O PADRE AMORIM
e a Igreja Brasileira

Padre Manoel Carlos de Amorim Correa
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História de Bananal e o Padre Amorim
Deparamos com o seguinte texto abaixo ao pesquisarmos a "Pequena História do Bananal", às págs. 293 e 294 do autor Agostinho Vicente de Freitas Ramos. Essa obra foi editada pela Secretaria da Cultura, Ciência e Tecnologia - Coleção Histórica - Conselho Estadual de Artes e Ciências Humanas, SP em 1978.
Achamos por bem retroceder as origens históricas e eclesiásticas do padre Amorim antes da sua vinda para Itapira.
Podemos
observar que desde aquela época (1906) quando assumiu suas funções
eclesiásticas na cidade do Bananal, o padre Amorim já possuia uma verve
polêmica, dificultando a compatibilização do sacerdócio com a sua
personalidade intolerante e vingativa e prepotente.
(Pela cópia)
1906 – Setembro, 27 – “A Palavra” – Redador chefe – Padre Manoel Carlos de Amorim Correia (português); gerente Teseu Tressoldi; editor – Benedito Vitorino da Costa. Esta folha é consagrada à religião católica e aos interesses do município de Bananal. “Verbum dei non est aligatum”.
NOTA – Padre Amorim Correia era ditador, violento e arbitrário. Além de pároco, tornou-se logo Provedor da Santa Casa.
Na direção de seu jornal excedia-se até que um dia Izaltino de Mello, diretor do Grupo Escolar, situado quase junto a Matriz, reclamou pela “Voz do Povo”, jornal dirigido, criteriosamente, por Isaac dos Santos Coelho, contra aquele bimbalhar constante de sinos. Foi o bastante – Amorim, ao ler a reclamação, chamou o Benedito e mais auxiliares, mandando que fizessem soar estridentemente todos os sinos da Matriz, durante mais de uma hora. Izaltino de Mello no número seguinte de “A Voz do Povo” escreveu o célebre artigo intitulado “Selvageria” que permanece na memória dos bananalenses...“nossa cordata e ordeira população, habituada...” Então, teve início a luta.
Padre Amorim faz do púlpito sua tribuna de ataque e de censura. Eis que falece José Monteiro (português) na Rua Comendador Manoel de Aguiar, onde, possuía uma sapataria.Irmão remido da Santa Casa, tinha direito de, aí ser sepultado. Padre Amorim se opôs tenazmente, sob a alegação de que Monteiro não tinha direito. Vários elementos muniram-se de malhos para arrombar o portão da Santa Casa que dá para o cemitério. Criou-se um ambiente sombrio. O enterro fez-se, mas o povo queria a saída do padre. E os grupos se formavam pelas esquinas.Era mais de oito horas da noite. Otávio Ramos, chefe indiscutível, percebendo a tragédia e, embora inimigo do padre, foi a igreja e disse-lhe: “dai-me vosso braço, sigamos; vossa vida corre perigo”. E, da Matriz ao sobrado onde funciona o grupo escolar Amorim Correia, entre alas de inimigos. No dia seguinte, o comboio parou frente a chácara do Coronel Pedroca, para recolher o padre Amorim que se dirigiu para Araras e depois Itapira, onde fundou a célebre Igreja Brasileira que tanto mal fez à religião católica, não só pelo mau exemplo da apostasia como e, principalmente, pela falsa doutrinação.
- Este narrador, assistiu a todo esse episódio.
- Padre Amorim, depois de captar vários sacerdotes para sua igreja, em Itapira, aí morreu.
em 1913 pelo padre Manoel Carlos de Amorim Correa.
Vemos da esquerda para a direita:
1 – Belisária; 2 – Cantídia (amante do padre Amorim); 3 – Teresa Bequi Baiocchi; 4 – Joaquim Lambaes; 5 – Mariquinha; 6 – Pe.Arnaldo; 7 – Pe. Francisco Arditi; 8 – Frederico Arditi (filho de Francisco; 9 – Arlindo de Freitas, (filho de Antonio de Freitas, bigodudo); 10 – Mariquinha Salgado; 12 – Ângelo Rossetti; 13 – Vanda Arditi; 14 – Maria Freitas, (Quita casada com José Viola), irmã de Arlindo de Freias (15 – Liliosa (também irmã Arlindo de Freitas, (casada com Francisco Trevelin); 16 – Francisca Lambaes, irmã de Joaquim Lambaes; 17 – Francisca Marques (minha bisavó paterna, (a última à direita com saia preta comprida e faixa em “M” no pescoço); 18 -Cristina de Freitas casada com Alberto de Freitas de Jesus; 19 – Catarina de Mendonça, mulher de Antonio de Freitas , bigodudo; 20 – Alberto de Freitas de Jesus, casado com Cristina de Freitas, sua prima); 21 – Antonio de Freitas, bigodudo).

Nesta casa na Chácara Paraíso, morava o padre Amorim Correa e ali convivia maritalmente
com Cantídia Menezes dos Santos, mulher dita de "má reputação".

Cantídia Menezes dos Santos
(suposta amante do Pe.Amorim)
Conforme havíamos comentado em matéria anterior, abordaremos hoje alguns aspectos, creio, ainda desconhecidos a respeito da polêmica Igreja Brasileira fundada em nossa cidade.Para isso faremos um retrospecto lembrando que a "Igreja da Mãosinha" teve iniciada a sua construção mais ou menos entre 1907 e 1909 quando então eram realizados os leilões e listas de donativos pró-construção da igreja. Nessa mesma época em 26 de Setembro de 1909, (Conf.dados fornecidos ao Jacomo Mandatto pelo Padre Henrique de Morais Mattos), foi designado para exercer atividades sacerdotais em nossa cidade o Pe.Manuel Carlos de Amorim Correa, tendo sido o décimo oitavo vigário de Itapira.O padre Amorim foi batisado em 01 de Agosto de 1873, na igreja paroquial de Santa Maria de Mujães, Conselho de Viana do Castelo, Província do Minho, Diocese de Braga, Portugal, pelo presbítero João da Costa Torres. Nasceu portanto em 30 de Julho de 1873. No Brasil recebeu formação eclesiástica. Em 31 de Julho de 1897, recebeu a primeira tonsura, ordens menores em 22 de Junho de 1902, e o subdiaconato e diaconato a 1 e 2 de Fevereiro de 1903 das mãos de D.Nery, bispo de Pouso Alegre. Após passar por São Paulo, Bananal, Jundiaí, Araras chegou em Itapira a 25 de Setembro de 1910 para substituir o Rvmo.Padre Bento Luis Leme, transferido por D.Nery para Limeira.
Dom João Batista Correia Nery,
bispo de Campinas, que excomungou
o fundador da Igreja Brasileira
O
Padre Amorim permaneceu na direção da Igreja da
Mãosinha até o seu falecimento em 30 de Agosto de 1913.Dotado de grande
carisma, conseguiu no pouco tempo de sua vida sacerdotal reunir logo seu rebanho
passando a ser estimado por todos.Porém em 1912 estourou o escândalo.O boato
fervilhante de que estava o padre Amorim convivendo
maritalmente com uma mulher "de má reputacao" em sua chácara
provocou um cisma regional e
após ter sido advertido pelo bispo D.Nery, o Padre Amorim revidou destilando
todo o seu veneno contra o bispo.Após
muita polêmica e xingamentos eclesiásticos D.Nery através de uma carta de seu
próprio punho datada de Outubro de 1912 comunica ao padre Amorim a cessação
de sua jurisdição em Itapira e que deveria entregar a direção da Paroquia ao
sacerdote que fosse nomeado.Em 31 de Dezembro desse mesmo ano é nomeado o
conego Oscar Sampaio para substituir o cônego Amorim.O substituto toma posse da Igreja
Matriz de N.S. da Penha, conforme decisão da Diocese de Campinas.No entanto o
novo sacerdote caiu na antipatia do povo pelas suas infelizes e agressivas
pregações. O Jornal "O Comercio de Itapira", comprou a briga
a favor do povo e do cônego Amorim passando a defendê-lo.Verdadeiros duelos
clericais foram travados entre acusados e acusadores através da mídia escrita
da época.Após muita roupa suja lavada em público o cônego Manuel Carlos de
Amorim Correa funda, aos 30 de Janeiro de 1913 a ICAB (Igreja Católica Apostólica
Brasileira.No dia da fundação foi lavrada uma ata em cujo texto além de negar
o Primado Pontífice Romano, a hierarquia dos bispos, a confissão auricular, o
celibato eclesiástico, negou também os fundamentos de ter o Papa romano
autoridade para conceder indulgências, títulos nobiliárquicos, a
infalibilidade do Sumo Pontífice e o uso da língua latina em
todas as cerimônias da igreja. Itapira, estranhamente possuia agora uma
dicotomia episcopal onde dois templos católicos disputavam entre si o
rebanho, de fiéis que dividia a sua fé entre a Igreja Católica Apostólica
Romana e a recém fundada Igreja Católica Apostólica Brasileira.Tal situação
incomodava o
clero e a polícia local ja que os ânimos se acirravam principalmente
quando as procissões de uma e outra igreja se encontravam.Uma, a Igreja de
fato; a outra não reconhecida oficialmente funcionava na clandestinidade da lei
e era frequentemente assolada por instigações politícas, eclesiásticas e
militares.Nao eram

Cônego Moisés Nora, de Mogi Mirim, que polemizou violentamente com o Pe.Amorim Correia
Quem mais se envolveu nas polêmicas contra o padre Amorim foi o Cônego Moises Nora da paróquia de Mogi Mirim, no entanto, o Patriarca Amorim continuou ordenando bispos e divulgando os seus preceitos.Nao duraria muito a existência da Igreja Brasileira, porque apenas sete meses após, falecia o Cônego Amorim, precisamente às duas horas da madrugada do dia 30 de Agosto de 1913, vitimado por uma doença dita"misteriosa", pelos seus amigos.

Dom Carlos Duarte Costa
ex-Bispo de Maura, 1º Bispo da ICAR do Rio de Janeiro, nascido
em 21 de julho de 1888, ordenado Presbítero da ICAR em 1º de abril de 1911.
capa da Revista "A Patena" nº.5. Faleceu aos 26 de março de 1961 sendo homenageado
pela ICAB em 6 de julho de 1970 pelo Concílio Nacional da ICAB, sendo-lhe concedido o título de São Carlos do Brasil.
Comentários do Ex-Bispo de Maura sobre o Pe. Amorim e a ICAB
(Diz-se que foi assassinado por um famacêutico que recebeu benesses de interessados em sua morte). Assim se expressa conforme cita ainda a matéria de Jácomo Mandatto na revista Cigarra, a publicação no Diário de São Paulo de 19 de agosto de 1945 no manifesto que fez à nação Dom Carlos Duarte Costa, ex- Bispo de Maura, 1º Bispo do Rio de Janeiro da Igreja Católica Apostólica Brasileira, no qual relembra o fundador da Igreja Brasileira "AMORIM - o cônego Manoel Carlos de Amorim Correa, foi o fundador da Igreja Brasileira em Itapira, Estado de São Paulo em 30 de janeiro de 1913.Vitimado por uma gripe, foi envenenado, pelo farmacêutico, comprado por 10 contos de réis e educação gratuíta de duas filhas.Cheio de remorso, na hora de sua morte, fêz esta vevelação". Era em homenagem ao Cônego Amorim que Dom Duarte fazia reviver sua obra, "dando o nome de Igreja Católica Apostólica Brasileira, à Igreja por ele fundada, que não foi adiante por não ser ele "bispo".
A opinião pública após a morte do Padre Amorim ficou dividida, porém uma boa parte da população itapirense seguiu seus preceitos pelo menos enquanto durou os ensinamentos da nova Igreja. As famílias que mais participaram das atividades religiosas da Igreja do padre Amorim eram famílias que residiam na periferia da antiga Igreja da Mãosinha.

Foto do enterro do Padre Amorim
As fotos da época, os relatos
de
"Resumo dos Estatutos da Egreja Catholica Apostólica Brasileira"

Manifesto Pastoral de 16.2.1913
"A Egreja Catholica Apostolica Brasileira, fundada pelo Rvmo.Snr. Cônego Manuel Carlos de Amorim Correa e como vê-se do Manifesto Pastoral de 16 de Fevereiro de 1913, tem sua sede em Itapira, Estado de S.Paulo. É administrada por um Conselho de 12 membros, renovando-se anualmente seu...É representada em Juiz e fora dele pelo Presidente do Conselho e responde com seus bens compromissos que forem contraídos em nome della.Os membros deste Conselho não respondem nem mesmo subsidiariamente pelas obrigações em nome da mesma Associação,
Itapira 9 de Fevereiro de 1914.
as.Francisco Arditi, Presidente - Manoel de Freitas,Thesoureiro - Pedro Gomes de Oliveira, Secretario.
Reconheço verdadeira a lettra e
firma dos supra assinados - Itapira 9 de Fevereiro
de
- Itapira,5 de Fevereiro de 1914.

Edição número 1 do jornal "A Egreja Brasileira" publicado em 1º de novembro de 1914
Em
testemunho,signal público da verdade.O tabelião Jose Xavier
Nunes."D.Francisco Frederico Arditi, exerceu suas funções eclesiásticas
a frente da Igreja Brasileira até 1925, quando faleceu vitimado por uma
pneumonia. Está enterrado no Cemiterio Municipal de Itapira, na quadra 17, entre
as placas de número 7401 e 7400. Sobreposto sobre sua cova estão os restos
mortais de um outro corpo posteriormente alí enterrado. Sucedeu a D.Francisco
Frederico Arditi, D. Geraldo Maria de Morais, cuja referência encontramos num
requerimento datado de 01 de
"Ilmo.Snr.Oficial
de Registro de Títulos e Documentos da Comarca de Itapira - D.Geraldo Maria de Morais, infra assinado,
terceiro Patriarca da Igreja Católica Apostólica Brasileira, com
sede nesta cidade, usando da faculdade que lhe concede o
artigo 132, do Dec.Federal número
"Outros dados de extrema
importância histórica sobre a Igreja Brasileira
encontramos na revista "A Cigarra Magazine", editada no Rio de
Janeiro no mês de Abril de 1956 às páginas de nº 16 a 19 e 157. Ali deparamos com um texto e fotos publicadas por
Jácomo Mandatto, revelando que naquela época após a fundação da Igreja
Brasileira o padre Amorim rezou a primeira missa em sua residência na chácara
do Paraíso, sita no bairro Bela Vista.Outras missas foram rezadas nas casas dos
primeiros adeptos em cujo espaço permitisse a reunião dos novos crentes. Odete
Coppos em seu jornalzinho "Só
Mulher", diz que a primeira missa
celebrada pelo Primeiro Patriarca da Igreja Brasileira foi rezada numa
grande sala da casa de uma família, simpatizante ao novo movimento religioso, sita a
Rua dos Pescadores, atual Rua Francisco Glicério.Muitas missas foram celebradas
em outras casas particulares até que fosse escolhida a "Igreja da
Maosinha" como templo definitivo para abrigar a Igreja recém fundada.Em
uma das fotos publicadas por Jácomo Mandatto na revista "A Cigarra",
já citada acima, vê-se uma casa em cujo texto lê-se: "Nesta casa, hoje
armazém, rezou a segunda missa o padre Amorim, depois da fundação da sua
Igreja.Essa casa situava-se à Rua General
Osório."Hoje, mora nessa
residência a D.Sebastiana Marcelina dos Santos, viúva do Sr.Altino Sartori,
pai do padre José Eduardo Sartori
Passeando ainda pelo jornalzinho
"A Mulher" de Odete Coppos (Agosto de 1981), oferecido gentilmente por
ela ao meu pai Manuel de Freitas Filho
(Néco de Freitas), encontrei as citações sobre o registro
de imóveis feito no Cartório de Registro do senhor Katsumi Inoue pela Igreja Brasileira
através de seu representante maior e Presidente
Dom Francisco Frederico Arditi.
Assinam com o Presidente da Igreja Brasileira conf. já refere a citação
acima, nada mais nada menos como membro da diretoria e tesoureiro o meu avô
Manoel de Freitas e como secretário o
sr.Pedro Gomes de Oliveira, pai do Sr.Alcides de Oliveira, ex prefeito de
Itapira nos anos de 1965/69. Sómente agora após tanto tempo e a partir de uma
revisão de documentos e fotos familiares antigas é que pude descobrir essa
ligação entre a
família Freitas e a controvertida
Igreja do padre
Amorim. Em uma foto datada
de 1927 e ofertada ao meu avô pelo padre Geraldo,(seria o padre dissidente
Geraldo Albano de Freitas citado no final desta materia?), vê-se três
sacerdotes da Igreja Brasileira,
supondo-se ser um deles o próprio Padre Geraldo, um outro
padre desconhecido e um que provavelmente seria um Bispo, diferenciado
dos demais pelas vestimentas e pela mitra branca em sua cabeça. (Veja foto
anexa).

Foto de 08-04-1927 ofertada ao meu avô Manoel de Freitas pelo padre Geraldo
Outra interessante notícia,
encontro no "Itapira Jornal", de 09 de Outubro de 1938, no seu número
110, cujo edital reproduzimos
parcialmente abaixo:
"Edital, intimação com o praso
de seis meses.O Doutor
Dado e passado nesta cidade
Eu Noé d'Oliveira Rocha. Escrivão o escrevi. a) Aureo de Cerqueira Leite. Juiz de Direito.
"Passados 8 anos do Edital
acima transcrito, isto é em 1946 o jornal "Cidade de Itapira",
noticia em sua edição de 29 de Setembro daquele ano a reabertura do templo da
"Mãosinha" com a seguinte matéria: Mais um templo que se
abre."Consoante aviso
estampado na edição pretérita desta folha estará deste domingo em diante
franqueado a visitação pública
mais um templo católico oriundo da
extinta Igreja
Brasileira e restaurado para
o culto a Santo Antonio, devendo haver hoje alí a tarde a
cerimônia de benzimento.Sem dúvida o acontecimento representa mais um
triunfo da vida
local, abrindo as portas de mais um santuário..."Essa notícia
confirma o que se lê no livro 3-K, de transcrição das transmissões, dele as
folhas 86, sob número 5.282, feita em 02 de Outubro de 1946, referente a
escritura pública de venda e compra, de 11 de
Abril de 1946, lavrada nesta cidade de Itapira por Herbert Rocha, do
segundo tabelião sucessor, figurando como adquirentes a FÁBRICA DA IGREJA
MATRIZ DE ITAPIRA, representada por
seu fabriqueiro Padre Henrique de Morais Mattos e
como transmitente a Prefeitura Municipal de Itapira, representada pelo
Prefeito Municipal de Itapira, sr.Antonio Serra, devidamente autorizado pelo ato
número 17 do Exmo. Sr. Interventor Federal do Estado, e tendo como objeto:-
"Um prédio antes denominado Igreja Brasileira, situado a Rua Manoel
Pereira, esquina da Rua Ribeiro de Barros, desta cidade, construída de tijolos
e coberta de telhas, parte assoalhada..., prédio este destinado a Igreja que terá
o Orago "Santo Antonio", havido pela transmitente por força da
transcrição anterior número 4.857, folhas 171 do Livro 3-J. Essa
transcrição anterior foi passada nesta cidade em 09 de Abril de 1946, por
Herbert Rocha, escrivão sucessor do segundo ofício, figurando como adquirente
PREFEITURA MUNICIPAL DE ITAPIRA, representada pelo seu Prefeito Major João
Manoel Pereira de Oliveira, e como transmitente Igreja Católica Apostólica
Brasileira, e tendo como objeto:- "Um terreno, contendo 20,00 metros de
frente para a Rua número 01, hoje denominada Manoel Pereira, 39,00 metros de
frente para a Rua do Amparo, hoje denominada Rua da Penha...". Como vimos é
contrastante o efêmero período de atividade da Igreja Brasileira (apenas sete
meses do ano de 1913 e os 33 anos de inatividade que foi até Setembro de 1946).
Entretanto nos sete meses que durou a Igreja, arregimentou muitos dissidentes da Igreja
Católica Apostólica Romana por todo o Brasil e que engrossaram fileiras
o que culminando com a criação em 06
de Julho de
1945 (em memória do Cônego Amorim), pelo ex.Bispo de Maura, Dom Carlos Duarte
da Costa, da Igreja Brasileira no Rio de Janeiro.
D.Carlos Duarte da Costa, foi primeiro Bispo do Rio de Janeiro da Igreja
Católica Apostólica Brasileira.Nascido a 21 de Julho de 1888, foi
ordenado Presbítero pela ICAR ( Igreja Católica Apostólica Romana), em 01 de
Abril de 1911. Celebrou sua primeira missa em Uberaba a 04 de Abril de 1911.Foi
sagrado Bispo pela ICAR, (onde
ocupou diversos e importantes cargos), a
08 de Desembro
de 1924, na Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro, pelo Cardeal
Sebastiao Leme da Silveira Cintra. A 06 de Junho de 1945 institui a Igreja Católica
Apostólica Brasileira e deu Sucessão Apostólica a todos os atuais
Exmos.Revmos.Bispos da ICAB e seus sucessores.Faleceu a 06 de Junho de 1970, foi
homenageado postumamente pelo Concílio Nacional
da Igreja Católica Apostólica Brasileira, sendo-lhe concedido o título de São
Carlos do Brasil.Nessa época, quando do falecimento do ex-bispo de Maura o
primaz da ICAB era Dom Luigi Mascolo.Dom Luigi em 1968, afastou das ordens
sacerdotais da ICAB o Bispo Dom Geraldo Albano de
Freitas, Bispo auxiliar de Sao Paulo. Segundo Dom Geraldo o seu
afastamento se deu por não
concordar com certas iregularidades de fundo admnistrativo que vinha presenciando no
interior da Igreja.Outros
A Igreja Católica Apostólica
Brasileira chegou a exportar suas intenções a nível internacional. Foi quando
em 26 de Junho de 1969 foi instituída A ICAA (Igreja Católica Apostólica Argentina) naquele país, pelo Primaz argentino Dom Leonardo
Morizio Domingues sagrado pelo Primaz do Brasil Dom Luigi Mascolo.Sabemos que
por volta de 1973 ou 1975, estiveram aqui em nossa cidade,alguns membros da
Igreja Brasileira para realizar o casamento do Sr.João Barbanti em suas segundas
núpcias com D.Maria Aparecida Costa.
João e D.Maria
são pais do Thiago, Ana Paula e da pequena Emy.O casamento de João
Barbanti talvez tenha sido o primeiro casamento realizado em Itapira pela Igreja
Brasileira desde a sua fundação em 1913.Restam hoje da Igreja Brasileira, uma
história rica em detalhes, com algumas fotos amareladas pelo tempo, um túmulo
frio e esquecido, um hino silencioso (transcrito abaixo) que muito pouco foi
cantado e o grande mérito de seu criador de ter
sido o primeiro a abolir o
que a Igreja Católica Apostólica Romana somente 70 a 80 anos após iria
abolir, ou seja: a confissao auricular e a língua latina na celebração dos
oficios religiosos. Alhures a ICAB ainda vive com seus preceitos desviados
da Igreja Católica Apostólica
Romana.Seus dirigentes ainda
exercem suas atividades sacerdotais
e religiosas, como tantas outras igrejas, que fundamentadas pelas bases
constitucionais, reúnem seu rebanho em busca da salvação e de uma nova
doutrina com as cores de sua nacionalidade Verde-Amarela.
ITAPIRA NA HISTÓRIA
Texto extraído da Revista - A Paulistinha - julho-agosto de 1951 ,
escrito por José Dini Ferreira e fotografias de Aristeu Ferreira Filho.
O tempo não apaga
"Ontem, estivemos, por longo espaço parados tristemente juntos ao modesto túmulo do verdadeiro fundador da Igreja Católica Apostólica Brasileira, cônego Manoel Carlos de Amorim Correa.E à feição dos derradeiros tempos, constatamos que em obra, desfeitos em fino pó, por questões adversdas, os seu majestosos sonhos, Itapira não se esquece do cônego rebelde e de sua mais importante página na história.

Amorim o Apóstata
Conquanto, a discutida obra de Amorim, a nova Igreja, se revestisse de um caráter eminentemente nacionalista, o seu fundador, filho de pobres pais, era natural de Mujães, Província do Minho (Portugal) onde nascera em 30.7.1873.Com vários e mais que excelentes serviços à causa do Vaticano, de que era ministro, em outras paróquias, veio ter à Itapira (6.9.1909) na qualidade de vigário.E aí o foi encontrar, ainda, em outubro de 1912, uma inesperada carta do próprio punho do bispo D. Neri, comunicando-lhe que a 1º de janeiro do ano imediato, estaria finda a sua jurisdição na freguezia. Melindrado com aquilo e ferido nos seus brios, Amorim, não se conformando com a sua destituição, nem tão pouco com a suspensão do uso das Ordens, que se seguiu, já que a seu ver: "um sacerdote suspenso de suas ordens é uma criatura imprestável", depois de uma indevida celebração, a seu jeito, do santo ofício, em sua residência, na chácara Paraíso (Itapira), fundou em 30 de janeiro de 1913 num ato de revolta e apostasia, a primeira Igreja Brasileira de que se tem notícia.A nova religião, como um já cópia a carbono é tão inexata como podem ser todas as cópias apressadas, aceitou a mor parte dos ensinamentos romanos.Negava, todavia, o Primado do Romano Pontífice, a Hierarquia dos Bispos, a Necessidade da Confissão Auricular, a Razão de Ser do Celibato Eclesiástico, a Instituição Divina do Matrimônio, abolindo também, expressivamente, o uso do latim em todas as cerimônias do culto".
Sempre a Lenda em Tudo!
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- HINO À
IGREJA BRASILEIRA -
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"Música "La Marselhaise" -
(letra de Francelina Carvalho Salgado)
Foi em teu solo Itapira
(Bis)
Que este grito se fez ouvir;
E por amor desta liberdade,
Amorim deixou de existir
Tu morrestes oh fundador!
Mas tua idéia não
morrerá;
Embora muito guerreada,
Ela sempre triunfará,
Mas depois de tantas lutas,
(Bis)
À sombra desta bandeira,
Cantaremos vitoriosos
Viva! Viva!! a Igreja Brasileira
Salve data gloriosa
(Bis)
Feliz a todo brasileiro
Tu nunca serás esquecida
Salve oh trinta de Janeiro!
Após a auri-verde bandeira
Desfraldada ao lado da cruz
Caminharemos triunfantes
E louvaremos a Jesus
Mas depois de tantas lutas,
A sombra desta bandeira,
Cantaremos vitoriosos
Viva! Viva! a Igreja Brasileira.
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Sérgio de Freitas 26/03/1997
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