LAVOURA E FAZENDAS DE ITAPIRA EM 1935

 

Fazenda São José

A fazenda São José, ótima propriedade rural localizada a sete quilômetros de Itapira e medindo 130 alqueires, pertence ao distinto cavalheiro sr. Affonso da Silveira Leme, membro de tradicional família paulista. Entre as culturas existentes salientam-se 116.700 cafeeiros, belas roças de cereais, canavial destinado à forragem e pomar pequeno para o gasto, muito variado. Matas magníficas, com 30 alqueires, são providas de numerosas madeiras de lei.Em 14 alqueires de pastarias estão sadias vacas de leite, cabeças de gado e outros animais para os serviços de custeio. Numerosos machinismos funcionam na Fazenda São José, notando-se máquina combinada de beneficiar café e moinho de fubá, movidos por eletricidade.Há também, seis secadores Santa Luzia. A colônia compõe-se de 29 famílias, existindo 33 habitações para esse pessoal.Casa de residência ótima, com iluminação elétrica, água encanada e telefone, tem nas proximidades amplos terreiros, tulhas, garage cocheira, estábulo e aperfeiçoada bomba elétrica para água.

Fazenda São Francisco

Nos limites do perímetro urbano e fazendo frente para duas ruas, encontramos a belíssima Fazenda São Francisco um dos mais ricos imóveis agrícolas de que se pode orgulhar o município de Itapira. Pertence ao ilustre deputado ce. Francisco Vieira, o abnegado ex-prefeito local, o homem que em todas as emergências tem sabido defender com ardor a terra natal e o Estado glorioso de São Paulo. Administrada proficientemente pelo sr. Eugenio Vieira, a Fazenda São Francisco compreende 62 alqueires de terra superior, tendo o café como principal cultura e possuindo 31.000 pés da preciosa planta, em franca produção. A plantação dos cereais de uso corrente é feita em boas proporções, estando tais culturas muito prósperas. Separados dez alqueires de luxuriantes pastarias, aí vive o rebanho em que se destacam magníficos exemplares de gado Caracu, Flamengo e Jersey, além de outros animais para o custeio. Lavrador adiantado, acompanhando com empenho a evolução da agricultura, ao sr. Cel. Francisco Vieira não escapou o incomparável futuro reservado ao algodão paulista, pelo que destinou quinze alqueires de seus terrenos ao plantio do famoso produto, alcançando pleno êxito nesse tentamen (?). Propriedade aproveitada com critério, tem poucas matas, pois não ultrapassam seis alqueires. Apresenta, todavia, madeira de lei das espécies mais procuradas no mercado. O pomar representa um dos grandes atrativos da Fazenda São Francisco. Abrangendo extensa área, conta 3.600 pés de arvoredos frutíferos escolhidos, destacando-se o laranjal em que predominam as variedades Baiana, Barão,Cravo, Graip Fruit, Washington, Naive, etc..Cuidados com a observância de todas as regras da citricultura, esses frutos distinguem-se pela beleza e delicado sabor. O trato da lavoura foi confiado a 14 famílias de hábeis colonos, residindo esse pessoal em 10 casas sólidas. Há, também vários camaradas. Toda a propriedade é banhada abundantemente , sendo a água encanada para os  serviços da sede. A Fazenda São  Francisco dispões de todos os acessórios próprios das estâncias agrícolas caprichosamente montadas. Salientam-se terreiros perfeitos, revestidos de ladrilhos, com lavadores e em dois planos. Há outrossim, sólido engenho de cana, tulhas, garagem, cocheira, estábulo amplo esterqueira, chiqueiros, paióis, mangueirões, piquetes, etc., e completa coleção de carroças, carrinho e outros veículos. Logo à entrada da Fazenda São Francisco, produzindo agradável impressão em quantos visitam a propriedade, está o palacete de residência, de linda aparência, dispondo dos desejáveis recursos de conforto como água encanada, aparelhamento sanitário moderno e completo, luz elétrica, telefone, etc. Atestando os sentimentos religiosos do proprietário encontramos duas graciosas capelas nos terrenos da propriedade. Embora residindo presentemente na capital, o sr. Cel. Francisco Vieira possui luxuosa vivenda no centro da cidade de Itapira, aí recebendo os seus amigos que são quantos aqui moram.

Fazenda Santa Francisca  

A família Cunha é tradicional no município de Itapira. Desde tempos imemoráveis os seus membros vem prestando a esta terra os mais assinalados serviços, fazendo jus, em conseqüência, à grata admiração do nosso povo. Pertence a Fazenda Santa Francisca, situada a 12 quilômetros desta cidade e nas vizinhanças da estação Barão Ataliba Nogueira, à firma D.Maria Josefina da Cunha & Filhos, de que fazem parte a exma sra. d.Maria Josefina da Cunha e seus dignos filhos srs. Orlando Cunha, dr. Joaquim Gomes da Cunha e João Batista da Cunha, membros da distintíssima família a que antes aludimos. A gerencia está a cargo do sócio sr. Orlando Cunha. A área total é de 106 alqueires de terras superiores, tendo o café como principal cultura e havendo 100.000 pés da preciosa rubiácea, inclusive 25.000 pés ainda novos. Para o trato desse produto não faltam na Fazenda Santa Francisca os devidos requisitos, notando-se terreiros ótimos, escrupulosamente ladrilhados, boa máquina de café Federighi para 200 arrobas, movida por meio de possante vapor Robey e roda d’água, tulhas para armazenamento etc. Há plantações de cereais, cana de forragem e magnífico pomar. Tais benfeitorias são apenas para o gasto.As matas vão a 35 alqueires com preciosas madeiras de lei das qualidades mais procuradas. Quanto às pastarias, soma 15 alqueires, abrigando vacas leiteiras e outros animais para o custeio. Entre os maquinismos não podemos esquecer boa máquina para beneficiar arroz e um moinho de fubá. Todos os trabalhos da Fazenda Santa Francisca são executados por 22 famílias de colonos, habitando em 25 casas, além de vários camaradas. A propriedade é servida de águas superiores e abundantes, banhando as pastagens e as culturas. Em ponto escolhido cuidadosamente foi levantada a casa de residência assobradada de avantajadas dimensões, dispondo de todas as comodidades como iluminação elétrica, telefone n.26, água encanada, completo aparelhamento sanitário, mobiliário elegante e confortável. Concluindo a descrição da ótima Fazenda Santa Francisca, resta-nos apenas mencionar a existência de luz elétrica própria, garagem, cocheira, esterqueira, mangueirões, etc.

Fazenda do Barreiro  

               

1 - Sede da fazenda Barreiro // 2 - Sede da fazenda Piedade

Esta fazenda é de propriedade da firma Irmãos Cunha de que fazem parte os distintos moços Srs. Orlando Cunha que tem a gerencia a seu cargo; Dr. Joaquim Gomes da Cunha, abalizado clínico domiciliado no Rio de Janeiro; e João Batista da Cunha, todos itapirenses muito devotados ao torrão natal. Atingindo-se o rico imóvel rural, temos a atenção despertada para a esplêndida vivenda de residência, muito sólida, servida de iluminação elétrica, água encanada, instalações sanitárias perfeitas, fone n.24, etc. À  frente estão os terreiros – dos melhores do município. Grandes ladrilhados, com 6525 metros quadrados, dispões de lavadores. Ao lado, a máquina para beneficiar café. Fabricação Mac Hardy tem capacidade para 200 arrobas diárias, agindo por meio de possante vapor Robey, de 10 c.v. Os demais utensílios como tulhas, moinho de fubá, garagem com um automóvel de passeio, ranchos com carroças e trole, cocheiras, estábulo, esterqueiras, mangueirões, casa de administração, etc., ficam nas proximidades, sendo iluminado a luz elétrica produzida na fazenda. Referindo-nos às culturas, precisamos mencionar, em primeiro lugar, os cafezais compreendendo 200.000 pés em franca produção e que encantam pela beleza e desenvolvimento. Há também, cereais para o gasto, canavial destinado à forragem, magnífico pomar dotado das melhores árvores frutíferas, mandiocal e 150 alqueires de preciosas matas, nas quais encontra-se grande quantidade de madeiras de lei, inclusive  perobas e jequitibás.Numerosas vacas leiteiras, gado e outros animais para o custeio ocupam 25 alqueires de pastarias. Toda a Fazenda do Barreiro é servida de água puríssima e abundante, encanada na sede. Para o trato da lavoura mantém os Srs. Irmãos Cunha 48 famílias de hábeis colonos, além de camaradas. Esse pessoal está domiciliado em 50 prédios bem construídos e de aparência agradável. Situada a 12 quilômetros de Itapira, a Fazenda do Barreiro dispõe de quatrocentos alqueires de área, terra de primeira qualidade para qualquer gênero de cultura. Estando a Estação do Barão de Ataliba Nogueira apenas a algumas centenas de metros de distância, por ela são feitos os embarques dos produtos da fazenda. As fazendas "Piedade, "Barreiro e "Santa Francisca", pertenceram desde 1913 a mais ou menos (1936?) e mais tarde foram passando para outros proprietários. Essas fazendas abrigaram após a abolição da escravatura, inúmeras famílias de italianos que ficaria cansativo enumerá-las.

Fazenda Santa Bárbara

           

1 - Vista parcial da  Fazenda Sta. Bárbara // Antiga sede da Fazenda Santa Bárbara - Foto: Jacomo Mandatto, dezembro, 1999

Esta propriedade, uma das maiores do município, merece particular apreço pelas magníficas benfeitorias que encerra e, mais ainda por ter sido o domicílio do saudoso dr. Francisco de Paula Moreira Barbosa, elemento destacadíssimo de nossa sociedade e um dos mais infatigáveis pioneiros do progresso itapirense. Hoje pertence a Fazenda Santa Bárbara à Exma. viúva Barbosa & Filho, exercendo a gerencia proficientemente, o distinto moço sr. Geraldo Quartim Barbosa. Localizada a um e meio quilômetro de Itapira, a propriedade abrange 470 alqueires de ótima terras tendo o café como principal cultura e alinhando-se em seus admiráveis cafezais 250.000 pés. Para o trato e preparo da rubiácea há todo o aparelhamento necessário: terreiros perfeitos, escrupulosamente ladrilhados e com lavadouros; sólida máquina S. Paulo, movida por motor elétrico de 30 H.P., podendo beneficiar 300 arrobas e seis amplas tulhas. Boas roças de milho ocupam largo espaço, estando em promissoras condições. Há, outrossim, mandiocais e canavial. Luxuriantes matas virgens dotadas de madeira de lei das mais procuradas e numa extensão de oitenta alqueires impressionam pela grandiosidade. Há além disso, bela floresta com 40.000 eucaliptos. As pastarias vão a 40 alqueires, plantados em capim das variedades mais preconizadas. Aí foram abrigadas cem cabeças de robusto gado, com reprodutor zebu, animais, de custeio, vacas leiteiras, etc. Numerosos camaradas e cinqüenta famílias de hábeis colonos encarregam-se dos diversos misteres. Para esse pessoal possui o imóvel oitenta casas de boa aparência. Toda a Fazenda Santa Bárbara é dotada de aguadas abundantíssima, sendo o liquido cuidadosamente encanado na sede e colônia..Bom moinho de fubá, para a serventia da Fazenda, pode ser movido por eletricidade ou por forca hidráulica. Entre os acessórios podemos salientar garagem, cocheira, estábulo, esterqueira, chiqueiro, paióis, mangueirões, etc. Pomar variadíssimo e grande, tem – entre outras árvores frutíferas – 2.000 laranjeiras Washington, Navel e Graip Fruit. Os srs. Viúva Barbosa & Filho deliberaram instituir também a cultura do algodão na Fazenda Santa Bárbara e a idéia foi coroada de pleno êxito, havendo atualmente sessenta alqueires plantados com lindíssimos algodoais. Ótimo palacete de residência, grande, vistoso, tem todas as dependências necessárias e os devidos recursos modernos como iluminação elétrica, telefone, perfeitas instalações sanitárias, etc. Gárrula, capelinha delicada a São Sebastião, patenteia os sentimentos religiosos dos proprietários da Fazenda Santa Bárbara. Essa gleba de terras pertenceu aos ancestrais dos atuais proprietários estendia-se até as fronteiras da cidade d Araras (SP). Essa faixa era um bloco de mais ou menos 100.000 alqueires e tinha em média uma largura de duas léguas. Naquela época em 1750 constituiu-se uma sesmaria e o desbravador dessas terras virgens foi o capitão Joaquim Inácio de Oliveira Luz. Era o bisavô dos atuais proprietários. Essa sesmaria foi dividida, tendo sobrado apenas 600 alqueires de terra para o herdeiro. A fazenda "Santa Bárbara" tem suas fronteiras: ao Norte com o perímetro urbano, propriedades de Sartori e Robles; ao Sul com a fazenda Santa Cecília, propriedade do Sr. Romero e fazenda Herdade, cujo dono é o Dr. Quartim Barbosa, parente dos donos da fazenda; a Leste com as terras dos Ferreiras, propriedades dos Robles, Estrada de Amparo, propriedade de Bazani e perímetro urbano; ao Oeste, com a fazenda da Calunga, de propriedade do conde Raul Crespi e com a fazenda Santo Antonio de Ângelo Lisi.

Chácara das Lavras  

Proprietário Sr. Mario Stringuetti

Nascido na Província de Treviso (Itália) em 18 de fevereiro de 1883, está o proprietário desta ótima propriedade, sr. Mario Stringuetti, no Brasil e em Itapira desde os 5 anos de idade, sendo estimadíssimo pelas suas belas qualidades morais. Casado com a exma  sra. d Maria Raffi – já falecida – tem os seguintes filhos: D.Anna, Luiz, José, Pedro, srta. Angelina, Ernesto, Mario, srta. Augusta e Job. A Chácara das Lavras fica a 1 quilometro da cidade tendo 2.000 cafeeiros novos, plantações de cereais para o gasto, cana para forragem, bom pomar e um alqueire de matas. Compreende 28 alqueires de área. Nos 24 alqueires de pastos estão os animais de custeio e 100 cabeças de lindíssimo gado, inclusive vacas leiteiras, cujo produto ladrilhado e outras benfeitorias. Além de um prédio de aluguel na cidade, tem o sr. Mario Stringuetti outra propriedade a 10 quilômetros de distância, com 30 alqueires, pastarias, duas boas casas etc.

Sitio Aparecida  

Proprietário Sr. José Ferreira de Morais

Pertence o Sítio Aparecida ao venerando cavalheiro Sr. José Ferreira de Morais, distintíssimo itapirense e vulto tradicional no bairro Ponte Nova, onde desfruta tamanho apreço a ponto de ter sido dado o seu nome respeitável a uma avenida daquele próspero núcleo rural. Ali nascido em janeiro de 1859, o Sr. Morais consorciou-se com a exma. Sra. d. Gertrudes Pereira de Jesus, também oriunda do mesmo local. Desse feliz enlace tiveram os seguintes filhos: José Ferreira Junior, já falecido, tendo tido seis filhos, três dos quais são hoje casados; exma. Sra. d. Maria Ferreira já falecida, deixando um filho e a exma. Sra. D. Anna Ferreira, domiciliada na Ponte Nova. .O Sítio Aparecida que é o resultado da vida de honestidade e labor sempre seguida pelo Sr. José Ferreira de Morais, fica a 17 quilômetros de Itapira, tendo a área de quarenta alqueires de ótimas terras. Entre as inúmeras benfeitorias podemos cotar o café, no total de 20.000 pés, em franca produção. Os animais representados por várias cabeças de gado, burros etc. vivem recolhidos a cinco alqueires de viçosas e abundantes pastarias. Muito valoriza o Sítio Aparecida a existência de 8 alqueires de matas com preciosas madeiras de lei, assim como moinho de fubá, monjolo, casas para colonos e agregados, plantação de cereais e sólida casa de residência. Reside em companhia do sr. José Ferreira de Morais, seu digno neto sr. Adelino Ferreira, consorciado em 25 de novembro de 1933, com a exma. Sra. d. Noemia Miranda Ferreira.

Fazenda Jardim  

Prop.sr.Antonio Barricatti & Irmãos

A Fazenda Jardim pertence aos distintos cavalheiros srs. Antonio Barricatti, José Sartorelli, Luciano Sartorelli e Vitório Sartorelli, todos itapirenses e componentes da firma Irmãos Sartorelli. Na mesma propriedade reside o respeitável ancião sr. Antonio  Sartorelli, nascido em San Dona Del Piave (província de Veneza) na Itália, estando no Brasil (em Itapira) desde 1888.É o progenitor dos proprietários. Esta fazenda fica a 6 quilômetros da cidade, tendo ótimos cafezais, pastarias, amplas matas de primeira ordem, boas casas de colonos, aguadas abundantes, etc. Entre os maquinismos notamos sólida máquina Souza para café;excelente máquina Mac Hardy para beneficiar arroz, moinho de fubá, etc. A casa de residência é um prédio grande, muito bem construído, dispondo de luz elétrica, água puríssima e telefone. Na Fazenda Jardim funciona uma escola mista rural, mantida pelo Estado. Ligada com esta propriedade e também dos Irmãos Sartorelli há a Fazenda Santa Maria, com pastarias, prósperos cafezais, plantações de cereais para o gasto e demais benfeitorias. Família distintíssima, composta de homens honestos e trabalhadores, muitos amigos do progresso local, para o qual contribuem sempre com a melhor vontade, os Sartorelli gozam em Itapira da maior simpatia.

Fazenda Palmeiras  

O sr. Vicente Bosso, proprietário da Fazenda Palmeiras, nasceu em Treviso (Itália), estando no Brasil (Itapira) há 48 anos. Nesse longo espaço de tempo, trabalhando sempre pela grandeza da terra itapirense, granjeou a estima e o apreço de quantos o conhecem. A Fazenda Palmeiras fica a 6 e meio quilômetros da cidade, tendo 49 alqueires de área. Nesse espaço vicejam formosos cafezais, belas plantações de cereais para o gasto, cultura de fumo em escala reduzida, boas pastarias em que vivem várias cabeças de gado e outros animais de custeio, 8 alqueires de matas com preciosas madeiras de lei, seis casas para os colonos, bons terreiros e sólida casa de residência, dotada de todos os recursos, inclusive passeio à frente, de onde é possível descortinar maravilhoso panorama dos arredores. Tem ainda o sr, Vicente Bosso o sítio Palmeiras, no bairro Tanquinho, a 5 quilômetros da cidade no qual há cafezais, cereais para o gasto, luxuriantes pastarias, quatro magníficos prédios e demais benfeitorias habituais nas propriedades agrícolas bem organizadas. A direção de todos os trabalhos está a cargo do proprietário.  

Fazenda São Roque  

A firma Ângelo Antonelli & Irmãos, a quem pertence a Fazenda São Roque, compõe-se dos srs..Ângelo Antonelli, Antonio Antonelli, Luiz Formigari e Maximiliano Setti, todos itapirenses, com exceção do último, nascido em Serra Negra. Moços trabalhadores, dedicados e progressistas, merecem a consideração e o apreço de toda a população do município, sendo geralmente apontados entre os elementos mais dignos de simpatia com que conta a nossa zona rural. A Fazenda São Roque dista 5 quilômetros da cidade, compondo-se de 80 alqueires de área aos quais foram plantados magníficos cafeeiros, belas roças de cereais para o gasto, promissora cultura de fumos, etc. Em local adequado estão os pastos, dando abrigo a varias cabeças de gado e outros animais destinados ao custeio. Entre as outras benfeitorias que mais valorizam a Fazenda São Roque, salientam-se terreiros, treze casas para colonos, capela dedicada ao padroeiro da propriedade, matas com madeiras de lei, tulha, mangueirão, paiol e ótima casa de residência, grande, com todas as comodidades.

Fazenda S. José da Aparecida  

Prop.João Evangelista de Almeida 

e Sra. Lazara Aragão

O sr. João Evangelista de Almeida, proprietário da Fazenda São José da Aparecida, nasceu neste município a 27 de dezembro de 1889, sendo consorciado com a exma. Sra. D. Lazara Aragão de Almeida, também itapirense. O distinto casa goza da maior consideração e merecida simpatia. Esta propriedade fica a 4 quilômetros da cidade, compondo-se de 57 alqueires de área,com plantação de café, cereais para o gasto, matas providas de madeiras de lei, bons terreiros, tulha, paiol, 7 casas de colonos, pastarias em que vivem os animais de custeio, pequeno pomar e linda vivenda de residência. Dando grande valor à Fazenda São José da Aparecida, foi ali descoberta importantíssima fonte de água mineral, cuja exploração comercial, a ser iniciada em breve, constituirá verdadeiro acontecimento, merecendo a atenção de todos os médicos do país. A analise oficial procedida no esplêndido produto deu excelente resultado. A água da Fazenda São José da Aparecida merece a preferência do público.

Fazenda Santa Bárbara   (dos Luppi)

A bela Fazenda Santa Bárbara, localizada a quatro quilômetros de Itapira e compreendendo 150 alqueires de área pertence à firma Luppi & Irmãos, composta dos srs. Estor Luppi (sócio-gerente), Herculano Luppi, Antonio Luppi e José Luppi, todos nascidos em Serra Negra e estimadíssimos neste município. Entre as culturas podemos mencionar 16.000 d pés de café, cereais em boa escala, excelentes plantações de fumo, grande canavial com quarenta quartéis, pomar para o gasto e dez alqueires de lindas matas. Em 70 alqueires de ótimas pastarias vive o gado para o comércio, numa média de 500 cabeças, além de vacas de leite etc. Na Fazenda Santa Bárbara é fabricada a melhor pinga da zona para o que funciona ótimo engenho. Há também um moinho. Entre os acessórios notamos boa capela, terreiros, parte ladrilhados, tulha, garagem, cocheira, ótima esterqueira, etc. No bairro do Violante, está um bom sítio e nas divisas de Mogi Mirim a ótima Fazenda Santo Antonio, dotada de todos os recursos.  

Fazenda São José  

Sr. Hermínio Bueno 

(foto acervo da família Bueno de Mogi Guaçu)

 

Fazenda São José em foto de 1935

Família Bueno no passado

 

Podemos ver na 1ª fila da esquerda para a direita: a 7ª Maria Franco da Rocha e o 8º sr. Hermínio Bueno

Na 2ª fila o 4ª é Pedro Egberto Bueno (criança), filho do sr Herminio

Embaixo o 8º é o José Roberto Bueno e o 10º, o Gilberto Bueno, ambos filhos do sr. Hermínio

Família Bueno atual -  Mogi Guaçu

 

Primeira fila da esquerda para a direita: José Roberto Bueno Filho, Rosângela Delfino, José Eduardo Chiarelli Bueno, José Eduardo Chiarelli Bueno Filho (no colo), Ilda Mandelli, Ana Maria Bueno Poletti, Benedito Domiciano Poletti, Marilia Bueno Poletti; segunda fila, na mesma ordem: Marianna Matheus Bueno, José Roberto Bueno Neto, Anna Emília Chiarelli Bueno(poetisa), José Roberto Bueno e Otávia Bueno Poletti. A três e meio quilômetros de distancia de Itapira, por ótima estrada encontramos a Fazenda São José, propriedade magnífica dotada de todos os recursos, compreendendo 100 alqueires de área em terras superiores. Além do café, somando 70.000 pés, há culturas de cereais para o gasto, bons terreiros ladrilhados, tulhas, paióis, etc. Em 10 alqueires de abundantes pastarias ficam os animais, salientando-se cerca de cinqüenta cabeças de gado Caracu, com finíssimo reprodutor puro sangue. As matas num total de 10 alqueires apresentam madeiras de lei das melhores variedades. Em ponto destacado está a casa de residência. Prédio alto, sólido com aposentos amplos, bem mobiliados, recebendo luz direta. Tem telefone, boa água e outros recursos de conforto. Pertence a Fazenda São José ao distinto cavalheiro sr. Hermínio Bueno, natural de Mogi Guaçu e que reside em Itapira há cerca de 4 anos.Homem bondoso, a todos acolhendo com a maior distinção, goza de grandes simpatias neste município, onde os seus belos predicados morais são justamente apreciados por quantos o conhecem.

Fazenda "Capoeira do Meio"

Uma vista da fazenda "Capoeira do Meio", de D. Amélia Cunha, em 1917.

Esta fazenda encontra-se num opúsculo lançado em 1917 pela seção de obras gráficas do jornal “O Estado de São Paulo”, o qual reproduz o relatório ao ano de 1916 que foi lido numa sessão da Câmara Municipal no dia 15 de janeiro de 1917. Posteriormente o nome foi mudado para "São José dos Palmares" e passou por diversos donos. Agora (1998) é do sr. Carlos Quartim Barbosa.

Fazenda Floresta  

Proprietário: Dr. Arthur Nicolau de Vergueiro

O Sr. Dr. Arthur Nicolau de Vergueiro, descendente direto da grande estirpe de varões notáveis como o senador Vergueiro e outros que honraram sobremodo a gente bandeirante no segundo Império, uma vez formado em direito, resolveu dedicar-se à magistratura, aceitando a sua nomeação para promotor publico e exercendo tais funções em Amparo, Serra Negra e Socorro. Entretanto, movido pela grande sensibilidade de seu extraordinário coração e porque repugnava à sua índole de homem bom e generoso o papel de acusador, abandou a carreira, trocando-a pela de lavrador, exercida por quase todos os seus maiores. Já então consorciado com a exma. Sra. D. Elysea Cintra de Campos Vergueiro, dama de peregrinas virtudes e dotada de incomparável firmeza, dirigiu-se o Sr. Dr. Arthur Nicolau de Vergueiro, em 1887, a este município, onde possuía terras a 14 e meio quilômetros da cidade, aí abrindo, no sertão adusto, a Fazenda Floresta, nome tirado, certamente das imponentes matas virgens que, então, povoavam toda aquela fertilíssima zona. Trabalhos enormes, tropeços, inacreditáveis tentaram tolher os passos do ardoroso pioneiro, forçado a lutar contra a natureza rebelde e, até contra a falta de braços porque, desde a época dos bancos da academia fora sempre um batalhador intransigente pela abolição da escravatura e, assim, jamais teve ao seu serviço senão homens absolutamente livres. Finalmente venceu. E venceu brilhantemente como, a atestá-lo aí está a Fazenda Floresta, conseqüência de seus esforços, de sua constância, de sua competência, de seu valor. Montada caprichosamente, figurando entre as melhores do município, não merece atenção apenas como propriedade agrícola e também para demonstração da operosidade assombrosa de nossa gente. Para os proprietários – digna esposa e filhos do fundador – é a recordação viva do chefe que a morte roubou e cuja memória palpita, sempre viva, em cada detalhe que ele construiu com o desvelado carinho do criador de uma grande obra.

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A Fazenda Floresta compreende 150 alqueires de área, terra ótima,objetivando principalmente a cultura do café, no total de 107.000 pés em franco desenvolvimento e alcançando a extraordinária media de 80 arrobas por mil pés. Para o trato desse produto foram construídos perfeitos terreiros ladrilhados, providos de lavadores “Maravilha” e o benefício é feito em máquina combinada “Mac Hardy” e “S.Paulo”, movida por um vapor “Clyton” de 8 cv., produzindo 300 arrobas em  dia normal de trabalho. O cultivo de cereais não excede às necessidades do gasto. Lindas matas virgens, somando cinqüenta alqueires e luxuriantes pastagens destinadas ao abrigo dos numerosos animais de custeio mais valorizam a Fazenda Floresta. Para o trato da lavoura são empregadas 28 famílias de colonos domiciliadas em igual número de boas casas, servidas dos devidos melhoramentos. A vivenda de residência é ótima, em dois pavimentos, dotada de todo o conforto, inclusive aparelhamento sanitário, telefone, serviço de águas e esgotos, mobiliário adequado, etc. Nas proximidades ficam pequeno pomar e outras benfeitorias. Embora não provida, há na propriedade uma escola mista estadual. A Fazenda Floresta pertence à firma D. Elysea Vergueiro & Filhos, tendo como sócio-gerente o distinto cavalheiro sr. Cyro Pereira de Campos Vergueiro, residente na cidade de Itapira, onde goza de grande conceito e justificada simpatia, sendo dos mais destacados elementos sociais desta zona.

Fazenda Santo Antonio

Uma vista da fazenda "Santo Antonio", do Dr. Teófilo Maciel em 1917. Depois passou para seu filho Luís Leme Maciel e hoje (1998) pertence a José de Fátima Lopes

Termas Ponte Nova  

      

fonte "in natura" químicos e proprietários       //        fonte já construída e produzindo

A 17 quilômetros de Itapira, por  ótima estrada, estão as Termas Ponte Nova. Em instalações apropriadas, aparece rica fonte de água mineral magnífica, pertencente ao ilustre clinico sr. Dr. Hortêncio Pereira da Silva. O produto é, pela sua eficiente ação diurética, vantajosamente empregado na eliminação do ácido úrico. Água puríssima leve, de fonte segura e insuspeita, é desprovida de germes nocivos e cheia de elementos minerais de cujo efeito resulta o enriquecimento do organismo.É aconselhada nas moléstias do estômago, rins, bexiga e intestinos, assim como é infalível na cura do artritismo, eczemas, psoríases, dhartros(?) e todas as moléstias da pele. Examinada pelos distintos clínicos srs.drs.Adelino Leal, Henrique Potel e Paulo Andrade, a análise de resíduo mineral provou que em 100 litros existem 8 grs. 560 de resíduo seco a 120 grs. C. ”Elementos minerais encontrados”: Anidrido silícico, Ácido titânico e sulfato de bário, Anidrido sulfúrico, anidrido carbônico, anidrido azótico, cloro Sesquióxidos de ferro e alumínio, Oxido de cálcio, Oxido de magnésio, Bióxido de Manganês, Oxido de Potássio, e Oxido de Sódio. 

"Thermas de Crystalia"

Proprietário: Sr.Santo Rossetti

Os Irmãos Rossetti são, há longos anos, fazendeiros neste município, possuindo ótima propriedade agrícola localizada a 13 quilômetros desta cidade, na estrada que liga Itapira a Serra Negra. Família composta de homens bons, honestos e progressistas, granjeou a estima e a admiração de todos os itapirenses, desfrutando largo círculo de excelentes relações e merecendo ser geralmente apontada como exemplo de trabalho e correção. Um dos irmãos o Sr.  Santo Rossetti, percorrendo a propriedade há cerca de oito anos, foi surpreendido pela descoberta de farta mina de puríssima água, sem demora utilizada pelos moradores da região que atribuíam virtudes medicamentosas ao liquido, tal o bem estar causado por seu uso. Homem inteligente e atilado, o sr. Sato Rossetti percebeu haver algo de positivo nos rumores do povo e, assim, chamou a atenção de seus dignos irmãos para a conveniência na exploração comercial do produto, constituindo-se para esse efeito a firma Irmãos Rossetti & Cia. Entre as providências preliminares estava, naturalmente, o exame da água, medida levada a efeito sem demora, dando em conseqüência a constatação pelos técnicos de ser a água das “Thermas Crystalia” poderosamente radioativa e possuidora de sais magnesianos em alta dose. A analise a que aludimos foi aprovada pelo Termo n.57 da repartição competente, datado de 18 de dezembro de 1933. Desde essa ocasião entraram a agir os srs. Irmãos Rossetti & Cia., lançando o produto nos mercados consumidores, sendo coroada de êxito tal tentativa. Atinge elevada cifra o número dos que, usando a água das “Thermas de Crystalia” para combater enfermidade dos rins, fígado, estômago, etc. alcançaram a cura em pouco tempo. Animados pelo sucesso que assinala sem cessar o emprego de sua água, os proprietários tem em mente a realização de amplo programa de remodelação no local da fonte – aliás já bem apresentável – para tornar possível a permanência  de enfermos e veranistas que para ali acorrem freqüentemente, em busca de repouso e curas. Levada a efeito a construção de perfeita estação balneária à qual serão adicionados todos os recursos modernos, figurará em primeira plana um grandioso hotel com quartos confortáveis, apartamentos, salões de recreio, de música, etc., de modo a oferecer aos hóspedes as mesmas regalias encontradas nos grandes centros urbanos. Além do hotel, outras instalações adequadas completarão o plano de construção da verdadeira cidade em vigor que os Srs. Irmãos Rossetti & Cia. Pensam erigir em plena zona rural, tornando possível aos freqüentadores o gozo simultâneo das facilidades de uma grande cidade e do ar puríssimo e embalsamado do campo. O empreendimento em vista constituirá inestimável contribuição ao progresso de Itapira e será um grande benefício a todo o país, pois tornará fácil e ao alcance geral o uso de águas das “Thermas de Crystalia”, proclamadas pelos entendidos como das melhores até o presente conhecidas. Enquanto tais inovações vão sendo estudadas, o público pode dispor das águas adquirindo-as em garrafões apropriados e vendidos a preços insignificantes. Aos itinerantes recomendamos, desde já um passeio às “Thermas de Crystalia”, porquanto será ótimo ensejo não só para a constatação de mais uma incalculável riqueza com que a natureza pródiga dotou Itapira, como servirá para o conhecimento das mais belas paisagens do Estado.Todo o percurso é feito por entre a luxuriante vegetação que margeia o caudaloso rio do Peixe, dando bem a idéia da fertilidade espantosa de nossas terras, povoadas de arvoredos seculares. A gerência geral das “Thermas de Crystalia” está a cargo do sr. Santo Rossetti.

Fazenda São Joaquim  

João Batista Pereira (da Silva), conhecido por “Joãozinho Bento”,  filho de Joaquim Floriano (“Bento”), Pereira da Silva e 

Porcina Vieira da Conceição,  foi casado com Francisca de Oliveira Rocha (d. Chiquinha). Foram donos da Fazenda “São Joaquim”, agora de Miguel Guerreiro

Histórico

Por Jácomo Mandato em matéria publicada no Jornal Tribuna de Itapira em 31 de maio de 1998

“Manuel Pereira da Silva, o parceiro de João Gonçalves de Morais na fundação de Itapira, foi dôo de uma grande fazenda localizada no bairro do Rio do Peixe, nas imediações de Barão Ataliba Nogueira e Eleutério (aquela que comprou do seu cunhado em 1819). A “Fazenda São Joaquim”, fundada em 1866 por seu neto Joaquim Floriano Pereira da Silva (que era conhecido como Joaquim Bento Pereira da Silva por alusão ao nome do seu pai), e , ao que parece, a Fazenda “Amarela” (que neste século pertenceu ao Dr. Hortêncio Pereira da Silva), são desmembramentos da imensa área inicial daquela propriedade. Ao falecer a 2 de julho de 1839, Manuel Pereira da Silva deixou muitos bens em peças de metal valioso, 26 escravos e a sua enorme fazenda avaliada em mais de 10 contos A respeito das atividades agrícolas desenvolvidas no Ministério da Agricultura, a 6 de julho de 1860, que o principal ramo da agricultura fé, “ que estando em começo, contudo as colheitas anuais já montam em 40 mil arrobas, que são exportadas, e o pessoal empregado nesse ramo será de 600 pessoas” (uma arroba é igual a quase 15 quilos).As pessoas eram, naturalmente em sua totalidade, escravos. O mesmo documento informava ainda que existiam várias fábricas de açúcar (engenhos), que também produziam rapaduras e aguardente. O açúcar era exportado para a “Província de Minas; a importância das agoas ardentes nas fábricas d’assucar he de 50 (...em branco) e o rendimento dos pequenos engenhos que só se ocupam com rapadura e agoardente calcula-se no terço dos produtos daqueles outros”. Estimava-se em 200 o número de pessoas utilizadas nesses trabalhos. Dizia mais: “Tão bem fabricação de fumo, cujo número de arrobas calcula-se em 3 mil, que é exportado”, empregando-se umas 100 pessoas.”Cultivão o milho, feijão e arroz, que são levados às cidades de Mogi Mirim e Campinas.Há criação de porcos e são levados para o corte mais de 2 mil. E bem assim a indústria de Tropas carregadas, cujo número de bestas excede a 1500, ocupando 200 pessoas.” Criava-se também “gado vacum, ovelhum e cavalar”.Finalizava declarando ser difícil informar com precisão o número de pessoas ocupadas em cada ramo porque elas serviam acumulativamente com um e outro ramos das culturas e indústrias”.Numa outra informação, prestada posteriormente ao mesmo Ministério da Agricultura, dizia a Câmara que no Município não havia nenhuma indústria de mineração...”

 

Prop.Sr.Dr.James Henrique Warne

A ótima Fazenda São Joaquim, situada a cinco quilômetros de Itapira e hoje pertencente ao distinto cavalheiro Sr.Dr. Henrique Warne, é uma propriedade positivamente tradicional neste município. Pertenceu em tempos já bem remotos (ver histórico acima) ao conceituado advogado sr. dr. Joaquim Floriano de Araújo Cintra, sogro do proprietário atual e acerca de cuja individualidade o leitor encontrará referência no histórico desta obra, pois teve larga interferência na vida publica local daquela longínqua época. Mais tarde as terras – pois bem poucas benfeitorias existiam – vieram ter às mãos do Sr. Dr. James Warne, a quem hoje pertence o imóvel. Acerca do acatado medico é oportuno fazer, aqui, algumas referencias: era ele norte-americano, amando desveladamente a sua pátria, como depois amou o Brasil. Estourando a revolução que no século passado convulsionou o grande país, o Sr.Dr. James Warne esposou a causa dos sulistas que afinal perderam a partida. Aborrecido com o desfecho dos acontecimentos, resolveu um passeio ao Brasil. Aqui chegando, conheceu São Paulo que o impressionou favoravelmente a ponto de deliberar não regressar a pátria, entrando a clinicar na zona compreendida pelas cidades de Bragança, Atibaia, etc. onde conheceu a exma.Sra. d. Joaquina Cintra Warne, dama de raras virtudes, com quem contraiu matrimônio, mudando-se para Itapira, aqui clinicando durante algum tempo e deixando depois a profissão para entregar-se à direção da Fazenda São Joaquim que se tornara de sua propriedade. Como era medico competentíssimo, tornou-se lavrador de ampla visão, imprimindo diretrizes inteiramente novas ao rico imóvel rural em que sobravam terras fertilíssimas e faltavam os mais rudimentares melhoramentos. Começou por transferir a sede – então em local inadequado – para o ponto atual, e aí construindo tudo, porquanto quase nada havia. Muito estudioso, servido de lúcida inteligência e invulgar cultura, acompanhava cuidadosamente a evolução da agricultura nos outros países, aplicando com inteiro êxito na Fazenda São Joaquim, as inovações que a Europa lançava. Entre outras glórias, coube-lhe a de ser dos primeiros que importaram arados de discos , instrumento hoje muito vulgar e que naquele tempo representava absoluta novidade. Outros aparelhos destinados a facilitar a tarefa do homem trouxe ele salientado-se um “locomovel”, cuja chegada provocou extraordinária impressão. Além de muito dedicado aos seus bens que prosperavam a olhos vistos, o sr. Dr.James Warne trabalhava com solicitude pelo bem do município em que era estimadíssimo. Falecendo, o seu transpasse provocou grande mágoa entre os itapirenses.

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A Fazenda São Joaquim compreende 375 alqueires de área com 80.000 cafeeiros, sendo o produto beneficiado em potente máquina “São Paulo”, com capacidade para o preparo de 400 arrobas diárias. Esse maquinismo tem a impulsioná-lo um vapor de 8 cv. Num espaço de 50 alqueires é feito o cultivo de algodão. As pastarias, formadas em 100 alqueires, dão guarida ao numeroso rebanho e animais de custeio. Vai sendo iniciada a criação de gado holandês. Belo trecho de 57 alqueires está povoado de matas magníficas, contendo madeiras preciosíssimas. O trato da lavoura está confiado a 40 famílias de colonos. Para os auxiliares foram construídas 46 casas na Fazenda São Joaquim. Impressiona agradavelmente a residência. Prédio ótimo dispõe de todos os recursos inclusive telefone, água encanada, aparelhamento sanitário, bom mobiliário, etc. Entre os acessórios, nota-se terreiros escrupulosamente ladrilhados e com lavadores, tulhas, paióis, ranchos, etc.

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Como antes assinalamos, é proprietário atual do importante núcleo agrícola o sr. Henrique Warne, natural deste município e engenheiro formado pelo “Mackenzie College”, da capital. Cavalheiro dotado de peregrinos predicados morais, goza da mais justificada consideração neste município, onde a sua personalidade merece inteira simpatia. Muito bondoso e democrata, acolhe com requintes de gentileza  quantos visitam a sua rica propriedade.

(Foi mantida a grafia da época nos textos)

continua...lavoura

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