Ferrovias e a
Cia. Mogiana de Estradas de Ferro
A Mogiana em Itapira - PARTE 5
(continuação da página anterior)

A famosa "Maria Fumaça"

Vela estação da Mogiana em Itapira (década de 20)

Estação da Mogiana em 1936

Estação de "Barão Ataliba Nogueira"
município de Itapira,
e os passageiros aguardando o trem
(foto da década de 10/20)

1 - As setas mostram o trajeto da Via Férrea da Cia.Mogiana no ano de 1914 em Itapira
2 - Data da abertura das Estações

1 - Mapa antigo (1907) do Trajeto da Via. Ferroviária da Cia. Mogiana.
A sequência de setas mostra o trajeto de SP a MG.
No canto inferior direito a seta maior evidencia o ramal de Itapira
Muitos
dados interessantes sobre a história da Companhia Mogiana de
dessa
matéria. Sabemos que o prolongamento dessa estrada partiu de Mogi
lugar
a inauguração solene do serviço ferroviário local. (Segundo o
da
linha até a “Penha do Rio do Peixe” se deu aos 29 de junho
de 1.882.
À estação toda ornamentada, ocorreu a população em
peso,
acompanhada de música, sendo festivamente saudada à chegada do
II.
Tal
fato no entanto é contestado por não haver registro que o
de
Itapira a Eleutério. Em 15 de dezembro desse mesmo ano o conselho de
morte
de D. Pedro II, ex-imperador do Brasil. No dia 17 de outubro de
Itapira,
deu este nome a uma de suas locomotivas.Foram momentos de muita
Machado
Sobrinho e Antonio Ramos. A CIA. Mogiana de Estradas de Ferro no
Ataliba
Nogueira e de Eleutério:
Mercadorias
em quilos: Cafés, 5.433.622; outras 2.422.566 café
Lembranças
– Muito já se escreveu sobre a importância que representou a
Desde o seu início foi um marco do progresso, tendo contribuído grandemente para o desenvolvimento de toda nossa região.Transporte de carga e
passageiros, comunicação e correspondências em tempos de paz; transporte de tropas e armamentos em tempo de revoluções e guerras.A Cia.Mogiana mudou a geografia de nossa cidade, fazendo serpentear com suas intermináveis curvas o seu trajeto pelas nossas ruas. Mexeu com nossas emoções, sentimentos e fantasias quando naqueles momentos mágicos de nossa infância ouvíamos o famoso "PIUIiiiiii...Tchenk,Tchenk...PIUIiiiiii...Tchenk,Tchenk" e aquele barulho surdo das rodas esfregando-se nas emendas dos trilhos, quando em marcha lenta: "grololon...grololon", ficando mais ou menos assim sem o apito:"Tchenk, Tchenk...Grololon, Grololon...Tchenk,Tchenk...Grololon...Grololon".As curvas. Ah! Intermináveis curvas; O apito.Ah! Estridente apito... As centelhas e fagulhas queimavam e sujavam nossas roupas.Mas que saudade! Esses momentos estão eternizados em nossa memória mas não voltam mais.
Quando íamos caçar passarinhos lá pra cima da Rua da Penha, seguíamos os trilhos da estrada de ferro e íamos seguindo até encontrar o famoso "corte de pedra ".Esse local era assim chamado porque para abrir-se a estrada naquele ponto houve necessidade de quebrar-se muita pedra para que o seu leito pudesse por ali passar.Os barrancos eram altíssimos de ambos os lados e por isso era muito escuro e com muita sombra.Isso dava
um aspecto fantasmagórico e causava-nos um pouco de medo.Poucos se aventuravam a ir ate a altura desse "corte de pedra". Além de ser estreito e alto, era um pouco perigoso principalmente quando algum trem por ali passava, coincidindo com a nossa presença.Era uma barulheira infernal e dava uma trepidação bastante forte no solo.Isso nos assustava, porque o trem passava por nós e o barranco a apenas meio ou um metro.
Conta-se que certa vez três crianças Quando estavam caçando passarinhos num desses locais ermos da via férrea, tiveram sua atenção voltada para um dos trilhos.Notaram que o mesmo estava Separado da sua junção e que fatalmente alí naquele ponto o trem descarrilaria.
Com
uma presença de espírito incomum para crianças de 9 para 10 anos,
um
deles teve a idéia de fazer uma bandeirinha com
um ramo
de mamona e com
as calças curtas (um "short" vermelho) que usava.Ato contínuo: após
ter tirado
o "short" e tê-lo amarrado ao ramo de mamona feito bandeirinha,
correram
ambos com ela drapejando ao longo dos trilhos e sinalizando e indo
nível se localizavam, fora do perímetro urbano:nos Prados na Rua Lindóia, na Avenida Brasil e na rua Laudelino Alires Monteiro; no perímetro urbano, ficavam nas ruas:Getulio Vargas, 13 de Maio, Saldanha Marinho, Rui Barbosa, 24 de Outubro, Dr.Francisco de Paula Moreira Barbosa (antiga Jose Bonifacio) e XV de Novembro.Quando o trem passava, vinha apitando dando aviso de que não se
podia cruzar essas passagens de nível naquele momento.Numa dessas passagens, à Rua Dr.Francisco de Paula Moreira Barbosa, (alí na altura da Casa da Lavoura), existia uma guarita de madeira, cujo guarda era o pai do Coutinho (exímio raspador de tacos e aplicador de "Sinteko"), muito conhecido na cidade.Ali se postava ele e cumpria o seu dever de impedir os menos avisados de cruzarem a via férrea. Isso frequentemente causava aborrecimentos e as pessoas que tinham um pouco mais de pressa não viam com bons olhos a demora na passagem dos comboios.E não poucas vezes ouvíamos alguém exclamar: Essa Mogiana é um atraso de vida! Quando vai acabar isso? Nós crianças, adorávamos esperar a passsagem do trem que vinha apitando e soltando fumaça por todos lados. Eram momentos mágicos que marcaram profundamente as nossas memórias.Hoje fi-
camos a remoer com nossos botões:...A Mogiana que era "um atraso de vida", se acabou e com ela se foram muitos pedacinhos de nossas lembranças.
Dependendo do horário dos trens, duas ou três vezes no dia tínhamos que conviver com esse tipo de "problema".Muitas chefes de família trabalharam até sua aposentadoria em varias atividades da Cia.Mogiana: chefes de linha, chefes de estação, manobristas, maquinistas,
foguistas, portadores, telegrafistas, lanterneiros, picotadores, carregadores, trabalhadores de turma, conferentes, vigias, mensageiros, escriturários,
funcionários
administrativos
etc.Criou-se toda uma vida social e profissional baseado nos
Inúmeros itapirenses tiveram a sua vida toda influenciada, por essas atividades específicas e
deixaram muitas histórias interessantes para seus filhos e netos.Lembramos do Sr.Manuel Ferreira, pai de D.Geni casada com o Sr.Dionísio Coradi.Seu Manuel foi feitor da Cia.Mogiana e juntamente com outros poderiam já figurar como nome de rua em Itapira, pela sua importância, capacidade, dedicação e enorme potencial de trabalho que possuía.Sétimo Mancini,(manobrador e portador) ramo da importante família dos Mancini em Itapira, avô materno que foi de nosso colaborador José Benedito Gonzaga Cintra Junior, Belmiro Ravagnani (escriturário), sogro de Ariovaldo Cavarzan, meu amigo e ilustre autor de "Il Cuore non può Dimenticare", Humberto Salgado, seu irmão José Darcy Salgado, Valdir Beluomini," Francisco Beluomini, José Carlos Bariani, Francisco de Morais seu filhos José Antonio de Morais, que foi telegrafista e chefe de estação, Humberto Vernucci, o sanhaço, que era mensageiro, Sebastião Dias, portador, Miguel Soriano, portador, Benedito Machado, pai de D.Isabel Machado, que foi conferente, José Augusto Pereira,conferente, Eugênio Galvão de Franca, vigia, Gilberto Piva, telegrafista, Abel Augusto Barbanti, telegrafista, Arlindo Pinola, escriturário, Danilo Tito Constantino Bianchini, escriturário, Aristides Rufino (Nego Rufino), Benedito Franco de Oliveira, chefe de estação, Júpiter Beluomini, (pai do Valdir e Francisco já citados), que foi chefe de estação e muitos outros.
Em contacto com José Antonio de Morais, hoje aposentado da Cia.Mogiana revelou-nos ele muitos fatos de sua lembrança.Jose Antonio e casado com Benedita Carneiro Pinto e possui três filhas:Tânia (já falecida), Vânia e Luciana.Benedita sua esposa é minha parente pelo lado de Maria Ribeiro sua avó paterna, esta é irmã de meu avô materno, João Ribeiro. José Antonio começou muito cedo como telegrafista, tendo inclusive em 1954 feito o seu primeiro teste para praticar a difícil arte do telégrafo. Em sua carteira de trabalho as anotações revelam dados históricos im- portantes, por exemplo numa das paginas lê-se textualmente o seguinte: "Nota- A partir de 10-11-1971 a Cia.Mogiana de Estradas de Ferro, teve a sua razão social modificada para Fepasa - Ferrovia Paulista S/A.

Carteira Profissional de José Antonio de Morais (Telegrafista) aposentado da Mogiana.
A seta mostra o texto referente a data exata quando a Cia. Mogiana passou a a se chamar FEPASA.
Brindou-me José Antonio também com um exemplar do jornalzinho do Sindicato dos trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Mogiana, chamado "O Ferroviário", em cujas páginas pudemos deleitar-nos com uma foto da famosa "Maria Fumaça" e que estampamos aqui nesta matéria.
Ferrovias
e a Cia. Mogiana - PARTE 6
Colhemos
também algumas fotos, relatos e informações do irmão de José Antonio,
o Ailton de Morais que nos ajudou
enormemente a compor esta matéria. Ailton
é um aficcionado e amante de tudo que diz respeito a trens.Possui um
acervo
bastante interessante sobre fotos das grandes máquinas, comboios,
traçados, trechos ferroviários, estações etc. Além de tudo isso ainda tinha
nos seus guardados um livro antigo datado de 1909 que pertence ao seu
pai
o também, já citado ferroviário, Francisco de Morais.Esse livro conta a

Gare da Cia. Mogiana de Estradas de Ferro (1920). Da esquerda para a direita de cima para baixo:
Horácio Machado, (?), Antenor Mancini, Sétimo Mancini, Mauricio Silvestre, (?, (?), (?), (?), (?), Ludivino Siqueira, Francisco Siqueira.
As crianças: Gracilio, Ailton e Jurandir Siqueira.

Carteira De Trabalho da Cia.Mogiana pertencente ao sr. Setimo Mancini, expedida em 2.2.1933
Na carteira de férias ao lado a data de adimissão consta 3.7.1920.
No centro, carteririnhas de dependentes da família do sr. Sétimo Mancini
É do acervo fotográfico de José Benedito, e da família Mancini as fotos da gare da Cia.Mogiana em 1920 e as carteirinhas de dependentes que davam livre acesso às viagens de trem pela Cia.Mogiana na década de 30.Esses documentos são uma verdadeira raridade. Tivemos também a grata satisfação de sorver as lembranças de um outro telegrafista: o sr.José Gomes (ou José Estevão). Seu José mora no sítio Palmital lá pelos lados da, Cerâmica Canella;

Família do Sr. José Gomes no sítio Palmital onde mora

Cateira Profissional de José Gomes da Cia. Mogiana de Estradas de Ferro, expedida em 9.9.1938
Seu José é casado com a sra.Iria Finazzi, ramo do extenso clã dos Finazzi. Seu pai Ângelo era irmão do Amadeu, do João Finazzi e outros. Seus filhos José, Maria Bernadete, Silvia, Maria Amália, Iria, Maria da Penha, Marina Maria, Daniel e Luis Carlos entroncaram-se com outras representantes das famílias itapirenses: os Rogatto (na ascendência), os Formigari, os Galli, os Pereira da Cruz, os Telline, os Machado...Dizia o sr. Jose Gomes que muitos fatos marcaram as suas atividades de telegrafista.Lembrou de quando o sr. Sétimo Mancini foi acidentado e perdeu um dedo durante um engate de vagões.

Sétimo Mancini na gare da Estação da Mogiana.Podemos ver
a falta de um dedo perdido num acidente de trabalho
Lembrou também
de quando por um motivo qualquer, o "trole" (veículo que fazia o
percurso
pela via férrea levando operários de manutenção), perdeu os freios e
passou
pela estação a toda velocidade fazendo esvoaçar pelos ares os chapéus
de
seus "tripulantes", provocando gritos e muito medo.O "trole"
só foi parar muito
longe quando um aclive deteve a sua tragicômica corrida.Após o susto
sobrou
mesmo foi só gargalhada e a perda dos chapéus.Seu João Gomes ainda tem
nos
seus guardados
a sua primeira carteira de trabalho datada de 09 de Setembro de
muita inspiração. A Cia.Mogiana manteve-se ativa ate 1971, tendo sido substituída pelos trens da Fepasa cujas atividades foram até 1988
ou 1989 mais ou menos.Incontáveis seriam os relatos a respeito do quase 90 anos que a Cia Mogiana de Estradas de Ferro permaneceu ativa em nossa região.Quantos relatos e histórias individuais teríamos que ouvir ainda para esgotar o assunto: A faina diária dos carregadores, que incansavelmente abarrotavam e esvaziavam os vagões de carga; os passageiros que iam e vinham num frenesi constante, ora a passeio, ora a negócios; as carrocinhas e os"fordecos bigode", que aguardavam ansiosamente o transporte das cargas para os seus respectivos compradores e comerciantes locais; A gare sempre repleta, num vai e vem de pessoas.A fila para a compra de bilhetes e o prazer gostoso de se ver sentado naqueles bancos de madeira e olhar pelas janelinhas quadradas do trem aguardando o apito da saída; A lentidão da partida, a fumaça, que sufocava e que deixavam as roupas sujas de fuligem; as fagulhas em brasa que vez ou outra queimavam e sapecavam; O "Chenk Chenk"..."Grololon Grololon";o apito misturado com o vozerio das crianças no adeus da partida ou na algazarra da chegada...Um sem fim de lembranças; Os cartazes sérios de propaganda, dependurados nas paredes da estação por dentro ou por fora, a "lousa escrita a giz", indicando os horários de partida e de chegada; os uniformes e o quepe dos chefes de estação, do maquinista, dos foguistas...; A gare sempre muito bem limpa e os depósitos sempre abarrotados de café e outras mercadorias;Vez ou outra a estação mais parecia uma praça de mercado ou bazar turco, devido a variedade de coisas ali acumuladas prontas para o transporte (animais, mercadorias, máquinas e apetrechos agrícolas, sementes e mudas de plantas, despacho de aves, caixas, caixotes, fardos, malas e malotes, feixes, latarias, barris e barricas...). Até o vinho do padre Henrique vinha pela Mogiana.Lembro-me bem disso porque quando as "cartolas", (vol.de 500 litros) ou barris cheios de vinho italiano que vinha diretamente do Vaticano chegava na estação, o padre Henrique logo chamava o meu pai, o Neco de Freitas para que fosse até a casa paroquial para engarrafá-lo.Como bom comerciante que era meu pai havia aprendido toda a técnica de engarrafamento de vinhos portugueses, com o meu avô "Mané Bonito", português "parrudo" lá da Rua do Amparo. O padre não o dispensava dessa tarefa e durante muitos anos era meu pai o “engarrafador-mór” do vinho do padre.Não cobrava nada, no entanto algumas garrafas do bom vinho sempre acabava sobrando para o nosso trago dominical. Muitas vezes acompanhei meu pai na "árdua" tarefa de engarrafador."Os circos também vinham por via férrea" e era comum como já nos referimos em matéria anterior que tanto a lona, as cadeiras, as tábuas para as arquibancadas, os animais (leão, macaco, tigre, zebras, elefantes etc.), permanecessem no terreno ao lado da estação, aguardando a sua retirada.Era uma verdadeira festa; havia também o problema da higiene o que motivou certa vez uma intervenção através da Prefeitura junto à direção da Cia.Mogiana para uma atenção nesse particular.Havia bem em frente a estação, mais ou menos ali ao lado do antigo Supermercado Mixtro uma espécie de piscina redonda construída para dar de beber aos animais.Era um bebedouro para os animais dos donos das carrocinhas que faziam carreto levando e trazendo mercadorias para serem embarcados e desembarcados nos vagões da ferrovia.

Bebedouro para animais na estação da Mogiana (2 momentos históricos)
Nesse local, quase em frente ao bebedouro residiam as irmãs gêmeas Bairral, Rosa e Maria Avelina juntamente com outro irmão o José "Juca" Bairral, todos sobrinhos de Américo Bairral, o idealizador do Sanatório que levou seu nome.Alí no cômodo da frente elas vendiam entre outros os jornais "O Estado e o Diário de São Paulo, a Gazeta Esportiva"; as revistas "O Cruzeiro" e os famosos "Gibis": "O Guri, o Fantasma, Shazan, Mandrake, Roy Rogers, Gene Autry, Bill Eliott, O Cavalheiro Negro, Hopalong Cassidy, Pinduca e muitos outros.As irmãs Bairral eram gêmeas e o que chamava bastante a atenção era o fato delas se pintarem exageradamente, usando de uma maneira excessiva os cremes faciais, o "rouge e
os batons da época".Eram no entanto muito meigas e tratavam a todos com muito respeito.Talvez tenham sido juntamente com a Loja de Revistas do "Seu Antoninho", que ficava ao lado da farmácia da Fé, provavelmente as primeiras comerciantes de revistas de nossa cidade.
O meio de transporte mais comum naquela época era o cavalo e tanto os tropeiros quanto os carroceiros que ali trabalhavam matavam a sede de seus animais naquele bebedouro público.Nas festas comemorativas, datas históricas e religiosas os trens eram enfeitados e todos participavam alegre e graciosamente das idas e vindas da "Maria Fumaça" pelos trechos férreos da cidade.
ACIDENTES

Acidente ocorrido em 1901 no trajeto Campinas-Ribeirão Preto conduzindo passageiros e de
Cargas de Mogi Guaçu a Campinas.Foi o primeiro desastre de trem da história da Ferrovia
Acidente com descarrilamento ocorrido na década de 30 nas proximidades de Eleutério felizmente sem vítimas
REVOLUÇÃO DE 1932

A estação da Mogiana de Itapira na Revolução de 1932.Vemos aí as tropas Federais
desembarcando para assumir suas posições militares em nossa região
Acidentes e descarrilamento também foram notícias.Houve morte, suicídios e mutilações, de pessoas de nossa cidade, além de acidentes
com animais e carrocinhas puxadas por animais.Guardamos tristemente em nossa memória a morte do sr.Arcangelo Secolin, pai do exímio alfaiate e comerciante Américo Seccolin, ocorrida em 1963 no final da rua da Penha, onde foi brutalmente pego de surpresa pela composição da Mogiana.Houve o caso do popular "Chiclé", que teve uma das pernas amputadas num acidente dessa natureza. Há o relato também de uma senhora de sobrenome Pacolla que atirou-se a frente do trem cometendo suicídio.São páginas tristes dessa que foi uma das maiores desgraças em nossa região e que marcou profundamente as nossas lembranças.Realmente e impossível lembrarmos de todos os acontecimentos, fatos e ocorrências que envolveram a Cia.Mogiana em nossa cidade.Fica assim em aberto esta matéria para quando avivando nossa memória possamos trazer mais detalhes.Excelente matéria sobre "O Trem da Mogiana ", escreveu o excelente articulista Arlindo Bellini neste mesmo jornal “A Tribuna de Itapira” em 3 de Setembro de 1995.Que os leitores enriquecendo a presente matéria reportem àqueles escritos porque os detalhes são bastante valiosos do ponto de vista histórico-sentimental e cultural.Que se reportem também aos escritos do Jácomo Mandatto e da Odete Coppos cujo livro "A Revolução Constitucionalista de 1932 ( Setor Leste)", enfoca magistralmente essa epopéia, página negra de nosso país. Aí está, portanto, um pouco da história da nossa querida Cia.Mogiana de Estradas de Ferro, em cujos trilhos "surfou" barulhenta, irreverente e feia mas estóica, histórica e saudosa "Maria Fumaça".

Uma das últimas fotos da velha estação da Mogiana, vista por trás na aárea de embarque e desembarque de passageiros.
Foto Mantuam e texto de Arlindo Bellini
O Viaduto da Mogiana

Viaduto
da Mogiana já desativado.Note-se a casinha do vigia logo antes do viaduto, à
direita, local onde exercia a função de guarda.
Tendo sido construída a linha férrea de Itapira em 1882, houve mudanças no perímetro urbano devido ao cruzamento por diversas ruas para dar passagem a esse melhoramento.Assim tendo as diversas ruas sofrido mudanças em seus trajetos originais, incluindo a Rua José Bonifácio que se ligava à fazenda Santa Bárbara e também como por ali o caminho era utilizado pelos transeuntes, pensou-se não sem gerar muita polêmica na construção de uma via de acesso que ligasse um lado a outro das ruas. Essa idéia proveio do dr. Paula Barbosa, fazendeiro de muitas posses e influência política que não dando ouvidos aos adversários e auxiliado pelo jornal não menos influente, o advogado dr. Mário Pereira da Fonseca através do“ O Itapirense” de 08 de setembro de 1907. Entre os oposicionistas estavam “um conhecido advogado e um medico”. Esse medico oposicionista parece ter sido o dr. Norberto Pereira da Fonseca, irmão de Mário.Os argumentos utilizados pela oposição, é que as poucas casas ali construídas iriam ficar soterradas. O fato é que o viaduto não foi construído.Somente na gestão de Caetano Munhoz de 1938 a 1942 ocorre o fechamento da Rua Manoel Pereira, ao lado da estação e é também construída a passagem superior destinada aos pedestres, o viaduto com escadas, hoje ainda existente mas já obsoleto e sem muito uso pela inexistência da linha férrea
Ferrovias e a Cia.Mogiana - PARTE 7

Este aviso de São Paulo Railway Company citando a Cia Mogiana refletia o progresso nos meios de transporte.
Em 1906 essa empresa já havia transportado 1.298.099 passageiros contra 422.355 em 1890.

1 -Escritório Central da C. Mogiana em Campinas em 1909 - Antiga Estação
2 - Fachada principal da oficina da Cia. Mogiana em Campinas (1909)
3 - Oficina de montagem.Guindaste elétrico para 50 toneladas (1907)
Finalizando a matéria sobre Ferrovias onde enfocamos aspectos e momentos históricos da Cia.Mogiana de Estradas de Ferros em nossa
região apresentaremos nesse espaço detalhes fotográficos específicos sobre essa matéria desde os mais antigos até os mais recentes.Bastante interessantes essas fotos reportam às lembranças e aos momentos saudosistas dessa época que não volta mais.Logicamente não somos contra o avanço científico e tecnológico por que tem que passar o mundo e a dimensão de suas conquistas.No entanto o passado tem que ser escrito e a história se faz também com saudade emoção e experiência.Que o mundo moderno que se avizinha sem fronteiras nesse limiar de fim de século possa, avançar sem temores rumo aos seu destino; mas que continue fazendo e registrando a sua história nas suas mais singelas e humildes lembranças.A história é o futuro do passado. Muitas fotos como estas ilustrarão ainda esse espaço no sentido de caracterizar detalhadamente a histórica época em que Itapira e toda a região abrigou a quase centenária CIA MOGIANA DE ESTRADAS DE FERRO.
Ferrovias
e a Cia.Mogiana - PARTE 8
Fotos
históricas antigas e recentes bastante interessantes ilustram e
nesses quase 1 século de existência essa estrada de ferro fez parte integrante de cada família, da geografia, da economia, da política, do folclore de toda uma região. Alem de tudo, essa quase centenária ferrovia mexeu sentimental e emocionalmente com o psicológico e com a mágica de todos nós crianças e adultos.Famílias inteiras desde as mais humildes até as mais abastadas dependeram do serpentear barulhento dessa que foi senão a maior uma das maiores companhias de estrada de ferro de nosso país.

Comunicado da Cia. Mogiana, estampado numa das páginas
do jornal "Comércio de Itapira , em 22 de fevereirro de 1912
Ferrovias
e a Cia.Mogiana PARTE 9
Dando continuidade a apresentação do acervo fotográfico sobre a CIA. Mogiana, reproduzimos abaixo muitas fotos da estação e seus respectivos chefes e funcionários. Vemos também um trecho ferroviário e uma ponte do ramal de Socorro, sobre o rio Camanducaia.

Estação da Mogiana em Vergel.Notam-se nas laterais do vão central as "lousas" onde se marcavam
os horários de chegada e saída dos trens. Também se observa a placa de quilometragem marcando (10 Km)
Chefes de Sapucai e Mogi Guaçu e de Estiva e Mato Seco

Chefes de Mogi Mirim e Eleutério e de Ressaca e Martim Francisco

Pessoal de Ressaca e Martim Francisco. Foto em frente às respectivas Estações
Chefes de Serra Negra e de Guedes

Chefes, Turmas e Estações
1- Chefe de Cons.Laurindo - Horácio Neves; Nova Louzã; - J.C.B.Santos; Motta Paes - J osé Pedroso Ramos; Ipê - Tancredo Spindola.
2 - Chefe de Amparo - Sebastião Barreta; Tres Pontes - Angelo Pires Cardoso; Monte Alegre - Angelo Martins; Pantaleão - Waldomiro Lopes
3 - Chefe de Guanabara - Castorino Rodrigues; Anhumas - Theodoro Camargo; Tanquinho - Beneditcto de Campos; D.Furtado - José Pedroso.
4 - Chefe de Cascavel - Bento Faustino; Eng.Mendes - Elpídio Ferreira; Chanaan - Guilherme Silva; Cerrado - João Mattoso.

Pessoal de Monte Alegre e José dos Anjos Teixeira, Chefe de Orindiuva



1 - Chefe de Tambahu - Sebastião Garrido; Santos Dumont - Osorio Rangel e Estação de Santos Dumont
2 - Chefe de Jaguary - Evencio Camargo; Coqueiros - Joaquim Lazaro e Pessoal da Estação de Jaguary
3 - Chefe de Sucury - Jordão de Godoy; Tibiriça - José Marcelino Moraes e Pessoal de Cavinhos
Ferrovias
e a Cia.Mogiana PARTE 10
Estação de Sapucaí em 07.09.1969. Vemos reunidos para a comemoração da data
(sem localização da ordem): Eduardo Bortolotto, (tio do Genésio), José Marim, José Pereira (vigia), João Batista (telegrafista), José Marques (manobrista). Formigari (truqueiro),, Vanderley Marques (telegrafista), José Roberto, Carijó, Vidal (truqueiro), Atilio e Luis Zanga (manobrista e telegrafista). O menino discursando é o Eduardinho Bortolotto.

Estação da Mogiana na cidade mineira de Sapucaí, vizinha de Eleutério, hoje completamente abandonada

Estação de Eleutério, desativada - Nota-se ainda a data de abertura - 15.10.1891
Logo ali em Sapucaí vizinha de nossa antiqüíssima Vila de Eleutério iremos encontrar os remanescentes históricos da Cia. Mogiana e a escolhemos justamente como palco desse ato final, no sentido de homenageá-la pelo aspecto histórico e pelos momentos inéditos que proporcionou naqueles idos de começo de século.Tomamos a liberdade de adentrarmos por aquelas terras e ali sorver um pouco dos relatos e dos “causos” mineiros contados pelos bares, esquinas e no próprio lar de cada um.Também lá a saudade do “trem” ficou marcada profundamente na lembrança de todos. Ainda existe lá o “viradouro”, espécie de máquina ou artifício que fazia a locomotiva girar sobre um eixo para retornar no seu caminho de volta. Era um fim de linha e essa peça tornava possível fazer a locomotiva inteira girar-se sobre si mesma mudando o rumo de seu trajeto.Muitos contam que quando o ramal até Eleutério ficou pronto, os passageiros que ali desembarcavam, tinham de caminhar “a pé”, até Sapucaí para prosseguir viagem rumo ao interior de Minas Gerais.Como já nos referimos anteriormente a Mogiana desapareceu envolida pelo tempo, pela concorrência e pela modernidade. Hoje só restam dela acervos envelhecidos ainda espalhados pelos museus da região e se deteriorando pelo tempo à céu aberto.Existem trechos ferroviários reaproveitados pelas companhias que ainda mantém seus empreendimentos baseados nesse tipo de transporte, estações abandonadas e um legado histórico sem precedentes. Nesse fim de linha, os sinos, o surdo “tchenk, tchenk...grololon, grololon, a fumaça enegrecida, o vozerio da estação e os adeuses de despedidas, já vão se distanciando de nossos sentidos, dando nascimento às lembranças de cujas memórias também vão aos poucos se perdendo. Na certeza de que pelo menos um pouquinho, deixamos registradas as nossas lembranças e ass dos nossos gentis colaboradores, também esperamos que as histórias continuem sendo contadas, porque ambos passado e futuro, tal qual o nosso momentâneo presente fazem parte dessa mesma tão longa e misteriosa estrada.

Locomotiva moderna da Fepasa, Tipo V20C da G.E.Série 3.800 -108 TON.Comb.Diesel