FAZENDA
ITAPIRINHA
SAINT HILAIRE E ITAPIRA (parte 1)
Naturalista francês fez citação em sua obra “Segunda viagem do Rio de Janeiro
a Minas Gerais e a São Paulo (19.02.1822)”sobre Itapira
Se
a denominação ”ITAPIRA” precede cronologicamente à própria fundação da
cidade não sei porque se teima ainda em desconsiderar certas particularidades
históricas. A pesquisa quando séria há que
considerar elementos onde a própria seriedade e a verdade são apenas o
óbvio. No entanto as minúcias, o espírito inquiridor e muita leitura fazem
parte do acervo que deve mover o pesquisador que se aventura em historiar
quaisquer áreas da atividade humana.Bairro dos Macucos, Penha da Boa Vista,
Penha do Mogi Mirim, Penha do Rio do Peixe..., todas essas denominações
esconderam o óbvio ululante, ou seja que, Itapira se chamava mesmo ITAPIRA,
já
em 1822 sendo tal denominação, original e não “criada“. Foi portanto,
apenas restituída a partir do Decreto de número 40, de 1ºde Abril de 1890,do
Governo do Estado de São Paulo. Vamos acompanhar o raciocínio e descobrir os
fatos.
Como bem disse a Odete Coppos em seu “O
livro de Itapira” às paginas 12 e 13, quando se refere ao nome indígena de
“Ytá-pir-a”, tal designação já
era o nome primitivo da região e seu significado é ponta de pedra, pedra
pontiaguda, penha, penhasco. As designações anteriormente citadas precederam o
nome primitivo de Itapira e
roubaram a cena tanto quanto a verdadeira origem do nome, quanto da própria
geografia localizatória dos primeiros núcleos de moradores. Ainda citando
Odete temos que:
“ ...por volta de 1800, pode-se dizer, sem
medo de engano, que o mais antigo e batido caminho era aquele que ia dar na casa
de João Gonçalves de Morais, já que ali se encontrava desde há muitos anos,
para veneração pública, uma antiga imagem de Nossa Senhora da Penha, aos pés
da qual os devotos colocavam seus vinténs...”. E prossegue a autora: ”As
demais habitações do bairro do Macuco, cuja rusticidade é fácil de se
imaginar, ficavam espalhadas pelos lados dos futuros bairros do Cubatão, Santa
Cruz e Pinheiros; no Cubatão porque por alí se ia para a Província de Minas
Gerais: na Santa Cruz, que era por onde se ia a Mogi Mirim: e Pinheiros por ser
o caminho por onde se ia a Serra Negra e Amparo, (por essa razão a atual rua da
Penha, alusão à Penha do Rio do Peixe, era antigamente conhecida por “rua do
Amparo”)
A citação acima referida e que pertence a
lavra de nossa querida escritora e historiadora Odete vem apenas provocar o
ensejo de fazer outra referência e com um nível de importância bastante razoável
para o que pretendemos argumentar a seguir. Trata-se de um achado e talvez
(salvo engano) a primeira vez que o nome ITAPIRA foi usado bem antes do
decreto de 1890 que lhe conferiu o nome. Mais precisamente há 77 anos atrás.
Pesquisas recentemente realizadas no Museu
Imperial de Petrópolis, pela advogada e minha particular amiga pesquisadora em
História e Genealogia Dra. Nilsa Cantoni, permitiu-me a elaboração desta matéria.
Nilsa esclarece, ao aprofundar-se nos temas de sua especialidade ou seja, na
colonizazão do cone sul, (divisa de SP/MG nos séculos XVII a XIX) que
indignou-se com o achado que passo a analisar abaixo e que certamente interroga
algumas questões que nossa história ignora ou teima em esconder. Nesse sentido,
nossa nobre causídica, ao adentrar pelos acervos históricos do museu referido, depara-se com as
obras, (manuscritos originais) escritas por
Saint Hilaire quando de suas viagens pelas terras de Minas e São Paulo. Esses
originais revelam em dado momento uma “sui generis” informação que vem nos
interessar sobremaneira e especificamente à nossa história, quando se referem
à rota de tropeiros e a alguns nomes de fazendas da região.
Página interna do livro de Saint Hilaire.Nesse livro à página 39,
transcrita abaixo, em pleno ano de 1822 o autor faz referência à Itapira
Dessa maneira em sua magistral obra
“Segunda viagem do Rio de Janeiro a Minas Gerais e a São Paulo
(19.02.1822)” à página 71, Auguste de Saint Hilaire estando em Barbacena
textualmente diz:...”fizemos juntos o cálculo do número de léguas que
existem daqui a ITAPIRA (o grifo é meu), e de lá a São Paulo”. Esse texto
encontra-se originalmente na referida citação acima e à página 39, na edição
de 1974 publicada pela Câmara Brasileira do Livro, SP com a colaboração da USP
e que aqui reproduzimos para melhor clareza do assunto.
Trecho da página número 39 do livro de Saint Hilaire, onde se lê o nome de Itapira.
Corria o ano de 1822, precisamente dia 19 de fevereiro, quando o autor se encontrava em Barbacena.
Como a palavra “ITAPIRA” apareceu nos
manuscritos de Saint Hilaire em 1822 se “Itapira” como nome ainda não
existia? e porque a ela se referiu o autor com tanta intimidade? Itapira era
obrigatoriamente parte da rota dos tropeiros de São Paulo para Minas? A
interrogação se justificaria caso
não houvesse nenhum indício de caminhos por esses lados. A própria intimidade
com que o autor se refere a Itapira nos permite acreditar que tal local já
existisse há algum tempo. Se Itapira nasceu em 1820, e em 1822 já estava sendo
cidada como localidade e ponto de referência, estaria aí criado o paradigma
para as nossas andanças históricas e entendimento de outros fatos ainda
envoltos em brumas. Deveria existir por certo alguma fazenda com esse nome em
nossa região? Podemos agora a partir dessa pista procurar alí pelos arredores
da Fazenda Itapirinha e dar buscas em alguma coisa que nos possa conduzir ao
entendimento desse “mistério”. Qual a importância do lugar para Saint
Hilaire? Não há como confundir neste momento histórico ITAPIRA (SP) com
ITABIRA (MG), pois esta fica um pouco distante já que Saint Hilaire estava na
fazenda Cachoeira, perto de Barbacena.
Nesse mesmo passo podemos arriscar nossa
humilde opinião de que se em 1822 Auguste de Saint Hilaire já tinha
conhecimento da região e inclusive da denominação “ITAPIRA”, para o
povoado já existente, algo se esconde mesmo nos bastidores da história de
nossa cidade! Voltando a polêmica sobre a mudança da data de nossa fundação:
como é que se fundou ITAPIRA, em 1824 e
cujo nome era Bairro dos Macucos se em 1822 já se falava nela (ITAPIRA) com
ESTE nome? Causa-nos certa estranheza e perplexidade o fato de Saint Hilaire se
referir (DE FATO) a Itapira quando, então ,seu nome nem havia sido criado!
Vamos aguardando o andar da carruagem e aos poucos iremos provando que Itapira
foi palco de núcleos primitivos de moradores em épocas anteriores ao que se
vem referindo um único repetidor de premissas copiadas.
Basta
seguir o raciocínio:
Se Macucos surgiu em 1816 e isso está
demonstrado no livro Historia de Mogi Mirim (Origens),página 88 a 90,quando foi
nomeado José de Souza Dias como Juiz de Vintena para aquele bairro.
Se somente em 1824 quando Manuel de
Sant’Ana assumiu o mesmo juizado houve a troca de nomes que passou de Macucos
para “bairro da Penha”;
fica fácil deduzir que o nome Itapira nunca foi um nome que passou pela cabeça
dos fundadores. Nem sequer cogitaram em chamar de Itapira o bairro recém
emancipado de Macucos, porque se o nome Itapira já existia (mesmo que fosse o
nome de uma fazenda) tais autoridades na época não iriam logicamente dar o
mesmo nome ao referido bairro. Fica evidente então que já existindo a denominação
“ITAPIRA” e que esta não proveio do bairro dos Macucos é bastante razoável
se pensar que as origens de nossa fundação histórica bem como suas datas
deverão passar por um processo de reavaliação. Senão como entender que em
1822 o nome ITAPIRA já havia sido proferido por Saint Hilaire conforme relato
acima. E vejam bem que Saint Hilaire quis se referir não a Macucos e nem ao
bairro da Penha, muito menos a Penha da Boa Vista ou do Rio do Peixe,mas a
Itapira mesmo? Mistérios? Não meu caro Watson .Saint Hilaire sabia em suas
viagens que Itapira era sim trajeto de tropeiros que adentravam pelo Sul de
Minas em épocas anteriores como já enunciamos. Caso contrário de onde teria
vindo o nome ITAPIRA referido naquele ítem de seu livro designado como “rota
de tropeiros”, quando aprecia a distância em léguas que poderia ter de
Barbacena a nossa primitiva Itapira de 1822? Provavelmente alguma fazenda com o
nome de Itapira ,conforme também me referi acima já existisse naquela época e
que deva ter dado motivo a tal referência por parte de Saint Hilaire.
Outrossim não nos convence dessa maneira o
fato de Itapira ter tido tal denominação a partir do assassinato do delegado
Joaquim Firmino como alardeada a quatro ventos, pelos historiadores de antanho.
Agora... ,que a fazenda Itapira, ou Itapirinha já existia anteriormente a esse
fato negro de nossa história isso é sensato e plausível de se pensar. O nome
Penha do Rio do Peixe pode até ter sido seu nome trocado por Itapira devido ao
assassinato referido acima, mas não que este tenha sido um nome inventado
naqueles idos de 1890.Isso porque o nome de Itapira preexistia e dava nome
aquela fazenda de Itapirinha pertencente aos antepassados de D. Leocádia
Rodovalho e também dos antepassados de seu aparentado Cel Francisco Cintra.
Vemos então que tanto Auguste de Saint Hilaire quanto os Cintras, antigos
proprietários da referida fazenda já em tempos anteriores eram conhecedores da
cognominação ”ITAPIRA” para aquelas terras. Caso João Batista de Araujo
Cintra (o primeiro dos Cintras a adquirir terras em Itapira),tenha chegado aqui
em Itapira entre 1830/1840 é bem provável então que o nome Itapira já
existisse como nome quando a adquiriu. È razoável que assim se pense porque
realmente uma de suas fazendas sempre foi conhecida como FAZENDA ITAPIRINHA e
que fazia parte da extensa área de terras conhecidas posteriormente como
FAZENDA REUNIDAS que compreendia as fazendas São Jerônimo, Nova América,
Santa Cruz, ITAPIRA e Sertãozinho e que pertenceram após ao Cel Francisco
Cintra. E seria importante considerarmos também que se essa premissa estiver
correta ,então o nome ITAPIRA, como fazenda PREEXISTIA, quando foi adquirida
pelos Cintras. Deduz-se então que nessas paragens antes mesmo de 1816 já
habitavam por aqui fazendeiros que venderam suas terras aos Cintras ,incluindo a
fazenda cujo nome permaneceu até hoje com o nome de Fazenda Itapirinha.
RETROSPECTIVA HISTORICA
Devemos aguardar portanto que se esgotem e
se excluam a contento as possibilidades e as provas textuais já apresentadas
quanto a mudança da polaridade histórica de nossa cidade. Quero dizer com isso
que muitas questões ainda não satisfatoriamente exercitadas na sua conclusão
impedem o desenvolvimento das provas recentemente apresentadas por outros
historiadores ,cujo teor explica mas não justifica alguns “mistérios”
É o caso da sesmaria concedida em 1707 a
Amador Bueno da Veiga primo do Francisco Bueno da Silva, neto de Anhanguera,
cujos limites centralizavam o local onde hoje se localiza tanto Itapira quanto
Eleuterio e parte do Sul de Minas. E olha que não estou me referindo a outros
nichos geográficos e nem costurando contradições. Se nesse nível de
entendimento onde as fontes consultadas são costuras, que se dirá dos remendos
mal cozidos dos rasgos dos alinhavos e dos pareceres monótonos e descoloridos
serzidos nas barras e nas golas encardidas de nossa pobre história. Andam por aí
rodando mais que “charuto em boca de bêbado” e “patinando na manteiga”
apenas para justificar com temores que a história já tecida tenha que ser
mudada. E se assim não for se incorrerá no erro de ver contestada num futuro não
tão longínquo toda essa sapiência desperdiçada e jogada ao léu.
É o caso dos 1.300 homens que vieram com
ele, Amador, para essa região para lutar contra os emboabas e que não havendo
luta, não se tem notícia de que esses homens retornaram para a capital da Província.
É o caso também do porquê dessa
insistente surdez ou incapacidade para entender que o fato da guerra dos
emboabas terem tráidos os paulistas no “Capão da Traição”, não tenha
tido a sua expansão fora daqueles limites.
É caso mesmo de surdez essa incapacidade de
aceitar que já é sabido que as contendas analógicas entre mineradores
do Sapucaí e Pouso Alegre e também a guerra dos emboabas foram episódios históricos
distintos. Não há duvidas que São João del Rei e Ouro Preto não são Sapucaí
e Eleutério; ou há? (Repete-se tanto essa discordância) que é provável até
que haja alguma dúvida!

Chamo a atenção para este mapa ampliado, observando a sesmaria concedida a Amador Bueno da Veiga em 21-01-1707.
Os limites dessa semaria ia do rio Camandocaia até o rio ELEUTÉRIO.No quadrado do meio de cima para baixo podemos ver o texto sobre a semaria de 1707, o Rio Eleutério e mais abaixo o rio do Peixe.
Agora custa a crer que em 1707 uma sesmaria
tivesse sido concedida a Amador Bueno da Veiga nessas nossas terras (e já
provei isso com mapas autênticos e não costurados) apenas para lutar contra os
emboabas se luta não houve. O que fez Amador Bueno da Veiga? Tomou posse de sua
sesmaria e aqui assentou 1.300 homens? Mas isso é discordante. Vamos repetir:
para que vieram? Para lutar contra os emboabas. Porque? Porque vieram reforçar
as defesas paulistas já que estavam em lutas contra os mineradores que por aqui
já haviam passado em 1694. As lutas eram onde? Lá pelas regiões de São Joao
del Rei e Ouro Preto...Certo?. E também por aquí...Certo? (Errado?). Porque
Amador fixou sesmaria aquí entao? E Amador foi lutar lá. Certo? Errado; ficou
por aquí e voltamos a estaca zero. O que ocorreu então? A história não faz
referências sobre essas particularidades. Quem iria imaginar na época que o
envio de Amador da Veiga para apagar o fogo dos emboabas e a concessão de
sesmarias em 1707 fosse ter alguma repercussão histórica quase 300 anos após.
Apenas que episódios distintos com os mesmo
personagens dicotomizaram duas frentes de interesses. A primeira um objetivo
justificável: lutar contra os emboabas; A Segunda: um objetivo interrogável. E
é aí que a “porca torce o rabo” já que nossos interlocutores se avizinham
com as mesmas historietas e não aprofundam o rumo das pesquisas.
Ficar na mesmice das descobertas genealógicas
para ver quem é primo de quem até que é importante para vaidade pessoal. No
entanto não se deve valorizar tais aparentados pela notoriedade e significância
histórica em detrimentos dos outros menos favorecidos com os galardões da
nobreza. Existem também assassinos e desestruturados que engrossam o caldo de
cultura de nossos antepassados e ufanar-se tanto dos primeiros não nos confere
mérito algum quando sabemos que aqueles outros também nos envolvem nos graus
de nossa linhagem.
Pode parecer repetitivo mas essa alternativa
merece ser lembrada. No detalhe do
mapa onde a região das sesmarias de 1668 e 1707 o enfoque nossa inclui a
região de Eleuterio como terras onde abrigaram primitivos moradores e a
incluindo na rota da “Estrada dos Goiases”.
Agora com mais veemência ainda, porque Auguste de Saint Hilaire, esse
notável cientista francês, botânico, mestre em Historia Natural,
Geografia, e Etnografia, além de nos legar quase uma dezena de obras
especificas sobre o nosso Brasil Colonial ainda nos faz refletir sobre nossas
origens ao citar o nome de “ITAPIRA”, em uma de suas obras numa época cujo
nome nem existia. E OLHEM QUE A FAZENDA ITAPIRINHA TEM PROXIMIDADE COM
ELEUTERIO.
Vamos dirigir nossas pesquisas um pouco e seguir por aquele lado? E praticamente quase todas aquelas terras pertenceram ao Cel Francisco Cintra de modo indireto quando sua segunda esposa D.Sizi Vieira as herdou através de seu pai Joaquim Francisco de Assis Vieira (o Nhô Quim) e de seu avô Francisco de Assis Vieira o fundador de ELEUTERIO.
Mapa atual do município de Itapira e divisão regional.As terras das "Fazendas Reunidas"
englobavam a Vila de Eleutério, e pertenciam ao Cel.Francisco Cintra.
A fazenda Itapirinha que era um dessas fazendas provavelmente deu seu nome a Itapira
É prematuro pois, avançar em afirmações
mesmo aquelas fundamentadas e baseadas em “documentos”. Desde o nosso
descobrimento conforme afirma Ulisses Copozoli em sua matéria veiculada
Domingos p.p. no Jornal “O Estado de São Paulo” existe uma Política
sigilosa onde as tramas e os
segredos de pé de ouvido impermeabilizam muitos dos fatos e ocorrências históricas
em nosso país. As controvérsias e as dúvidas vem se somando desde o Tratado
de Tordesilhas. Assim tipos de embarcação utilizadas durante a viagem , rotas
seguidas, feitura de cartas de navegação, mapas geográficos, áreas
delimitadas, povoações, trajetos e caminhos utilizados pelas Bandeiras e um
sem número de fatos que ficaram esquecidos ou politicamente encobertos vão
engrossando as entrelinhas que enfumaçam a nossa história. A estratégia
portuguesa de ocultar conquistas e descobertas desde as mais importantes até as
mais insignificantes tem provocado controvérsias e uma retomada de posição no
seio dos historiadores de todo o país no sentido de resgatar as verdades
ocultas nesse passado de quase 500 anos. No limiar desse meio milênio de história
há uma grita geral no sentido de que atentemos para o aprofundamento de nossas
pesquisas e busquemos nos mistérios e legados sigilosos de antanho as
verdadeiras causas e as verdadeiras origens de nosso passado. Paulo Micceli,
historiador e diretor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp
assim se expressa em seus princípios conceituais referentes a história: ”o
passado desvenda o presente e constrói o futuro; essa é a dimensão da História”
SAINT
HILAIRE E ITAPIRA
(parte 2)
Cel.Francisco Cintra, proprietário das "Fazendas Reunidas" (1872-1957)
O CEL.FRANCISCO CINTRA - Talvez pouca gente saiba realmente de quem descendia o Cel. FRANCISCO CINTRA. A bem da verdade quando citamos nossos personagens históricos, impõem-se que os situemos adequadamente tanto nas suas questões genealógicas e cronológicas ,quanto na análise de sua importância histórico e social.
Sendo assim e dando sequência a matéria anterior sobre SAINT HILAIRE e ITAPIRA, iremos dissecando a genealogia desse personagem que foi um opulento fazendeiro em nossa cidade. Homem simples, humilde e com grande tino para os negócios, aos poucos se viu possuidor de praticamente 1.100 alqueires de terras que se avizinham externamente e por proximidade ao município de Mogi Guacú, através do rio do mesmo nome, e ao município de Pinhal. Internamente suas divisas hoje se faz com as terras ao Norte do mapa com o Bairro do Rio Manso, terras do Albaninho, fazenda Stelio, Santa Cruz, morro do Tronco e fazenda Santa Joana. Nos limites mais abaixo, caminhando para o Sul do mapa, iremos ter com as divisas das fazendas Sta. Escolástica, do Cedro, Monte Alegre, São Pedro, Cachoeira, São Roque e Carlotinha. Mais a Sudoeste, encontraremos as fazendas Sta. Teresinha, Santo Antonio terras do Milton Mendes, Otávio Ramos, Murilo Pereira, José Mioto Torres, Eleuterio, e Três Barras
Imagem da "Fazenda São Jerônimo", parte das "Fazendas Reunidas"
do Cel.Francisco Cintra - Vista geral
As fazendas do Cel. Francisco Cintra até 1935, conforme João Caldeira Netto em seu “Álbum de Itapira”, às páginas 141 a 144, envolvia por volta de 1.100 alqueires de terras, concentradas naquilo que se chamou na época de Fazendas Reunidas “Francisco Cintra” .Essas terras estavam distribuídas entre as fazendas SÃO JERÕNYMO,FAZENDA NOVA AMÉRICA,FAZENDA SANTA CRUZ,FAZENDA ITAPIRA E FAZENDA SERTÃOZINHO. Todas essas terras eram administradas a partir de um escritório central localizado à rua Campos Salles 20-A (logo atrás da Igreja Matriz de N.S. da Penha).A contabilidade geral era feita pelo não outro senão meu tio, paterno, Anthero de Freitas, que foi citado pelo autor como “distincto moço e hábil guarda-livros”
Casa sede da "Fazenda São Jerônimo" em 1935. Esta fazenda fazia parte
das "Fazendas Reunidas" do Cel.Francisco Cintra
Caldeira Netto ainda completa: “Além das fazendas acima descriptas e situadas em Itapira, o snr. cel. Francisco Cintra, possue, ainda mais uma, denominada “Vila Cintra” e localizada no município de Mocóca

Armaria da Família Cintra
Brasão Original da Família Cintra, título este, cujo berço procede da Vila de Sintra em Portugal
Os Celtas davam à lua o nome de CYNTHIA, e desta palavra é que Cintra tomou o seu nome atual pela corruptela de Cynthia em Cintra.
Os
árabes, que depois dominaram esse território, conservaram o nome de Cynthia
dado à vila e à serra de Cintra; mas como
não podiam pronunciar o nosso “S”( não conseguiam dar ao “C” de
Cynthia o som “S” do português atual),diziam CHINTRA (XINTRA),ou ZINTIRA.
A
serra de Cintra era também chamada pelos romanos promontório da lua “mons
lunae”.
A
Crônica dos Godos (Chronica Gothorum, nos “Portugaliae Monumenta Histórica”,Lisboa,1856,vol.1ª,pág.13),descrevendo
a revolta dos muçulmanos de Cintra e a sua reconquista, em 1109,pelo Conde Dom
Henrique, genro do rei Afonso VI, assim diz:”...cum SINTRA
defecisset...etc.”
Diz uma lenda que, durante o domínio árabe em Zintira ou Chintra, um nobre mahometano apaixonou-se por uma bela escrava cristã; e tão forte foi essa paixão, que não hesitou ele casar-se com a formosa dama. Tal casamento trouxe ao árabe o ódio de seus irmãos de raça. Repelido e desprezado pelos seus, não hesitou em facilitar, juntamente com os poucos que lhe ficaram fiéis, a conquista de Zintira (Cintra) quando esta foi assediada por Afonso Henriques. Após a guerra e como recompensa, o rei português permitiu-lhe o batismo católico e deu-lhe o apelido de “CINTRA”, nome que passou a seus descendentes. - Brasão de Cintra: ”Uma torre ou castelo sobre uma serra, e em campo verde”

Mons.Antonio Paes Cintra, autor da "Genealogia dos Cintra"
***********************************************
RESUMO
DA GENEALOGIA DO CEL.FRANCISCO CINTRA
GONÇALO Ribeiro x
CATARINA Dias
Pais de:
FELIX MANUEL
x CATARINA Jaques (*1700)
Pais
de
FRANCISCO LOURENCO
Cintra (1720-1781) X HELENA de
Morais Araújo
Pais
de:
JACINTO
JOSE de Araújo Cintra (1770-1850) x
MARIA FRANCISCA Cardoso
Pais de: ( 17 filhos)
Pais
de:
ANTONIO
Ferreira de Araújo Cintra x
LEOCADIA Rodovalho
(2ª
casamento dele)
(1ª casamento dela)
2)
JOAO BATISTA de Araújo Cintra (*1805)
x MARIA Jacinta de Araújo
Pais
de:
MANUEL
VICENTE de Araújo Cintra x LEOCADIA
Proost Rodovalho
Pais
de:
LEOCADIA
Rodovalho x ANTONIO Ferreira de Araújo
Cintra
(1ª
casamento dela)
(2ª casamento dele)
3)
JOAQUIM FLORIANO de Araújo Cintra (bat.1813) x
N... Salles Guerra
(2ªesposa
dele)
(2ªesposo dela)
Pais
de
Cel.
FRANCISCO CINTRA (1872-1957) x LEOCADIA
Rodovalho
(1ª casamento dele)
(2ª casamento dela)
(Sem
geraçao)
Obs. – 1ª casamento de Antonio Ferreira de Araújo Cintra foi com
Maria de Oliveira Camargo (sem descendência)
1ª casamento de Joaquim
Floriano de Araújo Cintra foi com Maria
Rosa e foram pais de:
Joaquina Cintra que foi casada com James Hawkins Warne; Carolina Cintra que foi
casada com Mamede Ferreira de Araújo e Francisca de Araújo Cintra que foi
casada com Manuel Vicente de Araújo Cintra, seu primo, citado acima e pai de
Leocádia Rodovalho no primeiro casamento.
CURIOSIDADE - Vejam que Francisca de Araújo Cintra acabou por ser “madrasta” da mulher de seu irmão paterno (pelo seu casamento com o pai de Leocádia Rodovalho) e também “sogra” dele.
A extensa linhagem dos Cintra é dividida no Brasil em 4 grandes troncos ou títulos: OS ARAUJO CINTRA,OS COSTA CINTRA,OS ULHÔA CINTRA E OS COELHO CINTRA. Renomados genealogistas e linhagistas e o próprio Mons. Antonio Paes Cintra, pertencente a um dos ramos da família e autor da “Genealogia dos CINTRAS”, ainda não conseguiram, estabelecer graus de parentesco, nas origens desses 4 títulos. O que iremos abordar nesta matéria se concentrará no estudo do Título ARAUJO CINTRA, sendo o que nos interessa mais de perto. Esse grande Título começa ,portanto, com GONÇALO RIBEIRO e Catarina Dias. Seu filho Felix Manuel casou-se com Catarina Jaques em 1714.Desse consórcio nasceu Francisco Lourenço Cintra (1720-1781),Este casou-se com Helena Morais de Araújo e tiveram entre outros os seguintes filho: Jacinto José de Araújo Cintra. Jacinto casou-se com Maria Francisca Cardoso e tiveram 17 filhos, Ana, Gertrudes, Maria, Francisco Lourenço ,Manuel, Jacinto, Francisca, Joao, Florencio, José, Joaquim Floriano, Escolástica, Helena e 3 falecidos na infância.
Joaquim Floriano casou-se duas vezes: a primeira vez com Maria Rosa e segundo com N...Salles Guerra (cujo nome não descobrimos) Do primeiro consórcio tiveram Joaquina Cintra, que foi casada com James Hawkins Warne; Carolina Cintra, que foi casada com Mamede Ferreira de Araújo e Francisca de Araújo Cintra que foi a segunda esposa de seu primo Manuel Vicente de Araújo Cintra, este filho de João, seu tio, citado acima. Do segundo consòrcio de Joaquim Floriano com Fulana Salles Guerra é que nasceu o Cel Francisco Cintra. O coronel tinha um irmão por parte do primeiro casamento de sua mãe com um N...Salles Guerra (cujo nome também não descobrimos) .Seu nome era Benedito Salles Guerra. (ver Genealogia dos Cintra do Monsenhor Antonio Paes Cintra, à página 140;Album de Itapira de 1935 de Joao Caldeira Netto,pag.141 e Genealogia Paulistana de Silva Leme,Vol.2,página 516).
O Cel.Francisco Cintra casou-se também duas vezes: primeiro com Leocádia Cintra Rodovalho, filha do cel. Manuel Vicente de Araújo Cintra e de sua primeira esposa Leocádia Proost Rodovalho. Notem que D. Francisca era irmã por parte paterna do Cel. Chico Cintra e ela casou-se também em segundas núpcias, conforme citamos acima, com Manuel que era primo de ambos. Eram todos primos entre si. Um pouco confuso, no entanto o diagrama anexo explica melhor. Como elemento complicador, do ponto de vista genealógico, temos que Leocádia quando se casou com o coronel era viúva de Antonio Ferreira de Araújo Cintra, também primos entre sí já que este era filho de Francisco Lourenço de Araújo Cintra. Os pais do Cel.Chico Cintra, de Leocádia, de Manuel e de Antonio eram todos irmãos filho do tronco comum Jacinto José de Araújo Cintra
Em segundas núpcias o Cel.Francisco Cintra casou-se com Sizi Vieira, neta como já referido do fundador de Eleutério Francisco de Assis Vieira de Mattos, cujas terras abrangiam toda Eleutério parte de Sapucái e Jacutinga.
Francisco Cintra não teve descendentes desses dois consórcios. Vemos por aí, que por ambos casamentos o coronel teve como ampliar seus domínios rurais. Se por um lado os pais de Leocádia tinham uma fatia bastante suculenta de terras por outro lado D. Sizi Vieira sua segunda esposa também herdara de seus antepassados quase todas terras que hoje estão distribuídas por toda a região de Eleutério.

Página do livro "Genealogia dos Cintras", do Mons.Antonio Paes Cintra,
onde podemos ver as assinaturas de vários membros dessa família
O estudo dessa extensa genealogia dos Cintras interessa sobremaneira as nossas pesquisas, e permite-nos avançar em direção a outros níveis de compreensão das nossas origens. Sendo assim, deveremos, ao adentrarmos pela Fazenda Itapirinha trazer mais luzes às próprias origens de nossa cidade. Quando Saint Hilaire, conforme expusemos na primeira parte dessa matéria, pronunciou o nome de nossa cidade nos idos de 19 de Fevereiro de 1822, esse fato inusitado permitiu-nos que abríssemos um leque de interrogações e de novas pesquisas. Começa a ficar claro dessa maneira que Itapira tem uma história que antecede os achados que até agora se fizeram. Logicamente dirão: É... mas a história começa a contar a partir dos grandes centros para os pequenos vilarejos e só vale o que está registrado nos cartórios e nas igrejas. Apenas que se esquecem que muita coisa desapareceu dos cartórios, muitas falcatruas aconteceram, muitas omissões, e provas documentais alteraram os rumos da história e isso não é novidade. Inúmeros fatos, momentos históricos estratégicamente elaborados ora revelaram ora ocultaram aos nossos olhos as verdadeiras origens das coisas. Nessas brumas envoltas em mistérios sem dúvida nenhuma escondem-se as verdadeiras causas, motivos e os porquês das missas estranhamente rezadas em datas que não coincidem com a lógica cronológica dos acontecimentos. Da mesma forma engrossam as fileiras das dúvidas as declinações genealógicas daqueles pósteros bandeirantes de cuja linhagem já se ocuparam nossos pesquisadores. Apenas não se ocuparam ainda de desbravar os sertões das evidências teimando em não ver, a partir de um palmo o nariz da verdade. Caso Itapira tivesse realmente se iniciado no Bairro dos Macucos, bairro esse pertencente ao município de Mogi Mirim porque será que em 1822 que o nome ITAPIRA, já era de íntimo conhecimento de Saint Hilaire? Esse nome preexistia portanto como nome de uma antiga fazenda da região, e ao meu ver só pode ser as terras que pertenceram ao cel. Francisco Cintra cujo nome permanece até hoje com o nome de FAZENDA ITAPIRINHA. A própria geografia localizatória dessa extensa área de terras que eram as FAZENDAS REUNIDAS do coronel, estavam mais próximas das divisas de Pinhal e Mogi Guacú do que das terras de Mogi Mirim. O mapa, dimensiona bem essas localizações e redireciona o nosso raciocínio de uma forma bem mais abrangente e racionalizadora.
ELEUTERIO, por coincidência fica nessas terras que pertenceram a família dos Vieira de Mattos, fundadores que foram dessa vila e que através da herdeira D.Sizi Vieira ,acabou fazendo parte das terras do cel. Chico Cintra. Vejam portanto que o polo de atenções muda um pouco porque se o próprio nome de Itapira proveio daquele lado de Eleutério, já em 1822,lógico é se pensar que as terras e os núcleos rurais de povoamento já estivessem se fazendo presente por alí desde há muito tempo. Aquelas terras foram compradas pelos primeiros Cintras logo que por aqui aportaram, provavelmente entre 1830 e 1835.Agora anteriormente a essa data pertenciam a outros fazendeiros que alí tinham sua agro -pecuária em plena atividade. Essas terras estão bem no centro daquelas sérias divergências já enunciadas aquí, quando e já por diversas vezes ,fi-las publicar num mapa referente a “Estrada dos Goiases”, publicada pela revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, no volume XXIV de 1926. Nesse mapa localizamos a sesmaria conferida em 1707 a Amador Bueno da Veiga (aquele que veio para esta região com as ordens superiores da Coroa de dar combate aos emboabas).Sabemos que tal missão não foi cumprida ,no entanto tal sesmaria lhe foi doada... Qual a razão da doação dessa sesmaria em pleno conflito com os emboabas? Seria um modo encontrado pela Coroa de assentar nessa região Amador Bueno da Veiga e seus 1.300 homens no sentido de não se permitir a invasão dos emboabas por essas terras? . E se realmente se assentaram por aqui seriam esses os primitivos colonizadores e moradores que deixaram por aqui seus descendentes? Vamos atentar para o que diz M.E. de Azevedo Marques, no Vol.1 de sua obra “Província de São Paulo” à página 45:
· ”AMADOR BUENO DA VEIGA – Nobre e rico paulista, filho do capitão Baltazar da Costa da Veiga e de D. Maria Bueno de Mendonça, bisneto pela parte materna de Amador Bueno, o aclamado. Foi capitão-mor de São Paulo e por seu prestígio MERECEU SER ELEITO PARA COMANDAR OS PAULISTAS NA GUERRA CONTRA OS EMBOABAS,DO RIO DAS MORTES,(o grifo é meu) onde a tradição concorrera para ACALMAR OS ANIMOS), (ídem) auxiliando assim os desejos do governador Antonio de Albuquerque Coelho de Carvalho, pelo que incorreu no desgosto de seus naturais. Recolhido a São Paulo ainda viveu pelo espaço de 10 anos, e faleceu no mês de Novembro de 1719,andando em descoberta de ouro na sua fazenda Jaquari do termo de Mogi Mirim”.
Oras! Isso demonstra claramente que Amador Bueno da Veiga foi uma figura importantíssima sendo um dos primeiros títulos a se instalar por aquí. E isso bem antes das histórias contadas pela própria história de Mogi Mirim (origens) cujo texto assim se expressa no seu capítulo VIII, na página 201: “EFEMERIDES MOJIMIRIANAS – 1719 – Até esta data os habitantes destas paragens foram os índios Caiapós, aquí encontrados quando os bandeirantes se estabeleceram na região fundando o povoado de São José de Mogi Mirim (em 1719,Paschoal Moreira Cabral, e em 1720,Bartolomeu Bueno da Silva. E prossegue o texto...”1720 - O documento mais antigo sobre a origem de Mogi Mirim foi escrito em 6 de Novembro por Inácio Preto de Morais, aquí residente: - compromisso dos signatários de acompanharem com dedicação e fidelidade o chefe dos desbravadores das selvas, Paschoal Moreira Cabral. Assinam-no Angelo Preto, Salvador Jorge de Morais, Antonio de Araújo Ferraz, Francisco Bueno Pedroso, Liberata Bueno da Silva, Vicente Adorno, Matheus de Cubas, Francisco Portes Del Rey, José Barbosa Rego, Sebastião Leme do Prado, Francisco Xavier Bezerra, Inácio Cardoso da Silva, Manuel Rodrigues de Araújo Belém, Domingos Gomes de Oliveira, Geraldo Pires de Araújo, José Grojão (Gurjão)Cotrim, Melchior Pereira de Campos e outros”.
Atentem para o detalhe de que a história de Mogi Mirim começa a ser contada a partir do falecimento de Amador Bueno da Veiga, isto é em 1719.Até então diz a história que estas terras eram habitadas pelos indios Caiapós(???). Ora se eram habitadas pelos índios como explicar que Amador Bueno da Veiga faleceu em sua fazenda chamada Jaguari nessa mesma data no mês de Novembro conforme afirma M.E. de Azevedo Marques em sua obra citada acima? Os núcleos de habitação, fazendas e colonização já existiam anteriores a 1719 porque Amador Bueno da Veiga já possuía antes dessa data suas terras no “termo de Mogi Mirim” Isso nos leva a crer que 1707,data da concessão da sesmaria em seu nome. seja a data do início do primeiro núcleo de colonização. Apenas que uma outra sesmaria anterior a essa de Amador Bueno da Veiga já havia sido concedida aos religiosos de São Bento em 15 de Novembro de 1668,praticamente 50 anos antes de 1707 e essa sesmaria ficava entre os rios Piratingui e o rio Mogi Guacú.. As terras situadas nessa sesmaria em conjunto com as terras da sesmaria de 1707 formavam uma vasto território, de cujo bojo resultou as terras que chegaram a pertencer aos primeiros Cintras que por aqui aportaram 120 a 160 anos após isto é em 1830 mais ou menos. Uma fatia desse filão de terras acabou pertencendo aos descendentes das primeiras famílias dos Vieira de Mattos (de ELEUTERIO) e da própria família Cintra (FAZENDAS REUNIDAS),onde inclui-se a Fazenda ITAPIRINHA, pertencente hoje ao Sr. Luís Cavenaghi e que é o motivo desta matéria. Vemos então que apesar da história de Mogi Mirim estar sendo contada a partir de 1719,ela peca pela ordem cronológica com relação aos primeiros colonizadores. Estes antecedem ao que se refere o texto do livro sobre a História de Mogi Mirim. Mesmo assim ainda é mais recente aos primeiros núcleos que se formaram a partir de 1668 pelos lados do Rio Eleutério e divisas com Mogi Guacú e Pinhal, onde hoje se localizam a terras de Itapirinha, Salto, Sta. Teresinha, Monte Alegre ,Sta. Escolástica, Sta.Cruz Sertãozinho, Eleuterio e mesmo as cidades da divisa com o estado de Minas Gerais, Sapucaí, Pouso Alegre, e Monte Sião. O mapa anexo traduz melhor essas linhas divisórias.
FAZENDA ITAPIRINHA

Fazenda Itapirinha em 1947.
Hoje totalmente reformada conforme se vê mais abaixo pelo seu atual proprietário Luis Cavenaghi

Fazenda Santa Cruz em 1932 (em péssimo estado de resolução).
Nesta casa residiu Antonio Francisco de Araújo Cintra, primo do Cel.Francisco Cintra.
(Foto cedida pelo sr. Manuel Bueno de Morais)

Recibo Original e personalizado do dr.Antonio Francisco de Araújo Cintra, com datado de 1895.
O mesmo foi cedido pelo sr. Manuel Bueno de Morais, irmão do
sr.Herculano Bueno de Morais, administrador das fazendas Santa Cruz e Itapirinha
A Fazenda Itapira ou Itapirinha, era uma das fazendas que compunham “As Fazendas Reunidas” pertencentes ao abastado fazendeiro Cel. Francisco Cintra de cuja genealogia já nos ocupamos A extensão original dessa fazenda era de 210 alqueires situada a 11 km da cidade. No período de ouro da cafeicultura possuía 110.000 pés de cafés ,e além de lavoura diversificada ali se plantava cereais e se criava gado. A casa sede ainda está lá tendo sido reformada e muito bem cuidada pelo seu atual proprietário o sr. Luís Cavenaghi.
Como
se expressou João Netto Caldeira no seu “Álbum de Itapira” publicado em
1935: “As Fazendas Reunidas” Francisco Cintra representam poderosíssima
organização agrícola, das mais importantes do Estado de São Paulo,
pertencendo ao illustre itapirense snr. cel. Francisco Cintra, aqui nascido em 3
de Outubro de 1872.Filho do saudoso Sr. Joaquim Floriano de Araújo Cintra,
aprendeu na escola paterna o caminho da correcção e da honra.
Sem
grandes recursos e, ao mesmo tempo, desconhecendo qualquer auxílio estranho, o
Sr. cel. Francisco Cintra encarou a lucta com desassombrada coragem. Dedicou-se
à lavoura e nessa profissão quis vencer, conseguindo-o brilhantemente.Embaraços
sem nome crusaram-lhe o caminho. Não sentiu tibiesas. Caminhou sempre até ver
a victória de seus ideaes. Tendo seus méritos pessoaes largamente apreciados,
foi escolhido para occupar não poucos cargos públicos de relevância. Entre
outros postos devidos à confiança collectiva, devemos salientar o de vereador
municipal, na legislatura de 1917 a 1919,assim como substituto do Procurador da
República, membro do Conselho Consultivo, etc. Presentemente occupa o snr. cel.
Francisco Cintra a presidência do directorio do Partido Republicano Paulista
local.”
Joao
Netto Caldeira assim enumera as fazendas reunidas do cel. ”Chico” Cintra:
FAZENDA
SÃO JERÔNIMO, 300 alqueires e
100.000 pés de café.
FAZENDA
NOVA AMÉRICA, 100 alqueires e 67.000
cafeeiros.
FAZENDA
SANTA CRUZ, 40 alqueires invernada e criação de gado. Nessa fazenda
residiu Antonio Cintra, primo do Cel. Francisco Cintra. A foto anexa é de
1932.O administrador era o Sr. Herculano Bueno de Morais, morador da Vila de
Eleuterio. Seu irmão Manuel Bueno de Morais,nos cedeu também um recibo
com o timbre do Dr. Antonio Francisco de Araújo Cintra datado de 1895.
FAZENDA
SERTÃOZINHO, 430 alqueires e 150.000
cafeeiros.
FAZENDA
ITAPIRA, 210 alqueires e 110.000 pés
de café. Hoje esta fazenda pertence
ao sr. Luís Cavenaghi.
O
cel. Francisco Cintra possuía ainda uma fazenda, denominada “Villa Cintra”,
localizada no município de Mocóca. Logicamente não teremos espaço suficiente
para declinarmos a importância de sua personalidade como homem. Financeiramente
poderoso, afortunado mas trabalhador e conhecedor das coisas rurais. Um homem de
bem, honesto, simples de coração, com aguçado tino administrativo, religioso
e temente a Deus. Notoriamente foi um homem de virtudes com atuação expressiva
nas causas públicas, filantrópicas e político-sociais de nossa cidade sendo
muito admirado e respeitado por todos. Auxiliou intensamente as entidades
assistenciais como a Santa Casa, Asilo São Vicente e Colégio Santo Antonio.
Através de um desejo de sua finada esposa Leocádia Rodovalho, não mediu esforços
no sentido de legalizar juridicamente os entraves que durante mais de 30
anos estagnavam o uso do templo da Igreja da Mãosinha para fins religiosos.
Apenas para lembrar, esses entraves jurídicos tiveram início após a fundação
da Igreja Brasileira e da morte de seu fundador cônego Manuel Carlos de Amorim
Correia .
Através
então de atos oficializados, intermediados pela participação tripartite da
Prefeitura, como executora, do clero local através do fabriqueiro Pe. Henrique
de Morais Mattos, como devedor assumido e do cel. Chico Cintra como doador, do valor da dívida,
fundou-se a Igreja de Santo Antonio.
Por
tudo isso o cel. Francisco Cintra legou
seu nome a posteridade e está perpetuado na história de nossa cidade. Deixou
portanto na memória de seus pósteros
a certeza de que não passou em
brancas núvens ,edificou e viveu. Apenas não deixou descendentes que pudessem
herdar o seu patrimônio e o seu carácter.
Aos
poucos a imensidão de terras do Cel. Chico Cintra foi passando para outras mãos.
Hoje tão valioso acervo rural pertence a dedicados fazendeiros que zelando por
ele, transformaram-no num orgulhoso patrimônio histórico de nossa cidade.
A importância histórico-social e político-cultural representada por
essa nobilíssima família dos Cintras, permite-nos dimensioná-la com grande
respeito no rol das grandes famílias brasileiras e do mundo. Não apenas pelo
grau de nobreza que marca seus princípios históricos mas também pela presença
constante e integralizada em todo contexto da sociedade brasileira ,regional e
itapirense.
Terminamos
esta parte da matéria citando o grande genealogista Mons.Antonio Paes Cintra,
membro desta família e autor da monumental obra “Genealogia dos Cintra”
No início de seu livro como apresentação o Monsenhor, deixa algumas pérolas que enaltecem a família e a genealogia que julgamos oportuno repetir aquí:
“
Corona senum filii corum et gloria filiorum patres eorum”.
“Os
filhos são a coroa dos pais e a glória dos filhos são os seus pais”. –
(Livro de provérbios,17-6)
“Corpora
ipsorum in pace sepulta sunt, et nomem eorum vivit in generationem et
generationem”
“Os
seus corpos foram sepultados em paz, e o seu nome vive em todas as gerações”.
(Eclesiástico,44-14).
”...a
genealogia, como ciência não se restringe à investigação exclusiva de árvores
nobiliárquicas, mas à reconstituição de todas as famílias, por mais
modestas no sentido de buscar a contribuição pessoal na obra comum de
engrandecimento da Pátria.”” (Cardoso de Miranda, em “O Cyclo das Gerações”,
ed. Vozes de Petrópolis,1939,pág.58).
“Os
quadros genealógicos são, em verdade, exemplos e um freio para a manutenção
da dignidade da família.”(Dr. João Mendes de Almeida,” Algumas notas
genealógicas”,S.Paulo,1886,pág.213)
Na
próxima semana, daremos sequência a esta matéria e abordaremos aspectos sobre
a evolução histórica da fazenda ITAPIRINHA e sobre os seus atuais
proprietários.

À esquerda vemos Antonio Cavenaghi (1857-1928), tronco da família Cavenagghi em Itapira.Pai de 10 filhos
À direita Miguel Cavenaghi, filho de Antonio e pai do sr. Luis Cavenaghi.Irmão de Brás e Riceiri,
os compradores em 1949 da "Fazenda Itapirinha" do Cel.Francisco Cintra

Luis Cavenaghi e D.Leonor Coelho, atuais proprietários da Fazenda Itapirinha

1 - Majestoso portal de entrada da Fazenda Itapirinha
2 -Fazenda Itapirinha em 1998
Belíssimo ângulo da casa sede da Fazenda Itapirinha após totalmente restaurada
HISTÓRICO
- Foi no ano de 1949 que esta
propriedade com 160 alqueires de terras foi adquirida pela família CAVENAGHI.,
especificamente pelos irmãos Miguel ,Brás e Ricieri Cavenhaghi.Em 1963 Brás e
Ricieri venderam suas respectivas partes a
Miguel e adquiriram outras terras.
E
é nesse momento que começa uma outra, etapa de intenso labor onde o trabalho a
dedicação e principalmente o amor pela coisas históricas veio a tona. Quando
o Cel. Francisco Cintra vendeu a fazenda para os Cavenaghi a mesma estava
praticamente abandonada e a velha sede estava já quase em ruínas. Tudo ali
lembrava um tempo onde a abundância, a riqueza e a produtividade daquelas
terras era fruto de uma administração bem racionalizada. O café grande mola
propulsora do progresso principalmente de São Paulo, se mesclava nessa fazenda
com o gado gordo e as pastagens verdejantes. O som do burburinho das crianças,
e dos colonos na faina
diária, o carro de boi ruidoso, os animais, os pássaros e os arados sulcando
fundo...Nessas lembranças vem também o início de tudo:
-
A cafeicultura que em 1727 a partir de mudas que entraram no Brasil,
especificamente em Belém do Pará provindas da Guiana Francesa vieram iniciar
um opulento ciclo de riquezas.
Em
São Paulo a cultura do café se iniciou na década de 1790 e após a abolição
da escravatura em 1888 os fazendeiros paulistas introduziram em 1850 a mão de
obra imigrante principalmente italiana. De 1920 a 1930 a produção brasileira
foi uma das mais altas e alcançou 167 milhões de sacas, tendo sido exportadas
137 milhões. A expansão do comercio cafeeiro no mundo conferiu divisas
importantíssimas para o Brasil. Esse grande filão da economia internacional
impulsionou nosso país rumo a um opulento enriquecimento da casta produtora.
Essa fase áurea só terminaria
mesmo com a grave crise que assolou o mundo e envolveu praticamente toda a
Europa. Suas repercussões se fizeram sentir de imediato nas nossas exportações
de café. Especificamente em 1929 a
bolsa de Nova Iorque entrou em colapso e provocou também o craque do café no
Brasil. Nessa época Getúlio Vargas então presidente eliminou os estoques
(queimou todo o café estocado, cerca de 37 milhões de sacas) e expandiu as
exportações. Essas duas medidas associadas posteriormente a uma política econômica
antiintervencionista em 1946 provocou também a falência dos fazendeiros e o
desinteresse financeiro por esse tipo de cultura.
Hoje após essa histórica lembrança e à frente do grande casarão da fazenda Itapirinha , ficamos a refletir como deveria ter pensado o sr. Miguel Cavenaghi e seus irmãos naquela época. Haviam acabado de adquirir a extensa fazenda Itapirinha, com seus 160 alqueires praticamente abandonados e alí estavam eles cabisbaixos e pensativos. Tudo estava nas mãos daqueles descendentes imigrantes...foi uma boa compra mas, também tudo estava por fazer. Desde retomar as atividades rurais, cuidar das pastarias, terreiros, tulhas, cocheiras paióis ,aragem para o plantio, até a reforma da grande e suntuosa casa assobradada por onde circularam céleres todo um passado de glórias.
Seu
Miguel era filho de Antonio Cavenaghi (1857-1928) e Angelina Magrini e eram seus
irmãos: AGOSTINHO casado que foi com Ana Zanandré; foram pais estes de
Angelina, José Roque, Teresinha e Regina Cleide; LUIS, foi casado com Angelina
Cherubin Di Pauli, pais de Alcides, Tercília Eusébio, Miguel Aparecido,
Irineu, Maria de Lurdes, José Aparecido e Orides Joao ;ROSA foi casada com
Jacinto Morais Cardoso, pais de Raul, Virgínia, Darci e Ivone; MARIA ASSUNTA,
foi casada com Joaquim Inácio de Oliveira, pais de Ana, Helena e Virgílio; BRÁS
foi casado com Inês Telline, pais de Luís Edésio e Ione; JOÃO, foi casado
com Olinda Pivello, pais de Mário e José ;JOSÉ foi casado com Teresinha
Mantoan, pais de Hortêncio e Anésio; RICIERI foi casado com Olívia Maria Lina
de Jesus e FRANCISCO, que faleceu solteiro.
Como
todo imigrante italiano a faina para o trabalho não os atormentava. E puseram mãos
à obra ! E tanto “lavoraram” que as lembranças ficaram eternizadas hoje
naquelas paredes e naquelas terras produtivas e verdejantes. Seu Miguel deu um
grande impulso na lavoura e suas
terras produziram muito milho, arroz, algodão e feijão, safras essas que
garantiam o dinamismo da fazenda. Criou alí também muito gado leiteiro e sendo
substituido hoje pela criação de gado de corte
Tanto
fez que a fazenda Itapirinha hoje é
um patrimônio tanto para seu atual proprietário sr. Luís Cavenaghi,
filho e herdeiro do seu Miguel, quanto para a história e a cultura de
nossa cidade.
Aos
poucos seu Miguel foi assumindo toda a administração das terras já que seus
irmãos e sócios venderam a ele suas partes. Juntamente com D. Rosa sua esposa criou seus dois filhos: Luís
e Antonio ,ambos passaram toda sua vida naquela fazenda, e foram participando de
todo seu cotidiano. São momentos de lembranças que não se apagam e que
ficaram retidos na memória. Antonio ,irmão de Luís , faleceu solteiro e Luís,
após o falecimento de seu pai em 1964 assumiu a administração dessas históricas
terras que pertenceram ao cel. “Chico” Cintra.
Seu
Luís novamente se vê às voltas com o mesmo sentimento que se apossou de seu
pai quando adquiriu a fazenda do cel. Francisco Cintra e pensou: a história se
repete nos descendentes...! Devo ir a luta! Nova labuta e no afã de ver
concretizado seus sonhos deu início a um projeto de ver restaurado todo o
patrimônio histórico que tinha em mãos. Ao longo do tempo foi, não sem muito
sacrifício e trabalho ,executando os reparos necessários para
reestruturar não só a casa sede da fazenda mas todo o vasto território
de suas terras. E assim deu início às reformas que duraram anos: uma porta
aqui, uma janela acolá, troca de assoalho, forro, divide aqui divide alí ,
pintura, reforço nas vigas de madeira, um trato na escada interna ...e eis que
ressurgida das cinzas a Fênix esvoaçante
renasce tão bela quanto o fora outrora. Orgulho dessa família lá está ela,
forte e bela, elevada num jardim de flores e emoldurada por palmeiras e árvores
frondosas. Por algum tempo pudemos, eu e o Paulino Santiago ,sorver desse nectar
mitológico. Assim pudemos ouvir as reminiscências contadas orgulhosamente pelo
seu Luis Cavenaghi, pela D. Leonor sua esposa e pelos seus filhos
Carlos Augusto, Luis Antonio e José Hamilton.
Após contacto breve com seu Luís, imediatamente este acedeu ao nosso pedido de adentrar pelas porteiras de sua fazenda. Naquele dia fomos recebidos pelo seu filho José Milton e sua esposa Sara, esta filha do Milton de Oliveira meu particular amigo e de D. Alice. Sara é irmã de Raquel, Miltinho e Mildred ,esta casada e residente na Suíça. José Milton e Sara são pais de Elisa e da Rebeca nascida há pouco mais de um mês. Os outros filhos do seu Luís o Luís Antonio e o Carlos Augusto se movimentaram no sentido de nos oferecer copia do mapa da fazenda e permitiram agilizar nosso trabalho. Luís Antonio é casado com Maria Edite de Oliveira e tem os filhos Marina e Pedro; Carlos Augusto é casado com Regina Lara Campos sendo seus filhos a Carolina e o Gustavo. Nos poucos momentos que passamos ali pudemos perceber o grau de sensibilidade de nossos anfitriões, quanto as coisas históricas. Tudo naquela casa sede estava bem conservado, restaurado e tratado com muito esmero. Notamos um cuidado bastante acentuado quanto a preservação das peças que compunham o seu acervo arquitetônico. Desde as fotografias antigas da família, um grande sino de bronze, exposto junto a lareira e cuja foto reproduzimos aquí até um pequeno oratório de capelinha foram conservados carinhosamente como se fossem ainda parte viva daqueles tempos de antanho.

Este mapa de 1939, mostra os limites territoriais da Fazenda Itapirinha com seus 160 alqueires de terras,
hoje pertencente ao sr. Luiz Cavenaghi.
Podemos ver no interior de seus limites o quanto era produtiva essa fazenda. Seus limites beiram a Eleutério
Na
sala dessa casa agora reformada e que não perdeu suas características
anteriores , pudemos admirar e trazer para as lentes do Paulino Santiago, o mapa
original da fazenda datado de 1939. Seu Luís nos brindou com dois grandes
tijolos de 8 e 7 kg aproximadamente e que foram utilizados nas construções
da fazenda. As fotos aqui
reproduzidas mostram em ambos tijolos as iniciais de seus proprietários
“AC” e “FC”, respectivamente, Antonio Cintra e Francisco Cintra, tudo
indicando que devido a personalização dessas peças de construção, tivessem
elas sido produzidas nas próprias olarias da fazenda. Lá estão ainda o grande
terreiro, a construção onde se fazia o expurgo do café, o local que abrigava
suas grandes máquinas de beneficiamento e outras dependências. Tudo
exemplarmente bem cuidado. Daquela elevação onde se localiza a casa sede
pudemos sorver um pouco do bucolismo, do verdor pastoril e da grandeza de
horizontes não só daquelas terras mas também da de seu proprietário e família.
E assim fomos compondo minuciosamente todo o processo histórico que emanava das
respostas, documentos, peças decorativas e especificamente da observação
atenciosa daquele ambiete saudável e bucólico.

1 – Sino de bronze, relíquia histórica da Fazenda Itapirinha dos tempos do Cel. Francisco Cintra. Hoje é peça decorativa da belíssima sala da casa dos atuais proprietários.
2 – Tijolos utilizados nas construções da Fazenda Itapirinha.As marcas “FC” e “AC”, significam respectivamente as iniciais de seus antigos proprietários: Francisco Cintra e Antonio Cintra.
3 – Peças históricas da fazenda Itapirinha conservadas pelo seu atual proprietário.Vemos o sino, objetos de cerâmica, moinhos de café e pimenta e uma foto provavelmente do sr Miguel Cavenaghi, pai do sr. Luis
Após
indagarmos sobre a genealogia da família fomos brindados pelo dentista Luís
Machado com um esboço da árvore genealógica dos Cavenaghi. O Luisinho nos
socorreu nesse particular e nos permitiu ter uma visão mais abrangente da
extensa familia de sua esposa D. Ione, filha do Brás Cavenaghi.
Assim
se resume o histórico da família Cavenaghi: “ Em 1857 em Bussero, Província
de Milão, Itália, nasceu ANGELO CAVENAGHI que casou-se com MARIA CERRI. Desse
casamento nasceram os filhos: ANTONIO,PAOLO,GIUSEPPE,PIETRO SANTINO E DAVID, Os
quatro primeiros vieram para o Brasil em 1884, no navio Polcevera, procedente de
Genova, aportando em Santos O destino dos imigrantes era a cidade de Descalvado
no interior paulista.
Mais tarde os irmãos Santino e David também vieram para o Brasil. Algum
tempo mais tarde, aqui no Brasil Antonio casou-se com Angelina Magrini e deram
origem ao grande ramo dos Cavenaghi cuja abordagem já fizemos acima.
Apenas
para lembrar os irmãos Brás, o Ricieri e Francisco, foram
sócios no armazém de secos e molhados e na máquina de beneficiar
arroz, que ficavam ali no Largo do Riachuelo.
E
assim após todo esse preâmbulo histórico bastante elucidativo e envolvente pudemos enfocar duas
importantíssimas famílias a do
Cel. Francisco Cintra e a dos Cavenaghi.
Todo
esse ensaio nos trouxe a mente o motivo e o porque de estarmos
ali naquela fazenda procurando e observando os mínimos detalhes da sua
geografia, limites territoriais e a
sua antiquíssima história.
Retornando
aos fatos históricos retomamos também a fala de Saint Hilaire ,quando
pronunciou o nome de Itapira pelos idos de 1822
dizendo: “Fizemos juntos o cálculo do número de léguas que existe
daqui a Itapira, e de lá a São Paulo...” Essa inusitada descoberta onde a
palavra “ITAPIRA”, pronunciada em alto e bom
som mesmo inexistindo ainda como nome de cidade (porque se chamava Bairro
dos Macucos), permitiu-nos adentrar pelas
terras da fazenda Itapirinha e buscar ali as bases para a estruturação dos
primórdios da história de nossa cidade.
Tivemos
portanto o privilégio do ineditismo ao descobrir nos recônditos da história
tal fato inusitado.
Saint
Hilaire, ao pronunciar há 176 anos atrás o nome de Itapira, nem de perto
sonhou que esse momento seria coroado de tamanha importância. Ficou assim
provado que Itapira se chamava mesmo Itapira ou seja ponta de pedra, pedra
ponteaguda, penha, penhasco etc. Dessa forma ,Penha do Rio do Peixe foi apenas
um nome cuja tradução englobou o seu nome original Itapira (Penha ),com o nome
do Rio que banhava essas terras, o próprio Rio do Peixe.
Estão
criados, portanto, os rudimentos para a elaboração a
“posteriori” de novos avanços nesse sentido. Aguardamos ainda outros
elementos que testemunharão nossas interpretações. A lógica nos direciona
por esses caminhos e tão logo evoluamos nesse sentido, faremos novas revelações
que por certo justificarão tais embasamentos.
Entretanto não pode restar dúvidas de que a FAZENDA ITAPIRINHA, tão bem administrada hoje pelo Sr, Luis Cavenaghi seu atual proprietário, possua no seu bojo histórico elementos de extrema importância para a elaboração de futuras matérias ligadas as nossas origens.
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