Eleutério - Origens
Parte 1
Pesquisando sobre as origens do Distrito de Eleuterio, pude observar que muito pouco se descobriu até agora. Jacomo Mandato em seu "Dicionário das Ruas de Itapira", publicado em Suplemento Especial na Folha de Itapira em 07 de Abril de 1972, encontrou algumas referências através de um ofício enviado pela Câmara Municipal ao Senador Jose Joaquim Fernandes Torres em Fevereiro de 1859 presiden-
(sic),por onde passa uma estrada que vem da Província de Minas Gerais, em a qual ha um excessivo transito de tropas soltas que da feira de Sorocaba vão para aquela Província.Encontrou ainda Jacomo Mandatto, outras referencias mais recentes sobre a denominação de "Eleuterio",nos apontamentos de Manuel Eufrásio de Azevedo Marques.Este autor no vol.I de seu,"Apontamentos Históricos,Geográficos, Biográficos, Estatísticos e Noticiosos da Província de São Paulo" descreve as divisas de Mogi Mirim e faz referencia sobre o Rio Eleuterio e suas divisas entre as terras de Minas (Jacutinga e Pouso Alegre) com as terras paulistas. Encontrou ainda Jacomo uma escritura com data de 16 de Junho de 1864,sobre a venda de um sitio localizado "no lugar denominado Eleuterio"... feita por Francisco da Rocha Campos ao tenente João Batista de Araujo Cintra.Ha citação ainda de outras escrituras onde o nome "ELEUTERIO", aparece. Jacomo ainda se arrisca a afirmar (e com total razão) que tal denominação se deve ao rio do mesmo nome cujo serpenteado vai divisando ora aqui ora acolá as terras de Minas com as terras de São Paulo.Jacomo ainda afirma, mesmo sem se debruçar sobre a origem etmológica da palavra que " a denominação do bairro provem do RIO ELEUTERIO, pois desde 1859 o nome já é conhecido.
Dando sequencia as pesquisas também encontrei referencias sobre "as terras de Eleuterio ou sitio Eleuterio" em escrituras antigas, descobertas ainda intactas, na Fazenda Matão vendida recentemente e que pertencia aos herdeiros do Sr. André Fracarolli. Em uma delas datada de 03 de Setembro de 1872, ha a citação seguinte:... "bens que possuímos com livre e geral administração bem assim hum terreno de dous alqueires de terreno de planta de milho no "Citio" denominado Eleuterio, que ouvemos por herança de nosso pai e sogro João de Farias e mai e sogra Ana Lopes de Oliveira... ". Tal documento vem demonstrar que em 1872 aquele local já se denominava "sitio Eleuterio" e que era herança dos pais dos declarantes sendo portanto seu nome ainda mais antigo que esta data. Pois bem,apos esse preâmbulo poderemos agora discorrer e esclarecer a origem do nome ELEUTERIO tanto histórica quanto etmologicamente. Para isso teremos que recorrer a Historia do município mineiro de Monte Sião, "a namoradinha de São Paulo".
Por volta de 1790 quando o ciclo do ouro chegava ao seu final e dava lugar ao ciclo da pecuária e da agricultura houve uma grande corrida nessa região em busca de terras para a formação de fazendas.Corria o ano de 1800 e os conflitos entre mineiros e paulistas da divisa tornaram-se frequentes. Esses conflitos se davam as margens de um rio que foi denominado de "RIO ELEUTERIO" e os contendores eram posseiros que provinham de Ouro Fino,Mogi Mirim e Mogi Guaçu. Itapira ainda não havia sido fundada.O "RIO ELEUTERIO", era tambem conhecido,desde sua cabeceira ate a barra do rio Mogi Gaucu por "Loterio, Luterio, Leoterio, Loiterio, Louterio, Lutero, Luteru". Pesquisaram sobejamente sobre essas cognomínias os genealogistas José Guimarães,natural de Ouro Fino,(autor da grandiosa obra genealogica "As três Ilhoas") e Roberto Vasconcelos Martins, de Pinhal.
O rio Eleuterio recebe as denominações de "Eleuterio de Cima" e "Eleuterio de Baixo".O "ELEUTERIO DE CIMA", nasce no município de Monte Sião,no bairro da Mococa e se torna mais caudaloso quando e encorpado pelas águas do Córrego da Firminada, Ribeirão dos Fontes e Ribeirão do Guine. Mais abaixo ,ainda no bairro do Mococa, e acrescido pelas águas do Córrego da Batinga e no bairro dos Almeidas, recebe as aguas do Córrego das Posses, ou Ribeirão Bonito.Continua descendo e já divisando com Jacutinga , até o bairro da Grama Roxa, ainda recebe as águas do volumoso Rio das Pedras. Prossegue em sua descida mais vigoroso ate encontrar os limites de Itapira, e formar o ELEUTERIO DE BAIXO dando origem posteriormente ao próprio nome da Vila de Eleuterio, pertencendo ao nosso município.
O Rio Eleuterio de Baixo portanto era ao mesmo tempo uma via de penetração através de picadas que se abriam ao longo de suas margens e era também uma espécie de marco de separação entre divisas estaduais. Em 1811 surgiram as primeiras moradas ao longo da margem direita do serpenteante Eleuterio Acima e formaram assim o primeiro núcleo histórico ao pé da montanha. Em 1819 concentrou-se mais a população urbana daquele primitivo núcleo e em 1823,a denominação de "Bairro do Eleuterio ", já precedia o nome daquele que seria mais tarde em 1838 o Arraial" de Jaboticabal e posteriormente em 1850 o belo e vizinho município de Monte Sião.O nome Monte Sião deriva do nome bíblico "Mont Sion", pela semelhança do referido morro Pellado com as colinas de Jerusalém.Quem escolheu essa de nominação foram três frades franciscanos, frei Eugenio Maria de Genova, frei Arcanjo e frei Francisco que nessa época vieram pregar as santas missões no povoado.
Antes dessa denominação a parte mais elevada desse recente núcleo que se formou ao pe da montanha já havia recebido o nome de "Morro Pellado". Esse morro faz divisa com Itapira e pode ser visto no horizonte de Eleuterio quando visto da cumieira das elevações do lado oposto ou do alto do morro onde esta erigida a antiga capelinha abandonada de São Benedito. A foto que ilustra este texto pode dar uma idéia da cadeia de montanhas bem ao fundo onde se localiza referido morro. A denominação de ELEUTERIO, se fundamenta portanto nas águas do rio do mesmo nome e no primitivo nome de Monte Sião " Bairro do Luterio ".O nome da Vila de Eleuterio, em Itapira encontra suas razoes" nessas origens tendo sido assim denominado por divisar com o Rio ELEUTERIO DE BAIXO conforme vimos acima.
Vamos encontrar tambem referencias sobre esse dados históricos no "Álbum de Itapira" de 1935 escrito por João Caldeira Netto, onde ao fazer referência sobre a Historia de nosso município faz a seguinte citação:..."Essa sesmaria limitava com a de Manoel de Castro,o primeiro morador civilizado que teve Serra Negra e cujo domicilio era em Poco de Agua Quente,hoje denominado Lindoya."...Continuando sua descrição sobre o documento da referida sesmaria diz:..."O Rio Cesar, alludido no documento, ainda conserva o mesmo nome segundo apuramos.Nasce nas encostas do MORRO PELLADO (O grifo e meu),em Lindoya,formado pela conjuncçao de numerosos ribeirinhos que ali vertem,reunindo-se depois ao ribeirao d'Água Quente e penetrando no actual município de Itapira"...Essa conjunção de numerosos ribeirinhos citada nessa referência faz menção a própria formação do Rio Eleuterio de baixo, objeto de nossos estudos. Por outro lado e como vimos acima tanto os primitivos moradores do Estado de Minas Gerais quanto os de São Paulo estavam em constantes conflitos desde antes de 1700, já que aquelas terras que tiveram suas
divisas demarcadas posteriormente eram ricas em minerios, principalmente o ouro.E assim mesmo terminado o ciclo da mineração continuaram as contendas pelos posseiros mineiros e paulistas no sentido de tomar posse dessas terras devolutas e "de ninguém", antes da demarcação que viria depois.
Vimos portanto que tanto do lado mineiro quanto do lado paulista já existiam bem antes de 1700,moradores primitivos que foram ambos se estabelecendo as margens dos rios e lutando pelo seu quinhão de terras. Apesar dos primeiros colonizadores só terem começado a se organizar por volta de 1751 já haviam portanto núcleos bem formados de moradores e que se instalaram ao longo dos rios. A concessão de Sesmarias só chegou tempos depois a partir de vários pedidos,um deles cuja concessão se deu em 1716 a Manuel Pereira da Silva (Avelar) deu origem a nossa cidade. Um outro pedido fora pouco tempo após pelo então sargento-mor Manoel Gonçalves de Aguiar cujo teor resumido e o seguinte: "Antonio da Silva Caldeira Pimentel do Conselho de Sua Majestade, governador e capitão general da capitania de São Paulo e Minas do Paranapanema do Cuiabá e Goyanases etc.. .faço saber que por petição me enviou a dizer o sargento Manoel Gonçalves de Aguiar...que no caminho do sertão das minas de Guayanases se achavam uns campos e capões devolutos que partem com terras de Manoel de Castro adeante do Rio Cesar e como suplicante... pedindo-lhe fizesse mercê em nome de Sua Majestade mandar carta de sesmaria de duas legoas de terras...". Continua o processo e petição enfocando descritivamente as divisas e as finalidades propostas.Apos a concessão da referida sesmaria com as devidas condições impostas pelas leis da época, ficou então estabelecido que o referido sargento-mor Manoel Gonçalves de Aguiar se tornou senhor de duas legoas de terras em quadra no sertao das minas de Guayases no caminho dellas adeante do rio Cesar, partindo com Manoel de Castro como nella se declara... a) Bento de Castro Carneiro". E importante observar que essa concessão de sesmaria foi dada na praça de Santos aos vinte oito dias do mês de Setembro de 1728 e esta registrada nos livros da secretaria do governo e nos da Fazenda Real da praça de Santos.
Podemos deduzir dai que a Vila de Eleuterio tem uma historia que antecede a da própria fundação da cidade de Itapira,
senão vejamos.Os primitivos moradores já nos primórdios do século XVIII, perfilavam-se em ambas as margens do rio do mesmo nome e já tinham se estabelecido como núcleo dinâmico e ativo, inclusive lutando pela posse de terras. Ajustados os ânimos ambos mineiros e paulistas desenvolveram suas atividades ligadas a agricultura,pecuaria e ao comercio de seus produtos.O nome ELEUTERIO provem como de fato já vimos, do rio que banha ambos os lados e que deu origem, através de seu afluente maior o Rio das Pedras ao município mineiro de Monte Sião. A concessão da sesmaria em 1728 veio regularizar legalmente o que já estava consumado.
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