CIDADE DO ESPÍRITO SANTO DO PINHAL 

      EM  ITAPIRA?  

      

        Brasão de Pinhal)

Esse título soa estranho à primeira vista, no entanto no decorrer do texto iremos entendendo as mirabolantes estranhezas aprontadas pela história e pelos decretos da lei.

                                            A nossa história está repleta de fatos e acontecimentos inusitados que são dignos de nota e este especificamente chamou minha atenção. Estando pesquisando sobre nossas origens deparei com a seguinte citação encontrada no livro “Álbum de Itapira” de Joao Netto Caldeira às páginas 59 a 61:

    “Em 21 de Maio de 1881 a edilidade endereçou à Assembleia Legislativa uma representação concebida nos seguintes termos:

                                           “Ilmos. e Exmos. Snrs. – Respeitosamente vem a presença de V.Excias. a Camara M.al e V.a da Penha representar pela sua elevação a cathegoria de Cidade, sendo de justiça este seu desideratum pois possue ella boa Matriz, uma excellente cadêa e casa de Câmara e uma população de mais de 7.000 almas. Confiada esta Câmara  na justiça desta sua pretensão que é do município todo e nos bons e altos sentimentos dessa Ilustre e Patriótica Assembléa, espera que será attendida nessa sua representação. Paço da Câmara Municipal da Penha do R. do Peixe 21 de Maio de 1881” Estavam assignados todos os vereadores. Attendendo à representação antes transcripta, o governo elevou a Penha do Rio do Peixe à cathegoria de cidade pela lei nº89,de 27 de junho de 1881.Em 6 de Agosto deu-se a solenne installação com grandes manifestações da população”.

     Na mesma ocasião, outro memorial solicitava a instalação da Comarca. Apenas que era a criação de uma outra  Comarca,   a do Espírito Santo. E os termos eram os seguintes:

                                             “A lei nº 62 de 28 de Maio de 1881 creou a Comarca do Espírito Santo, composta dos termos do Espírito Santo e da Penha do Rio do Peixe”. E prossegue “...o ano de 1883 foi assignalado por um acontecimento realmente interessante: a instalação da comarca de Espírito Santo do Pinhal...em Itapira. Creada essa comarca pela lei nº62 de 28 de Maio de 1881,não havia sido ainda installada o que só ocorreu em 30 de Outubro de 1883 em sessão da edilidade local.A propósito encontramos quanto vae abaixo,à folha 66v e seguintes do livro de actas da Câmara desta cidade:

“Neste acto compareceu o juiz municipal primeiro supplente em exercício Joaquim Augusto Gomes da Cunha, recebido com as formalidades do estylo tomando assento na cabeceira da mesa, leu o acto official que designou o dia de hoje para a installação da comarca e depois de transmittida a jurisdição plena de juiz de direito da Comarca, dando posse e juramento ao promotor nomeado dr. José Joaquim de Morais e declarou installada a mesma comarca providenciando sobre a installação do Registro das Hypothecas (a cargo do official interino Joaquim Augusto Gomes da Cunha) e sobre os dias das audiências e mais formalidades, sobre a publicidade da installação official o que tudo assistiu a Camara em corporação reunida à commissão da câmara municipal da cidade de Espírito Santo do Pinhal tte. Vicente Gonçalves da Silva, alferes José Theodoro Garcia Leal, e Francisco Bernardes de Oliveira Mineiro” Usaram da palavra, na occasião, os srs. dr. Felizardo Pinheiro de Campos Muller, Manoel Mário de Castro Camargo e dr.Francisco Alvaro Bueno de Paiva. Este último, que era formado em direito, para aqui mudou-se, abrindo escriptorio de advocacia. Os festejos projectados foram suspensos, em virtude do fallecimento do sr. Joaquim Gomes da Cunha”

        Agora caros leitores pasmem! E prossigamos com o texto de João Netto Caldeira:

                                               “...Continuava aqui  funcionando ainda em 1892 a séde da comarca de Espírito Santo do Pinhal... até que pela lei nº80, de 25 de Agosto de 1892, foi creada a Comarca de Itapira, installada a 8 de Outubro, pelo snr. dr. José Maria Bourrol que havia sido nomeado juiz de direito. Estava portanto a partir dessa data desvinculado em termos judiciários e legais o “imbroglio” que manteve durante 11 anos duas cidades sendo administradas e legisladas concomitantemente através de um procedimento legal.

            Em termos jurídicos talvez  essa medida tenha sido adotada como alternativa devido Espirito Santo do Pinhal não ter ainda sua casa de leis ou sua emancipação política. Procurando conhecer melhor a história de Pinhal busquei nos seus aspectos históricos e políticos uma justificativa para tal colóquio administrativo cuja jurisprudência pelo que sei é “sui generis”.

                                               Espírito Santo do Pinhal, hoje apenas Pinhal – teve seu início na primeira metade do século passado, após Romualdo de Souza Brito, vindo de Mogi das Cruzes ter ali se radicado. Na época  Romualdo, fazendeiro que, era viu-se envolvido numa demanda sobre a posse de uma parte das terras, por outros agricultores. Sem titubear resolveu solucionar pacífica e definitivamente a questão, fazendo doação das terras em litígio para a formação do Patrimônio do Divino Espirito Santo, conforme Escritura Pública lavrada em São João da Boa Vista no dia 27 de Dezembro de 1949.Essa doação compreendia quarenta alqueires retirados da Fazenda Pinhal, pertencentes à Freguesia de Mogi Guaçu, fato esse que deu origem ao nome de Espírito Santo do Pinhal. Prosseguindo com a historia vamos encontrar a data de emancipação política do município que se deu aos 9 de Abril de 1877.O que chama a atenção é que apesar de sua emancipação política ocorrida nessa data Espírito Santo do Pinhal ficou subordinado durante 11 anos conforme vimos acima a Câmara de Itapira. E ainda para aumentar a celeuma lê-se textualmente na “História de Mogi Mirim (Origens)”à página 210  que em 1879, precisamente aos 14 de Março a Câmara daquela cidade declara instalada a Vila de Espírito Santo do Pinhal.

 

Complementa esse trabalho os artigos sobre a historia de Pinhal, em meus arquivos de  números 1 a 14 abaixo:

 

 História do Espírito Santo do Pinhal  

 

 

          

 

1 - Imagem de Espírito Santo do Pinhal primitiva

2 - Igreja do Divino Espirito Santo do Pinhal

 

 

Foto da cidade atual

 

 

Coube a Jorge da Silva Nobre a sesmaria em cuja circunscrição figurou em parte o território de Espírito Santo do Pinhal, dádiva feita em 9 de agosto de 1728 e composta de terras que limitavam com o atual município de Mogi Guaçu e com a sesmaria de Antonio da Cunha Abreu, um dos ascendentes de Romualdo de Souza Brito.

A sesmaria de Antonio da Cunha Abreu de quatro léguas de terras, em quadra, par do rio Atibaia, tributário do rio Piracicaba, e a de Jorge da Silva Nobre prolongava-se, pela frente, até o lugar denominado Itaquí, no atual município de Mogi Guaçu.

A partir de 1700, em plena florescência do bandeirantismo paulistano, caravanas de aventureiros, sequiosos de fortuna, começaram a palmilhar estas então inóspitas paragens, em busca do ouro e das pedras preciosas de Minas Gerais e de Goiaz, enfrentando com indômita coragem os indígenas e os animais ferozes que povoavam as indevassáveis florestas, e a morte que, a cada passo espreitava-os, oculta atrás dos troncos dos pinheiros de comas opulentas.

As bandeiras paulistanas, segundo roteiros da época, partiam da sede da capitania, dirigiam-se a Juquerí, transpunham o morro do Lopo, chegavam até poucos quilômetros de Mogi Guaçu em território pinhalense, onde a estrada dividia-se em dois ramos: um que se dirigia a Ouro Fino e outro que seguindo para Baependi, atravessava os rio Cervo, Sapucaí e Verde, rasgando os sertões de Camandocaia e superando o morro do Caxambu.

As que se destinavam a Goiaz possuíam dois caminhos, que partiam do Rio de Janeiro e de São Paulo. No primeiro do Rio, vinham pela Serra da Mantiqueira, morro do Lopo, atingindo as atuais divisas de São Paulo e Minas, neste município, alcançavam Rio Pardo e embrenhavam-se por Goiaz a dentro.No segundo, quando partiam de São Paulo, passavam por Jundiaí, Atibaia, Jaguarí (hoje Bragança Paulista), Mogi Mirim, Mogi Guaçu, Itaquí, Casa Branca, Batatais e, transpondo o Rio Grande, avançavam nos sertões de Goiaz..

Após a fase da captura dos selvícolas, entrou a fase do ouro que faiscava no leito dos rios e na mente dos homens.Como antes, São Paulo alimentava-se de vivia das lutas, das façanhas, das histórias e das lendas provocadas por seus filhos que impávidos, rasgavam o seio da pátria abrindo atalhos, rompendo florestas, vadeando rios, fundando povoados e lavouras e semeando riquezas, sangue morte, na homérica epopéia das bandeiras.Precisamente nessa época que os bandeirantes, lutando por terra e por água, por caminhos fluviais, aproveitando o magnífico sistema hidrográfico do país, conquistavam palmo a palmo o solo da pátria, receberam Jorge da Silva Nobre e Antonio da Cunha Abreu as sesmarias cujas terras abrigam hoje opulentas e magníficas cidades entre as quais figura como uma das mais belas, esta soberana das serras, rica no seu patrimônio material e espirituais e na cultura e inteligência dos seus filhos.

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Procedia Romualdo de Souza Brito de Mogi das Cruzes onde nascera, e aqui viera acompanhado de outros membros de sua família, alguns anos depois do grito do Ipiranga,Era filho de Alexandre de Souza Brito e de D. Gertrudes Maria da Conceição e neto de José de Souza  Pinto e de D.Ana da Cunha Cardoso, esta descendente do sesmeiro Antonio da Cunha Abreu.O nosso território com a evolução de Mogi Mirim e de Mogi Guaçu, começou a povoar-se, e já em 1822, data da proclamação da nossa independência, numerosos eram os colonizadores que atraídos a estas terras dadivosas, aqui se haviam estabelecido, vendendo seus produtos e abastecendo-se naquelas freguezias.Vários eram os possuidores do nosso território em 1849 e poucas as propriedades existentes.Sobressaiam, pela sua área, as fazendas Sertãozinho e Pinhal, esta coberta de densos pinheirais que lhe emprestaram o nome.Romualdo de Souza Brito, um dos donos da fazenda Pinhal, propriedade que vinha sendo disputada por diversos colonizadores da fazenda Sertãozinho, ignora-se a que título, iniciando certa vez a derrubada dos pinheiros existentes na atual praça da Independência ou da Matriz, para plantar milho, foi obrigado a interromper os serviços em virtude dos gritos de desafio e dos tiros de espingarda e de trabuco que lhe foram dirigidos.Espírito profundamente religioso e equilibrado Romualdo foi tomado de súbita inspiração.Declarou que não mais faria a roça, mas que doaria das suas partes ao Divino Espírito Santo, uma sorte de terras de quarenta alqueires, para patrimônio e a fi, de que, no mesmo lugar fosse erigido uma capela. Em 27 de dezembro de 1849 pelo notário da então freguezia de São João da Boa Vista José Antonio de Abreu e Silva, por solicitação dos doadores Romualdo de Souza Brito e sua mulher, foi lavrada no livro 4.0, às fls.52 e v. a escritura de doação nos seguintes termos:

      - Saibão quantos este ato público instrumento da escritura pública de doação virem, que no anno do nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil oitocentos e quarenta e nove, vigésimo oitavo da Independência do Brazil, aos vinte e sete dias do mês de Dezembro do dito anno n’esta freguezia de S.João da Boa Vista, termo da cidade de Mogy-mirim e província de S.Paulo, em casa de morada de Romualdo de Souza Brito, onde eu escrivão de paz e tabellião foi vindo para passar a presente escriptura, ahi estavam presentes os ditos Romualdo e sua mulher Thereza Maira de Jesus, ambos de mim conhecidos pelos proprios de que tracto e dou fé d por elles outorgantes marido e mulher, foi dito perante duas testemunhas: abaixo assgnadas que elle outorgantes são senhores de suas partes de terras de cutura, na fazenda denominada Pinhal cabeceira do ribeirão dos Porcos, no districto da freguezia de Mogy-guassú, de cujas partes de terras da capella do Divino Espírito Santo, que se intente fundar no muto no muito de suas livres vontades, sem constrangimento algum, nem em tempo algum, e elles outorgantes, doadores, declaram que em dito terreno  dos quarenta alqueires de terra, que ora dão para o dito patrimônio, reservam para si cento e vinte palmos de frente e seus componentes Fundos, para seus edifícios em qualquer lugar que lhes foi outorgado, bem assim reservam mais sessenta palmos de frente e seus componentes fundos para se edificar uma casa de morada para o vigário que ali residir e todos os mais moradores que ali se quizerem arrendar, pagarão o foro de cem réis por braça annualmente, sendo aplicado para as despezasd’aquela egreja e protentam de a todo tempo delles outorgantes: doadores, fazer boa, firme e valida a dita doação livre e desembaraçada de qualquer duvida que por ventura se mova.E de a mim tabellião que lhes aceitasse suas outorgas e lavrasse a presente em minha nota.Eu  como pessoa publica, lhes aceitei e lavrei a presente que lida aceitaram e assignaram: snrs Manuel José Gomes de Abreu, sendo testemunhas presentes, José Luiz de Andrade e José Garcia de Oliveira Filho, depois de lida por mim José Antonio de Abreu e Silva tabellião, que escrevi em publico e raso.O tabellião José Antonio de Abreu e Silva, Romualdo de Souza Brito, Manoel Gomes de Abreu, José Garcia de oliveira Filho, José Luiz de Andrade. N.1.0 100 réis, pagou de sello180 réis.São João da Boa Vista, 27 de Dezembro de 1849.

- André. – D’este 240 réis* -

O acontecimento não foi bem recebido pelos turbadores , que procuraram antes de sua transcrição, anular a escritura, bem como provocar distúrbio, iniciar derrubada do mato e construir benfeitorias nas terras doadas, quando dois desastres atribuídos a causas sobrenaturais, fizeram cessar as hostilidades que cada dia mais se agravavam.Estava uma menina a peneirar milho, quando ocorreu desprender-se o espeque que segurava o madeiro do monjolo, matando-a Na mesma ocasião, um carpinteiro caiu de um andaime, vindo a falecer dos ferimentos recebidos.Essas ocorrências, conjugadas a outras anteriormente verificadas foram recebidas como castigo dos céus, influindo de maneira relevante para serenar os ânimos, consolidar a doação feita e decidir da sorte da povoação nascente.

 

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Serenados os ânimos aproveitando com inteligência o momento psicológico que esses acontecimentos provocaram, o lavrador Germano Antonio Fernandes, vulgo “Germaninho”, iniciou uma subsbscrição destinada ao custeio da construção da capela, merecendo a melhor acolhida da população do bairro e ficando o único pedreiro da povoação, Eleutério de Oliveira Prestes, encarregado de construí-la.

Protedores da capela, Romualdo de Souza Brito, Joaquim Correa e José Romualdo, contrataram a sua construção por 200$000, inclusive a ereção de um altar provisório.

Atendendo às solicitações dos moradores, o então Bispo de São Paulo, de acordo com o presidente da Província, padre Vicente Pires da Motta, concedeu em 18 do fevereiro de 1850, a denominação de Capela Curada à povoação nascente.

Nesse ano, poucas eram as moradias existentes.Em 25 de agosto de 1851, um ano e poucos meses mais tarde, segundo depoimento sobre a origem e fundação da capela de Francisco Pereira Machado, tabelião em Sâo João da Boa Vista e que aqui residiu, existiam apenas os seguintes:

“Cheguei para aquelle logar ao dia 25 de Agosto de 1851, para alli fazer a minha residencia, vindo tambem commigo meu finado pae Manuel Pereira dos Reis, nossas famílias e escravos.Tivemos por morada durante poucos mezes, uma chacara a quem da capella, chacara essa então de Joaqum Correa Gomes na estrada dos Braganceiros para a capella”.

O logar onde se achavam fincados seis esteios para a edificação da capellazinha, estava ainda por traz do oitão futuro da mesma.O largo todo da capella estava juncado de madeiras derribadas na queimada, tendo apenas um caminho, que da casa de José Justino de Toledo (inspector de quarteirão, que sevia de capitão-mór), subia para os lados da fazenda de Romualdo de Souza Brito, e d’alli para Ouro Fino etc. Tinha apenas as casas principais seguintes: a de Romualdo de Souza Brito fazendo-se estava por barrear-se e da qual era official carpinteiro Domingos de Souza Freire, irmão do dono da casa; ainda uma casinha pequena, abaixo d’esta, que era do finado Pedro Xavier, onde morava Jorge Allemão, ferrreiro.

Joaquim Ferreira Gomes já tinha fincado os esteios de sua casa, no fundo do pateo, sem ter mais benfeitorias; ao lado direito, descendo tinha uma casa da venda da Rita Cardoso, rimã de Franciso Mendes, valentão do bairro, e para baixo só tinha o inspector José Quintino de Toledo.

No fundo da capella estava  principiado o engenho de serra que fazia José antonio de Souza Brito, feito pelo machinista Eleuterio de Oliveira Prestes. Também tinha uma pequena casa (abaixo do largo) que era de Luiz Brito, na qual morei dois a trez mezes; bem como Joaquim Pedroso estava fazendo uma casa do lado direito para o pateo.

Eram as casas que haviam e mais uma pequena perto de José Justino, em que morava Manuel da Silva ao pé do ribeirão”.  

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Chegando ao conhecimento de Romualdo que na localizade visinha denominada Abertão, em casa de D. Luiza, mãe de um tal Serolote, encontrava-se o padre Manuel José de Faria, vulgo “chapéu de junco”, dirigiu-se o patriarca daquela localidade em companhia de Manuel Pereira dos Reis a fim de convidar o ministro de Deus a celebrar no dia 25 de dezembro de 1851, a primeira missa na capela, bem como oficiar nos dias seguintes até 1º de kaneiro de 1852.

Conta a tradição que o Serolote era um individuo extremamente sovina. Quando cavalgava, tirava as calças, prendia-as no arção da sela, para não gastá-las. E assim em ceroulas, permanecia durante toda a viagem.Disso adveio lhe o apelido de Serolote, que foi transmitido aos seus descendentes.

Obtendo o assentimento do padre Romualdo regressou na véspera do Natal em companhia deste e de Manoel Prereira dos Reis, em cuja casa o reverendo ficou hospedado.

Romualdo e seu companheiro Manuel Pereira dos Reis, trataram logo de convocar os habitantes para a limpeza do patio e o corpo da capela.Reunido o povo, um grupo cortava os paus o outro carregava-os, utilizando-se também de bois nesses mistér Fez Joaquim Serrador, às expensas de Manuel Pereira dos Reis uma grande cruz, de um cedro dado por José Garcia e nesse dia mesmo da véspera de Natal foi o madeiro levantado.

Francisco Pereira Machado e Luiz Romualdo encarregaram-se do corpo da capela e fizeram um soalho alto, erigindo ali o altar provisório para os ofícios divinos.

A manhã do dia 25 de dezembro de 1851 surgiu radiosa. Havia alegria nas almas e nos corações.Tudo era festa e contentamento, como se os moradores descoberto o (ilegível) do porvir, viessem debuxada no azul do firmamento ou nos pendores da serra a terra dos crepúsculos de ouro, dos cafeeiros lonjevos, das vivendas alegres e dos jardins floridos, estuante de progresso, de vitalidade e de riqueza!

O primeiro templo de Pinhal estava cheio de gente, assim como o pátio e seus arredores, quando o padre Manuel José de Faria, acoitado por Francisco Pereira Machado, celebrou a Santa Missa, ouvida no maior silencio e com maior unção.As cerimônias religiosas prosseguiram até o Ano Bom de 1852, quando o padre Manuel José de Faria regressou ao Abertão, levando na consciência a certeza de que a cruz de cedro plantada no arraial, converter-se-ia, pelos séculos em fóra, na bandeira de um povo amante da religião, da bondade e do progresso.Naquela terra em que outrora vagavam os felinos da selva e os senhores das tabas, naquela terra em que os bandeirantes, dirigido pelo sol e pelos trilhos das feras, varavam a luxuriante vegetação em busca de bagres e pepitas de ouro, um novo poder se levantava, um templo surgia, um foco de espiritualidade nascia para dilatar, para alargar, para disseminar a fé critã, na conquista ao Império da Cruz!

A Romualdo de Souza Brito, o benemérito doador da terra, deveu-se ainda as despesas que possibilitaram o maio brilho das cerimônias daqueles oito dias de religiosidade, de festas e de galas na terras do Divno Espírito Santo.

 

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Com o crescimento da povoação que aumentava constantemente com a chegada de adventícios, atraídos pela uberdade do solo, trataram seus moradores de obter a elevação do arraial a freguezia, o que ocorreu pela Lei nº3, de 24 de março de 1860, sancionada pelo Dr. José Joaquim Fernandes Torres presidente da Província.

Após a celebração da primeira missa verificada em 27 de dezembro de 1851, o povoado ficou sem um padre para realizar as cerimônias litúrgicas, quando o boiadeiro Joaquim Ruivo, conseguiu a vinda do padre José Bento da Costa, que aqui ficou residência, sendo substituído, mas tarde, pelo padre Tristão Carneiro de Mendonça, ambos capelães. Por provisão do Bispo D. Antonio Joaquim de Mello, de 19 de agosto de 1857, foi nomeado primeiro cura o padre José Mariano da Silva Macaré, sacerdote de grandes virtudes, que morreu paupérrimo e que foi sepultado no seio da igreja, sob cuja nave descansam suas cinzas.Pela referida Lei de 24 de março de 1860, Pinhal foi criada paróquia de Mogi Mirim.

Em 1857, também foram nomeadas as primeiras autoridades: José Francisco Ferreira, juiz de paz e José Quintino de Toledo, inspetor de quarteirão.Não existindo cadeia para internamento dos desrespeitadores da lei, foi construído um grande quarto no atual Largo Treze de Maio, sendo ali instalado um tronco para tal fim, denominado esse quarto pela população, “Casa da Tábua”.

Nessa década, 1849-1859, os colonizadores vieram de Mogi das Cruzes, terra de Romualdo e sua família; de Bragança, para a cultura de cereais, e criadores de Minas Gerais, que estabeleceram grandes invernadas, exportando o gado para o Rio de Janeiro, onde alcançava preços mais compensadores.

Era justo que Romualdo de Souza Brito objetivasse, com a doação ao Divino Espírito Santo, mais um alvo: a criação de um povoado que se convertesse pelo tempo adiante num centro agrícola, pastoril e comercial. A volição do patriarca encontrou eco nos arcanos de destino mais depressa do que era lícito esperar.A terra do Espírito Santo, o arraial nascente – estava escrito – tornar-se-ia em breve magnífico entreposto da zona, banhado pelo rio do mesmo nome cujas margens foram habitadas em tempos remotos por tribos de índios pescadores.

Antes mesmo daquela época, Mogi Guaçu dominava vasta gleba territorial. A situação topográfica do lugar e as imediações do grande rio foram talvez os principais fatores do seu progresso naquele tempo.O núcleo convertera-se num centro, onde por diversas ramificações afluíam tropas conduzindo os produtos da região, constituindo uma etapa necessária para os criadores de gado e para os comerciantes de cereais desta localidade, que se dispunham a colocar suas reses e os seus produtos nas praças de São Paulo, Santos e Rio de Janeiro.

Inúmeras vezes vibrou a povoação com a partida de seus filhos em demanda do planalto e do litoral.A partida “bandeira” era saudada sempre com ovações entusiásticas.Precediam-na cerimônias litúrgicas. No ar pipocavam foguetes. O povoado despertava em horas mortas da noite, com o barulho monótono do cincerro das tropas e com o gemido langoroso dos carros dos bois.

Essas viagens ficaram famosas na vida do povoado. O  perigo era grande: o êxito duvidoso.Mas que importavam às gerações que ainda sonhavam o sonho dos bandeirantes de São Paulo as insídias do caminho?

6

 

A nossa terra teve o privilégio de muito antes da abolição da escravatura em nosso país, possuir um núcleo de trabalhadores livres.E quanto ao trabalhador escravo, um mês antes de haver a princeza D.Izabel sancionado a lei libertadora, já havia sido abolido, ns terras do Espírito Santo, o regime da escravidão.

Ao comendador João Elisário Carvalho Monte Negro, português de nascimento, deve nossa terra o esforço de criar esse núcleo, constituído de gente luzitana. O comendador que adquirira em 25 de janeiro de 1867, de Joaquim José de Campos Silva, uma grande gleba de terra, acrescida mais tarde de outras, trouxe da vila portuguesa de Louzã vinte compatriotas que aqui chegaram no dia 6 de fevereiro desse ano.

Com a chegada desses colonos, para a abertura de lavouras, foi fundada a povoação de Nova louzã, em homenagem àquele burgo português. Espírito progressista, afeito ao trabalho, o comendador foi um grande incentivador da plantação da rubiácea em nossas terras., montando, além do mais a sua primeira máquina de beneficiar café, a vapor e construindo o primeiro terreno ladrilhado para a seca desse produto de grande importância para a economia do país.

Era no tempo que Campinas desenvolvia intensamente a sua cultura dói arbusto africano, e que Ribeirão Preto com a aproximação da ferrovia seguia-lhe os passos, até tornar-se o maior município produtor de café do mundo. A lavoura da cana de açúcar, diante da avançada triunfante alienígena, cedia cada vez mais terreno, ferida no seu poderio e na preferência que até então lhe eram outorgados.

O progresso da rubiácia nesta parte da Província era impressionante se considerarmos que nos fins do século XVIII era ainda o café vendido, na cidade de São Paulo, como medicamento, em pequenas quantidades, nas farmácias.

A chegada do comendador Montenegro, com seus compatriotas, foi providencial, em virtude do recrutamento intensivo feito pelas autoridades de Mogi Mirim, de homens e recursos, no esforço comum de enfrentar a invasão de Francisco Solano Lopes, porque muitos moradores da freguesia haviam fugido, abandonando seus lares e seus haveres.

Esse êxodo durou longo tempo e só mais tarde, muito vagarosamente regressaram, pois temiam as represálias conseqüentes da deserção, para prosseguirem no seu labor e nos seus negócios.

Afinal tudo se normalizou e a freguesia voltou à atividade antiga.

Deve Pinhal ainda, a esse benemérito cidadão português, a fundação da Vila Montenegro, grande arrabalde da cidade, verificada em 18 de julho de 1888; a doação em 1889 da imagem de Nosso Senhor do Passos, à Matriz; a criação, junto com Evaristo Ferreira Lobo, do Grêmio Português e outras iniciativas de caráter progressista.

Faleceu, em avançada idade, no dia 8 de maio de 1915, legando à sua terra adotiva, uma folha de inestimáveis serviços, merecendo a sua memória, da população pinhalense, o maior acatamento e respeito.

 

Prosseguia seguro, embora lento, o progresso da povoação. Novos moradores e novas residências vieram juntar-se aos existentes. A não ser um ou outro acontecimento, peculiar a todas as coletividades, nenhum fato de importância, na última década, perturbara o sossego, que existia na terras do Espírito Santo.

É bem certo que continuavam as questões nas divisas com a Província de Minas. Essas questões, que só neste século foram satisfatoriamente dirimidas, eram motivo de contínuo sobressalto dos moradores da fronteira, cujas preocupações, desejos e dúvidas originavam freqüentes conflitos de jurisdição entre as duas grandes províncias.

Em 13 de abril de 1874, espelhando as preocupações dos moradores da zona fronteiriça, os habitantes da povoação mineira de São Sebastião do Jaguari, limítrofe da de Pinhal, requereram à Câmera Municipal de Mogi Mirim, a demarcação das divisas, consoante representação existente na Repartição de Arquivo de São Paulo.

Pediam a incorporação de suas propriedades a esta unidade do Império, sob a alegação de que entretinham relações comerciais com as praças de São Paulo e de Santos, que ficavam consideravelmente mais perto, para eles, de Ouro Preto, então capital da Província de Minas Gerais, distante doze dias de viagem da sua Localidade.

Se a vida corria calma na freguesia, no coração dos seus habitantes era ardente o desejo de emancipação da tela de Mogi Guaçu e de Mogi Mirim, cujos dirigentes, à medida que esse sentimento avolumava-se, maior resistência opunham a que se concretizasse essa legítima aspiração, temerosos que a perda do nosso rico e fértil território afetasse, de modo profundo, o seu comércio e a auferição das rendas públicas.

Firmes no seu propósito, que o regionalismo alimentava, os pinhalenses, tendo à frente o capitão José Ribeiro da Motta Paes, mais tarde Barão de Motta Paes, cuja tenacidade e amor a esta terra não conheciam limites, conseguiram finalmente a elevação da freguesia a vila pela Lei nº 17, de 9 de abril de 1877, do teor seguinte:

“Faço saber a todos os habitantes desta Província de São Paulo, que a Assembléia Legislativa Provincial decreta e eu sanciono a lei seguinte:

Art.1º - Fica elevada a Vila com as suas atuais divisas a Freguesia do Espírito Santo do Pinhal.

Art.2º - Revogam-se as disposições em contrário.

Mando, portanto, a todas as autoridades, a quem o conhecimento e a execução da referida lei pertencer que a cumpram e a façam cumprir inteiramente como nela se contém. O secretário desta Província a faça imprimir, publicar e correr Dada no Palácio do Governo, em São Paulo, aos 9 do mês de Abril do ano de 1877. Sebastião José Pereira”

As divisas ficaram assim constituídas: Começavam na fazenda Eleutério, no lugar denominado Estiva: seguiam pelos limites da Fazenda Eleutério até o rio Mogi Guaçu e prosseguiam até o rio Manso; deste com rumo à fazenda à do Quilombo; daí seguiam a uma ponta do ribeirão dos Porcos, na fazenda do capitão João José Ribeiro; seguiam daí pela estrada que ia à fazenda Manteiga até o rio Jaguari e por este acima até as divisas com a província de Minas Gerais, prosseguindo por estas até o ponto de partida.

A notícia da elevação da freguesia a vila, foi recebida com as maiores demonstrações de júbilo por parte da população, que embandeirou as casas e as ruas, manifestando ao capitão José Ribeiro da Motta Paes as maiores expressões do seu apreço e do seu reconhecimento pela sua atuação firme e inteligente à frente da cruzada vitoriosa.

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Em 20 de abril de 1979, em cumprimentos a determinações do Governo da Província, tomou posse a primeira Câmera Municipal de Pinhal, sendo lavrada, da solenidade, a seguinte ata:

“Acta de posse e juramento dos Vereadores da Villa do Município de Pinhal e instalação da Câmara Municipal da mesma Villa do Espírito Santo do Pinhal.

Aos vinte dias do mez de Abril de mil oitocentos e setenta e nove em caza do Capitão José Ribeiro da Motta Paes ahy presentes o prezidente já empossado e juramentado o Capitão José Ribeiro da Motta Paes e os Vereadores Manoel Aranha de Campos, Joaquim de Souza Moraes, Vicente Gonçalves da Silva, Antônio Barbosa de Barros e Honório d´Avila Pereira Soares commigo secretário interino foi pelo primeiro declarado que de conformidade com o decreto de vinte e dois de julho de 1873 combinado com o decreto de treze Novembro de mil oitocentos e trinta e dois, com o offício de Excellentíssimo Presidente da Província de desesseis do corrente e com o do Presidente da Câmara Municipal de Mogy Mirim de desesete do mesmo, passava a deferir juramento e dar posse aos Vereadores presentes não juramentados e a installar a Villa e Câmara Municipal deste Município do Espírito Santo do Pinhal, que foram creadas pela lei provincial de nove de Abril de mil oitocentos e setenta e sete que vae adeante transcripta com os limites que após ella irão mencionados.

Effectivamente tendo os mesmos Vereadores posto a sua mão direita sobre um livro dos Santos Evangelhos que presente estava e promettido sob juramento bem desempenhar as suas funcções na forma prescripta pela lei, o mesmo presidente os houve por juramentados e empossados e a Villa e a Câmara por installada.

E para constar mandou-se lavrar o presente auto que será publicado por editaes e pelos periódicos desta Comarca remettendo-se uma cópia do mesmo ao Excellentíssimo Senhor Presidente da Província e estando a hora adeantada foi designado amanhã as dez horas do dia para ter lugar a primeira sessão ordinária afim de serem nomeados os officiaes e empregados da Câmara, ordenar a arrecadação das respectivas contribuições que pertenciam a Câmara da mesma cidade de Mogy Mirim e de tudo mais que for relativo a esta municipalidade. Do que para constar lavrei o presente auto que vae assigando pelo presidente e vereadores commigo secretário interino o escrevi e assigno.”(Seguem-se as assinaturas).

Na sessão ordinária do dia seguinte, a Câmara nomeou seus funcionários efetivos em seguida mencionados:

José Polycarpo de Almeida Queiroz, secretário; Theodoro Franco, procurador; Optuciano José de Sydnaid, fiscal, e Joaquim Germano Xavier, porteiro.

Também na mesma sessão foram designados os vereadores Lúcio Ribeiro da Motta, Honório d´Avila Pereira Soares e Joaquim de Souza Moraes para elaborarem as posturas municipais.

Decorridos trinta anos da doação de Romualdo, nossa terra iniciava uma nova fase da sua existência, emancipando-se da tutela que, em virtude do trabalho e do progresso que seus filhos haviam desenvolvido, não mais se justificava.

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Em 1876, constava a paróquia do Divino Espírito Santo com 13 eleitores. Segundo a lei eleitoral vigente, os grupos de 400 brasileiros de qualquer sexo ou condição davam um eleitor, podendo-se atribuir à comarca São José de Mogi Mirim, inclusive Nossa Senhora da Conceição de Mogi Guaçu e Divino Espírito Santo do Pinhal, 20.000 habitantes.

Nesse ano, visita a fazenda Nova Louzã, recebido com grandes manifestações, o Imperador D. Pedro II.

Com a criação da vila e do município em 1877, instalou-se o juízo municipal, sob a presidência do Dr. Paulino Cyrilo Leão da Silveira, médico, servindo de escrivão Joaquim de Almeida Vergueiro, chefe de ilustre família pinhalense. O primeiro inventário processado foi o de Francisco Pires de Campos, tendo como inventariante Benjamin Marcondes de Lima.

Em 1879, era vigário da paróquia o padre Dr. José Daniel de Carvalho Monte Negro, sacerdote de grandes virtudes e muito estimado dos seus paroquianos. Tendo sido transferido para Penha do Rio do Peixe, hoje, Itapira, segundo determinação dos altos poderes eclesiásticos, a Câmara de Pinhal, por delegação do povo, solicitou e obteve de D. Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, Bispo Diocesano, a revogação do ato, enchendo de grande júbilo a população.

Até o ministério deste virtuoso cura de almas e a partir da morte do padre José Mariano da Silva Macaré, exerceram o sagrado ministério nesta paróquia os seguintes sacerdotes; Francisco Saraiva de Miranda, Francisco Candido Corrêa e José Joaquim do Prado.

Prosseguindo na sua existência autônoma, foi empossada em nossa terra, em princípios de janeiro de 1881, nova edilidade, constituída dos cidadãos seguintes: Joaquim Thomaz de Oliveira Tito, presidente; Carlos Leopoldo de Araújo Cunha, Luiz Bernardes Staut, José Theodoro Garcia, Amando Soares de Abreu Caiuby, Francisco Pinto da Fonseca e Manoel Luiz Ribeiro.

A lei nº62, de 28 de maio de 1881, sancionada pelo Presidente da Província, senador Florêncio Carlos de Abreu e Silva, criou a comarca do Espírito Santo, com o município do termo da Penha do Rio do Peixe, hoje Itapira. A comarca foi instalada em 1883 nesta última localidade e ali funcionou até 1892, quando, pela lei nº80, de 25 de agosto de 1892, Itapira instalou sua própria comarca.

Esse estado de coisas, evidentemente anormal, embora provocasse natural descontentamento da população, foi admitido pela Câmara de Pinhal que, em sessão de 7 de outubro de 1883, recebeu e aceitou o oferecimento de Manoel Teixeira Rolla para abrilhantar, com a sua banda de música, a solenidade da instalação da comarca em Itapira.

A instalação, que se verificou no dia 30 de outubro de 1883, atendendo ao convite feito pela Câmara Municipal de Itapira, enviou a Câmara de Pinhal uma comissão composta de três membros, Vicente Gonçalves da Silva, José Theodoro Garcia Leal e Francisco Bernardes de Oliveira Mineiro, para representa-la.

Ato do flagrante injustiça esse, com o qual os pinhalenses não podiam conformar-se, tanto que, em sessão realizada no dia 20 de fevereiro de 1888, o vereador Luiz Bernardes Staut formulou veemente protesto, solicitando à Câmara que representasse ao Governo no sentido de ser transferida a sede do poder judiciário para Pinhal, como era de direito, o que só se realizou, consoante foi dito, em 1892, em 12 de outubro.

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A vila do Espírito Santo foi elevado à categoria de cidade pela lei nº14, de 10 de março de 1883, sancionada pelo conselheiro Francisco Soares de Carvalho Brandão, presidente da Província.

Em conseqüência, foram nomeados juiz municipal togado o Dr. Paulo Machado Florenço e primeiro escrivão de hipotecas José Lourenço de Sá.

Também foi empossada nesse ano a Câmara destinada a servir até 1886, constituída dos seguintes edis: José Theodoro Garcia Leal, Joaquim Cyriaco Ribeiro, Manoel Aranha de Campos, Joaquim de Almeida Vergueiro, Vicente Gonçalves da Silva e Francisco Bernardes de Oliveira Mineiro.

A nova denominação dada à vila do Espírito Santo revelava a sua importância, atestava o seu progresso. Verificava-se a sua elevação à categoria de cidade um lustro apenas após a sua elevação a vila, ocorrida em 9 de Abril de 1877.

É interessante saber que até 3 de abril de 1849, apenas oito eram as cidades paulistas, exclusivo a capital: Santos, Taubaté, Itu, Campinas, Sorocaba, Guaratinguetá, Paranaguá e Curitiba (estas duas últimas desmembradas da Província de São Paulo em 1858, ao criar-se a Província do Paraná).

Por lei de 8 de abril de 1849, mais cinco cidades juntaram-se às existentes: Nossa Senhora da Conceição de Jacareí, Nossa Senhora do Bom Sucesso de Pindamonhangaba, Senhor Bom Jesus do Livramento de Bananal, Senhor Bom Jesus da Ribeira (Iguape) e São José de Mogi Mirim, a cuja jurisdição pertencia nossa terra.

O retalhamento do país processava-se lento. O território de Mogi Mirim, ao ser elevado a freguesia, em 1751, estava anexado ao território do Rio de Janeiro (1750 a 1765) e, em consequência, também nosso território.

Em 10 de março de 1883, a nossa comarca continuava em Itapira, e assim continuaria até 1892, apesar da promulgação do Decreto nº94, de 26 de dezembro de 1889, que declarava que a comarca criada funcionaria, de então por diante, com o termo do Espírito Santo.

Da instalação da comarca de Itapira, realizada em 30 de outubro de 1883, existe a seguinte ata:

“Neste acto compareceu o juiz municipal primeiro suplente em exercício Joaquim Gomes da Cunha, recebido com as formalidades do estylo tomando assento na cabeceira da mesa, leu o acto official que designou o dia de hoje para installação da comarca e depois de transmittida a jurisdição de juiz municipal ao vereador Manoel da Rocha Campos Cardoso assumiu a jurisdição plena de juiz de direito da comarca, dando posse ao promotor nomeado, dr. José Joaquim de Moraes e declarou installada a mesma Comarca providenciando sobre a installação do Registro de Hypothecas (a cargo do official interino Joaquim Augusto Gomes da Cunha) e sobre os dias das audiências e mais formalidades, sobre a publicidade da instalação official, o que tudo assistia a câmara em corporação reunida à commissão da câmara municipal da cidade de Espírito Santo do Pinhal, Tte. Vicente Gonçalves da Silva, Aneres José Theodoro Garcia Leal e Francisco Bernardes de Oliveira Mineiro.”

A elevação a comarca, com funcionamento junto ao termo de Itapira, forçoso é ainda notar, que se de uma parte dava, à população da nova cidade do Espírito Santo do Pinhal, a autonomia ambicionada de outra parte submetia-se a severas contingências de tempo e de espaço, ferindo-a na sua economia, no seu amor próprio e na sua independência política.

 

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Complemento natural da abolição da escravatura em nosso país foi a proclamação da República.Estes dois acontecimentos vieram consolidar a nossa independência proclamada no dia 7 de setembro de 1892, nas margens do Ipiranga.

Esta sucessão de fatos, de relevante importância para a vida política, econômica e espiritual do Brasil, trouxe um corolário de bom valor incalculável: a emancipação da tutela portuguesa, que já se nos fazia pesada: a abolição da escravatura, que enodoava os nosso foros de povo civilizado: a substituição de um regime que, maduro na filosofia das nações, vinha sendo varrido do mundo político desde o advento da Revolução Francesa.

O país todo ansiava, a despeito da veneração que tributava ao velho imperador, o ilustrado D. Pedro II, por um regime de liberdade e de fraternidade.Apesar de muitos pinhalenses terem sentido a irradiante influência desse ancião de longas barbas brancas, por ocasião da visita que fez à fazenda Nova Louzã, em 16 de setembro de 1876, os adeptos do governo republicano tornavam-se cada vez mais numerosos, pregando abertamente os postulados do regime criado em 15 de novembro de 1889.

No apagar das luzes do Império abolicionistas e republicanos irmanavam-se e congregavam-se para a glória de uma nova era.

O Dr. José de Almeida Vergueiro, grande abolicionista, na memorável sessão da Câmara verificada em 7 de janeiro de 1888, propôs que a edilidade oficiasse aos lavradores do município, convocando uma reunião para o dia 2 de fevereiro, quando seria tratada a libertação dos escravos existentes em número de 1.035.

A reunião teve lugar no dia mencionado, obtendo a proposição a aquiescência de todos, ficando marcado o dia 16 de abril de 1888 para a proclamação da libertação dos escravos existentes no município de Pinhal.

No dia 16 de abril de 1888, grandes festejos populares comemoraram o magnífico acontecimento que se verificava precisamente vinte e oito dias antes da abolição da escravatura em posso país, vinte e oito dias antes que a princesa D. Isabel, a Redentora, sancionasse a lei abolindo no Brasil o regime da servidão.

O ato de D. Isabel, de grande relevância, marcou para sempre o ocaso do Império.

Só não tremeram os agricultores do Pinhal, sacrificando os seus interesses, em favor da liberdade dos escravos, também não tremeu a augusta mão, quando assinou a lei libertadora, porque as cenas da escravidão com seus horrores e as idéias liberais em marcha já haviam sentenciado a morte da monarquia no Brasil.

Em maio de 1888, após o dia da abolição, o vereador Luiz Bernardes Staut, justificando uma indicação no sentido de ser dada a denominação de “Barão da Motta Paes” a uma das vias da cidade proferiu na Câmara um longo discurso que assim terminava:

“...o Exmo .Sr. Barão da Motta Paes foi o primeiro, que, entre nós, restituiu imediatamente a liberdade aos seus numerosos escravizados, arrastando consigo a sua numerosa família e numerosos amigos; e tudo fazendo para que se proclamasse no dia 16 de abril do corrente ano a libertação total do nosso município.Se ele tanto fez e se a ele tanto devemos, é justo que provemos a nossa gratidão dando à rua da Independência o nome de – Rua Barão da Motta Paes”.

E assim feito.

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Mil oitocentos e oitenta e nove...

Em 15 de novembro de 1889 em virtude de um pronunciamento militar chefiado pelo marechal Deodoro da Fonseca, caiu a Monarqui. Não obstante, não fosse e gênio luminoso de Rui Barbosa a amparar o regime nascente, este não teria subsistido.

A causa é encontrada na circunstância de que o regime monárquico caiu, no Brasil, com a dignidade ilesa e com a consciência tranqüila por ter deixado o país em grande prosperidade, com sua moeda altamente valorizada e no gozo de merecido prstígio no concerto das nações.

A Monarquia era o passado, todavia, e a República o presente e o porvir, representando o movimento operado em 15 de novembro de 1889 o dealbar de uma nova era.

Um mês e pouco antes, em 1º de outubro de 1889, depois de exaustivos trabalhos de terraplanagem, de estudo de raios de curvas e contra-curvas, do estudo da grandeza das declividades, do preparo de aterros e trincheiras, do estabelecimento de travessas e cruzamentos de nível dos balastros, da construção de pontes e estações, através de campos e matas, chegava a primeira locomotiva à cidade de Pinhal.

Em 1876, por ocasião da visita do Imperador D. Pedro II à povoação de Nova Louzã, os trilhos terminavam pouco além de Mogi Guaçu. Sua Magestade teve que fazer de trole o percurso de ponto terminal até Nova Louzã, onde o esperavam o comendador Monte Negro e os pinhalenses que foram receber o velho Alcântara.

Pioneira do progresso, a Estrada de Ferro Mogiana trazia, pela primeira vez, à nossa cidade, a locomotiva a vapor – glória de José Cugnot, Blackett e Stephenson – entre pipocar de foguetes, músicas e flores, fazendo soar pela primeira vez o seu apito, que se perdeu, entre ressonância, nas fraldas das colinas e nas quebradas das serras, anunciando aos habitantes da cidade, reunidos na plataforma da estação, o raiar de uma nova aurora.

Os dois acontecimentos – a proclamação da República e a inauguração da estrada de ferro – de grande significação para os pinhalenses, tinham numerosas afinidades entre si, ressaltando entre estas o ensaio dos primeiros passos no caminho do progresso, a luta que ambos iriam empreender em prol de um S. Paulo grande dentro de um Brasil maior.

Só em 1850, quando Pinhal nasceu, teve início o assentamento dos trilhos no Brasil. Até 1889, o Império havia assentado 10.000 quilômetros de caminhos de ferro. Na República, até 1930, foram assentados 23.000 quilômetros.

Para a época, o prolongamento dos trilhos até Pinhal, representava um grande feito. Hoje, nesse sentido, um grande feito seria, por exemplo, a abertura de um túnel sob o Canal da Mancha ou sob o Monte Branco, em face dos progressos da ciência e da técnica.

Estávamos nos albores da mecanização, ainda não havia o conceito da humanização da máquina, nem mesmo as perspectivas que nesse setor do progresso humano tanto se conseguiu.

 Pinhal muito deve à Companhia Mogiana de Estradas de Ferro pela criação desse importante melhoramento que possibilitou o escoamento mais rápido de toda a sua produção, possibilitando ainda a entrega, aos consumidores, do melhor café do mundo, aqui colhido, sob as auras benfazejas da Serra da Mantiqueira, salubres e puras.

Pinhal muito deve à Monarquia, repetimos. Este ramal, cujos obreiros, verdadeiros artífices do progresso, despenderam durante sessenta anos o melhordos seus esforços e das suas energias em benefício do nosso torrão, deve ainda hoje que, por razões técnicas, não corresponde ao dinamismo espetacular dos nossos dias, merecer o nosso apoio e a nossa gratidão, por ter cooperado conosco, de maneira considerável na obtenção do nosso prestígio e da nossa riqueza.

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O progresso de Espírito Santo do Pinhal prosseguia em franco desenvolvimento. Em 1885, a população acusava 9.000 habitantes e existiam, em construção, 80 prédios. A lavoura de café desenvolvia-se com exuberância. A derrubada das matas, para novas plantações, marchava célere, contribuindo Pinhal, com grande parcela, para a riqueza da Província e do Império.

Dois anos depois, em 1877, a colheita do café foi de 250.000 arrobas. Os galhos do arbusto africano vergavam ao peso dos grãos vermelhos, cor de sangue, frutos que representavam ingentes sacrifícios, intensos labores. As floradas desse ano cobriram, qual imenso sudário, as encostas, as colinas e os pendores das serras de todo o município, tendo por fundo horizontes rosicleres, os nossos horizontes.

Nesse ano foi empossada a nova Câmara constituída dos seguintes edis: Lúcio Ribeiro da Motta, presidente; Antônio Augusto dos Santos Oliveira, Luiz Bernardes Staut, Carlos Leopoldo de Araújo Cunha, Victoriano Antônio Villas Boas, Manoel da Silva Barreto, Dr. José de Almeida Vergueiro, José Antônio de Oliveira Santos e José Felippe do Amaral.

Surgiu também, nesse ano, o primeiro número de “O Pinhalense”, sob a direção de Antônio Raposo de Almeida, advogado provisionado.

O ano de 1888 assina o registro dos acontecimentos já referidos sobre a libertação dos escravos pinhalenses e a abolição da escravidão no Brasil. Assinalou ainda esse ano, a chegada dos primeiros imigrantes italianos, que tanta ajuda trouxeram à cafeicultura de Pinhal e à agricultura de toda a Província.

Realizou-se também a 15 de março a bênção do novo cemitério e a 18 de julho a fundação da Vila Montenegro, grande arrabalde da cidade, circulando ainda o primeiro número da “Gazeta de Pinhal”, dirigida por Félix Vieira Cortes.

Em 1888 funcionavam no município os seguintes profissionais: Médicos – Drs. José de Almeida Vergueiro, Carolino Ferreira da Silva e Paulino Cyrillo Leão da Silveira. Professores públicos – Antônio da Cruz Menezes, Joaquim Serapião Funchal e D. Ana Cândida de Oliveira Salles. Advogados – Dr. Felizardo Pinheiro de Campos Muller e os provisionados Antônio Raposo de Almeida, Manoel Maria de Castro Camargo e Manoel Carlos de Moraes Pessoa. Funcionava ainda um colégio particular sob a direção de João Elias Ferreira do Amarante.

A semana santa de 1889 e a proclamação da República assinalaram-se grandes festividades, inaugurando-se na Matriz as imagens do Nosso Senhor Morto, doada pelo Cel. Joaquim Leite de Souza; de Nosso Senhor dos Passos, pelo comendador Monte Negro e de Nossa Senhora das Dores, pelo Major Américo de Almeida Xavier Vergueiro.

A câmara constituída em 1887 deixou o poder em 20 de janeiro de 1890, sendo substituída pelo Conselho da Intendência, nomeado após a proclamação da República o composto dos cidadãos Ernesto de Faria, presidente, Arthur de Lima, Vicente Gonçalves da Silva e Francisco Xavier Ribeiro.

Surgiram dois novos jornais: em 1891, o “Correio D´Oeste” redatoriado por Miguel Virgínio e em 1892, a 3 de julho, a “Cidade de Pinhal” sob a direção e redação do Cap. Amando de Almeida Vergueiro e Antônio Tomaz Pacheco Lessa.

Dois fatos de importância ocorreram em 1892: a instalação da comarca, em 12 de outubro, criada em 1881 e que vinha funcionando em Itapira e a posse da primeira câmara republicana, empossada em setembro de 1892, constituída dos seguintes cidadãos: Vicente Gonçalves da Silva, Dias Ferreira, Leocádio de Faria, Amando Vergueiro, Honório Soares, Francisco Rosas e Alberto Florence.

Foi o primeiro juiz de Direito o Dr. Fabiano Augusto Nogueira Porto e promotor público interino Porphírio Florindo Coelho, mais tarde substituído pelo Dr. Abelardo Cerqueira César, futuro deputado e senador.

14 (última parte)

Espírito Santo do Pinhal continuava progredindo. A lavoura de café formava verdadeiro oceano de arbustos e de folhas, que ondeava ao sopro da brisa. Em 1893, a população era superior a 16.000 habitantes, contando a cidade quase 550 prédios. Existiam quatro escolas providas, um colégio sob a direção do professor Curiácio Ávila e uma escola particular dirigida pelo professor Antônio Alexandre Alves e pelos professores de música D. Francisca Adelaide de Campos, Fortunato de Paula Campos e Rodrigo da Silva Campos. Existia também a Associação de Imprensa Pinhalense, presidida pelo Cel. Francisco Xavier Ribeiro.

Sob o comando também do Cel. Francisco Xavier Ribeiro funcionava, em 1893, a Guarda Municipal, composta dos 35º e 89º Batalhões de Infantaria e 60º Regimento de Cavalaria, vivendo ainda alguns dos seus integrantes.

É a seguinte a sequência dos acontecimentos verificados em nossa terra a partir da instalação da comarca até 12 de março de 1898, data da inauguração da luz elétrica em Pinhal.

Em 1893, posse da Câmara, para servir até 1895, integrada por Vicente Gonçalves da Silva, presidente; Honório D´Avila Pereira Soares, Antônio José Dias Ferreira, Sabino Bueno Ribeiro, Alberto Florence Francisco Antônio Rosas, Amando de Almeida Vergueiro, Dr. Carolino Ferreira da Silva e Leocádio Gomes de Faria; 25 de março – Fundação do Hospital “Francisco Rosas”

Para o período de 1896-1898, a Câmara foi constituída dos seguintes cidadãos: Vicente Gonçalves da Silva, presidente; Amando de Almeida Vergueiro, Honório D´Avila Pereira Soares, Dr. José Silvestre Machado Júnior, Benedito Olegário Bueno, Jacob Worms, Randolfo Agostinho Ribeiro e Alberto Florence.

 27 de agosto de 1897 – Inauguração do Grupo Escolar “Dr. Almeida Vergueiro”, instalado, em caráter provisório, em dois prédios alugados; 28 de novembro de 1897 – Terminada a construção do edifício do Grupo Escolar “Dr. Almeida Vergueiro” passou a funcionar nesse magnífico prédio.

24 de fevereiro de 1898 – Publicação do primeiro número do jornal “A Regeneração” sob a direção do professor Artur Rio Vez.

A eletricidade – já observaram vários historiadores – é um departamento científico muito antigo. Thales de Mileto (640-546 AC.) conhecia a propriedade de atração do âmbar. Theophrasto (812-287 AC.) combatia essa exclusividade, para estende-la a outros corpos.

No século XVII, Guilherme Gilbert lança nova luz sobre o assunto. Roberto Bayle, Newton, Cardan, Otto Von Gueriche, Canton, Hawksbee trabalham e dão as regras da eletrização da superfície dos metais.

No século VXIII grandes progressos se verificam. Stephen Gray obsreva que a força elétrica pode ser transformada a grande distância por meio de um barbante ou de outros corpos, descobrindo a condutibilidade elétrica. Vem em seguida a descoberta de duas espécies de eletricidade: a positiva e a negativa.

Benjamin Franklin sustenta nos Estados Unidos a teoria uni-fluídica, descobrindo o para-raios. Surgem Coulomb, Olm, Faraday, Cavendish, Galvani, Volta e muitos outros que fazem a eletricidade marchar a passos de gigante para a conquista do futuro.

Em nossa terra não foi admitida com facilidade. O receio, em virtude dos perigos que oferecia, era grande. Lidava-se com o desconhecido. Muito tempo depois, no interior das residências e dos estabelecimentos comerciais ainda lumegavam as velas de sebo, as lamparinas a óleo e os lampiões a querozene, enquanto nas ruas fulgurava uma luz, antes vermelha e mortiça e depois clara e brilhante, como a que temos agora.

Em 12 de março de 1898 estava inaugurada a iluminação elétrica em Pinhal, essa grande conquista do gênio humano, entre testas e regozijos populares.

 

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