J. PUPO & CIA.
(Parte do texto foi transcrita com a ortografia da
época).
Talvez muito pouca gente saiba hoje, com era a esquina onde se localiza hoje uma loja de motos o que funcionava ali. Pois nesse local já em 1935 conforme João Netto Caldeira funcionava a firma J. Pupo & Cia. cujos proprietários eram os senhores Cel. Francisco Vieira e João Pupo. Assim se expressa João Netto Caldeira no seu “Álbum de Itapira“ de 1935:

Foto do posto de gasolina "Standart", mostra o prédio onde funcionava a Agência Chevrolet e a Oficina Mecânica.
Posteriormente alí se instalou a Rádio Clube de Itapira. À esquerda podemos ver parte do palacete do Cel. Francisco Vieira
“A firma J. Pupo & Cia., de que fazem parte os Srs. cel. Francisco
Vieira e João Pupo, trabalha com a venda de gasolina, lubrificantes, automóveis,
etc. dividindo-se em várias secções, a saber:
Agência Chevrolet, com completo sortimento de peças genuínas, pneumáticos câmaras de ar, pharóes, businas e todos os accessorios de automóveis. Servida pelo phone n.203, tem dois auxiliares em serviço. Ampla garage destinada à estadia de quaesquer automóveis, estando – como os anteriores – à rua Comendador João Cintra.Officina Mechanica completamente montada, à rua 15 de Novembro n.3, phone n.171.Tendo 4 hábeis mechanicos, esta secção está em condições de effetuar concertos, verificações, reformas completas em qualquer typo de automóvel, etc.”.
Aquela esquina marcou época nas décadas de 50 e 60 e 70 porque ali era um ponto estratégico e praticamente era o “caminho da roça” por onde toda a juventude afluía quando se dirigia para a praça Bernardino de Campos, cine Paratodos, Clube XV de Novembro, Bar do Odilon, Itapira Bar, Cine Rádio, etc.
A Rádio Clube de Itapira funcionou durante muito tempo pegada ao Posto, ali bem em frente onde funciona hoje uma Escola de Inglês. E já começa a surgir na lembrança o palco auditório onde as duplas sertanejas se revezavam em acirrada disputa de vozes nos programas domingueiros e que eram transmitidos pelo radio para todos os lares itapirenses. Nessa época principalmente na década de 50 até o começo de 60 ainda não existia a televisão.Comandados pelo seu fundador Luís Norberto da Fonseca o Zé Coqueiro, a Maria Odete Bianchi, a Maria José de Avelar, o Zeso Marconi, o Dácio Clemente, e muitos outros foram durante muito tempo os responsáveis pelo “Show “ que alegrava os quatro cantos de Itapira. A história da Radio Clube de Itapira está bem contada por Luís Antonio da Fonseca o (Toy), filho do fundador no “Livro de Itapira” da escritora Odete Coppos com o título “Do Batata ao Walkman”, página 53.
Ao lado do Posto de gasolina dobrando a esquina ficava a residência do Cel. FranciscoVieira e que posteriormente, conforme nos referimos acima funcionou o Bar do Odilon. Isso nos reporta ao nosso passado de 40 anos atrás quando então ainda menino com 13 anos de idade podia sorver com encantamento e magia todo o dinamismo daqueles momentos. Ali no meio do vai e vem dos garçons e dos ruidosos alto falantes e músicas da praça, se fartavam sentados e bem acomodados os amantes da boa bebida, dos refrigerantes e dos sanduíches habilmente preparados pelos seus funcionários.

O posto de gasolina “Standart”, ficava na Praça Bernardino de Campos.Pertencia à firma J.Pupo & Cia.,
cujos sócios eram os srs. Cel.Francisco Vieira e João Pupo. O prédio acima abrigava a Agência Chevrolet em 1934
O Posto de gasolina do seu João
Pupo se localizava, na esquina, prensado entre a casa do Cel. Francisco Cintra e
a Agência Chevrolet e sua oficina mecânica. Posteriormente ali se instalou
como dissemos a Rádio Clube de Itapira que tornou-se um lugar pode se dizer até
folclórico. Pela sua localização, rotina das suas atividades e por ter sido o
primeiro posto de gasolina de Itapira acabou sendo um “point” para todos que
tinham carro. Da mesma forma acabou sendo também um local de passagem obrigatória
para todos que se dirigiam ao centro. Lá estava sempre com o macacão sujo de
graxa e óleo o seu João Pupo, figura morena alta, forte e que com sua esposa
d.Olívia Caires administrava o movimento do Posto. O casal não possuía
filhos, no entanto criaram a João Pupo Júnior, filho este de um casal que
segundo o Paulino Santiago perdeu a vida vitimados por eletrocussão (morte
produzida por uma descarga elétrica ou raio).
GENEALOGIA DE JOAO PUPO
João Pupo, nasceu em 1907 e faleceu em Maio de 1962.Era filho de João Augusto Pupo e de Porrcina Vieira,
(homônima
de Porcina Vieira da Conceição, filha de José Joaquim Vieira de Mattos e de
Ana Francisca de Jesus). João Pupo era sócio do cel Francisco de Assis Vieira no
Posto e tinha os seguintes irmãos:
1-
Carolina Pupo, que foi casada com Modesto Trindade Filho; 2 - Joaquim Pupo,
casado com Júlia Braga, sendo seus filhos Neusa, Joelis e Alcir; 3 - José Pupo
casado com Josefina Mariotoni, pais de Teresinha, (que foi profa. e diretora do
Grupo Júlio Mesquita), Deise e Jair; 4
- Maria José Pupo, casada com Adriano Silva, pais de José Adriano Silva (Juiz
de direito) ; 5 - Alsira Pupo
casada que foi com Euclides Ghilhardi, pais de Magali c/c Luís Anibal Rossi,
Dora c/c Carlos Longhi (Carlucha) José Euclides, Maria Eny, Paulo Benedito e João
Alberto; 6 - Isabel Pupo, que foi
casada com Lourenço Canechi, pais de Raquel c/c Orlando Stolf, Teresinha c/c
Constantino Rossi, Benedita c/c Luís Ferreira Adorno, pais Lásara Aparecida
(Lazinha) c/c João Artur Machado, (o Tú); e Francisco c/c Cinira Bantini; 7 -
Francisco Antonio Pupo, falecido na infância e de
8 -Sebastião Pupo, que foi casado com Sebastiana Rocha, pais de José
Manuel Nelo Pupo que foi soldado da policia militar e era muito conhecido por
“soldado Pupo”.
GENEALOGIA DE OLIVIA CAIRES
Dona Olívia Caires, era filha de Manuel Caires (1857-1936) e de Maria Cristina Pinto Correa (1867 – 1973). Maria Cristina era conhecida como Mariquinha do Caires tendo falecido com 106 anos. Era exímia costureira e tem uma genealogia bastante interessante que abordaremos mais abaixo. Dona Olívia era irmã de:
1 – Virgínia de
Caires que foi casada com Domingos de Freitas irmão de meu avô paterno Manuel
de Freitas (o Mané Bonito),Foram pais dentre outros de José Caires de Freitas (fiscal da Prefeitura). Este foi casado com D. Antonia Ferreira e
pais de Maria Inês c/c Valter Inácio Rosa, Nelson c/c Geny Ferreira
Mayato, Isolete c/c Paulo Monfredini, Maria José c/c José Eduardo.
Machado Áurea e Virgínia. Eram irmãos ainda de José Caires de Freitas, Anacleto Caires de Freitas e Manuel Caires de Freitas. O primeiro casado com Pierina Alice Gois, pais de Ademar, Anacleto Filho, Ariovaldo, Alice e Alsira; o segundo casado com Benvinda, são pais de Adelino, Carmem, Manuel, Carlos Juventino e Maria; 2 – Antonio Caires casado que foi com Olívia Ribeiro, pais de Gonçalo, Valdemar, Lásaro, Manuel, Clarice e Laércio; 3- João Caires casado que foi com Joaquina Pacheco, pais de Nair e Benedito; 3 – Maria José Caires casada que foi com José da Silva Garcia, pais de Luzia, Geraldo e Afrânio: 4 – Isaura Caires (1896 – 1971), sem descendência; 5 – Roldão Caires (1904 –1993) solteiro e 5 - José Caires 1915 – 1994) solteiro.
D.Maria Cristina Pinto Correa, mãe de D. Olívia Caires era filha de Antonio Pinto Correa (Portugal 1845 – Itapira 1893) Era primogênita de 5 filhos sendo seus irmãos Cristina Pinto Correa, Manuel Anibal Pinto, Constância Pinto e Antonio Pinto Correa Filho. Sua irmã Cristina (1878-1922) foi casada com Francisco de Oliveira Job e são o tronco da família Job em Itapira; Seu irmão Manuel Aníbal Pinto Correa ( 1869 – 1925) foi casado com Elisa Soares de Morais e são pais de Lupércio Pinto Correia e Tino Pinto; Sua irmã Constância Pinto Correa (1875-1961), foi casada com Manuel Gomes Pereira Filho e pais dentre outros de Isaltino Gomes Pereira ( o Tino alfaiate), este foi casado com D. Olga Vicentini e são pais de Rute, Lucila, Neusa e Maria Jeanete. Seu irmão Antonio Pinto Correa provavelmente faleceu solteiro.
O que torna interessante essa genealogia dos Caires é que o avô paterno do Tino alfaiate Manuel Gomes Pereira foi casado com Quitéria Júlia (1860 – 1905).Esta enviuvando casou-se com José de Freitas tido como “o cabeleira”, porque usava cabelos compridos. Segundo o Tino alfaiate esse José de Freitas cabeleira era primo de meu bisavô paterno Antonio de Freitas. Desse segundo consórcio vieram os seguintes filhos: 1 – Augusta de Freitas casada que foi com João Galvão de França (dentista), pais dentre outros de D. Cacilda Galvão de França, distinta professora do Grupo Júlio Mesquita. D. Cacilda foi casada com o Sr. João Bonfá e foram pais de Ângelo Bonfá, (o Janjo),da Arilsa, da Arlete, do Augusto, (Gustão) recentemente falecido, do Antonio Luís (Toninho) e do Ailton Maria (Purga); 2- Balbina de Freitas casada que foi com Horácio Machado, avós da Mirtes e do Benedito Machado; 3- Antonio (falecido na infância); 4 – José de Freitas Filho com prole em São Paulo; 5 – Alberto de Freitas, com prole em São Paulo; 6 – Joaquina de Freitas casada que foi com Jovino Alves da Silva ( o compadre), primeiro dono do Hotel Central.São os avós maternos do saudoso Dr. Jovino Costa Fernandes; 7 – Manuel de Freitas (sem descendência)
Vemos aí, quão amplo e interessante é o enovelado genealógico que emerge desse tronco e desses ramos. Nesse esboço permitimos apenas vislumbrar a amplitude que toma quaisquer estudos genealógicos que se pretenda fazer. Nesses horizontes se perdem e se enfumaçam nossas pesquisas tornando mais tentadora ainda a nossa procura. Mas voltemos aos objetivos de nossa matéria.
Num esforço de memória ainda podemos visualizar a figura do seu João Pupo, na faina de sua lide. Madrugador, era o que se recolhia bem no final da noite e nessa rotina nunca dava mostra de cansaço. Fazia de tudo naquele posto, desde lavagem lubrificação, troca de óleo, abastecimento, até troca de pneus, mecânica, manutenção, conserto e reformas de autos. Tudo se concentrava ali naquele Posto porque praticamente não existia borracheiro e nem oficinas mecânicas como existem hoje. Não era raro vê-lo até altas horas da noite lavando o Posto com borracha e esguicho na mão para deixá-lo limpo para um outro dia de labuta.
Quanto ao Cel. Francisco Vieira nada mais poderíamos acrescentar à sua figura. Considero até um sacrilégio atormentá-lo após os escritos já tão dissecantes e completos que fluíram de nossos hábeis historiadores.Apenas ousamos esboçar sua genealogia que é muito mais suculenta que essa amostragem:
MANUEL PEREIRA DA SILVA E ISABEL PEREIRA DA SILVA SÃO PAIS DE BENTO JOSÉ PEREIRA DA SILVA, QUE FOI CASADO COM MARIA ANTONIA DE OLIVEIRA. ESTES, POR SUA VEZ, SÃO PAIS DE JOAQUIM FLORIANO (BENTO) PEREIRA DA SILVA E ALEXANDRINA DA SILVA VIEIRA, QUE FORAM CASADOS, RESPECTIVAMENTE, COM PORCINA VIEIRA DA CONCEIÇÃO E JOAQUIM FRANCISCO DE ASSIS VIEIRA. JOAQUIM FRANCISCO DE ASSIS VIEIRA E ALEXANDRINA DA SILVA VIEIRA SÃO OS PAIS DO * CORONEL FRANCISCO VIEIRA QUE SE CASOU COM ISAURA DA SILVA VIEIRA, QUE ERA FILHA DE JOAQUIM FLORIANO (BENTO) PEREIRA DA SILVA E PORCINA VIEIRA DA CONCEIÇÃO.
Ficamos assim, então
a homenagear essa figura impoluta, incansável e batalhadora, toda suja de graxa
e óleo, que foi João Pupo mas de cuja alma transbordava a brancura e a transparência que marcou
toda a vida. Sem sombra de dúvidas seu nome merece e deverá ser sempre
lembrado pelos pósteros.
Obs.
Os textos genealógicos sobre as famílias aqui enfocadas podem conter erros de
informações, sujeitos as devidas correções.
O
autor
* Agradecimentos ao advogado José Francisco Vieira de Faria, neto do Cel.Francisco de Assis Vieira, pelos esclarecimentos fornecidos
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Oficina Mecânica Chevrolet
Proprietários da Oficina: Nelson Zelante, José (Zezinho) de Souza, e João Pupo

Foto – Equipe mecânica comandada por Alcides de Oliveira:
Presentes nesta foto: na frente, da esquerda para a direita agachados: Oscar Francisco Pires de Oliveira, Waldemar Belli, Antonio Sidnei Brianti, (Bila) e Reinaldo Paniçola.Em pé, na mesma ordem: Nelson Zelante (um dos proprietários.da Agência), Vicente, Adolfo Carrai, Benedito Gardinalli, Tiquinho Rosatto, Manoel Rezende da Costa, Antonio Belli (Nico), Gilberto Gomes, Moraes, Alcides de Oliveira (Alemão) segurando o martelo, Armando Prette, Átila Cestari e Geraldo Coelho, irmão do Coelho que jogava na Esportiva Itapirense.
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A “Oficina Mecânica Chevrolet”, funcionava acima do posto de gasolina do seu João Pupo na esquina das Ruas XV de Novembro e Comendador João Cintra. Duas grandes portas tomando por um lado a Rua XV de Novembro e por outra a Rua Comendador João Cintra. onde hoje funciona a Loja “Do-Ré-Mi. Ali nessa oficina de grande movimento, eram consertados, carros, caminhões e tratores.Havia uma secção de peças para as devidas trocas e reparos e também com secção de funilaria e pintura.
Tudo era administrado pelo sr. Alcides de Oliveira, o alemão, que era um exímio entendedor de peças e reparos de veículos automotores.Alemão também era aficionado aos esportes tendo sido um esportista, tanto sendo jogador quanto árbitro de futebol de grande valor nessas lides.Político, tendo sido eleito para 28º e 30º prefeito de Itapira tendo exercido os respectivos mandatos em 1965, 1966/1968 e 1969. Foi 33º prefeito também e exerceu o mandato de 1973 a 1977. Também pertenceu e atuou no movimento da Revolução Constitucionalista de 1932.Ministrava aulas atuando no aprendizado e na formação de motoristas profissionais.Muitos itapirenses trabalharam na “Oficina Chevrolet” do Alemão, tendo ali aprendido o oficio de mecânico desde garotos. O Átila Cestari, o Geraldo Coelho, o Armando Pretti, e Reinaldo Paniçola prestavam serviços na “Agência Chevrolet”, onde funcionava a “Rádio Clube de Itapira”. O Nelinho Zelante, filho do Nelson Zelante, pertencia ao quadro de funcionários da Chevrolet onde vendiam os tratores Massey Fergusson e também implementos agrícolas. Nelinho fazia parte também dos locutores da Rádio Clube na década de 50, cujos sucessos eram tocados em discos 78 e long play.(os famosos bolachões) As maiores oficinas de Itapira eram a Chevrolet, da firma Barreta Miranda, que funcionava na Av. Rio Branco, alem de outra que ficava na rua Saldanha Marinho de propriedade de Euclides Ghilardi.Muitas outras oficinas do gênero também funcionavam naqueles tempos. As oficinas do José Nozari (Zé Candoia), do Drauzio Faria, Zito Ghilardi, Gilton Piva (ainda funcionando) nas ruas Duque de Caxias e Major David Pereira.Gilton Piva ainda consertava e afinava sanfonas e acordeões.As marcas de carros que essas oficinas consertavam e reparavam mais eram: De Sotto, Volvo, Renault, Ford, Chevrolet, Austin, Citroen...

Vê-se nesta foto de 1941 um carro Chevrolet, de 6 cilindros, funcionando a “gasogênio”, com seus dois tambores onde se colocava o carvão de pedra para ser transformado em combustível.Foi muito usado durante a Segunda Guerra Mundial, de 1939 a 1945. Sua placa era de n° SP-119-302. Estão ao seu lado os srs. Alcides de Oliveira (Alemão) e Pedro Canossa. A foto é do acervo da família Oliveira e foi cedida pela srta. Maria de Lourdes de Oliveira. Do cano de escapamento dos veículos a “gasogênio” saía muita fuligem que acabava enegrecendo as pessoas e as residências, pela queima do carvão.
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