Vila de Eleutério e sua História

 

Segunda-feira, 23 de Março de 1998

  BANDEIRANTES NAS TERRAS DE ELEUTERIO  EM 1694    

PARTE 1  

Bartolomeu Bueno da Silva ( O Anhanguera).Seu neto Francisco Bueno da Silva, 

mineirou ouro nas terras de Eleutério em 1693 .

Deu início alí a núcleos de moradores de Macucos, de Mogi Mirim (hipótese pesquisada autor).

ITAPIRENSES: HERDEIROS DE QUEM ?  Esta  matéria tem o objetivo principal de estabelecer os parâmetros cronológicos e fronteiriços a respeito dos primitivos habitantes de nossa região  no final do século XVII.

Necessitamos portanto de nos reportar aos estudos realizados pelo governo autônomo de São Paulo no ano de 1765.Tal estudo fundamentou-se no Governo do Morgado de Mateus da referida Capitania. Da mesma forma nos reportaremos ainda a uma época anterior no sentido de entendermos o significado de “Morgado de Mateus”.

                                              MORGADO – Um morgado era constituído por um conjunto de bens inalienáveis indivisíveis e que por morte do seu possuidor, passava ao filho primogênito (que recebia também o título de Morgado, acrescido do nome da Casa ou terras que lhe competiam. Tinham a finalidade de defender a base econômica, jurídica e territorial da nobreza, livrando dessa maneira as terras de retaliação por vendas e doações.

                                               CASA DE MATEUS – A Casa de Mateus, centralizava no sec. XVIII os varões familiares que serviam ao país no campo administrativo, cultural e no militar. Esse sistema de  centralização de poderes chamado Morgado foi instituído por Antonio Alvares Coelho, em 1641.Pinho Leal fixa essa data em 1620, enquanto Pereira da Silva a fixa em 1643.Bivar Ferreira entretanto, melhor documentado (maço 59, nº1do Arq. da Casa de Mateus), dá a instituição após sucessivas alianças familiares o final do sec.XVII.

                                              Não nos aprofundaremos mais nessa questão dos Morgadios em terras portuguesas porque iremos tratar apenas desse governo estabelecido  pela capitania de São Paulo  em meados do século XVIII.

                                               Este trabalho visa dar um embasamento às questões sempre polêmicas e conflitivas de estabelecer o pioneirismo e os fatores intervenientes da colonização das terras quando no inicio de suas descobertas. Para tanto iremos discorrer e analisar as variáveis que motivaram a instituição do Morgado de Mateus em terras brasileiras. Logicamente não iremos aqui polemizar a respeito do sexo dos anjos. Pioneiros mesmo foram os índios e isso não é novidade para nenhum aluno do primário. Ou deveríamos encontrar por aquí antes dos descobrimento, portugueses, espanhóis, franceses, holandeses e italianos?  

Mesmo nossos índios considerados pioneiros, procedem de correntes migratórias

 das Américas Central e do Sul e´provavelmente até de raças chinesas emongólicas.

                                               Até mesmo quanto ao fato dos índios estarem aquí e serem considerados brasileiros existem dúvidas.Vejam que as características fenotípicas ou seja (olhos puxados, lábios carnudos, cabelos lisos, pele quase sem pelos etc.),correspondem mais aos traços fisionômicos dos mexicanos, peruanos e muitos povos da América Central e dos nossos vizinhos sul americanos. Do ponto de vista antropomórfico e antropológico existem provas bastante sérias que nossos índios tiveram origens nas terras mexicanas e peruanas vindos de correntes migratórias dos maias e dos incas. Outros estudos mais profundos admitem com bastante lógica científica que as origens de nossos índios vem de outras civilizações mais antigas ainda chegando mesmo às correntes migratórias chinesas e mongólicas. Isto é assunto para a Antropologia, no entanto abordaremos esses aspectos dos primeiros habitantes indígenas em outra oportunidade. Talvez nem tenhamos nada a ver com o pioneirismo do ponto de vista como o abordamos.  

                       Mas voltemos ao assunto que nos interessa sobre o Morgado de Mateus.       

D. Antonio José Luis Botelho Mourão foi o terceiro titular que recebeu a Casa de Mateus em  Portugal. Era um nobre fidalgo da Casa Real, Cav. da Ordem de Cristo e Tenente Coronel do Regimento de Chaves. Foi dirigente de cidades e províncias portuguesas e condecorado como herói na Guerra dos Sete Anos (1756-63).Era parente do governador geral do Brasil Francisco de Souza e de Martim Affonso de Souza, donatário da Capitania de Santos e São Vicente. Politicamente estava vinculado ao Marquês de Pombal, que o fez nomear governador da Capitania de São Paulo, extinta em 1748 e reabilitada com sua vinda ao Brasil em 1765.Casou-se em 1721 com D. Joana Maria de Souza Mascarenhas e Queirós, natural e Morgada de Moroleiros em Amarante. Desse casamento nasceu D. Luis Antonio de Souza Botelho Mourão. Embora seus pais vivessem em Mateus. D. Luis Antonio nasceu na Freguesia de São Veríssimo de Riba Tâmega, Dist. da Vila de Amarante. Foi nessa propriedade de seus avós maternos é que nasceu o quarto Morgado de Mateus, futuro Governador de São Paulo, a 21 de Fevereiro de 1722.A partir dessa data passou a ser conhecido apenas como Morgado de Mateus. Faleceu em 1798 e só foi reabilitado muito tempo após juntamente com o marquês de Pombal ambos caídos em desgraça. Neste ano a casa de Morgado de Mateus lembra os 200 anos de sua morte.

                                                Porque São Paulo precisou estabelecer um governo baseado nos ditames de um descendente português pertencente a Casa de Mateus? Porque sendo descendente de Martim Affonso de Souza, fundador de São Vicente, tinha em seu poder uma coleção de mapas da época do descobrimento que o ajudaria a recompor os limites da Capitania Vicentina. Mas vamos ao objetivo principal e  reportemos a Historia: São Paulo havia se desestruturado com a perda de sua autonomia em 1748.Com o descoberta do ouro e o crescente ciclo da mineração em terras das Minas Gerais a capital vicentina perdeu a sua importância como propulsora da penetração para o interior, ficando em segundo plano. Perdia-se o contingente populacional e não conseguia participar da economia mineira.Com a abertura do caminho Novo Minas ainda iria eleger o Rio de Janeiro como via de saída para o exterior. Por outro lado a Coroa  interessada em centralizar mais o poder e um dos motivos era a de que era uma medida administrativa que Portugal julgava ser a mais acertada para o combate a ameaça espanhola. E esse papel deveria caber ao Rio de Janeiro, para onde se transferiria a sede do governo em 1763.O Marquês de Pombal servindo-se desses mesmos argumentos restabeleceu a Capitania em 1765 e D. Luis Antonio de Souza Botelho Mourão, Morgado de Mateus, foi o escolhido para restaurá-la.

                                              Foi assim que se criou regimentos militares, orgãos de obediência civis e eclesiásticos e muitos outros centros de poder de onde emanavam as ordens de restauração da Capitania.Visava-se com toda essa centralização do poder, a recuperação econômica e moral de São Paulo. Enquanto a atenção de Lisboa estava toda concentrada em Minas Gerais do Centro-Leste e Oeste com sua crescente produção aurífera, e também nas áreas açucareiras do Nordeste a Metrópole se estruturava. São Paulo estava então tentando sobreviver a um enfraquecimento demográfico, econômico e político, resultante da perda das zonas mineiras. Após uma grave crise entre os planos sugeridos pelo Morgado de Mateus e o enquadramento de decisões traçadas por Lisboa houve uma ruptura que provocou o afastamento de  D. Luis Antonio. O governo foi entregue então ao sucessor Martim Lopes Lobo de Saldanha. A Capitania fora restaurada e deve-se ao Morgado de Mateus com toda o seu tino administrativo quase que a totalidade dessa grandiosa obra. A importância do Morgado de Mateus no governo da Província de São Paulo reveste-se de uma importância histórica sem paralelo na hisória dos governos que viriam a se implantar depois. Dos 91 volumes existentes no Arquivo do Estado de São Paulo 23 volumes são relativos ao governo do Morgado de Mateus. Constitui-se principalmente de material que se referem ao período de 1720 a 1775.    

As setas apontam para a Capitania de São Paulo (ou Vicentina), que ia até as regiões 

de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e divisasdo Paraguai e alto Peru

Aí está um breve relato a respeito do Governo do Morgado de Mateus na Capitania de São Paulo. As causas mais importantes que motivaram esse tipo de governo nos permite agora tecer alguns comentários a respeito dos primeiros núcleos de população que habitaram a região entre Minas Gerais e São Paulo.

Para isso devemos regredir até 1747/8 quando a Capitania de São Paulo estava desestruturada conforme nos referimos acima. Apenas para relembrar, vimos que esse foi o motivo porque se instalou aqui em nosso estado o Morgado de Mateus.

Devemos lembrar também que em matéria veiculada neste mesmo jornal no “Abrindo o Baú” de 14 de Dezembro de 1997,quando discorri sobre as origens da Vila de Eleutério, fiz referências sobre os primitivos habitantes daquela região, especificamente moradores ao longo dos rios Eleutério de Baixo e Eleutério de Cima. Pois bem naquela época deixei antever um pouquinho daquilo que exponho agora ou seja de que os habitantes da região citada chamada anteriormente de “Sapucahy” ali habitavam e mineravam o ouro em datas anteriores mesmo até  a 1748.

                                                                                                                     PROVAS TEXTUAIS

Vamos analisar com vagar e observar o que dizem os envolvidos na administração das linhas fronteiriças entre Minas e São Paulo.

Primeiro que os governadores D. Luis Antonio (Morgado de Mateus) e D. Luis Diogo Lobo da Silva, respectivos governadores de São Paulo e Minas Gerais, tiveram longas disputas, principalmente no que se refere à região sobre a qual ainda havia dúvidas jurisdicionais: a do Rio Sapucaí, onde havia “novos descobertos” de ouro”(DI, 11 – 1709/1857.

Segundo que o Decreto de restabelecimento de São Paulo, em Janeiro de 1765, fixava a Capitania na mesma “JURISDIÇÃO que já antes houve nella”.Quer dizer que aquelas terras já eram da Capitania de São Paulo..

Isto significava que voltaria aos limites que tinha em 1748.Mesmo então, as linhas fronteiriças criavam problemas, principalmente em virtudes dos achados de ouro, muito frequentes na região. D. Luis pedia ao Vice-rei instruções de como proceder frente aos conflitos de fronteiras e este ainda também não as tinha por determinação superior. As contendas se estenderam nesses anos de 1747 até mesmo 1811/15.A Historia de  Monte Sião, escrita em 1987,(por autor que não pude descobrir o nome) refere que em 1790 já terminado o ciclo do ouro ainda “aconteciam conflitos entre mineiros e paulistas, posseiros procedentes de Ouro Fino Mogi Mirim e Mogi-Guacú”.

 Vejam bem, que os conflitos duraram, mesmo, após terminado o ciclo do ouro  e principiaram bem antes de 1748.Já habitavam o local além dos índios os desbravadores, mineradores, colonizadores e agregrados negros. Essas terras foram possuidas posteriormente através de sesmarias concedidas pelo governo do estado e como bem sabemos datam de 1714, 1716, 1728...O inicio da colonização só se processou em 1775 com o mais antigo registro no bairro dos Macucos? E como ficam os descendentes de  FRANCISCO BUENO DA SILVA (citado mais abaixo) que em 1694 já estava em terras do Eleutério de Cima e que por fronteira pertencia a Capitania de São Paulo. Alí era Itapira. Somente deixou de sê-la após novos limites impostos pela Coroa e posteriormente pelo Morgado de Mateus. Da mesma forma que Macucos era um bairro pertencente a Mogi Mirim anteriormente e hoje é Itapira, as terras de Eleutério muito mais remotas ainda pertenciam a capitania de São Paulo. Nessas terras se incluia a nossa Vila de Eleuterio.Com a mudança das linha fronteiriça as citadas terras de Eleuterio (de Cima) ficaram em Minas e a Vila de Eleutério (de Baixo), ficou pertencendo a São Paulo. Baseio-me na história textual fornecidas pelas fontes fidedignas tão fartamente aqui expostas.

Terceiro que em 1747, Bobadela havia solicitado ao Rei providências no sentido de que terminassem os conflitos de fronteiras entre os paulistas e os mineiros. E a provisão de 9 de Maio de 1748 que criava as Capitanias de Goiás e Mato Grosso, suprimindo São Paulo, dava a Bobadela certa liberdade para a demarcação. A autorização do Decreto era para que a referida demarcação devesse passar pelo Rio Sapucaí. Isso permitiu ao emissário Thomas Rubi de Barros Barreto,Ouvidor da Comarca do Rio das Mortes encarregado da dita demarcação, a estabelecesse passando pela serra da Mantiqueira e não pelo referido rio. (Assis Cintra Geogr. Política de SP e MG).

Para o Morgado de Mateus, ”demarcação não se governava pelos rios, nem pelos montes, mas pelos novos Descobertos, ou  pelos Cítios onde se presume que há ouro.Com a extinção os generalistas puseram-se a AVANÇAR pelo território paulista em razão dos achados de ouro em Santana do  Sapucaí, Ouro Fino e Camanducaia. Em Outubro de 1765 a Junta se reuniu no Rio de Janeiro, tendo exarado um Parecer ou Assento. Este estabelecia a fronteira pelo Rio Sapucaí ,formado do Sapucaí Mirim e do Sapucaí-guassu, ficando o vale do primeiro pertencendo a São Paulo e o do segundo a Minas. A demarcação do Rubi partia do alto da Mantiqueira, passava pelo morro do Lopo e daí em direção à estrada que demandava São Paulo; e depois até o Rio Grande. A Junta julgava ser justo estabelecerem a fronteira pelas terras ao poente do Sapucái, que sempre pertenceram a São Paulo. Deviam ser restituídas suas terras à Capitania que era a mais antiga, berço dos primeiros descobridores de minas de ouro e que estava agora tão limitada pelo que se lhe vinha sendo usurpado, que se fazia necessária a divisão pelo Sapucaí. Isso não só porque as terras eram por legitimidade suas mas também porque estavam com MORADORES (o grifo é meu), já estabelecidos alí com muita pobreza e que só poderiam melhorar financeiramente com  a mineração do ouro. Estas só poderiam estar em seu território se a divisão fosse pelo mencionado rio.

 Vemos portanto aí que as palavras: “JURISDIÇÃO,AVANÇAR E MORADORES”, cujo grifo, confere  a condição de habitantes locais numa época anterior a própria fundação da cidade de Itapira. A região do Sapucai por extensão delimitava-se em fronteiras mineiras que avançaram pelo território paulista margeando como já me referi os rios Eleutério de Cima e Eleutério de Baixo.

Portanto habitavam aqui em Eleuterio e Sapucai por concordâncias fronteiriças primitivos moradores, mineradores e colonizadores que vieram em épocas ANTERIORES e também posteriormente, após o fim do ciclo do ouro, e que solicitaram sesmarias, tornando-se proprietários de extensas glebas de terra. Seus descendentes aqui casando-se  permitiram a continuidade das heranças e dos seus respectivos nomes de familia. Genealogicamente há muito que pesquisar no sentido de estabelecermos os ramos familiares oriundos desses primeiros e pioneiros desbravadores.Se de um lado vindos de Jundiaí, Mogi Guacú, e especificamente de Mogí-Mirim do lugar chamado “Macucos” (posteriormente  Itapira); também de outro lado,  isto é da região do Sapucaí e Eleuterio outros primitivos, estes já assentados aqui numa época anterior (antes de 1747), fincaram aquí suas raízes. Muita coisa não está registrada em livros.Existe uma história paralela como sóe existir o paralelismo em todas as atitudes humanas, comportamentos e verdades transviadas dos registros documentais. 

Para entendermos o exposto acima e caracterizarmos a antiguidade dos PRIMITIVOS moradores dessas áreas enunciadas devemos retroagir no tempo e apenas lembrar que as Capitanias paulistas constituíram-se  das porções doadas a Martim Affonso de Souza (São Vicente propriamente dita e sua sequência, não contígua que era Itanhaém), e a Pero Lopes de Souza (Santo Amaro ou Santos e sua sequência não contígua que eram as terras de Santana), abrangendo as 150 léguas de costa desde o Rio Macaé até Laguna.

Muitos incidentes, principalmente a guerra dos Emboabas fizeram com que D. João V transformasse a vasta região mineira e paulista em Capitanias da Coroa. Era preciso efetuar a compra  das donatárias.As sucessões hereditárias de Pero e Martim Lopes de Souza fizeram chegar em 1709 a propriedade daquelas terras ao Marquês de Cascais e a Condessa de Vimieiro. Em Abril de 1709 decidiu-se a compra das Capitanias de Santos e São Vicente. A compra foi efetivada em 1712 (DI 47, p.82-3).Estes arquivos não estão mais disponíveis para pesquisa. No auto da Posse da Capitania de São Paulo de 25 de Fevereiro de 1714, figuram as condições e preço pago a Cascais pelas ditas terras (DI 8, p.307-8).

Toda essa preocupação da Coroa em regular os territórios separando as suas áreas era para  aumentar o poder de fiscalização, no sentido de evitar fraudes aos cofres reais. Podemos ler textualmente o que diz João Fernando de Almeida Prado em seu “São Vicente e as Capitanias do Sul do Brasil: “A fundação da Vila de São Vicente, em 1532, assinalou o início do povoamento e a exploração da região paulista.Várias foram as tentativas que se fizeram a partir dali em busca do ouro...”.Também Francisco de Assis Carvalho Franco, no seu Dicionário de bandeirantes e sertanista do Brasil, secs.XVI, XVII, XVIII, 1954, p.395, diz:A descoberta OFICIAL do ouro só viria na última década do século XVII, com os achados de Antonio Rodrigues Arzão (1693) e Bartolomeu Bueno de Siqueira (1694).Isso quer dizer que bem antes ainda a 1694 já se havia descoberto ouro, no entanto essa descoberta era extra oficial.Como eram também o núcleos de moradores que habitavam aquela região.Escondia-se o ouro mas, também escondiam-se os mineradores, colonizadores, índios, negros e suas respectivas famílias. A Coroa não deveria saber de nada porque a riqueza ficaria restrita aos habitantes do lugar. Não teriam dessa maneira, escondidos e espalhados  pelo sertão, que pagar o quinto (quinta parte do ouro minerado) a Coroa portuguesa.Quantos núcleos, vilas e primitivos moradores ficaram assim escondidos das malhas da lei da Colônia?

Os paulistas queriam ouro e foram alargando seus horizontes, mesmo porque a posição geográfica facilitante que lhe apontava o interior a ser desbravado, o espírito aventureiro, a ausência de “lavoura de exploração” que o enraizasse, as possibilidades do ouro além do mercado da mão-de-obra índígena tudo contribuiu para que se entenda o relato abaixo:

“A insistência com que os paulistas pesquisavam de há muito a mesma região, sem que o ouro fosse divulgado, levou o governador do Rio de Janeiro Antonio Paes de Sande em 1692 a levantar a hipótese de que os paulistas não tinham interesse em divulgar suas descobertas...”. Repetindo: quantos núcleos, vilas e primitivos moradores ficaram assim escondidos das malhas da lei da Colônia?

A posse paulista nas Minas Gerais entrou em choque com a vinda de forasteiros e as dissensões culminaram com a Guerra dos Emboabas em 1708.Fez-se urgente à Coroa a separação das duas áreas para evitar o descaminho do ouro permitindo dessa maneira melhor policiamento contra as fraudes.

Esses relatos tem uma importância fundamental no sentido de configurar apenas uma coisa: Que antes da vinda dos “primeiros” colonizadores para a nossa região de Itapira (bairro dos Macucos de Mogi-Mirim) por volta de 1775,  os paulistas já haviam desde há muito tempo estado lá! E lá mineraram o ouro, o esconderam do fisco e da coroa, (não pagaram o quinto exigido pela Coroa), utilizaram da mão de obra índia e escrava e além do mais constituíram núcleos familiares tão mais primitivos que os pósteros que lhes seguiram as mesmas pistas quase 70 anos depois. Estavam lá SIM, acobertados pela seus momentos de pioneirismo e rebeldia. Sande ainda continua com seu relato: “Estes homens “adversíssimos” a todo acto  servil”, temiam que as minas redundassem em seu prejuizo: seriam a “ruína de suas pessoas casas e família. As suas descobertas e tudo que tinham realizado em benefício da Fazenda Real, acabaria por ser  “prêmio” dos estranhos sem merecimento” Assim como não quizessem ser “quase escravos dos que os hão de ir dominar” disporiam de todas as indústrias de se não descobrir a preciozidade daquelas minas “. Novamente repetimos: quantos núcleos, vilas e primitivos moradores ficaram assim escondidos das malhas da lei da Colônia?                                                                                                                                                                                                                                              

A suposição de que os paulistas escamoteavam a descoberta do ouro por temer a sua sujeição ao jugo da Metrópole e à rivalidade dos forasteiros, fez com que a Coroa concedesse honras e mercês aos que se empregavam naquele mister. Lógica e estratégicamente a Coroa premiando tais mineradores obteria assim sua fidelidade. Visava a Coroa também organizar uma ação bélica contra os espanhóis daí necessariamente manter coesos e fiéis suas forças bandeirantes e mineradoras. A ocupação dos espaços fronteiriços entre as Capitanias merecia uma atenção especial com estratégia militar e econômica.

Em 1720, deu-se a separação entre São Paulo e Minas. Para esta última área e para as regiões de Goiás e Mato Grosso, também produtoras de ouro e pedras preciosas a Coroa voltou sua atenção.Perdido o quinhão mineiro  desestruturou-se a velha Capitania. Mesmo porque novos fracionamentos foram impingidos a São Paulo: A Coroa fez separar da capitania vicentina Cuiabá e Goiás, também todo o sul foi adjudicado ao Rio de Janeiro e a ilha de Santa Catarina mais o Rio Grande deixaram de ser território paulista. Através da Resolução de Dezembro de 1740 o governo retirou também Laguna da jurisdição de São Paulo. Por fim pelo Alvará de 9 de Maio de 1748, as Capitanias de Goiás e Mato Grosso foram desmembradas da Capitania paulista. Foi a gota d’agua que faltava. Ainda restava ser cassada sua autonomia política, o que viera a acontecer pelo mesmo Alvará. Completamente exaurido de suas forças econômicas, políticas e morais São Paulo mergulhou no abismo que ele próprio criara. Nesse quadro decadente da Capitania paulista para o qual o Morgado de Mateus veio atender, pode D.Luis Antonio encontrar condições de infra-estrutura econômica que possibilitariam a execução de sua obra, apesar de todo entrave que teve que enfrentar         

BANDEIRANTES EM TERRAS DE ELEUTERIO EM 1694 

PARTE 2 

 TEMPOS DEPOIS...Bastante elucidativa a matéria sobre os aspectos primeiros dos nossos moradores veiculadas através deste jornal recentemente. Os critérios de  avaliação histórico-genealógica tomam rumos que reorientam nossas pesquisas a partir do momento que novos fatos são conhecidos. O Morgado de Mateus é um bom reorientador de pesquisas e enriquece os aspectos formais da história quando se detalham os acontecimentos a partir de datas bastante remotas As pesquisas podem ser aprofundadas ainda mais em se tomando como ponto de partida outros fatores mencionados na referida fonte e que não couberam aqui nessa exposição. Os maços documentais históricos, ainda virgens que compõem o acervo dos Arquivos Nacionais infelizmente não se encontram aqui entre nós mas sim na santa terrinha portuguesa.A Historia brasileira vista sob o enfoque português é um pouco diferente.(Historia da Colonização Portuguesa no Brasil de 1921,Tomos I,II e III, Litografia Nacional, Porto).

Chamo a atenção, entretanto que nessa matéria sobre pioneirismo há não apenas um equívoco como também parece haver um desconhecimento dos fatos históricos aqui relatados e que provam através de um passeio textual e fidedigno que os paulistas já haviam estado por aquí em épocas bem mais remotas do que as datas propostas e por sinal bastante corretas contidas nos seus argumentos. Aqueles, os do Bairro dos Macucos talvez pudessem até ser primos também em algum grau destes ora apresentados. Vamos  pesquisar?

Retroagindo dessa maneira nossa cronologia e embasando a tese sobre nossas origens, agora mais remotas, vejo quão pouca ou nenhuma importância possa ter a “provável”, e não afirmada data de 1742 conferida a fundação da capelinha antiga da Vila de Eleutério, Quando se descobre que tal data aquieta-se cronologicamente com diferença bastante significativa em termos históricos às datas anteriores a 1700 somos agraciados então com uma tranquila calma em nossos objetivos e estudos. Os habitantes da divisa Minas-São Paulo já aqui estavam morando e garimpando seu ouro bem antes daquelas datas, e isso é também um fato histórico de relevante importância.

De pouca ou quase nenhuma importância passa a ter data erroneamente argumentada de 1742 tão minuciosamente vasculhada que veio regulamentar as indulgências, naquela capelinha de São Benedito e Santana de Eleutério. Quando podemos contar com, informações e datas mais remotas confirmando a presença de moradores naqueles “Cítios de Eleutério e Sapucaí.podemos ignorar o lapso cometido no erro dessa data de 1742, A verdade histórica anula a bem da verdade o nosso “lamentável” equívoco quando da  tradução latina daquele documento de relativo valor por mim apresentado. Indulgências ao pecador, porque perdoar é divino!

Vemos portanto que há histórias e Histórias; há coisas e loisas. As vezes as  verdadeira História se revela mesmo no avesso das páginas. Isso me fez lembrar que na matéria sobre Eleutério ainda com relação a polêmica data de fundação da capelinha, cometí um equívoco ainda maior que a mal fadada tradução do texto latino. É que na época omiti que antes muito antes da construção da referida capela existia ali um CRUZEIRO, ou seja uma oráculo encimado por uma cruz cuja data e história anteriores a 1837/47 se perdeu na noite dos tempos. Bastante antigo esse nosso Eleutério!!!

O que importa é que já existiam famílias habitando aqui na região de Eleutério e Sapucaí em conjunto com seus agregados índios e negros. Remotíssimos, esses primitivos moradores são descendentes dos pioneiros (1660/1709) bandeirantes que deixando trilhas permitiram aos pósteros (1765/1811) seguí-los com as mesmas intenções e destino. Aquí se encontraram concomitantes e também em datas cronológicas defasadas, no entanto primitivamente espalharam a sua descendência. É extremamente penoso garimpar nos veios genealógicos dos primitivos da região de Eleutério e do Sapucaí já que mais antigos, dificultam as nossas pesquisas e os informes de suas ascendências  carecem de fontes que auxiliem nas buscas. Mas já estou  na perseguição desses objetivos maiores. Remontam a que graus de parentesco estes, daqueles de Macucos?

Diz textualmente  Heloisa Liberalli Belloto, no seu “Autoridade e Conflito no Brasil Colonial: O Governo do Morgado de Mateus em São Paulo”:

                                Mogi-Mirim, assim como Mogí-Guaçú, haviam se formado desde fins do século XVIII.Estavam situados na direção dos caminhos que levavam às regiões da mineração (JÁ EXISTIAM MINERADORES LÁ HÁ MAIS TEMPO!).O grifo é meu. Originaram-se de pousos bandeirantes. Sendo ambas freguesias, ao tempo do Morgado de Mateus (1765), este optou por Mogi-Mirim para a constituição de vila. Isto porque os vereadores de Jundiaí (a cujo território pertenciam anteriormente), haviam argumentado que “a fundação da nova Villa ficava mais própria neste lugar e Freguezia de São Jozé  de  Mogimirim por Ter capacidade e suficiência para se  augmentar em mayor Povoação pelo tempo adiante do que a Freguezia de Mogiguaçú, cuja situação era mais humida e com pouca extracção para se povoar, sendo esta de Mogimirim hum plano secco em que se podião estabelecer cazas e terem mayor duração..."

                                                                  Vemos portanto que as freguesias de Mogi-Mirim e Mogi-Guaçu, que se originaram de “pousos bandeirantes” ficavam a margem do objetivo principal das bandeiras paulistas. Estas duas nossas vizinhas cidades “FICAVAM Á MARGEM DOS CAMINHOS QUE LEVAVAM ÁS REGIÕES DA MINERAÇÃO”. Era lá portanto, isto é nas regiões de mineração, o local onde os velhos bandeirantes vicentinos em épocas anteriores, fundaram seus primeiros núcleos de moradores. Foram fundadas para dar abrigo e condições de prosseguimento aos desbravadores. São detalhes que mudam um pouco a  conceituação de pioneirismo. Basta uma revisão e atualização das coisas históricas e nossa visão dessas questões se redimensiona conferindo-nos uma compreensão com alargamento de horizontes.

                                                                   Quanto aos nomes de famílias desses nossos primitivos moradores das terras de Eleutério, as dificuldades em evoluí-las genealógicamente estão na proporção direta da sua antiguidade. Basta  observarmos  quão trabalhosa é a tarefa de reportarmo-nos ao fim do século XVIII  (1750 em diante) e daí  regredirmos quase 100 anos atrás nos meados do século anterior.

Quiçá a tese do prof. Antonio da Costa Santos do Núcleo de Monitoramento Ambiental (NMA) possa trazer ao nosso conhecimento mais luz e aprimorar nossas pesquisas. O prof. Costa Santos, se baseou na maior especialista em Morgado de Mateus, a historiadora Heloisa Liberalli Belloto, da Universidade de São Paulo e através dessa visão histórica desenvolve sua tese  fundamentada na reconstituição dos trajetos histórico .Refez utilizando-se dos satélites ambientais (Spot e Landsat e  os sistemas geográficos de informação –GIS), o Caminho dos Goiazes, estrada estratégica para o desenvolvimento do interior paulista. Utilizou dessa tecnologia para corrigir e adequar os mapas antigos aos mapas atuais.

Muitos erros e correções puderam ser efetuados. Uma das áreas visadas foi justamente a que diz respeito a Jundiaí e Mogi Mirim. Muitas dúvidas foram dirimidas, cruzando-se as informações constantes nos mapas mais antigos e comparando-as com os trechos varridos pelos satélites. Chegou-se assim ao traçado original do Caminho dos Goiazes que aqui reproduzimos.

PIONEIROS DE 1668 A 1694 

Em 1668, Luis Castanho Taques percorreu as terrras onde habitavam os índios cataguás.Fernão Dias Pais realizou expedições ao interior de Minas que duraram de 1674 a 1681.Daí se originaram os primeiros povoados mineiros. Antonio Rodrigues Arzão descobriu a primeira jazida de ouro em Minas em 1693, em local que permaneceu desconhecido.A bandeira de Manuel de Camargo, Bartolomeu Bueno de Siqueira, seu genro, Miguel de Almeidda, seu cunhado, e Joao Lopes de Camargo, seu sobrinho, descobriu ouro na serra de Itaverava, em 1694.Miguel Garcia,o outro genro de Manuel de Camargo também descobriu ricas jazidas na serra de Itatiaia e em Ouro Preto, Manuel de Borba Gato, no rio das Velhas e em Sabará, FRANCISCO BUENO DA SILVA, no córrego Ouro Bueno e no RIO DAS PEDRAS (As margens desse rio fundou-se o bairro do ELEUTÉRIO, hoje Monte Sião), Carlos Pedroso da Silveira em Sabará, João Lopes de Lima em Ribeirão do Carmo, João Leite da Silva Hortiz em Cercado e Domingos Rodrigues Prado.Nessa época as fronteiras paulistas avançavam sobre as terras que posteriormente com as novas divisões territoriais impostas pela coroa passaram a Minas Gerais.

As terras  hoje conhecidas como Vila de Eleutério chegaram até nossos dias como marco divisório das capitanias paulistas e mineiras, no entanto pertenciam a Minas e foram usurpadas pela capitania vicentina que via nesses Cítios os seus sonhos de riqueza. “Estabelecia D.João V que, por ser muito conveniente a Meu Serviço e bom governo das Capitanias de São Paulo e Minas”, e a sua melhor defesa que a de São Paulo se separe das que pertencem a Minas, ficando dividido todo aquele districto que athé agora esta na Jurisdição de hum só Governador, em dous Governos e dous Governadores”(Alvará de 2 de Dezembro de 1720,- DI 11,p.6-7).Ver também Carta régia de 9 de Novembro de 1709 – DI 47, p.65-7).Nesses conflitos de fronteiras as linhas divisórias separaram os Eleuterios: o Eleutério de Cima do Eleuterio de Baixo; o Bairro do Eleutério (hoje Monte Sião) e a Vila de Eleutério (hoje pertencente a Itapira). Garimpou-se muito ouro alí no Rio das Pedras e por tabela no próprio rio Sapucai, ou rio Eleutério na cidade do mesmo nome vizinha 2 ou 3 quilômetros da referida  Vila .

Se tivermos que pesquisar as genealogias dessa região teremos que partir dos sobrenome Bueno da Silva, Lima, Rodrigues Prado, Rodrigues Bueno... antepassados esses ligados as bandeiras paulistas. Francisco Bueno da Silva o que minerou em Rio das Pedras era neto de Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera.(SL,1,387,503 e 510).São outras histórias:

Muito teríamos ainda que argumentar, no entanto este preâmbulo apenas embasa as questões cronológicas e fronteiriças sem penetrar profundamente nas questões político administrativas, econômico  sociais eclesiásticas e estratégico militares de cujo bojo abre-se ainda maior um leque de relatos históricos que principiaram nos primórdios do descobrimento. Que os maços documentais do Arquivo Nacional possam sobreviver às futuras pesquisas porque deles dependem os historiadores. Infelizmente não mais estão  acessíveis e comprometidos pelo tempo apenas poucos cadastrados na sua intimidade adentram pelos seus labirínticos corredores.

Por outro lado quer tenha vindo Francisco Bueno da Silva pelas trilhas taubateanas (de Parati a Guaratinguetá) conhecidas como caminho velho ou outro qualquer o fato é que em 1694 estava ali ele, às nossas barbas, margeando os rios Eleutério (o de Cima e o de Baixo),fincando seus limites e neles se estabelecendo.A História de Monte Sião reporta-se  apenas ao calendário de 1790, no final do ciclo do ouro e fixa os primeiros e dispersos núcleos residenciais a partir de 1811.Refere ainda que : ” procedentes de Ouro Fino, os mineiros Antonio Pinto Ribeiro, Jerônimo Joaquim da Fonseca, Inácio Pereira Pinto, Manoel Gides, Joaquim Rondom e Joaquim Vieira, em cerca de 1815, se apossaram de terras no Rio Eleutério Acima, (O NOME ELEUTERIO JÁ EXISTIA). Essas eram terras remanescentes “pertenciam” aos primitivos colonizadores e mineradores de que falamos acima, chegados em 1694.O que os novos mineiros de Ouro Fino fizeram foi recriar com novas fronteiras mineiras o que já havia sido criado em velhas fronteiras paulistas.

De quem somos herdeiros? De paulistas pioneiros em novas fronteiras ou dos novos mineiros em velhas fronteiras?

Já existiu uma conversa sobre Itapira passar a ser cidade mineira. Alguém se lembra? Essas questões fronteiriças baseadas em mapas antigos sempre conflitaram os estudiosos do assunto porque os confrontamentos com os mapas atuais sempre acusavam erros técnicos cujas causas estavam nas escalas e nas referências utilizadas pelos cartógrafos antigos da época. Utilizavam eles o meridiano das Canárias como referência e não o de Greenwich (ainda não existente).Isso permitiu que ao longo do tempo muitos pousos, vilas, freguesias e cidades não se perfilassem correspondentemente aos traçados cartográficos refeitos com técnicas mais aperfeiçoadas e informatizadas do tempos de hoje. É o caso da tese recentemente defendida pelo arquiteto Antonio da Costa Santos, já citado nesta matéria, onde utilizou-se dos satélites ambientais e dos Sistemas Geográficos de Informação (GIS) no sentido de buscar o traçado original do Caminho dos Goiazes.

Em matérias posteriores iremos abordando se necessário o conteúdo dos maços documentais que compõem os acervos dos Arquivos Nacionais, e de onde por certo fluirão novas luzes nessa tão escura caminhada de retorno às nossas origens.

                                                                                                                                     SÍNTESE

Apenas dois fatores resumem o nosso raciocínio, válido como prova textual na argumentação do pioneirismo dos bandeirantes em terras de Eleutério e dos primitivos moradores dessa região:

1)  - Fator cronológico  - FRANCISCO BUENO DA SILVA, em 1694 minerou ouro no Rio das Pedras. (terras de Eleutério).As minerações nessas áreas começaram por volta de 1667.

2)    - Fator fronteira  -“ As atuais regiões de MINAS GERAIS, Goiás, Mato Grosso até as divisas do Paraguai e do Alto Peru pertenciam a Capitania de São Paulo, originadas do quinhão donatário de Martim Afonso de Souza e Pero Lopes de Souza”. Em 1720, por questões diversas e já abordadas deu-se a separação entre São Paulo e Minas. São Paulo ficou despojado das Minas Gerais.Com o Morgado de Mateus em 1765, São Paulo reconquistou seus antigos limites (de 1748).Apenas que a nova demarcação estabelecia a fronteira pelo Rio Sapucai, formado pelo Sapucai-mirim (que ficou com São Paulo) e pelo Sapucai-guassú (que ficou com Minas).Nossa Vila de Eleutério em 1694 pertencia portanto a Capitania vicentina (São Paulo).Em 1720 passou a pertencer a Minas até 1748. Restaurados os limites em 1765 retorna a região das terras eleutérias a São Paulo. As atuais fronteiras já modificadas ao longo do tempo deixaram apenas Eleutério paulista de um lado e sua vizinha Sapucai, mineira de outro.Ambas já foram paulistas e mineiras. O berço mineiro foi embalado em terras da capitania vicentina.E alí vicejou todas as terras do Sapucahy e dos Eleutérios de Cima e de Baixo.

 

   Anterior // Índice // Próxima // Início// Índice Geral