ao mesmo tempo
É tempo de Ser o próprio Tempo
Tecendo mistérios
Quando
raiar a luz do amor
Vou
sonhar vidas e ilusões
Quando
a união se completar
Vou
tecer os mistérios da vida
Quando
chegar o dia da Criação
Vou
caminhar madrugadas
Nas
curvas do tempo perdido
Vou
desfilar lágrimas no Universo
e
lembrar dos enigmas e verdades
Quando
nascer de novo
Vou
pousar nas estrelas
E
cintilar constelações.
Vou
iludir cansaços na ida
Para
nascer forte na volta
Quando
caminhar para o fim
Serei
movimento no próprio jazigo
Porque
nascerei vitorioso
para
sonhar as fantasias da vida.
CREPÚSCULO
AMANHECIDO
Hoje
eu morri duas vezes
Morri
completamente
As
flores em mim, murcharam
Não
existe mais rosas
Hoje
eu morri para mim mesmo
sem
deixar saudade
Morri
chorando..
Quando
existirem de novo as flores
Eu
serei jardim
Serei
jardim
e verei o rair do Sol
Hoje
eu morri duas vezes
Morri
completamente
Para
me tornar jardim
e
ver as flores brotarem em mim
Eu
morri hoje
Quisera
morrer mais.
Para ver o sol raiar milhões de vezes.
SEREI
SER
Siga
a distância
dos
meus passos
na
longitude da neblina,
e
eu me farei ser
e
eu serei.
Sinta-me
na plenitude
de
meus atos
e
eu serei a juventude
nos
teus braços.
Dê-me
a mão de esperança
e
eu te ajudarei a encontrar-me.
Confie
em meus conceitos
e
eu procurarei a volta.
Pense
nos meus fracassos
e
encontrarás o teu sucesso.
Ama-me
na pureza das carícias
E
o amor te encontrará no caminho.
Conheça
a minha verdade
e
eu te darei a minha vida;
Eu te serei e tu me serás
VINGANÇA
DO TEMPO
O
adeus da partida
A
saudade da volta
Eis
a vingança
do
tempo de espera
Eis
a espera do tempo
sem
fim.
A
ida, a volta
É
tudo crepúsculo
É
tudo manhã
Sem
espera
Sem
começo
Sem
volta.
É
tudo saudade
A
estrela fugitiva
vai
e vem
consumindo
momentos
E
a espera se cansa
no
balanço do vento.
A
lembrança se esvai
na
quimera do tempo
E
eu corro na volta
E
eu sofro na espera
E
eu morro na ida.
A
HORA
O
Adeus chegou só para mim;
Deixo
traços de uma vida
Que
só existiu para completar.
Deixo
quimeras fantasias
De
ilusórias inexistências.
Deixo
o adeus que me levou.
Nem
a sombta negra e fria
ficará
no passado de meus passos.
Deixo
lembranças de saudades;
Deixo
esperanças nas verdades
Para
quem nelas procurar encontro;
Deixo
tudo. Deixo a vida para o mundo.
Para
quem tiver mistério no olhar,
Deixo
as palavras perdidas;
Deixo
os verbos proferidos.
Para
o enigma da minha vida,
Deixo
a ciência mística e abstrata.
Para
a morte que viveu para morrer,
Deixo
manhãs e noites apagadas.
Irei
ter com o jamais e com o sempre;
Irei
ter com a Chama Verdadeira.
Deixarei
canções de pesadelos,
para
cansar mentes em desalinho.
Deixarei
uma gênese incompreendida;
Deixarei
o híbrido e o puro genótipo,
Para
fulgurar constelações no amanhã.
Irei
ter com o jamais e com o sempre;
Irei
convencer o Nada da Existência,
Para
completar o ciclo derradeiro.
Aqui, só deixarei lembranças
de
minha gênese aturdida e mística.
Aqui,
só dixarei a minha canção,
para
ouví-la baixinho na hora da partida.
Frestas da vida
Existe
tanta certeza
de
que os caminhos se encontram
nas
parábolas do tempo
que
chego a visualizar
por
entre as frestas da vida
a grande verdade
Sim,
eu sei que existe
porque
por passageiras ilusões
eu
cansei passos na ida,
para
buscar o complemento
e
por eternos instantes
exauri-me nas distâncias
para
trazer profecias.
Existe
tanta certeza
de
que os caminhos encontram
as
parábolas do tempo
que
já antevejo
o
remoer de córtex
à
procura da exatidão do desconhecido
Sim,
eu sei que existe
porque
nas quimeras partidas
eu
verti plasmas
para
poder completar
e
por caminhos de setas
procurei
a volta
para
revelar e libertar.
É
triste saber das coisas
que
ainda não chegaram.
Ontem
um pássaro me contou
sobre
as coisas do futuro.
Eu
nem sei se devo contar
Eu
nem sei se devia saber
Porém
eu soube e agora só me falta morrer.
Essas
coisas do futuro chegam até mim
E
me desesperam.
Tanta
gente à beira do abismo
Gritando
sobre paz
E
por dentro estão em guerra.
Quanta
gente quer a felicidade
E
não sabe que são felizes.
Por
que será que são egoístas?
Eu
sei da verdade
E
todos deveriam saber
para
poderem se amar
um
pouco mais, uns aos outros
antes
de morrerem para a vida.
A
luz que pouco a pouco
delineia
a distância da reta
chegará
um dia no desvio da curva
e
a parábola tangenciará o infinito.
Esse
trajeto é a verdade
do
destino do homem sobre a Terra.
Todo
o princípio será energia
e
a matéria voltará à sua origem.
A energia do axioma telúrico
chegará
a velocidades incríveis.
Eu
sei que voltaremos ao princípio
e
teremos paz e felicidade.
A
BUSCA DO MOMENTO
Se
na imensidão dos cansaços
as
buscas se colidem.
Reveja
seus valores
e
redirecione seus caminhos.
Se
no clangor de seus êxtases
A
procura perde o viço,
abandone
seus conceitos
e
elimine suas crenças.
Quando
vicejares para o futuro
Em
jardins descoloridos,
Atualise
seu passado
e
perfume suas rosas.
Assim,
poderá sob seu comando
Alcançar
todos os momentos
E
então a "persona" de sua alma
libertará
os grilhões de sua mente.
FUGA
CÉLERE
A
incerteza dos momentos
as
pétalas de rosa
que
o vento trouxe até a porta;
Tudo
é quimera
Tudo
morre.
As
primaveras fugitivas do eterno
O
elementar que retorna ao caos
para
ser consumido;
Tudo
é quimera
Tudo
morre.
Até
os passos cansados do universo
se transformam em céleres fugitivos.
Até
as cãlidas manhãs de sol
Que
percorrem
o infinito, velozes;
Se movimentarão ininterruptamente
com
velocidades exiomáticas para o fim.
Dias
e noites, segundos e milênios
percorrem
iônicamente o fim e o começo
num
retumbar incessante
de
têmporas explodindo;
Tudo
é Alfa
Tudo
é Ômega...
Tudo é começo e recomeço!
REFLEXO
DO BRILHO
Algodonosas
e
brancas nuvens.
Manhãs
cristalinas,
orvalhadas
de neve.
Alvos
lençois de linho...
Cãs
prateadas,
Luar
de alvuras.
Êxtases
virginais,
inocentes
anjos
de
candura divinal.
Véus
ao vento,
noivas
do tempo
em
cálidas manhãs.
Espelhos!
Reflexos
do nada.
Frágeis
brilhos,
brancuras
virtuais,
gélidos
olhares,
ebúrneas
purezas,
desejos
imaculados.
Canções
de ninar,
afagos angelicais
velhice
esmaecida,
enevoada
neblina.
Sonhos
inodoros,
insípidos
pesadelos,
transparências...
Nada
mais.
BRADO
AO VENTO
O
canto da ave,
o
canto do vento,
É
o
canto da glória
Que
se perde no tempo.
Que
adianta cantar,
Que
adianta bradar,
Que
adianta compor,
Que
adianta lutar...
O
canto que canta,
O
canto que brada
Se
perde no tempo,
Não
fica na história.
Não
adianta esperar,
não
adianta cantar,
O
importante é agir,
não
adianta bradar.
Esperar
é parar,
Pensar
é agir,
Não
adianta compor,
O
que adianta é fazer.
O
canto que canta,
O
canto que brada,
se
perde no tempo
E
na memória se perde...
Parar
sem pensar
É
esperar para agir.
Não
adianta gritar.
O
importante é sentir...
O
ÓBVIO EM TRANSE
Escrevo
em transe
Escrevo
o óbvio
Alma
no almaço
Alma
na mão
Alma...almanaque,
alma no maço
Ao
maço...amasso...
Escrevo
a vida.
Vida
em réstia,
Vida
em Luz,
Fresta
da Vida,
Réstia
de Luz,
Sol
na janela.
O
transe é óbvio
O
óbvio é a vida.
A
vida é transe
Escrevo
em sangue
Escrevo
exangue...
Canção
no espaço
canção
na fé
Morte
em sombra,
Morte
em luz.
Luz
e sombra.
Morte
sem dor.
Vida em sangue
Sombra
da vida,
Assombro
da morte.
Morte
em Vida,
sangue é vida
A Morte é transe
O
ABISMO DO TEMPO
O
tempo está passando
E
os momentos já lá vão
Como
que naufragando
Nos
sonhos das horas
Sem
demora,
Sem
demora...
Lá
se vai o passado
Para
o fundo do Futuro
Como
se consumindo
Pelos
passos dos minutos
Diminutos,
Diminutos...
E
agora o já, já se foi
Derradeiro
para o fim
Como
que silenciando
Os
tics-tacs dos segundos
Tão
fecundos,
Tão
fecundos...
INVERNO
Ruge
nas entranhas do tempo
Os
incontáveis segundos
A
flores da noite
O
momento para
É
inverno nos sonhos dos sonhos
Não
há corridas, nem tempo
Tudo
parou no infinito
Há
farrapos de estrelas
Perscrutando
as fantasias
E
digerindo manhãs
Em
outonos de pedra!
Onde
estão as horas fugidias?
E
o incessante vórtice do eterno
Que
esmaga coloridos?
Onde
estão as cinzas,
E
as almas...
Que
voaram alhures?
E
a Primavera onde medra?
Quero
os passos na ida
E
o caminho de volta.
Quero
a fantasia das horas
Na
eternidade do momento.
Quero
o amor fantasiado
De
poemas e arco-íris.
Quero
tudo, quero a vida!
Tento
em vão buscar
No
verdor das cantigas
As
rimas do passado
Tento
em vão ser eternidade
Para
ser Primavera
Mas
o Outono é pedra!
E
o Inverno algures medra!
DOCE
ENCANTO
Quantas
vezes passei nos tempos idos
Imaginando
sonhos de aventuras
Quando
então me sentia nas alturas
Na
construção de castelos destruídos.
Hoje,
vejo essas maravilhas erigidas
Num
jardim de rosas puras
E
sinto todas essas ternuras
Em
meu peito quente reunidas.
E
se os sonhos acalentados de outrora
Se
apagassem? Que mágoas teria eu agora
que
meu coração sorri e canta.
Talvez
o destino frio, sem remédio
Jogasse
meu futuro no escuro tédio
que
hoje liberto e viril encanta.
Ser
SER
Siga
a distância dos meus passos
Na
longitude da neblina
E
eu me farei ser
E
eu serei.
Sinta-me
na plenitude de meus atos
E
eu serei a juventude nos teus braços
Dê-me
a mão da esperança
E
eu te ajudarei a encontrar-me.
Confie
em meus conceitos
E eu te procurarei na volta!
Pense
nos meus fracassos
E
encontrarás o teu sucesso
Ama-me
na pureza das carícias
E
o amor te encontrará no caminho
Conheça
a minha verdade
E
eu te darei a minha vida
Eu
te serei
E
tu me serás.
SOLIDÃO
Opor-se
ao tédio é viver
Viver
no tédio é sofrer
Sentir
o tédio é percorrer
mundos
obscuros sem sorrir
Manter
o tédio é chorar
Chorar
no tédio é pensar
nas
tristezas sem par
sorrir
no tédio é mentir
Orar
no tédio é pedir
Pedir
no tédio é implorar
implorar
no tédio é querer
e
querer o tédio é morrer
CANTILENA
Depois
da cantiga
A
voz amiga
Sussurrou
paixões
E
seduziu meus espaços.
Mais
só chega quem já foi
Essa
é a lei de quem partiu
E
se a lembrança sempre dói
Pelo
menos não feriu.
Depois
dessa cantiga
Minha
voz amiga
Recitou canções
E seduziu corações!
CIRANDA
DO TEMPO
Ali
estão
as
bolinhas de sabão,
que
lá vão...que lá vão...
Ali
está
o
bolinho de fubá,
que
já foi...que já foi...
Que
sapeca, que sapeca
pula,
bate, sobe e desce,
A
danada da peteca.
Aonde
vai, aonde vai
o
coitado de meu pai?
Core,
corre, corre e cai
Vai
correndo, vai caindo
procurando,
caindo vai.
Nesse
tempo de cantiga
Nesse
tempo de balão,
Já
se foram, já se foram,
muita
festa e rojão
Hoje,
resta a festança
gostosinha,
gostosinha
dos
momentos de lembrança
bem
alegre, bem alegre
desses
tempos de criança.
DIMENSÃO
PARA O ETERNO
Olha
o barco
Que
aporta no cais;
Olha
a porta
Que
não abre mais.
Onde
estão as sereias,
Que
a maresia
Desenhou
a noite,
Na
umidade das areias?
Olho
o barco ali no cais
E
na distância do pensamento
Ouço
ao cantar do vento
Que
a porta não fecha mais.
PRESENÇA
AUSENTE
Onde
está a presença?
Desapareceu
no ruído das horas.
Consumiu-se
na ausência;
E
entristeceu o momento.
Cálidas
manhãs de chuva
Rompem
no horizonte
e
tingem de bruma o passado
Onde
está a ausência?
Reapareceu
na angústia de quem fica,
Fez
morada na alma entristecida
E
enfeitiçou este tormento
Pérfidas
canções enevoadas,
Tangeram
rituais inebriantes;
E
regeram estrelas
todo céu e firmamento.