MANANCIAIS SUBTERRÂNEOS

Fontes e Minas d'àgua de Itapira

Itapira sempre foi muito rica em mananciais subterrâneos, e as minas d'água afluíam à superfície criando inúmeras fontes que serviam à nossa população.No início dos anos 50 o sr. Alfredo Pierozzi iniciou a distribuição da água, "Boa Vista", provindas de uma fonte, localizada nas montanhas da região de Águas de Lindóia. lá pelos lados da Ponte Nova.  Era água de boa qualidade   e a sua comercialização foi bem recebida pelos bares, restaurantes, armazéns e também pelos lares itapirenses. Eram vendidos para pagamento mensal em garrafões de 5 litros. Esses garrafões eram de coloração esverdeados, lisos ou empalhados e eram engarrafados e distribuídos pelo próprio sr. Alfredo Pierozzi. Teve duração por longos anos. Hoje essas terras pertencem ao Katsume Inoue.

 

                                       

 

1 - Vemos à frente da Fonte da esquerda para a direita o Com.Virgolino de Oliveira, Alfredo Pierozzi, deputado Juvenal Lino de Matos e o presidente da Câmara de Itapira sr. José de Souza Ferreira Filho,

no dia da inauguração da da Fonte Boa Vista.

2 - Nesta outra foto vemos da esquerda para a direita o Com.Virgolino de Oliveira, Alfredo Pierozzi, Juvenal Lino de Matos, José de Souza Ferreira Filho, vereador Marcelo Avancini, Helio Audi, Joaquim Bendo de Souza Ferreira, Domingos Caio, Benedito Alves Lima, vereador Antonio Serra e José Felizatti

 

 

Mina dos Bonelli

 

Vemos nessa foto José (Zepin) Bonelli e seu filhos. Em pé: Hermínia (Nene), Luiza (Isa), Carlin, Zú Bonelli, Mariquinha e Teresa. Sentados: Salvina (Salva) José (Zepin Bonelli e Iolanda (Ula).

Foto tirada no terreiro em frente à casa da Chácara) Acervo da família e publicada por A.B. no jornal "Tribuna de Itapira" no domingo 23 de julho de 1995

 

Outra mina d'água, ainda funcionando, é a Mina dos "Bonelli" que se localiza na chácara que pertenceu ao Zepin (José) Bonelli, pai dentre outros do Carlim e do Zú Bonelli. A mina d'agua do Zepin  nascia de um barranco no fundo da chácara e afluía à superfície depois de subir por muitos metros por entre as pedras e os cascalhos das profundezas. A chácara dos Bonelli ficava no final da rua Manoel Pereira, divisando com a chácara do Dr. Hortêncio Pereira da Silva, hoje de propriedade da Fundação Espírita Américo Bairral. Carlim Bonelli era o encarregado de distribuir com carrocinha, puxada a cavalo, o precioso líquido.Apesar de ser comercializada a mina era aberta a todos os que iam buscar água para seu consumo diário. A fundação Américo Bairral utiliza dessa água até os dias de hoje.

 

A "Mina dos Prados". Bem abaixo do morro onde existia a da Mina dos Bonelli, já no Bairro dos Prados havia uma mina, em terras do Roldão Caires. Para buscar água, abria-se um portão de madeira e a entrada era sempre permitida.

 

Outro manancial de água afluente à superfície se localiza onde hoje está a Clinica de Itapira tendo partes de suas terras divisadas com o Laboratório Cristália de Produtos Químicos e Farmacêuticos. Esse local no passado era conhecido como "Thermas de Cristália",  e que pertenceu à família Sarkis. Nessa sequência Santo Rossetti proprietário na época dessas terras (próximas a Ponte Nova) na década de 30, juntamente com seus irmãos, resolveram aproveitar as águas que desciam do morro passando pela pela fazenda Águas Claras. Isso feito criaram então as Termas de Cristália que era uma tentativa experimental de transformá-la em balneário. Como a tentativa não deu certo , parou de funcionar e o prédio dos irmãos Rossetti ali construído foi transformado em Hotel. Foi um ponto turístico muito importante, na época cujo hotel de veraneio ali construído recebia hóspedes e turistas da capital de São Paulo e outros locais, em busca das condições de descanso e lazer, além de ar puro, água saudável e contacto direto com a natureza.que também não teve sucesso. Finalmente por volta de 1960 um grupo de empresários itapirenses (João Maria  Stevanatto, Helio Audi, Paulo Fernandes e outros), adquirindo aquelas terras transformaram-na no que é hoje a Clinica Itapira para tratamento psiquiátrico.

 

Havia também a "Mina do Salgado", que emana lá pelas bandas da rua Joaquim Inácio da Silveira, vizinhando a rua 24 de outubro. A população local utilizou muito dessa água para beber, lavar roupas e fazer comida.

 

"A Mina do Velho Caldeira" ficava um pouco mais acima da "Mina do Freitas.  Localizava-se abaixo dos trilhos da Mogiana, lá por perto do Asilo São Vicente de Paula. Descia-se por um trilho, onde embaixo existia um fluxo sempre presente de água límpida e geladinha, saindo por um cano de ferro ou de bambu.

 

A Mina do Freitas, que pertencia ao Antonio de Freitas também marcou época e até hoje sua água brota do seio da terra. Quantas e quantas vezes se atravessava o "Pastinho do Freitas", por uma trilha sinuosa, através do pasto e de uma coloniazinha de casas que ali existiam e eram alugadas pelo proprietário. Esse pastinho ficava bem nos fundos da casa do sr. Antonio de Freitas e se localizava na rua da Penha. Hoje aquele local é chamado jocosamente de "Tola Cavalo" mas que verdadeiramente trata-se da Vila Kennedy tendo recebido esse nome após o  o seu loteamento. O Circo Teatro Irmãos Almeida armava seu circo também nessas terras do Freitas.

 

A Mina do Frassetto se localizava na rua Bentico Pereira, esquina com a João de Moraes. O armazém do Frassetto ficava nessa esquina e pelos lados da rua João de Moraes, havia uma portão que dava para os fundo do armazém, onde existia a mina com uma bica de onde os um sem número de moradores se serviam. É bom lembrar que naqueles tempos nas primeiras décadas do sec. XX, não havia água tratada e nem abastecimento como ocorre hoje. Não havia torneiras dentro das casas, nem chuveiro...Mesmo depois, com o advento dos reservatórios d'água no início do século XX, havia muita falta do precioso líquido Restava à população utilizar as águas dos mananciais, rios, córregos lava pés, riachos lagos, lagoas, águas de chuva, poços de fundo de quintal, fontes minas, etc. para os inúmeros afazeres do lar e para a higiene pessoal. Para isso era necessário estocar água em potes, latas, tinas de madeira e outros utensílios improvisados.

 

Trajetos construídos pelas minas d'água em Itapira

 

O "córrego Lava Pés"

 

Esse córrego como já nos referimos, era formado pelo escoamento das águas pluviais das minas e fontes que vinham das partes altas da cidade. As águas que formavam o córrego Lava-Pés não tinham trajeto definido e serpenteavam por vários pontos na cidade. Não existia assoreamento e o seu trajeto margeava os terrenos, desde as partes mais elevadas até os baixios onde ora eram apenas filetes de água ora caudais mais volumosos dependendo da estiagem e das chuvas, Uma imagem feliz registrada por Jacomo Mandatto em 1965 podemos ver abaixo:

 

    

 

1ª Foto - Trecho da Rua 7 de Setembro, entre as ruas Comendador João Cintra e João de Morais. A rua paralela ao córrego "Lavapés", foi aberta em 1916, na gestão do prefeito Francisco Vieira. Toto acervo de Jacomo Mandatto.

2ª Foto - Outro momento do córrego "Lavapés". Podemos ver o fundo dos quintais das famílias Zacchi, Mandatto e Bayod. As cercas foram substituídas por muros e do lado direito foi construída a mansão dos Galdi (do Dr. Décio Galdi).

 

As minas deram origem a pequenos filetes de água que ao se avolumarem transformaram-se em córregos e mesmo riachos que atravessam praticamente toda a cidade. Esse córrego ou riacho que recebeu o nome de "córrego lava-pés" (é o que brota nas minas do Salgado, Velho Caldeira e Freitas). Provém, portanto, da parte mais alta da cidade, segue atravessando todo o "Tola Cavalo", passando pela rua Padre Ferraz pelos fundos da antiga "Fábrica de Copinhos" e sinuosamente desce até os baixios da rua XV de novembro por entre as casas ali existentes, vizinhas do jornal "A Gazeta Itapirense". A partir dai atravessando a rua Manoel Pereira passa por baixo da antiga Fábrica de Chapéus Sarkis. Segue por baixo e por trás das casas existentes à esquerda (de quem sobe) a Rua José Bonifácio. Daí emerge pelos fundos do Supermercado Cubatão, passando por baixo do Shopping Center Plaza, atravessando a rua João de Moraes, ingressando na rua 7 de Setembro alinhado a residência do saudoso Dr. Décio Galdi em forma de córrego a céu aberto. A partir dai continua serpenteando-se perpendicularmente a Av. Rio Branco e desaguando no Ribeirão da Penha. É bem provável que todas essas minas provenham de um manancial comum e que afluem ora aqui, ora acolá. Nas décadas de 60 e 70 ainda podíamos ver correr a céu aberto esses riachos e córregos. Muitas foram as chuvas torrenciais que terminavam em caudalosas enxurradas que se que faziam transbordar nos baixios do centro da cidade. A Fábrica de Chapéus Sarkis, devido a sua localização, era sempre inundada, incluindo o seu interior, devido a essas intempéries naturais. Os bueiros existentes fora da empresa, não suportando o volume de água, acabavam penetrando pelos bueiros internos da fábrica provocando um corre-corre intenso. Os funcionários procuravam salvar os produtos já acabados e ao mesmo tempo tinham que cuidar de sua própria segurança. As enxurradas que desciam pelas ruas, provindas da parte alta da cidade, a falta de suporte pelos bueiros e mais o caudal volumoso que descia pelo trajeto do córrego ao transbordarem provocavam cenas de muito alarme e preocupação. Muito prejuízo e perigo ocorriam nesses tempos e a sirenes eram tocadas avisando desse infausto acontecimento. Nessa época havia carência resolutiva tanto pela falta de infra-estrutura de engenharia adequada, quanto pelas condições do terreno. As irregularidades nas profundidades desses riachos associados ao seu trajeto sinuoso, não se deixava vislumbrar soluções, mesmo a longo prazo. Hoje não se vê mais esses córregos subterrâneos porque praticamente quase 100% deles já foram canalizados. De acordo com o crescimento da cidade e com o advento de maquinários, projetos hidrodinâmicos e arquitetônicos específicos tudo foi resolvido a contento.

 N.A. - É bem provável que o "córrego lava-pés" tenha recebido esse nome no passado, devido a servir para lavar os pés daqueles moradores das áreas rurais, quando vinham para a cidade, fazer suas compras, à passeio. ou mesmo para resolver seus negócios.Geralmente isso ocorria aos finais de semana quando ao caminharem por longos trajetos pela terra empoeirada das estradas sujavam-se os pés e os sapatos.Por vaidade e também para não causarem má impressão no povo da "cidade" havia que estar-se com os pés limpos.Como a maioria dos trechos por onde passava o córrego era a céu aberto, essa prática de "lavar os pés" passou a ser utilizada.

 

Fonte Santa Fé

 

Fonte Santa Fé - A gleba de terras onde hoje está o Clube de Campo Santa Fé pertenceu no passado (nas décadas de 20 a 40) ao itapirense Renato Pereira que era naquela época o oficial do Cartório de Registro Civil de Itapira.Nessa propriedade já existia uma mina com alguns olhos d'água de cujo fluxo jorrava fartamente e bastante  volumoso o precioso líquido. O proprietário construiu um abrigo para proteção da própria mina.Pouco depois construiu uma casinha onde passou à comercialização do produto em garrafões que eram engarrafados e distribuídos pela cidade fazendo concorrência com a fonte Boa Vista.

 

 

 

Casinha que abrigava a fonte de água SANTA FÉe ao lado o fordinho de entrega de água

 

Um pouco mais a frente no tempo um grupo de abnegados jovens de nossa sociedade resolveram dotar Itapira de um Clube que viesse proporcionar o lazer de uma forma completa e saudável. Até aquela data não existia um Clube de Campo capaz de atender esses reclamos. Uma empresa de Itapira que estava construindo o Clube "Recanto" de Mogi-Mirim foi consultada não tendo atendido as propostas apresentadas. Surge então a "DIAR" sigla composta dos nomes Dini e Arruda. Eram itapirenses sem experiência nesse tipo de projeto mas, aceitando o desafio condicionou seu trabalho a que fosse hipotecado o clube para a Caixa Econômica Estadual, afim de obter recursos financeiros para a construção das piscinas e compra dos filtros específicos. Com a ajuda política do prefeito Antonio Caio, na década de 50, conseguiu-se um empréstimo de 4.500 mil réis da agência financiadora.Compôs-se então uma diretoria no sentido de assinar o compromisso assumido pelo empréstimo. Assim constituída a representatividade da diretoria do conselho assinaram o Dr. José Diniz Junqueira e Dr. José Theofilo Ribeiro de Andrade e como presidentes do conselho deliberativo e executivo respectivamente Dr. Luis Francisco Milano, advogado da organização e os diretores do Clube de Campo Santa Fé, tendo como presidente o sr. Edésio Ramos de Oliveira, Vice presidente, Rivaldo Fernandes e tesoureiro Santo Giovelli.Os filtros foram comprados através da participação do sr. José Rezende, que também era diretor do SAAE na época. José Rezende participou ativamente na instalação desses filtros que eram bastante modernos tendo Itapira sido privilegiada com esses aparelhamentos de última geração. Hoje o Clube de Campo Santa Fé destaca-se pela busca cada vez mais de aprimorar e modernizar suas instalações possibilitando a convivência social, o lazer e a saúde de seus sócios e visitantes. O Clube de Campo Santa Fé possui churrasqueiras, lago para  pesca, campos de futebol, quadras poliesportivas,  para basquete, voleibol tênis de campo, acomodações confortáveis, piscinas, salão de festas, lanchonetes, restaurantes, discotecas e muito lazer para as crianças e muito mais. As sucessivas diretorias que tem passado pelo Clube não tem medido esforços para aprimorar modernizar e dinamizar cada vez mais o perfil desse Clube sócio-esportivo.

 

                         

 

Membros do Conselho e da Diretoria assinando o compromisso do empréstimo         Vista aérea do Clube de Campo Santa Fé em 2005                   

Todas essas vertentes passaram por análises específicas, tendo muitas delas sido reprovadas para o consumo.

Fonte Ponte Nova

As águas vertentes  nascidas por entre as montanhas e matas virgens la pelas bandas de Lindóia, Aguas de Lindóia. Fluido por essas encostas vão adentrar pela fazenda Águas Claras em Itapira Descem alcançando o bairro da Ponte Nova que está hoje localizada na Rodovia 147, há mais ou menos 3 quilômetros do Rio do Peixe na sua margem esquerda Itapira-Lindóia. Esse bairro está localizado em Itapira distando mais ou menos 15 k. Foi justamente na Ponte Nova que Dr. Hortêncio Pereira da Silva, (o primeiro medico itapirense) possuía uma gleba de terras. Descobriu a existência de uma vertente bastante caudalosa no pé do morro.Mandou analisar o  líquido ali existente no laboratório de análises químicas, "Osvaldo Cruz". Os químicos Adelino Leal, Henrique Potel e Paulo Andrade foram os bioquímicos que fizeram a análise e declararam que a sua potabilidade era positiva.Essa análise foi realizada em 1924. De posse dessa documento puderam então comercializá-la. Passou-se então ao processo de engarrafamento e distribuição por todo o estado de São Paulo com o nome de "Água Mineral das Termas Ponte Nova".Tal empreendimento teve vida efêmera e acabou perdendo então o bairro, a cidade e os seus proprietários uma excelente fonte de renda. Após isso é que surgiu a idéia dos Irmãos Rossetti em explorar as Termas de Cristália, matéria que já nos ocupamos acima.

Depois de devidamente analisadas foram reconhecidas como fortemente minerais as águas da Ponte Nova, pertencentes ao sr. dr. Hortêncio Pereira da Silva.  

Fonte "N. S. de Lourdes" primitiva, na fazenda do Dr. Hortêncio Pereira da Silva na Ponte Nova em 1922

 

1 -Fonte de "Água Mineral das Termas Ponte Nova"

2 - No detalhe vemos o cômodo que foi mandado construir pelo proprietário Dr. Hortêncio Pereira da Silva. Parece ser uma capela, onde há um nicho, no alto, com Nossa Senhora de Lourdes em seu interior.No topo, dando acabamento na construção há nove pequenas torres. Essa fonte foi chamada de "Fonte N. S. de Lourdes", mas na verdade é a própria Fonte de "Água Mineral das Termas Ponte Nova". Nossa Senhora de Lourdes era apenas a santa   que figurava no rótulo dos garrafões d'água, no sentido de influir na aceitação do produto como curativo dos diversos males do organismo.

Rótulo da "Água Mineral das Termas Ponte Nova"

3 momentos fotográficos (em 1906, 1948 e 1952) do Dr. Hortencio Pereira da Silva, proprietário das Termas 

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