LAVOURA E FAZENDAS DE
ITAPIRA EM 1935
Fazenda São José

A fazenda São José, ótima
propriedade rural localizada a sete quilômetros de Itapira e medindo 130
alqueires, pertence ao distinto cavalheiro sr. Affonso da Silveira Leme, membro
de tradicional família paulista. Entre as culturas existentes salientam-se
116.700 cafeeiros, belas roças de cereais, canavial destinado à forragem e
pomar pequeno para o gasto, muito variado. Matas magníficas, com 30 alqueires,
são providas de numerosas madeiras de lei.Em 14 alqueires de pastarias estão
sadias vacas de leite, cabeças de gado e outros animais para os serviços de
custeio. Numerosos machinismos
funcionam na Fazenda São José, notando-se máquina combinada de beneficiar
café e moinho de fubá, movidos por eletricidade.Há também, seis secadores
Santa Luzia. A colônia compõe-se de 29 famílias, existindo 33 habitações para
esse pessoal.Casa de residência
ótima, com iluminação elétrica, água encanada e telefone, tem nas
proximidades amplos terreiros, tulhas, garage cocheira, estábulo e
aperfeiçoada bomba elétrica para água.
Fazenda São Francisco

Nos limites do perímetro urbano e fazendo frente para
duas ruas, encontramos a belíssima Fazenda São Francisco um dos mais ricos imóveis
agrícolas de que se pode orgulhar o município de Itapira. Pertence ao ilustre
deputado ce. Francisco Vieira, o abnegado ex-prefeito local, o homem que em
todas as emergências tem sabido defender com ardor a terra natal e o Estado
glorioso de São Paulo. Administrada proficientemente pelo sr. Eugenio Vieira, a
Fazenda São Francisco compreende 62 alqueires de terra superior, tendo o café
como principal cultura e possuindo 31.000 pés da preciosa planta, em franca
produção. A plantação dos cereais de uso corrente é feita em boas proporções,
estando tais culturas muito prósperas.
Separados dez alqueires de luxuriantes pastarias, aí
vive o rebanho em que se destacam magníficos exemplares de gado Caracu,
Flamengo e Jersey, além de outros animais para o custeio.
Lavrador adiantado, acompanhando com empenho a evolução
da agricultura, ao sr. Cel. Francisco Vieira não escapou o incomparável futuro
reservado ao algodão paulista, pelo que destinou quinze alqueires de seus
terrenos ao plantio do famoso produto, alcançando pleno êxito nesse
tentamen (?). Propriedade aproveitada com critério, tem poucas matas, pois não
ultrapassam seis alqueires. Apresenta, todavia, madeira de lei das espécies
mais procuradas no mercado. O pomar representa um dos grandes atrativos da
Fazenda São Francisco. Abrangendo extensa área, conta 3.600 pés de arvoredos
frutíferos escolhidos, destacando-se o laranjal em que predominam as variedades
Baiana, Barão,Cravo, Graip Fruit, Washington, Naive, etc..Cuidados com a observância
de todas as regras da citricultura, esses frutos distinguem-se pela beleza e
delicado sabor.
O trato da lavoura foi confiado a 14 famílias de hábeis
colonos, residindo esse pessoal em 10 casas sólidas. Há, também vários
camaradas. Toda a propriedade é banhada abundantemente , sendo a água encanada
para os serviços da sede. A Fazenda
São Francisco dispões de todos os
acessórios próprios das estâncias agrícolas caprichosamente
montadas. Salientam-se terreiros perfeitos, revestidos de ladrilhos, com
lavadores e em dois planos. Há outrossim, sólido engenho de cana, tulhas,
garagem, cocheira, estábulo amplo esterqueira, chiqueiros, paióis, mangueirões,
piquetes, etc., e completa coleção de carroças, carrinho e outros veículos. Logo
à entrada da Fazenda São Francisco, produzindo agradável impressão em
quantos visitam a propriedade, está o palacete de residência, de linda aparência,
dispondo dos desejáveis recursos de conforto como água encanada, aparelhamento
sanitário moderno e completo, luz elétrica, telefone, etc. Atestando os
sentimentos religiosos do proprietário encontramos duas graciosas capelas nos
terrenos da propriedade. Embora residindo presentemente na capital, o sr.
Cel. Francisco Vieira possui luxuosa vivenda no centro da cidade de Itapira, aí
recebendo os seus amigos que são quantos aqui moram.
Fazenda Santa Francisca
A família Cunha é tradicional no município de
Itapira. Desde tempos imemoráveis os seus membros vem prestando a esta terra os
mais assinalados serviços, fazendo jus, em conseqüência, à grata admiração
do nosso povo. Pertence a Fazenda Santa Francisca, situada a 12 quilômetros
desta cidade e nas vizinhanças da estação Barão Ataliba Nogueira, à firma
D.Maria Josefina da Cunha & Filhos, de que fazem parte a exma sra. d.Maria
Josefina da Cunha e seus dignos filhos srs. Orlando Cunha, dr. Joaquim Gomes da
Cunha e João Batista da Cunha, membros da distintíssima família a que antes
aludimos. A gerencia está a cargo do sócio sr. Orlando Cunha.
A área total é de 106 alqueires de terras superiores,
tendo o café como principal cultura e havendo 100.000 pés da preciosa rubiácea,
inclusive 25.000 pés ainda novos. Para o trato desse produto não faltam na
Fazenda Santa Francisca os devidos requisitos, notando-se terreiros ótimos,
escrupulosamente ladrilhados, boa máquina de café Federighi para 200 arrobas,
movida por meio de possante vapor Robey e roda d’água, tulhas para
armazenamento etc.
Há plantações de cereais, cana de forragem e magnífico
pomar. Tais benfeitorias são apenas para o gasto.As matas vão a 35 alqueires
com preciosas madeiras de lei das qualidades mais procuradas. Quanto às
pastarias, soma 15 alqueires, abrigando vacas leiteiras e outros animais para o
custeio.
Entre os maquinismos não podemos esquecer boa máquina
para beneficiar arroz e um moinho de fubá. Todos os trabalhos da Fazenda Santa
Francisca são executados por 22 famílias de colonos, habitando em 25 casas, além
de vários camaradas.
A propriedade é servida de águas superiores e
abundantes, banhando as pastagens e as culturas. Em ponto escolhido
cuidadosamente foi levantada a casa de residência assobradada de avantajadas
dimensões, dispondo de todas as comodidades como iluminação elétrica,
telefone n.26, água encanada, completo aparelhamento sanitário, mobiliário
elegante e confortável. Concluindo a descrição da ótima Fazenda Santa
Francisca, resta-nos apenas mencionar a existência de luz elétrica própria,
garagem, cocheira, esterqueira, mangueirões, etc.
Fazenda do Barreiro

1 - Sede da fazenda Barreiro // 2 - Sede da
fazenda Piedade
Esta fazenda é de propriedade da firma Irmãos Cunha de
que fazem parte os distintos moços Srs. Orlando Cunha que tem a gerencia a seu
cargo; Dr. Joaquim Gomes da Cunha, abalizado clínico domiciliado no Rio de
Janeiro; e João Batista da Cunha, todos itapirenses muito devotados ao torrão
natal.
Atingindo-se o rico imóvel rural, temos a atenção
despertada para a esplêndida vivenda de residência, muito sólida, servida de
iluminação elétrica, água encanada, instalações sanitárias perfeitas,
fone n.24, etc.
À frente
estão os terreiros – dos melhores do município. Grandes ladrilhados, com
6525 metros quadrados, dispões de lavadores. Ao lado, a máquina para beneficiar
café. Fabricação Mac Hardy tem capacidade para 200 arrobas diárias, agindo
por meio de possante vapor Robey, de 10 c.v. Os demais utensílios como tulhas,
moinho de fubá, garagem com um automóvel de passeio, ranchos com carroças e
trole, cocheiras, estábulo, esterqueiras, mangueirões, casa de administração,
etc., ficam nas proximidades, sendo iluminado a luz elétrica produzida na
fazenda.
Referindo-nos às culturas, precisamos mencionar, em
primeiro lugar, os cafezais compreendendo 200.000 pés em franca produção e que
encantam pela beleza e desenvolvimento. Há também, cereais para o gasto,
canavial destinado à forragem, magnífico pomar dotado das melhores árvores
frutíferas, mandiocal e 150 alqueires de preciosas matas, nas quais encontra-se
grande quantidade de madeiras de lei, inclusive
perobas e jequitibás.Numerosas vacas leiteiras, gado e outros animais
para o custeio ocupam 25 alqueires de pastarias. Toda a Fazenda do Barreiro é
servida de água puríssima e abundante, encanada na sede.
Para o trato da lavoura mantém os Srs. Irmãos Cunha 48
famílias de hábeis colonos, além de camaradas. Esse pessoal está domiciliado
em 50 prédios bem construídos e de aparência agradável.
Situada a 12 quilômetros de Itapira, a Fazenda do
Barreiro dispõe de quatrocentos alqueires de área, terra de primeira qualidade
para qualquer gênero de cultura. Estando a Estação do Barão de Ataliba
Nogueira apenas a algumas centenas de metros de distância, por ela são feitos
os embarques dos produtos da fazenda. As fazendas "Piedade, "Barreiro e
"Santa Francisca", pertenceram desde 1913 a mais ou menos (1936?) e mais tarde
foram passando para outros proprietários. Essas fazendas abrigaram após a
abolição da escravatura, inúmeras famílias de italianos que ficaria cansativo
enumerá-las.
Fazenda Santa Bárbara

1 - Vista parcial da Fazenda Sta. Bárbara //
Antiga sede da Fazenda Santa Bárbara - Foto: Jacomo Mandatto, dezembro, 1999
Esta propriedade, uma das maiores do município, merece
particular apreço pelas magníficas benfeitorias que encerra e, mais ainda por
ter sido o domicílio do saudoso dr. Francisco de Paula Moreira Barbosa,
elemento destacadíssimo de nossa sociedade e um dos mais infatigáveis
pioneiros do progresso itapirense.
Hoje pertence a Fazenda Santa Bárbara à Exma. viúva
Barbosa & Filho, exercendo a gerencia proficientemente, o distinto moço sr.
Geraldo Quartim Barbosa. Localizada a um e meio quilômetro de Itapira, a
propriedade abrange 470 alqueires de ótima terras tendo o café como principal
cultura e alinhando-se em seus admiráveis cafezais 250.000 pés. Para o trato e
preparo da rubiácea há todo o aparelhamento necessário: terreiros perfeitos,
escrupulosamente ladrilhados e com lavadouros; sólida máquina S. Paulo, movida
por motor elétrico de 30 H.P., podendo beneficiar 300 arrobas e seis amplas
tulhas. Boas roças de milho ocupam largo espaço, estando em promissoras condições.
Há, outrossim, mandiocais e canavial. Luxuriantes matas virgens dotadas de
madeira de lei das mais procuradas e numa extensão de oitenta alqueires
impressionam pela grandiosidade. Há além disso, bela floresta com 40.000
eucaliptos. As pastarias vão a 40 alqueires, plantados em capim das variedades
mais preconizadas. Aí foram abrigadas cem cabeças de robusto gado, com
reprodutor zebu, animais, de custeio, vacas leiteiras, etc. Numerosos camaradas
e cinqüenta famílias de hábeis colonos encarregam-se dos diversos misteres.
Para esse pessoal possui o imóvel oitenta casas de boa aparência. Toda a
Fazenda Santa Bárbara é dotada de aguadas abundantíssima, sendo o liquido
cuidadosamente encanado na sede e colônia..Bom moinho de fubá, para a
serventia da Fazenda, pode ser movido por eletricidade ou por forca hidráulica. Entre
os acessórios podemos salientar garagem, cocheira, estábulo, esterqueira,
chiqueiro, paióis, mangueirões, etc. Pomar variadíssimo e grande, tem –
entre outras árvores frutíferas – 2.000 laranjeiras Washington, Navel e
Graip Fruit.
Os srs. Viúva Barbosa & Filho deliberaram instituir
também a cultura do algodão na Fazenda Santa Bárbara e a idéia foi coroada
de pleno êxito, havendo atualmente sessenta alqueires plantados com lindíssimos
algodoais.
Ótimo palacete de residência, grande, vistoso, tem
todas as dependências necessárias e os devidos recursos modernos como iluminação
elétrica, telefone, perfeitas instalações sanitárias, etc. Gárrula,
capelinha delicada a São Sebastião, patenteia os sentimentos religiosos dos
proprietários da Fazenda Santa Bárbara.
Essa gleba de terras pertenceu aos ancestrais dos atuais proprietários
estendia-se até as fronteiras da cidade d Araras (SP). Essa faixa era um bloco
de mais ou menos 100.000 alqueires e tinha em média uma largura de duas léguas.
Naquela época em 1750 constituiu-se uma sesmaria e o desbravador dessas terras
virgens foi o capitão Joaquim Inácio de Oliveira Luz. Era o bisavô dos atuais
proprietários. Essa sesmaria foi dividida, tendo sobrado apenas 600 alqueires de
terra para o herdeiro. A fazenda "Santa Bárbara" tem suas fronteiras: ao Norte
com o perímetro urbano, propriedades de Sartori e Robles; ao Sul com a fazenda
Santa Cecília, propriedade do Sr. Romero e fazenda Herdade, cujo dono é o Dr.
Quartim Barbosa, parente dos donos da fazenda; a Leste com as terras dos
Ferreiras, propriedades dos Robles, Estrada de Amparo, propriedade de Bazani e
perímetro urbano; ao Oeste, com a fazenda da Calunga, de propriedade do conde
Raul Crespi e com a fazenda Santo Antonio de Ângelo Lisi.
Chácara das Lavras

Proprietário Sr. Mario Stringuetti
Nascido na Província de Treviso (Itália) em 18 de
fevereiro de 1883, está o proprietário desta ótima propriedade, sr. Mario
Stringuetti, no Brasil e em Itapira desde os 5 anos de idade, sendo estimadíssimo
pelas suas belas qualidades morais. Casado com a exma sra. d Maria Raffi – já
falecida – tem os seguintes filhos: D.Anna, Luiz, José, Pedro, srta. Angelina,
Ernesto, Mario, srta. Augusta e Job.
A Chácara das Lavras fica a 1 quilometro da cidade
tendo 2.000 cafeeiros novos, plantações de cereais para o gasto, cana para
forragem, bom pomar e um alqueire de matas. Compreende 28 alqueires de área. Nos
24 alqueires de pastos estão os animais de custeio e 100 cabeças de lindíssimo
gado, inclusive vacas leiteiras, cujo produto ladrilhado e outras benfeitorias.
Além de um prédio de aluguel na cidade, tem o sr.
Mario Stringuetti outra propriedade a 10 quilômetros de distância, com 30
alqueires, pastarias, duas boas casas etc.
Sitio Aparecida

Proprietário Sr. José Ferreira de Morais
Pertence o Sítio Aparecida ao venerando cavalheiro Sr.
José Ferreira de Morais, distintíssimo itapirense e vulto tradicional no
bairro Ponte Nova, onde desfruta tamanho apreço a ponto de ter sido dado o seu
nome respeitável a uma avenida daquele próspero núcleo rural.
Ali nascido em janeiro de 1859, o Sr. Morais
consorciou-se com a exma. Sra. d. Gertrudes Pereira de Jesus, também oriunda do
mesmo local. Desse feliz enlace tiveram os seguintes filhos: José Ferreira
Junior, já falecido, tendo tido seis filhos, três dos quais são hoje casados;
exma. Sra. d. Maria Ferreira já falecida, deixando um filho e a exma. Sra. D.
Anna Ferreira, domiciliada na Ponte Nova. .O Sítio Aparecida que é o resultado
da vida de honestidade e labor sempre seguida pelo Sr. José Ferreira de Morais,
fica a 17 quilômetros de Itapira, tendo a área de quarenta alqueires de ótimas
terras.
Entre as inúmeras benfeitorias podemos cotar o café,
no total de 20.000 pés, em franca produção. Os animais representados por várias
cabeças de gado, burros etc. vivem recolhidos a cinco alqueires de viçosas e
abundantes pastarias. Muito valoriza o Sítio Aparecida a existência de 8
alqueires de matas com preciosas madeiras de lei, assim como moinho de fubá,
monjolo, casas para colonos e agregados, plantação de cereais e sólida casa
de residência. Reside em companhia do sr. José Ferreira de Morais, seu digno
neto sr. Adelino Ferreira, consorciado em 25 de novembro de 1933, com a
exma. Sra. d. Noemia Miranda Ferreira.
Fazenda Jardim

Prop.sr.Antonio Barricatti &
Irmãos
A Fazenda Jardim pertence aos distintos cavalheiros srs.
Antonio Barricatti, José Sartorelli, Luciano Sartorelli e Vitório Sartorelli,
todos itapirenses e componentes da firma Irmãos Sartorelli. Na mesma propriedade
reside o respeitável ancião sr. Antonio Sartorelli,
nascido em San Dona Del Piave (província de Veneza) na Itália, estando no
Brasil (em Itapira) desde 1888.É o progenitor dos proprietários. Esta fazenda
fica a 6 quilômetros da cidade, tendo ótimos cafezais, pastarias, amplas matas
de primeira ordem, boas casas de colonos, aguadas abundantes, etc. Entre os
maquinismos notamos sólida máquina Souza para café;excelente máquina Mac
Hardy para beneficiar arroz, moinho de fubá, etc.
A casa de residência é um prédio grande, muito bem
construído, dispondo de luz elétrica, água puríssima e telefone. Na Fazenda
Jardim funciona uma escola mista rural, mantida pelo Estado. Ligada com esta
propriedade e também dos Irmãos Sartorelli há a Fazenda Santa Maria, com
pastarias, prósperos cafezais, plantações de cereais para o gasto e demais
benfeitorias.
Família distintíssima, composta de homens honestos e
trabalhadores, muitos amigos do progresso local, para o qual contribuem sempre
com a melhor vontade, os Sartorelli gozam em Itapira da maior simpatia.
Fazenda Palmeiras
O sr. Vicente Bosso, proprietário da Fazenda Palmeiras,
nasceu em Treviso (Itália), estando no Brasil (Itapira) há 48 anos. Nesse longo
espaço de tempo, trabalhando sempre pela grandeza da terra itapirense, granjeou
a estima e o apreço de quantos o conhecem. A Fazenda Palmeiras fica a 6 e meio
quilômetros da cidade, tendo 49 alqueires de área. Nesse espaço vicejam
formosos cafezais, belas plantações de cereais para o gasto, cultura de fumo
em escala reduzida, boas pastarias em que vivem várias cabeças de gado e
outros animais de custeio, 8 alqueires de matas com preciosas madeiras de lei,
seis casas para os colonos, bons terreiros e sólida casa de residência, dotada
de todos os recursos, inclusive passeio à frente, de onde é possível
descortinar maravilhoso panorama dos arredores. Tem ainda o sr, Vicente Bosso o sítio
Palmeiras, no bairro Tanquinho, a 5 quilômetros da cidade no qual há cafezais,
cereais para o gasto, luxuriantes pastarias, quatro magníficos prédios e
demais benfeitorias habituais nas propriedades agrícolas bem organizadas. A direção
de todos os trabalhos está a cargo do proprietário.
Fazenda São Roque
A firma Ângelo Antonelli & Irmãos, a quem pertence
a Fazenda São Roque, compõe-se dos srs..Ângelo Antonelli, Antonio Antonelli,
Luiz Formigari e Maximiliano Setti, todos itapirenses, com exceção do último,
nascido em Serra Negra. Moços trabalhadores, dedicados e progressistas, merecem
a consideração e o apreço de toda a população do município, sendo
geralmente apontados entre os elementos mais dignos de simpatia com que conta a
nossa zona rural.
A Fazenda São Roque dista 5 quilômetros da cidade,
compondo-se de 80 alqueires de área aos quais foram plantados magníficos
cafeeiros, belas roças de cereais para o gasto, promissora cultura de fumos,
etc.
Em local adequado estão os pastos, dando abrigo a
varias cabeças de gado e outros animais destinados ao custeio. Entre as outras
benfeitorias que mais valorizam a Fazenda São Roque, salientam-se terreiros,
treze casas para colonos, capela dedicada ao padroeiro da propriedade, matas com
madeiras de lei, tulha, mangueirão, paiol e ótima casa de residência, grande,
com todas as comodidades.
Fazenda S. José da
Aparecida

Prop.João
Evangelista de Almeida
e
Sra. Lazara Aragão
O sr. João Evangelista de Almeida, proprietário da
Fazenda São José da Aparecida, nasceu neste município a 27 de dezembro de
1889, sendo consorciado com a exma. Sra. D. Lazara Aragão de Almeida, também itapirense. O distinto casa goza da maior consideração e merecida simpatia. Esta
propriedade fica a 4 quilômetros da cidade, compondo-se de 57 alqueires de área,com
plantação de café, cereais para o gasto, matas providas de madeiras de lei,
bons terreiros, tulha, paiol, 7 casas de colonos, pastarias em que vivem os
animais de custeio, pequeno pomar e linda vivenda de residência.
Dando grande valor à Fazenda São José da Aparecida,
foi ali descoberta importantíssima fonte de água mineral, cuja exploração
comercial, a ser iniciada em breve, constituirá verdadeiro acontecimento,
merecendo a atenção de todos os médicos do país. A analise oficial procedida
no esplêndido produto deu excelente resultado. A água da Fazenda São José da
Aparecida merece a preferência do público.
Fazenda Santa Bárbara
(dos Luppi)

A bela Fazenda Santa Bárbara, localizada a quatro quilômetros
de Itapira e compreendendo 150 alqueires de área pertence à firma Luppi &
Irmãos, composta dos srs. Estor Luppi (sócio-gerente), Herculano Luppi,
Antonio Luppi e José Luppi, todos nascidos em Serra Negra e estimadíssimos
neste município. Entre as culturas podemos mencionar 16.000 d pés de café,
cereais em boa escala, excelentes plantações de fumo, grande canavial com
quarenta quartéis, pomar para o gasto e dez alqueires de lindas matas. Em 70
alqueires de ótimas pastarias vive o gado para o comércio, numa média de 500
cabeças, além de vacas de leite etc. Na Fazenda Santa Bárbara é fabricada a
melhor pinga da zona para o que funciona ótimo engenho. Há também um
moinho. Entre os acessórios notamos boa capela, terreiros, parte ladrilhados,
tulha, garagem, cocheira, ótima esterqueira, etc. No bairro do Violante, está
um bom sítio e nas divisas de Mogi Mirim a ótima Fazenda Santo Antonio, dotada
de todos os recursos.
Fazenda São José

Sr.
Hermínio Bueno
(foto
acervo da família Bueno de Mogi Guaçu)

Fazenda São José em foto de 1935

Família
Bueno no passado
Podemos
ver na 1ª fila da esquerda para a direita: a 7ª Maria Franco da Rocha e o 8º
sr. Hermínio Bueno
Na
2ª fila o 4ª é Pedro Egberto Bueno (criança), filho do sr Herminio
Embaixo
o 8º é o José Roberto Bueno e o 10º, o Gilberto Bueno, ambos filhos do sr.
Hermínio

Família
Bueno atual - Mogi Guaçu
Primeira
fila da esquerda para a direita: José Roberto Bueno Filho, Rosângela Delfino,
José Eduardo Chiarelli Bueno, José Eduardo Chiarelli Bueno Filho (no colo),
Ilda Mandelli, Ana Maria Bueno Poletti, Benedito Domiciano Poletti, Marilia
Bueno Poletti; segunda
fila, na mesma ordem: Marianna Matheus Bueno, José Roberto Bueno Neto, Anna Emília
Chiarelli Bueno(poetisa), José Roberto Bueno e Otávia Bueno Poletti. A três e meio quilômetros de distancia de Itapira, por
ótima estrada encontramos a Fazenda São José, propriedade magnífica dotada
de todos os recursos, compreendendo 100 alqueires de área em terras superiores.
Além do café, somando 70.000 pés, há culturas de
cereais para o gasto, bons terreiros ladrilhados, tulhas, paióis, etc. Em 10
alqueires de abundantes pastarias ficam os animais, salientando-se cerca de cinqüenta
cabeças de gado Caracu, com finíssimo reprodutor puro sangue. As matas num
total de 10 alqueires apresentam madeiras de lei das melhores variedades. Em
ponto destacado está a casa de residência. Prédio alto, sólido com aposentos
amplos, bem mobiliados, recebendo luz direta. Tem telefone, boa água e outros
recursos de conforto.
Pertence a Fazenda São José ao distinto cavalheiro sr.
Hermínio Bueno, natural de Mogi Guaçu e que reside em Itapira há cerca de 4
anos.Homem bondoso, a todos acolhendo com a maior distinção, goza de grandes
simpatias neste município, onde os seus belos predicados morais são justamente
apreciados por quantos o conhecem.
Fazenda "Capoeira do
Meio"

Uma vista da fazenda "Capoeira do Meio", de D. Amélia Cunha, em 1917.
Esta fazenda encontra-se num opúsculo lançado em 1917 pela
seção de obras gráficas do jornal “O Estado de São Paulo”, o qual reproduz o
relatório ao ano de 1916 que foi lido numa sessão da Câmara Municipal no dia 15
de janeiro de 1917. Posteriormente o nome foi
mudado para "São José dos Palmares" e passou por diversos donos. Agora (1998) é
do sr. Carlos Quartim Barbosa.
Fazenda Floresta

Proprietário: Dr. Arthur Nicolau
de Vergueiro
O Sr. Dr. Arthur Nicolau de Vergueiro, descendente
direto da grande estirpe de varões notáveis como o senador Vergueiro e outros
que honraram sobremodo a gente bandeirante no segundo Império, uma vez formado
em direito, resolveu dedicar-se à magistratura, aceitando a sua nomeação para
promotor publico e exercendo tais funções em Amparo, Serra Negra e Socorro.
Entretanto, movido pela grande sensibilidade de seu
extraordinário coração e porque repugnava à sua índole de homem bom e
generoso o papel de acusador, abandou a carreira, trocando-a pela de lavrador,
exercida por quase todos os seus maiores.
Já então consorciado com a exma. Sra. D. Elysea Cintra
de Campos Vergueiro, dama de peregrinas virtudes e dotada de incomparável
firmeza, dirigiu-se o Sr. Dr. Arthur Nicolau de Vergueiro, em 1887, a este município,
onde possuía terras a 14 e meio quilômetros da cidade, aí abrindo, no sertão
adusto, a Fazenda Floresta, nome tirado, certamente das imponentes matas virgens
que, então, povoavam toda aquela fertilíssima zona.
Trabalhos enormes, tropeços, inacreditáveis tentaram
tolher os passos do ardoroso pioneiro, forçado a lutar contra a natureza
rebelde e, até contra a falta de braços porque, desde a época dos bancos da
academia fora sempre um batalhador intransigente pela abolição da escravatura
e, assim, jamais teve ao seu serviço senão homens absolutamente livres.
Finalmente venceu. E venceu brilhantemente como, a atestá-lo aí está a Fazenda
Floresta, conseqüência de seus esforços, de sua constância, de sua competência,
de seu valor.
Montada caprichosamente, figurando entre as melhores do
município, não merece atenção apenas como propriedade agrícola e também
para demonstração da operosidade assombrosa de nossa gente. Para os proprietários
– digna esposa e filhos do fundador – é a recordação viva do chefe que a
morte roubou e cuja memória palpita, sempre viva, em cada detalhe que ele
construiu com o desvelado carinho do criador de uma grande obra.
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A Fazenda Floresta compreende 150 alqueires de área,
terra ótima,objetivando principalmente a cultura do café, no total de 107.000
pés em franco desenvolvimento e alcançando a extraordinária media de 80
arrobas por mil pés.
Para o trato desse produto foram construídos perfeitos
terreiros ladrilhados, providos de lavadores “Maravilha” e o benefício é
feito em máquina combinada “Mac Hardy” e “S.Paulo”, movida por um vapor
“Clyton” de 8 cv., produzindo 300 arrobas em
dia normal de trabalho. O cultivo de cereais não excede às necessidades
do gasto. Lindas matas virgens, somando cinqüenta alqueires e luxuriantes
pastagens destinadas ao abrigo dos numerosos animais de custeio mais valorizam a
Fazenda Floresta. Para o trato da lavoura são empregadas 28 famílias de colonos
domiciliadas em igual número de boas casas, servidas dos devidos
melhoramentos. A vivenda de residência é ótima, em dois pavimentos, dotada de
todo o conforto, inclusive aparelhamento sanitário, telefone, serviço de águas
e esgotos, mobiliário adequado, etc. Nas proximidades ficam pequeno pomar e
outras benfeitorias. Embora não provida, há na propriedade uma escola mista
estadual.
A Fazenda Floresta pertence à firma D. Elysea Vergueiro
& Filhos, tendo como sócio-gerente o distinto cavalheiro sr. Cyro Pereira
de Campos Vergueiro, residente na cidade de Itapira, onde goza de grande
conceito e justificada simpatia, sendo dos mais destacados elementos sociais
desta zona.
Fazenda Santo Antonio

Uma vista da fazenda "Santo Antonio", do Dr. Teófilo Maciel
em 1917. Depois passou para seu filho Luís Leme Maciel e hoje (1998) pertence a
José de Fátima Lopes
Termas Ponte Nova

fonte "in natura"
químicos e proprietários //
fonte já construída e produzindo
A 17 quilômetros de Itapira, por
ótima estrada, estão as Termas Ponte Nova. Em instalações
apropriadas, aparece rica fonte de água mineral magnífica, pertencente ao
ilustre clinico sr. Dr. Hortêncio Pereira da Silva. O produto é, pela sua
eficiente ação diurética, vantajosamente empregado na eliminação do ácido
úrico. Água puríssima leve, de fonte segura e insuspeita, é desprovida de
germes nocivos e cheia de elementos minerais de cujo efeito resulta o
enriquecimento do organismo.É aconselhada nas moléstias do estômago, rins,
bexiga e intestinos, assim como é infalível na cura do artritismo, eczemas,
psoríases, dhartros(?) e todas as moléstias da pele.
Examinada pelos distintos clínicos srs.drs.Adelino
Leal, Henrique Potel e Paulo Andrade, a análise de resíduo mineral provou que
em 100 litros existem 8 grs. 560 de resíduo seco a 120 grs. C.
”Elementos minerais encontrados”: Anidrido silícico,
Ácido titânico e sulfato de bário, Anidrido sulfúrico, anidrido carbônico,
anidrido azótico, cloro Sesquióxidos de ferro e alumínio, Oxido de cálcio,
Oxido de magnésio, Bióxido de Manganês, Oxido de Potássio, e Oxido de Sódio.
"Thermas de Crystalia"

Proprietário: Sr.Santo Rossetti
Os Irmãos Rossetti são, há
longos anos, fazendeiros neste município, possuindo ótima propriedade agrícola
localizada a 13 quilômetros desta cidade, na estrada que liga Itapira a Serra
Negra. Família composta de homens bons, honestos e progressistas, granjeou a
estima e a admiração de todos os itapirenses, desfrutando largo círculo de
excelentes relações e merecendo ser geralmente apontada como exemplo de
trabalho e correção. Um dos irmãos o Sr.
Santo Rossetti, percorrendo a propriedade há cerca de oito anos, foi
surpreendido pela descoberta de farta mina de puríssima água, sem demora
utilizada pelos moradores da região que atribuíam virtudes medicamentosas ao
liquido, tal o bem estar causado por seu uso.
Homem inteligente e atilado, o sr.
Sato Rossetti percebeu haver algo de positivo nos rumores do povo e, assim,
chamou a atenção de seus dignos irmãos para a conveniência na exploração
comercial do produto, constituindo-se para esse efeito a firma Irmãos Rossetti
& Cia. Entre as providências preliminares estava, naturalmente, o exame da
água, medida levada a efeito sem demora, dando em conseqüência a constatação
pelos técnicos de ser a água das “Thermas Crystalia” poderosamente
radioativa e possuidora de sais magnesianos em alta dose. A analise a que
aludimos foi aprovada pelo Termo n.57 da repartição competente, datado de 18
de dezembro de 1933. Desde essa ocasião entraram a agir os srs. Irmãos Rossetti
& Cia., lançando o produto nos mercados consumidores, sendo coroada de êxito
tal tentativa. Atinge elevada cifra o número dos que, usando a água das
“Thermas de Crystalia” para combater enfermidade dos rins, fígado, estômago,
etc. alcançaram a cura em pouco tempo.
Animados pelo sucesso que assinala
sem cessar o emprego de sua água, os proprietários tem em mente a realização
de amplo programa de remodelação no local da fonte – aliás já bem apresentável
– para tornar possível a permanência de
enfermos e veranistas que para ali acorrem freqüentemente, em busca de repouso
e curas.
Levada a efeito a construção de
perfeita estação balneária à qual serão adicionados todos os recursos
modernos, figurará em primeira plana um grandioso hotel com quartos confortáveis,
apartamentos, salões de recreio, de música, etc., de modo a oferecer aos hóspedes
as mesmas regalias encontradas nos grandes centros urbanos. Além do hotel,
outras instalações adequadas completarão o plano de construção da
verdadeira cidade em vigor que os Srs. Irmãos Rossetti & Cia. Pensam erigir
em plena zona rural, tornando possível aos freqüentadores o gozo simultâneo
das facilidades de uma grande cidade e do ar puríssimo e embalsamado do campo.
O empreendimento em vista
constituirá inestimável contribuição ao progresso de Itapira e será um
grande benefício a todo o país, pois tornará fácil e ao alcance geral o uso
de águas das “Thermas de Crystalia”, proclamadas pelos entendidos como das
melhores até o presente conhecidas. Enquanto tais inovações vão sendo
estudadas, o público pode dispor das águas adquirindo-as em garrafões
apropriados e vendidos a preços insignificantes.
Aos itinerantes recomendamos,
desde já um passeio às “Thermas de Crystalia”, porquanto será ótimo
ensejo não só para a constatação de mais uma incalculável riqueza com que a
natureza pródiga dotou Itapira, como servirá para o conhecimento das mais
belas paisagens do Estado.Todo o percurso é feito por entre a luxuriante vegetação
que margeia o caudaloso rio do Peixe, dando bem a idéia da fertilidade
espantosa de nossas terras, povoadas de arvoredos seculares.
A
gerência geral das “Thermas de Crystalia” está a cargo do sr. Santo
Rossetti.
Fazenda São Joaquim

João
Batista Pereira (da Silva), conhecido por “Joãozinho Bento”, filho de
Joaquim Floriano (“Bento”), Pereira da Silva e
Porcina
Vieira da Conceição, foi casado com Francisca de Oliveira Rocha (d. Chiquinha).
Foram donos da Fazenda “São Joaquim”, agora de Miguel Guerreiro
Histórico
Por Jácomo Mandato em matéria
publicada no Jornal Tribuna de Itapira em 31 de maio de 1998
“Manuel Pereira da Silva,
o parceiro de João Gonçalves de Morais na fundação de Itapira, foi dôo de
uma grande fazenda localizada no bairro do Rio do Peixe, nas imediações de Barão
Ataliba Nogueira e Eleutério (aquela que comprou do seu cunhado em 1819). A
“Fazenda São Joaquim”, fundada em 1866 por seu neto Joaquim Floriano
Pereira da Silva (que era conhecido como Joaquim Bento Pereira da Silva por alusão
ao nome do seu pai), e , ao que parece, a Fazenda “Amarela” (que neste século
pertenceu ao Dr. Hortêncio Pereira da Silva), são desmembramentos da imensa área
inicial daquela propriedade. Ao falecer a 2 de julho de 1839, Manuel Pereira da
Silva deixou muitos bens em peças de metal valioso, 26 escravos e a sua enorme
fazenda avaliada em mais de 10 contos A respeito das atividades agrícolas
desenvolvidas no Ministério da Agricultura, a 6 de julho de 1860, que o
principal ramo da agricultura fé, “ que estando em começo, contudo as
colheitas anuais já montam em 40 mil arrobas, que são exportadas, e o pessoal
empregado nesse ramo será de 600 pessoas” (uma arroba é igual a quase 15
quilos).As pessoas eram, naturalmente em sua totalidade, escravos.
O mesmo documento
informava ainda que existiam várias fábricas de açúcar (engenhos), que também
produziam rapaduras e aguardente. O açúcar era exportado para a “Província
de Minas; a importância das agoas ardentes nas fábricas d’assucar he de 50
(...em branco) e o rendimento dos pequenos engenhos que só se ocupam com
rapadura e agoardente calcula-se no terço dos produtos daqueles outros”.
Estimava-se em 200 o número de pessoas utilizadas nesses trabalhos. Dizia mais:
“Tão bem fabricação de fumo, cujo número de arrobas calcula-se em 3 mil,
que é exportado”, empregando-se umas 100 pessoas.”Cultivão o milho, feijão
e arroz, que são levados às cidades de Mogi Mirim e Campinas.Há criação de
porcos e são levados para o corte mais de 2 mil. E bem assim a indústria de
Tropas carregadas, cujo número de bestas excede a 1500, ocupando 200
pessoas.” Criava-se também “gado vacum, ovelhum e cavalar”.Finalizava
declarando ser difícil informar com precisão o número de pessoas ocupadas em
cada ramo porque elas serviam acumulativamente com um e outro ramos das culturas
e indústrias”.Numa outra informação, prestada posteriormente ao mesmo
Ministério da Agricultura, dizia a Câmara que no Município não havia nenhuma
indústria de mineração...”
Prop.Sr.Dr.James Henrique
Warne
A ótima Fazenda São Joaquim,
situada a cinco quilômetros de Itapira e hoje pertencente ao distinto
cavalheiro Sr.Dr. Henrique Warne, é uma propriedade positivamente tradicional
neste município. Pertenceu em tempos já bem remotos (ver
histórico acima) ao conceituado advogado
sr. dr. Joaquim Floriano de Araújo Cintra, sogro do proprietário atual e acerca
de cuja individualidade o leitor encontrará referência no histórico desta
obra, pois teve larga interferência na vida publica local daquela longínqua época. Mais
tarde as terras – pois bem poucas benfeitorias existiam – vieram ter às mãos
do Sr. Dr. James Warne, a quem hoje pertence o imóvel.
Acerca do acatado medico é oportuno fazer, aqui, algumas referencias: era ele norte-americano, amando
desveladamente a sua pátria, como depois amou o Brasil. Estourando a revolução
que no século passado convulsionou o grande país, o Sr.Dr. James Warne esposou
a causa dos sulistas que afinal perderam a partida. Aborrecido com o desfecho
dos acontecimentos, resolveu um passeio ao Brasil. Aqui chegando, conheceu São
Paulo que o impressionou favoravelmente a ponto de deliberar não regressar a pátria,
entrando a clinicar na zona compreendida pelas cidades de Bragança, Atibaia,
etc. onde conheceu a exma.Sra. d. Joaquina Cintra Warne, dama de raras virtudes,
com quem contraiu matrimônio, mudando-se para Itapira, aqui clinicando durante
algum tempo e deixando depois a profissão para entregar-se à direção da
Fazenda São Joaquim que se tornara de sua propriedade. Como era medico competentíssimo,
tornou-se lavrador de ampla visão, imprimindo diretrizes inteiramente novas ao
rico imóvel rural em que sobravam terras fertilíssimas e faltavam os mais
rudimentares melhoramentos. Começou por transferir a sede – então em local
inadequado – para o ponto atual, e aí construindo tudo, porquanto quase nada
havia. Muito estudioso, servido de lúcida inteligência e invulgar cultura,
acompanhava cuidadosamente a evolução da agricultura nos outros países,
aplicando com inteiro êxito na Fazenda São Joaquim, as inovações que a
Europa lançava.
Entre outras glórias, coube-lhe a
de ser dos primeiros que importaram arados de discos , instrumento hoje muito
vulgar e que naquele tempo representava absoluta novidade. Outros aparelhos
destinados a facilitar a tarefa do homem trouxe ele salientado-se um
“locomovel”, cuja chegada provocou extraordinária impressão.
Além de muito dedicado aos seus
bens que prosperavam a olhos vistos, o sr. Dr.James Warne trabalhava com
solicitude pelo bem do município em que era estimadíssimo. Falecendo, o seu
transpasse provocou grande mágoa entre os itapirenses.
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A Fazenda São Joaquim compreende
375 alqueires de área com 80.000 cafeeiros, sendo o produto beneficiado em
potente máquina “São Paulo”, com capacidade para o preparo de 400 arrobas
diárias. Esse maquinismo tem a impulsioná-lo um vapor de 8 cv. Num espaço de 50
alqueires é feito o cultivo de algodão. As pastarias, formadas em 100
alqueires, dão guarida ao numeroso rebanho e animais de custeio. Vai sendo
iniciada a criação de gado holandês. Belo trecho de 57 alqueires está
povoado de matas magníficas, contendo madeiras preciosíssimas. O trato da
lavoura está confiado a 40 famílias de colonos. Para os auxiliares foram
construídas 46 casas na Fazenda São Joaquim. Impressiona agradavelmente a residência. Prédio
ótimo dispõe de todos os recursos inclusive telefone, água encanada,
aparelhamento sanitário, bom mobiliário, etc. Entre os acessórios, nota-se
terreiros escrupulosamente ladrilhados e com lavadores, tulhas, paióis,
ranchos, etc.
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Como antes assinalamos, é
proprietário atual do importante núcleo agrícola o sr. Henrique Warne,
natural deste município e engenheiro formado pelo “Mackenzie College”, da
capital. Cavalheiro dotado de peregrinos predicados morais, goza da mais
justificada consideração neste município, onde a sua personalidade merece
inteira simpatia. Muito bondoso e democrata, acolhe com requintes de gentileza
quantos visitam a sua rica propriedade.
(Foi mantida a grafia da época nos
textos)
continua...lavoura
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