O PADRE AMORIM 

     e a Igreja Brasileira    

 

 

Padre Manoel Carlos de Amorim Correa

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História de Bananal e o Padre Amorim

Deparamos com o seguinte texto abaixo ao pesquisarmos a "Pequena História do Bananal", às págs. 293 e 294 do autor Agostinho Vicente de Freitas Ramos. Essa obra foi editada pela Secretaria da Cultura, Ciência e Tecnologia - Coleção Histórica - Conselho Estadual de Artes e Ciências Humanas, SP em 1978.

Achamos por bem retroceder as origens históricas e eclesiásticas do padre Amorim antes da sua vinda para Itapira.

Podemos observar que desde aquela época (1906) quando assumiu suas funções eclesiásticas na cidade do Bananal, o padre Amorim já possuia uma verve polêmica, dificultando a compatibilização do sacerdócio com a sua personalidade intolerante e vingativa e prepotente.

(Pela cópia)

1906 – Setembro, 27 – “A Palavra” – Redador chefe – Padre Manoel Carlos de Amorim Correia (português); gerente Teseu Tressoldi; editor – Benedito Vitorino da Costa. Esta folha é consagrada à religião católica e aos interesses do município de Bananal. “Verbum dei non est aligatum”.

NOTA – Padre Amorim Correia era ditador, violento e arbitrário. Além de pároco, tornou-se logo Provedor da Santa Casa.

Na direção de seu jornal excedia-se até que um dia Izaltino de Mello, diretor do Grupo Escolar, situado quase junto a Matriz, reclamou pela “Voz do Povo”, jornal dirigido, criteriosamente, por Isaac dos Santos Coelho, contra aquele bimbalhar constante de sinos. Foi o bastante – Amorim, ao ler a reclamação, chamou o Benedito e mais auxiliares, mandando que fizessem soar estridentemente todos os sinos da Matriz, durante mais de uma hora. Izaltino de Mello no número seguinte de “A Voz do Povo” escreveu o célebre artigo intitulado “Selvageria” que permanece na memória dos bananalenses...“nossa cordata e ordeira população, habituada...” Então, teve início a luta.

Padre Amorim faz do púlpito sua tribuna de ataque e de censura. Eis que falece José Monteiro (português) na Rua Comendador Manoel de Aguiar, onde, possuía uma sapataria.Irmão remido da Santa Casa, tinha direito de, aí ser sepultado. Padre Amorim se opôs tenazmente, sob a alegação de que Monteiro não tinha direito. Vários elementos muniram-se de malhos para arrombar o portão da Santa Casa que dá para o cemitério. Criou-se um ambiente sombrio. O enterro fez-se, mas o povo queria a saída do padre. E os grupos se formavam pelas esquinas.Era mais de oito horas da noite. Otávio Ramos, chefe indiscutível, percebendo a tragédia e, embora inimigo do padre, foi a igreja e disse-lhe: “dai-me vosso braço, sigamos; vossa vida corre perigo”. E, da Matriz ao sobrado onde funciona o grupo escolar Amorim Correia, entre alas de inimigos. No dia seguinte, o comboio parou frente a chácara do Coronel Pedroca, para recolher o padre Amorim que se dirigiu para Araras e depois Itapira, onde fundou a célebre Igreja Brasileira que tanto mal fez à religião católica, não só pelo mau exemplo da apostasia como e, principalmente, pela falsa doutrinação.

-         Este narrador, assistiu a todo esse episódio.

-         Padre Amorim, depois de captar vários sacerdotes para sua igreja, em Itapira, aí morreu.

  Fundação da Igreja Católica Apostólica Brasileira (ICAB) 

em 1913 pelo padre Manoel Carlos de Amorim Correa.

Vemos da esquerda para a direita:

1 – Belisária; 2 – Cantídia (amante do padre Amorim); 3 – Teresa Bequi Baiocchi; 4 – Joaquim Lambaes; 5 – Mariquinha; 6 – Pe.Arnaldo; 7 – Pe. Francisco Arditi; 8 – Frederico Arditi (filho de Francisco; 9 – Arlindo de Freitas, (filho de Antonio de Freitas, bigodudo); 10 – Mariquinha Salgado; 12 – Ângelo Rossetti; 13 – Vanda Arditi; 14 – Maria Freitas, (Quita casada com José Viola), irmã de Arlindo de Freias (15 – Liliosa (também irmã Arlindo de Freitas, (casada com Francisco Trevelin); 16 – Francisca Lambaes, irmã de Joaquim Lambaes; 17 – Francisca Marques (minha bisavó paterna, (a última à direita com saia preta comprida e faixa em “M” no pescoço); 18 -Cristina de Freitas casada com Alberto de Freitas de Jesus; 19 – Catarina de Mendonça, mulher de Antonio de Freitas , bigodudo; 20 – Alberto de Freitas de Jesus, casado com Cristina de Freitas, sua prima); 21 – Antonio de Freitas, bigodudo).

 

 

Nesta casa na Chácara Paraíso, morava o padre Amorim Correa e ali convivia maritalmente 

com Cantídia Menezes dos Santos, mulher dita de "má reputação".

 

 

Cantídia Menezes dos Santos 

(suposta amante do Pe.Amorim)

Conforme havíamos comentado em matéria anterior, abordaremos hoje alguns aspectos, creio, ainda desconhecidos a respeito da polêmica Igreja Brasileira fundada em nossa cidade.Para isso faremos um retrospecto lembrando que a "Igreja da Mãosinha" teve iniciada a sua  construção mais ou menos entre 1907 e 1909 quando então eram realizados os leilões e listas de donativos pró-construção da igreja. Nessa mesma época  em 26 de Setembro de 1909, (Conf.dados fornecidos ao Jacomo Mandatto pelo Padre Henrique de Morais Mattos), foi designado para exercer atividades sacerdotais em nossa cidade o Pe.Manuel Carlos de Amorim Correa, tendo sido o décimo oitavo vigário de Itapira.O padre Amorim foi batisado em 01 de Agosto de 1873, na igreja paroquial de Santa Maria de Mujães, Conselho de Viana do  Castelo, Província do Minho, Diocese de Braga, Portugal, pelo presbítero João da Costa Torres. Nasceu portanto em 30 de Julho de 1873. No Brasil recebeu formação eclesiástica. Em 31 de Julho de 1897, recebeu a primeira tonsura, ordens menores em 22 de Junho de 1902, e o subdiaconato e diaconato a 1 e 2 de Fevereiro de 1903 das mãos de D.Nery, bispo de Pouso Alegre. Após passar por São Paulo, Bananal, Jundiaí, Araras chegou em Itapira a 25 de Setembro de 1910 para substituir o Rvmo.Padre Bento Luis Leme, transferido por D.Nery para Limeira.

                                      

Dom João Batista Correia Nery,

 bispo de Campinas, que excomungou

 o fundador da Igreja Brasileira

O Padre Amorim permaneceu na direção da Igreja da Mãosinha até o seu falecimento em 30 de Agosto de 1913.Dotado de grande carisma, conseguiu no pouco tempo de sua vida sacerdotal reunir logo seu rebanho passando a ser estimado por todos.Porém em 1912 estourou o escândalo.O boato fervilhante de que estava o padre Amorim convivendo maritalmente com uma mulher "de má reputacao" em sua chácara  provocou um  cisma regional e após ter sido advertido pelo bispo D.Nery, o Padre Amorim revidou destilando todo o  seu veneno contra o bispo.Após muita polêmica e xingamentos eclesiásticos D.Nery através de uma carta de seu próprio punho datada de Outubro de 1912 comunica ao padre Amorim a cessação de sua jurisdição em Itapira e que deveria entregar a direção da Paroquia ao sacerdote que fosse nomeado.Em 31 de Dezembro desse mesmo ano é nomeado o conego Oscar Sampaio para  substituir o cônego Amorim.O substituto toma posse da Igreja Matriz de N.S. da Penha, conforme decisão da Diocese de Campinas.No entanto o novo sacerdote caiu na antipatia do povo pelas suas infelizes e agressivas  pregações. O Jornal "O Comercio de Itapira", comprou a briga a favor do povo e do cônego Amorim passando a defendê-lo.Verdadeiros duelos clericais foram travados entre acusados e acusadores através da mídia escrita da época.Após muita roupa suja lavada em público o cônego Manuel Carlos de Amorim Correa funda, aos 30 de Janeiro de 1913 a ICAB (Igreja Católica Apostólica Brasileira.No dia da fundação foi lavrada uma ata em cujo texto além de negar o Primado Pontífice Romano, a hierarquia dos bispos, a confissão auricular, o celibato eclesiástico, negou também os fundamentos de ter o Papa romano autoridade para conceder indulgências, títulos nobiliárquicos, a infalibilidade do Sumo Pontífice e o uso da língua latina em  todas as cerimônias da igreja. Itapira, estranhamente possuia agora uma dicotomia episcopal onde dois templos católicos disputavam entre si o rebanho, de fiéis que dividia a sua fé entre a Igreja Católica Apostólica Romana e a recém fundada Igreja Católica Apostólica Brasileira.Tal situação incomodava  o clero e a polícia local ja que os ânimos se acirravam principalmente quando as procissões de uma e outra igreja se encontravam.Uma, a Igreja de fato; a outra não reconhecida oficialmente funcionava na clandestinidade da lei e era frequentemente assolada por instigações politícas, eclesiásticas e militares.Nao eram raros os episódios de arruaças, xingamentos, processos, e perseguições dirigidos aos patriarcas e seguidores da nova igreja.Alem disso, constituiu-se o padre Amorim como "Manuel I Patriarca e fundador da Igreja Brasileira".Essa decisão rendeu-lhe a excomunhão.Os panfletários e os jornais da época crisparam e flamejaram  xingamentos de toda a ordem, sem no entanto mudarem os acontecimentos. A Igreja Católica Apostólica Brasileira estava criada.

Cônego Moisés Nora, de Mogi Mirim, que polemizou violentamente com o Pe.Amorim Correia

Quem mais se envolveu nas polêmicas contra o padre Amorim foi o Cônego Moises Nora da paróquia de Mogi Mirim, no entanto, o Patriarca Amorim continuou ordenando bispos e divulgando os seus preceitos.Nao duraria muito a existência da Igreja Brasileira, porque apenas sete meses após, falecia o Cônego Amorim, precisamente  às duas horas da madrugada do dia 30 de Agosto de 1913, vitimado por uma doença dita"misteriosa", pelos seus amigos.

Dom Carlos Duarte Costa

ex-Bispo de Maura, 1º Bispo da ICAR do Rio de Janeiro, nascido 

em 21 de julho de 1888, ordenado Presbítero da ICAR em 1º de abril de 1911.

capa da Revista "A Patena" nº.5. Faleceu aos 26 de março de 1961 sendo homenageado

 pela ICAB em 6 de julho de 1970 pelo Concílio Nacional da ICAB, sendo-lhe concedido o título de São Carlos do Brasil.

Comentários do Ex-Bispo de Maura sobre o Pe. Amorim e a ICAB

 (Diz-se que foi assassinado por um famacêutico que recebeu benesses de interessados em sua morte). Assim se expressa conforme cita ainda a matéria de Jácomo Mandatto na revista Cigarra, a publicação no Diário de São Paulo de 19 de agosto de 1945 no manifesto que fez à nação Dom Carlos Duarte Costa, ex- Bispo de Maura, 1º Bispo do Rio de Janeiro da Igreja Católica Apostólica Brasileira, no qual relembra o fundador da Igreja Brasileira "AMORIM - o cônego Manoel Carlos de Amorim Correa, foi o fundador da Igreja Brasileira em Itapira, Estado de São Paulo em 30 de janeiro de 1913.Vitimado por uma gripe, foi envenenado, pelo farmacêutico, comprado por 10 contos de réis e educação gratuíta de duas filhas.Cheio de remorso, na hora de sua morte, fêz esta vevelação". Era em homenagem  ao Cônego Amorim que Dom Duarte fazia reviver sua obra, "dando o nome de Igreja Católica Apostólica Brasileira, à Igreja por ele fundada, que não foi adiante por não ser ele "bispo".

A opinião pública após a morte do Padre Amorim ficou dividida, porém  uma  boa parte da população itapirense seguiu seus preceitos pelo menos enquanto  durou os ensinamentos da nova Igreja. As famílias que  mais  participaram  das atividades religiosas da Igreja do padre Amorim eram famílias que  residiam na periferia da antiga Igreja da Mãosinha.

Foto do enterro do Padre Amorim

As fotos da época, os relatos  de Jácomo Mandatto e o Jornalzinho "Só Mulher" de Odete Coppos editado em 1981, mostram que as familias Brandão, Baiocchi, Aquino, Salgado, Costa, Rosseti, Freitas, Lambais, Arruda, Andrade, Ludovino Andrade, (que chegou a ser Bispo da  ICAB), e muitas outras famílias participaram da fundação da Igr. Brasileira. Após, portanto, a morte do Cônego Amorim, imediatatamente assumiu o seu lugar o Padre Francisco Frederico Arditi, imigrante italiano, que havia abandonado o sacerdócio da Igreja Romana  para  casar-se com uma ex freira, Elisa, com quem teve filhos. Francisco Arditi fundou em Itapira a primeira Escola de Comércio, particular que se tem notícia.Ministrava aulas em sua própria casa.Teve muitos alunos dentre os quais cito Sebastiao de Mello (tio do Dr. Mello), provavelmente Pedro Ferreira Cintra (prof.e diretor do ESO no período de 1955 a 1967), Antero de Freitas (meu tio) e Antonio de Freitas Neto (primo de Antero).Este último fundou posteriormente também uma escola particular, de Comércio, chamada "Jean Brando", que  funcionava em  sua própria casa à Rua da Penha. Ministrava alí aulas de Datilografia e preparava guarda livros sendo os diplomas válidos e reconhecidos pelo Governo Federal (sic). Francisco Frederico Arditi, agora como sucessor do Cônego Amorim, registra no Cartório de Registros de Imóveis em 10 de Fevereiro de 1914, através de requerimento ao Exmo Sr.Dr.Juiz de Direito, solicitando arquivar e registrar os Estatutos e Resumo dos mesmos pelos quais se rege a recém fundada Igreja Católica Apostólica Brasileira. Abaixo transcrevo a cópia dos Estatutos da Igreja Brasileira, conforme publicação do Diário Oficial do Estado de São Paulo.

"Resumo dos Estatutos da Egreja Catholica Apostólica Brasileira"

Manifesto Pastoral de 16.2.1913

"A Egreja Catholica Apostolica Brasileira, fundada pelo Rvmo.Snr. Cônego Manuel Carlos de Amorim Correa e como vê-se do Manifesto Pastoral de 16 de Fevereiro de 1913, tem sua sede em Itapira, Estado de S.Paulo. É  administrada por um Conselho de 12 membros, renovando-se anualmente seu...É representada em Juiz e fora dele pelo Presidente do Conselho e responde com seus bens compromissos que forem contraídos em nome della.Os membros deste Conselho não respondem nem mesmo subsidiariamente pelas obrigações em nome da  mesma  Associação,

Itapira 9 de Fevereiro de 1914.

  as.Francisco Arditi, Presidente - Manoel de Freitas,Thesoureiro - Pedro Gomes de Oliveira, Secretario.

Reconheço verdadeira a lettra e firma dos supra assinados - Itapira 9 de Fevereiro  de 1914. ass. ilegível. Segue-se a publicação dos Estatutos no Diário Official onde se lê no final: "dou fe"

 - Itapira,5 de Fevereiro de 1914.

Edição número 1 do jornal "A Egreja Brasileira" publicado em 1º de novembro de 1914

Em  testemunho,signal público da verdade.O tabelião Jose Xavier Nunes."D.Francisco Frederico Arditi, exerceu suas funções eclesiásticas a frente da Igreja Brasileira até 1925, quando faleceu vitimado por uma pneumonia. Está enterrado no Cemiterio Municipal de Itapira, na quadra 17, entre as placas de número 7401 e 7400. Sobreposto sobre sua cova estão os restos mortais de um outro corpo posteriormente alí enterrado. Sucedeu a D.Francisco Frederico Arditi, D. Geraldo Maria de Morais, cuja referência encontramos num requerimento datado de 01 de agosto de 1934, averbado à margem da inscrição sob número 8 de ordem feita às páginas 15 do livro número 1 de Inscrições de Associações para fins  religiosos, morais, científicos, artísticos, políticos ou simples recreio, no qual solicita ao Exmo Sr. Juiz de Direito ordenar a averbação da atual Diretoria e bem assim do seu Bispo que administra a Associação que se pretende criar e que se compunha dos seguintes membros: -  Avelino de Oliveira Carvalho, primeiro presidente, Sebastião Moreira, segundo presidente, Duilio Marconi, primeiro secretário, Laudelino Pires Monteiro, segundo secretário,Virgilio Puggina, primeiro  tesoureiro,Caetano Colferai, segundo tesoureiro, Angelo Rosseti, procurador geral, Mesários, Oscar Bueno de Carvalho, Domingos Passini, Batista Bianchessi, Bento Ataide e Justino Rodrigues.Num outro requerimento datado de 4 de julho de 1935 encontramos a seguinte petição feita pelo próprio D.Geraldo Maria de Morais:

"Ilmo.Snr.Oficial de Registro de Títulos e Documentos da Comarca de Itapira - D.Geraldo Maria de Morais, infra assinado, terceiro Patriarca da Igreja Católica Apostólica Brasileira, com sede nesta cidade, usando da faculdade que lhe concede o artigo 132, do Dec.Federal número 18.542, de 24 de Dezembro 1928, vem requerer a V.S. seja averbada na  inscrição número 8 fls.15 do livro número 1, de inscrição de Associações, para fins religiosos, inscrição essa da Igreja Católica Apostólica Brasileira  da qual o requerente e o Patriarca que a administra, os nomes dos conselheiros por si  escolhidos de acordo com a Pastoral de seu fundador Cônego Manuel Carlos de Amorim Correa e do art.4 dos Estatutos que dá poderes ao Patriarca para presidir o Conselho, o qual está organizado da seguinte forma:  Manoel de  Freitas, primeiro tesoureiro, Antonio Gonçalves, segundo tesoureiro, Orlando Andrade, primeiro secretário, Antonio de Freitas Filho, procurador geral, Izidoro Ferreira, segundo procurador, Lásaro Costa - terceiro procurador, Manoel Ferreira, Benedito Calil de Almeida, Antonio Alves da Silva, José de Almeida Carreirinha e Antonio Benedito de Aquino, membros.

"Outros dados de extrema importância histórica sobre a Igreja Brasileira  encontramos na revista "A Cigarra Magazine", editada no Rio de Janeiro no mês de Abril de 1956 às páginas de nº 16 a 19 e 157. Ali deparamos com um texto e fotos publicadas por Jácomo Mandatto, revelando que naquela época após a fundação da Igreja Brasileira o padre Amorim rezou a primeira missa em sua residência na chácara do Paraíso, sita no bairro Bela Vista.Outras missas foram rezadas nas casas dos primeiros adeptos em cujo espaço permitisse a reunião dos novos crentes. Odete Coppos  em seu jornalzinho "Só  Mulher", diz que a primeira missa  celebrada pelo Primeiro Patriarca da Igreja Brasileira foi rezada numa  grande sala da casa de uma família, simpatizante ao novo movimento religioso, sita a Rua dos Pescadores, atual Rua Francisco Glicério.Muitas missas foram celebradas em outras casas particulares até que fosse escolhida a "Igreja da Maosinha" como templo definitivo para abrigar a Igreja recém fundada.Em uma das fotos publicadas por Jácomo Mandatto na revista "A Cigarra", já citada acima, vê-se uma casa em cujo texto lê-se: "Nesta casa, hoje armazém, rezou a segunda missa o padre Amorim, depois da fundação da sua Igreja.Essa casa situava-se à Rua  General Osório."Hoje, mora  nessa residência a D.Sebastiana Marcelina dos Santos, viúva do Sr.Altino Sartori, pai do padre José Eduardo Sartori.

Passeando ainda pelo jornalzinho "A Mulher" de Odete Coppos (Agosto de 1981), oferecido gentilmente por ela ao meu pai Manuel de Freitas Filho (Néco de Freitas), encontrei as citações sobre o registro de imóveis  feito no Cartório de Registro do senhor Katsumi Inoue pela Igreja Brasileira através de seu representante maior e Presidente Dom Francisco Frederico Arditi. Assinam com o Presidente da Igreja Brasileira conf. já refere  a citação acima, nada mais nada menos como membro da diretoria e tesoureiro o meu avô Manoel de Freitas e como secretário o sr.Pedro Gomes de Oliveira, pai do Sr.Alcides de Oliveira, ex prefeito de Itapira nos anos de 1965/69. Sómente agora após tanto tempo e a partir de uma revisão de documentos e fotos familiares antigas é que pude descobrir essa ligação entre a  família Freitas e a controvertida Igreja do padre Amorim. Em uma  foto datada de 1927 e ofertada ao meu avô pelo padre Geraldo,(seria o padre dissidente Geraldo Albano de Freitas citado no final desta materia?), vê-se três sacerdotes da Igreja Brasileira, supondo-se ser um deles o próprio Padre Geraldo, um outro padre desconhecido e um que provavelmente seria um Bispo, diferenciado dos demais pelas vestimentas e pela mitra branca em sua cabeça. (Veja foto anexa).  

Foto de 08-04-1927 ofertada ao meu avô Manoel de Freitas pelo padre Geraldo

Outra interessante notícia, encontro no "Itapira Jornal", de 09 de Outubro de 1938, no seu número 110, cujo  edital reproduzimos parcialmente abaixo:  

"Edital, intimação com o praso de seis meses.O Doutor Aureo de Cerqueira Leite, Juiz de Direito desta Comarca de Itapira, etc. Faz saber aos que o presente edital...que por parte da Prefeitura Municipal desta cidade me foi dirigida a peticao do teor seguinte: Exmo Sr.Juiz de Direito. A Prefeitura Municipal de Itapira por seu advogado e  procurador (doc. junto), vem expor e requerer a V.Excia., nos autos da ação que moveu contra a sociedade civíl "Igreja Brasileira", com sede nesta  comarca o seguinte: Em Execução da venerada sentença proferida por V.Excia., foi requerente imitida na posse do prédio e seu terreno sito nesta cidade conforme consta dos autos requeridos.Acontece, entretanto, que  até esta data não foram reclamados por quem de direito os móveis e objetos existentes no prédio em questão, nao sabemos a quem os mesmos pertencem e não podendo entregá-los a sociedade acima indicada por não conhecer quem legalmente a representa.Tendo a supplicante alienado o imóvel e necessitando fazer a  sua entrega ao adquirente, inteiramente desocupado, vem requerer a V.Excia. sirva-se ordenar a remoção dos móveis e objetos nele existentes, e constantes da relação anexa para a guarda de um depositário, publicando-se os competentes editais para o conhecimento de seus legítimos proprietários na forma do art.928  do Código do Processo, pela  evidente analogia da espécie.Nestes  termos pede Deferimento, 19 de Setembro de 1938. a)Francisco da Cunha Ribeiro. Selada na forma da lei.Relação:...(Segue-se a partir dai um  extensa  relação de móveis e objetos sacros que omitimos deliberadamente)... Itapira 08 de Setembro de 1938. aa) Caetano Munhoz, Cesar Bianchi, Firmino Levatti,Vitorio Paschoal, Mario Fonseca Filho. Estava escrita em papel timbrado da Prefeitura Municipal nesta cidade.Em consequência deferindo o requerido nos termos do art.928 do C.do P.C. e C., nomeei depositário o cidadão Domingos Anastácio que prestou o respectivo compromisso, recebeu os objetos relacionados e assinou o competente termo de depósito.E para que chegue ao  conhecimento de todos e ninguém alegar ignorância, mandei expedir o presente edital pelo praso de seis meses que deverá ser afixado no lugar público do costume e publicação pela imprensa na forma da lei.

Dado e passado nesta cidade de Itapira aos 6 de Outubro de 1938.

Eu Noé d'Oliveira Rocha. Escrivão o escrevi. a) Aureo de Cerqueira  Leite. Juiz de Direito.

"Passados 8 anos do Edital acima transcrito, isto é em 1946 o jornal "Cidade de Itapira", noticia em sua edição de 29 de Setembro daquele ano a reabertura do templo da "Mãosinha" com a seguinte matéria: Mais um templo que se abre."Consoante  aviso estampado na edição pretérita desta folha estará deste domingo em diante franqueado a visitação pública mais um templo católico oriundo da extinta  Igreja  Brasileira e restaurado para o culto a Santo Antonio, devendo haver hoje alí a tarde a  cerimônia de  benzimento.Sem dúvida o acontecimento representa mais um triunfo  da vida  local, abrindo as portas de mais um santuário..."Essa notícia confirma o que se lê no livro 3-K, de transcrição das transmissões, dele as folhas 86, sob número 5.282, feita em 02 de Outubro de 1946, referente a escritura pública de venda e compra, de 11 de  Abril de 1946, lavrada nesta cidade de Itapira por Herbert Rocha, do segundo tabelião sucessor, figurando como adquirentes a FÁBRICA DA IGREJA MATRIZ DE  ITAPIRA, representada por seu fabriqueiro Padre Henrique de Morais Mattos e como transmitente a Prefeitura Municipal de Itapira, representada pelo Prefeito Municipal de Itapira, sr.Antonio Serra, devidamente autorizado pelo ato número 17 do Exmo. Sr. Interventor Federal do Estado, e tendo como objeto:- "Um prédio antes denominado Igreja Brasileira, situado a Rua Manoel Pereira, esquina da Rua Ribeiro de Barros, desta cidade, construída de tijolos e coberta de telhas, parte assoalhada..., prédio este destinado a Igreja que terá o Orago "Santo Antonio", havido pela transmitente por força da transcrição anterior número 4.857,  folhas 171 do Livro 3-J. Essa transcrição anterior foi passada nesta cidade em 09 de Abril de 1946, por Herbert Rocha, escrivão sucessor do segundo ofício, figurando como adquirente PREFEITURA MUNICIPAL DE ITAPIRA, representada pelo seu Prefeito Major João Manoel Pereira de Oliveira, e como transmitente Igreja Católica Apostólica Brasileira, e tendo como objeto:- "Um terreno, contendo 20,00 metros de frente para a Rua número 01, hoje denominada Manoel Pereira, 39,00 metros de frente para a Rua do Amparo, hoje denominada Rua da Penha...". Como vimos é contrastante o efêmero período de atividade da Igreja Brasileira (apenas sete meses do ano de 1913 e os 33 anos de inatividade que foi até Setembro de 1946). Entretanto  nos sete meses que durou a Igreja, arregimentou muitos dissidentes da Igreja Católica Apostólica Romana por todo o Brasil e que engrossaram fileiras o que culminando com a criação em  06 de Julho de 1945 (em memória do Cônego Amorim), pelo ex.Bispo de Maura, Dom Carlos Duarte da Costa, da Igreja Brasileira no Rio de  Janeiro. D.Carlos Duarte da Costa, foi primeiro Bispo do Rio de Janeiro da Igreja  Católica Apostólica Brasileira.Nascido a 21 de Julho de 1888,  foi ordenado Presbítero pela ICAR ( Igreja Católica Apostólica Romana), em 01 de Abril de 1911. Celebrou sua primeira missa em Uberaba a 04 de Abril de 1911.Foi sagrado Bispo pela ICAR, (onde ocupou diversos e importantes cargos), a  08 de  Desembro  de 1924, na Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro, pelo Cardeal Sebastiao Leme da Silveira Cintra. A 06 de Junho de 1945 institui a Igreja Católica Apostólica Brasileira e deu Sucessão Apostólica  a todos os atuais Exmos.Revmos.Bispos da ICAB e seus sucessores.Faleceu a 06 de Junho de 1970, foi homenageado postumamente pelo Concílio Nacional da Igreja Católica Apostólica Brasileira, sendo-lhe concedido o título de São Carlos do Brasil.Nessa época, quando do falecimento do ex-bispo de Maura o primaz da ICAB era Dom Luigi Mascolo.Dom Luigi em 1968, afastou das ordens sacerdotais da ICAB o Bispo Dom Geraldo Albano de  Freitas, Bispo auxiliar de Sao Paulo. Segundo Dom Geraldo o seu afastamento se deu por  não concordar com certas iregularidades de fundo admnistrativo que vinha presenciando no interior da Igreja.Outros escândalos mergulharam num mar de lamas a Igreja Brasileira e por todo o território nacional haviam denúncias de irregularidades, abusos de poder, enriquecimentos ilícitos.O assassinato em 1979 do Bispo da Igreja Ortodoxa Antioquina Pedro Villas Boas de Souza ocorrido nos fundos de sua Igreja em Embu Guacu, comoveu a opinião pública e trouxe à tona uma série de desacertos que estavam ocorrendo nos bastidores da Igreja Brasileira.Todos esses acontecimentos  enfraqueceram as bases dessa Igreja, cujos princípios foram norteados por Padre Amorim em nossa cidade. Muitos bispos se espalharam pelo Brasil e através da Revista "A Patena" editada a partir de 1970 pela Diocese da Baixada Fluminense da ICAB pudemos conhecer um pouco mais de sua história.Podemos citar entre outros os seguintes Bispos e padres da ICAB: Dom Antenor da Rocha, Bispo e procurador  geral de  Niteroi; Dom AdrianoHipolito, Bispo de Nova Iguacu; Dom Luis Fernando Castilho Mendez; Bispo e Secretario Administrativo de Brasilia; Dom Álvaro Francisco Lopes de Rosa, Bispo de Cabo Frio; Dom Olinto Ferreira Pinto Filho, Bispo do Rio  de Janeiro.Várias dioceses, capelas, paroquias e uma Catedral (em Brasilia),realizaram, batizados, casamentos, crismas ampliando sua área de influência em  muitos Estados do Brasil. São  Paulo, Rio  de Janeiro, Brasilia, Baixada Fluminense, Baía, e Espírito Santo sediaram dioceses e paróquias da ICAB que expandiram e tornaram conhecida essa Igreja Verde Amarela que tinha como meta principal substituir o Catolicismo Romano pelo Catolicismo Brasileiro.

A Igreja Católica Apostólica Brasileira chegou a exportar suas intenções a nível internacional. Foi quando em 26 de Junho de 1969 foi instituída A ICAA (Igreja Católica Apostólica Argentina) naquele país, pelo Primaz argentino Dom Leonardo Morizio Domingues sagrado pelo Primaz do Brasil Dom Luigi Mascolo.Sabemos que por volta de 1973 ou 1975, estiveram aqui em nossa cidade,alguns membros da Igreja Brasileira para realizar o casamento do Sr.João Barbanti em suas segundas núpcias com D.Maria Aparecida Costa. João e D.Maria são pais do Thiago, Ana Paula e da pequena Emy.O casamento de João Barbanti talvez tenha sido o primeiro casamento realizado em Itapira pela Igreja Brasileira desde a sua fundação em 1913.Restam hoje da Igreja Brasileira, uma história rica em detalhes, com algumas fotos amareladas pelo tempo, um túmulo frio e esquecido, um hino silencioso (transcrito abaixo) que muito pouco foi  cantado e o grande mérito de seu criador de ter  sido o primeiro a abolir o  que a Igreja Católica Apostólica Romana somente 70 a 80 anos após iria abolir, ou seja: a confissao auricular e a língua latina na celebração dos oficios religiosos. Alhures a ICAB ainda vive com seus preceitos desviados  da  Igreja Católica Apostólica Romana.Seus dirigentes  ainda exercem suas  atividades sacerdotais e religiosas, como tantas outras igrejas, que fundamentadas pelas bases constitucionais, reúnem seu rebanho em busca da salvação e de uma nova doutrina com as cores de sua nacionalidade Verde-Amarela.  

ITAPIRA NA HISTÓRIA

Texto extraído da Revista - A Paulistinha - julho-agosto de 1951 , 

escrito por José Dini Ferreira e fotografias de Aristeu Ferreira Filho.

 

O tempo não apaga

"Ontem, estivemos, por longo espaço parados tristemente juntos ao modesto túmulo do verdadeiro fundador da Igreja Católica Apostólica Brasileira, cônego Manoel Carlos de Amorim Correa.E à feição dos derradeiros tempos, constatamos que em obra, desfeitos em fino pó, por questões adversdas, os seu majestosos sonhos, Itapira não se esquece do cônego rebelde e de sua mais importante página na história.

Amorim o Apóstata

Conquanto, a discutida obra de Amorim, a nova Igreja, se revestisse de um caráter eminentemente nacionalista, o seu fundador, filho de pobres pais, era natural de Mujães, Província do Minho (Portugal) onde nascera em 30.7.1873.Com vários e mais que excelentes serviços à causa do Vaticano, de que era ministro, em outras paróquias, veio ter à Itapira (6.9.1909) na qualidade de vigário.E aí o foi encontrar, ainda, em outubro de 1912, uma inesperada carta do próprio punho do bispo D. Neri, comunicando-lhe que a 1º de janeiro do ano imediato, estaria finda a sua jurisdição na freguezia. Melindrado com aquilo e ferido nos seus brios, Amorim, não se conformando com a sua destituição, nem tão pouco com a suspensão do uso das Ordens, que  se seguiu, já que a seu ver: "um sacerdote suspenso de suas ordens é uma criatura imprestável", depois de uma indevida celebração, a seu jeito, do santo ofício, em sua residência, na chácara Paraíso (Itapira), fundou em 30 de janeiro de 1913 num ato de revolta e apostasia, a primeira Igreja Brasileira de que se tem notícia.A nova religião, como um já cópia a carbono é tão inexata como podem ser todas as cópias apressadas, aceitou a mor parte dos ensinamentos romanos.Negava, todavia, o Primado do Romano Pontífice, a Hierarquia dos Bispos, a  Necessidade da Confissão Auricular, a Razão de Ser do Celibato Eclesiástico, a Instituição Divina do Matrimônio, abolindo também, expressivamente, o uso do latim em todas as cerimônias do culto".

Sempre a Lenda em Tudo!

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- HINO À IGREJA BRASILEIRA -

- "Música "La Marselhaise" -

(letra de Francelina Carvalho Salgado)

 

Foi em teu solo Itapira

(Bis)   Que este grito se fez ouvir;

E por amor desta liberdade,

Amorim deixou de existir

Tu morrestes oh fundador!

Mas tua idéia não morrerá;

Embora muito guerreada,

Ela sempre triunfará,

 

Mas depois de tantas lutas,

(Bis)   À sombra desta bandeira,

Cantaremos vitoriosos

Viva! Viva!! a Igreja Brasileira

 

Salve data gloriosa

(Bis)   Feliz a todo brasileiro

Tu nunca serás esquecida

Salve oh trinta de Janeiro!

 

Após a auri-verde bandeira

Desfraldada ao lado da cruz

Caminharemos triunfantes

E louvaremos a Jesus

 

Mas depois de tantas lutas,

A sombra desta bandeira,

Cantaremos vitoriosos

Viva! Viva! a Igreja Brasileira.

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Sérgio de Freitas 26/03/1997

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