FUNDAÇÃO ESPÍRITA AMÉRICO  BAIRRAL

E-mail: bairral@bairral.com.br // Internet: www.bairral.com.br 

(Do livro A História do Sanatório “Américo Bairral”

-Uma contribuição para a História da Psiquiatria-

 

Autor César Bianchi 

 

 

Fachada do Sanatório "Américo Bairral"

 

Família de Américo Bairral

 

(01.11.1884 - 16.10.1931)

Américo Bairral (cujo nome de batismo era Américo Firmino Machado), 

com a esposa Maria Toledo Machado (dona Lica) e os filhos Juquita, Arico e Gotha.

Centro Espírita “Luís Gonzaga”

 

 

No alto, prédio do Centro Espírita "Luis Gonzaga"; em baixo, vista parcial do Asilo que o Centro mantem, na parte inferior da foto

vemos a diretoria da Sociedade. No medalhão ao centro a imagem de Américo Firmino Machado (Américo Bairral)

 

        

 

1 - Outra vista do Centro Espírita "Luis Gonzaga"  2 - Escola dominical vendo-se um grupo de alunas. 

Á esquerda Américo Firmino Machado e à direita César Bianchi

Esta sociedade foi fundada em 17 de setembro de 1914, tendo por fim o estudo teórico e experimental do espiritismo e a propagandas doutrinárias por meio da palavra falada ou escrita, assim como a prática da caridade por todos oe meios morais ou materiais ao alcance do Centro. Objetiva, outrossim, a difusão da instrução e a criação de uma biblioteca principalmente de obras físicas, etc.

Fundado pelo sr. Américo Firmino Machado, teve o Centro a seguinte primeira diretoria: José Xavier Nunes e Lino Elias, presidente e vice-presidente;Manoel Theofilo Nunes e Zanovelo Benjamim, 1º e 2º secretários; Jerônimo José de Morais, tesoureiro; Américo Firmino Machado e José Franco Machado, diretor e vice-diretor; Angelina Elias zeladora; Benedito Machado, fiscal.

É pessoa jurídica, com registro em 15 de julho de 1915, publicado no “Diário Oficial” do Estado em 20 do mesmo mês, à folhas 2890.Tem a seguinte diretoria atual: João Augusto Brandão e Arsênio Fernandes, presidente e vice-presidente; César Bianchi e José Lopes, 1º e 2º secretários; Francisco Dias Martins, tesoureiro; João Augusto Brandão Junior e Benjamim Zanovello, diretor e vice-diretor; Maria Nicolai, secretária da mesa; Angelina Elias, zeladora e João Torrecillas, fiscal.

Com a mesma diretoria do Centro foi fundado, com fins altruísticos, em 17 de setembro de 1924, o Asilo Espírita “Luiz Gonzaga”, que teve a sua primeira comissão constituída pelos srs. Francisco Gonçalves da Cunha.Onofre Batista, Américo F. Machado e João A. Brandão.

Presentemente (1935) fazem parte da comissão de asilo os srs. César Bianchi, Alfredo Bueno Rodrigues, Manoel Rodrigues, Quinto Arigoni, João Martins Santiago e Benjamim Zanovello.

Antecedentes históricos sobre Américo Bairral.  

Retrato pintado à mão de Américo Bairral

Seu nome em vida terrena foi Américo Firmino
Machado. Era filho do casal João Bairral e Dona Joana Maria de Queirós. Nasceu em 1º de novembro de 1884. Levada por preconceitos sociais, sua família substituiu o sobrenome Bairral por Firmino Machado. Homem feito, Américo não se conformava com essa mudança; Quanto seu pai foi assassinado, era criança. Guardava, no entanto, a lembrança de que seu progenitor fora homem austero, de firmeza de caráter e de conduta retilínea. Essas qualidades levaram-no a lembrar-se do seu pai com saudades. Deveria retificar seu nome, aguardava apenas oportunidade.

Passaporte de João Gonçalves dos Santos Bairral, pai de Américo Bairral

Texto do doc.

 

Colaboradora e coordenadora do I Encontro da Família Bairral

gleice.cunha {gleice.cunha@terra.com.br}

 

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"REINO DE PORTUGAL

GOVERNO CIVIL DO DISTRITO DE BRAGA

REPARTIÇÃO Nº 1082

LIVRO 7 FOLHA 565  OU  365 (?)

CONCEDO PASSAPORTE A JOÃO GONÇALVES DOS SANTOS BAIRRAL, CASADO - LAVRADOR DA FREGUEZIA DE BASTOS NO CONSELHO DE  OUTEIRO DESTE DISTRITO.

PARA O RIO DE JANEIRO "ONDE ESTÁ ASENTADO", LEVANDO EM COMPANHIA SUA MÃE  JOAQUINA GONÇALVES BAIRRAL, DA FREQUEZIA DE BASTOS DO CONCELHO DE CABECEIRAS DE BASTOS, 33 ANOS DECLARADOS

 ABONADO POR DOCUMENTOS LEGAIS.

ROGO AS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS E A TODAS AQUELAS A QUEM PERTENCER O SEU CONHECIMENTO, NÃO PONHAM EMBARAÇO ALGUM AO PORTADOR.

VALIOSO POR TEMPO DE TRINTA DIAS PARA SAIR DESTE REINO.

DADO EM BRAGA, AOS 20 DE SETEMBRO DE 1888.

IDADE 48 ANOS - ALTURA 1,54 - ROSTO COMPRIDO - CABELOS GRISALHOS - SOB OLHOS PRETOS

OLHOS CASTANHOS ESCUROS - NARIZ E BOCA REGULARES - COR NATURAL

NASCIDO EM 25 DE MARÇO DE 1841"

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Foi seminarista e o desejo da família era que se ordenasse padre. Era casado com Maria Toledo Machado, dona “Liça” na intimidade, que lhe deu muitos filhos. Exerceu durante muitos anos, e até o final de sua existência terrena, o cargo de escrivão da Coletoria Federal de Itapira. Acometido de pertinaz enfermidade, deixou a vida terrena com apenas 46 anos de idade a 16 de outubro de 1931. Foi católico romano militante antes de se tornar espírita. Interessava-lhe a leitura da Bíblia. E foi justamente nessa leitura que o levara a ponderar sobre as divergências entre e Bíblia e o Catolicismo. As explicações que lhe eram dadas pelos padres, seus mentores, não o satisfaziam. Certo dia encontrava-se como de costume, em sua saleta de estudos, a meditar sobre determinada passagem bíblica sem encontrar lógica par o confronto que ela fazia com o Catolicismo. Nesse estado ouviu com clareza uma voz dizer-lhe: “Estude o Magnetismo”.

Não se tratava de alucinação. Estava sozinho na sala e nunca pensara em fazer estudo dessa natureza. Seguiu o conselho que lhe fora dado invisivelmente, Não só estudou o Magnetismo como procurou praticá-lo.

De posse dos conhecimentos das forças magnéticas, conseguiu interessantes experiências. Estava agora de posse dos conhecimentos que lhe tinham sido indicados. Que deveria fazer a seguir para conseguir uma interpretação básica da Bíblia? Foi quanto, estando de novo na mesma saleta, a refletir sobre o assunto a mesma voz se fez ouvir, clara e com toda precisão: “Estude o Espiritismo”.

Não perdeu tempo. Entre os poucos espíritas existentes em Itapira, na época, conseguiu as obras de Allan Kardec e outras subsidiárias sobre o espiritismo. Interessante que, simultaneamente ao estudo que vinha fazendo lhe foram desenvolvendo faculdades mediúnicas e, entre estas, a psicografia. Em breve tempo tinha a seus dispor uma verdadeira biblioteca de obras espíritas. Certo dia Américo recebeu uma mensagem psicografada na qual o Espírito indicava oito pessoas, que deveriam ser convidadas com o objetivo de comporem um grupo de estudos e posteriormente fundar um centro espírita. Nessa mensagem indicava uma pessoa que deveriam ser convidadas, mas que não compareceria na reunião o que de fato se deu.

Formado o grupo, as reuniões passaram a ser realizadas numa modesta casa da Rua 2. os trabalhos foram se desenvolvendo satisfatoriamente até a fundação em 17 de setembro de 1914 do centro espírita “Luis Gonzaga”. O terreno para a construção do Centro Espírita  fora adquirido de José Xavier Nunes, que houvera sido eleito presidente no dia 2 de maio de 1915, sendo projetista e construtor da sede o sr. Vitório Coppos. Essa sede foi inaugurada em 2 de março de 1916. Segundo os espíritas “uma plêiade de entidades” auxiliaram na fundação dessa obra: “São Luis Gonzaga, D. Custódio José Duarte, Pe. Antonio Costa, João Nik (o guia responsável do Centro), Anselmo de Paiva, Caritas e outros”, envolviam Américo Firmino Machado...Dever-se-ia constituir a Comissão da Caixa de Assistência aos Necessitados...E ela foi constituída então para o amparo dos mais necessitados. A direção doutrinária do centro esteve sempre ao cargo de Américo, até seu desencarne. Os oito idealistas estavam presentes. Eram eles Américo Firmino Machado, José Franco Machado, Benedito Machado, Jerônimo José de Morais. Manuel Ribeiro Batista, Alfredo Ceragiolli, Benjamim Zanovello e João Facio...

Américo Bairral, homem metódico e organizado, programou um trabalho intensivo de estudos e de difusão espírita. Desenvolveu trabalhos mediúnicos especialmente o de desobsessão, de fluidoterapia, receituário mediúnico e fornecimento de medicamentos homeopáticos. Aos domingos dava aula de moral cristã às crianças.Era a atividade que mais apreciava: educar a criança.

Preocupava-se sobremaneira com os doentes mentais, que na época viviam abandonados ou trancafiados nas cadeias públicas, sem a mínima assistência. Mantinha a idéia firme de instalar um hospital para tratamento desses enfermos e também a de assistência aos necessitados de toda ordem.

Assim é que, com um grupo de companheiros identificados com a necessidade dessa assistência, é fundada a Caixa de Assistência aos Necessitados, a fim de reunir fundos para essa finalidade. Na vila Isaura que estava sendo loteada na ocasião, foi dado início ao hospital, chegando-se a levantar o primeiro pavilhão do asilo “Luís Gonzaga”, hoje casa de repouso “Allan Kardec”. Por esse tempo Américo andava muito enfermo e veio a desencarnar a 16 de outubro de 1931.

 

Foto Histórica tirada em 1926

 

 

Foto do terreno onde foi construído o asilo “Luis Gonzaga”, vendo-se da esquerda para a direita: Benjamim Zanovello, João Brandão Júnior, Onofre Batista, Lino Elias, Américo Bairral, César Bianchi e Luis M. de Souza.

Como seu companheiro de trabalho desde 1924, dizia-lhe constantemente que se não conseguisse legalizar o seu nome em vida terrena,o faria em vida espiritual e que se identificaria somente com o nome de Américo Bairral, advertindo que toda mensagem mediúnica com o nome de Américo Firmino Machado, seria apócrifa.

Em 1936, sob sua influência foi desenvolvida a faculdade psicográfica de minha esposa (do autor do livro), Dalila e por ela numa das primeiras  mensagens assim se referiu: “ Eu disse que se não conseguisse assinar o meu legítimo nome em vida terrena, o faria em vida espiritual, meu nome é Américo Bairral.”

É digno de nota que a médium ignorava por completo, esse detalhe da vida do Américo Bairral. E por essa médium passou a dar mensagens em forma de contos, dedicados à Escola de Moral Cristã, quase todos em forma de diálogos, contos que eram apresentado nos programas lítero-musicais e evangélicos do centro espírita “Luís Gonzaga”, sob a minha direção (do autor César Bianchi). Esses contos eram disputados pelos alunos da escola.

Como preito de gratidão e em homenagem pelo muito que Américo fez em prol dos necessitados e por ter sido o idealizador de um hospital para enfermos mentais em Itapira, na Vila Pereira em 1936, foi denominada Fundação Espírita Américo Bairral”.

Conforme dito anteriormente os doentes mentais em todo o Brasil viviam em condições sub humanas de existência, Havia algo de medo, nojo e idéias preconcebidas contra essas criaturas que não eram consideradas humanas. Dessa maneira todos se esquivavam e consideravam que eram casos de polícia e de cadeia. Muitos ficavam reclusos em cárceres privados, sendo mal tratados pela própria família e outros relegados ao abandono e cadeias.Doentes com outros tipos de enfermidades transmissíveis, como os hansenianos, tuberculosos eram afastados do seio da comunidade e sujeitos a viverem nas piores condições possíveis e acabavam convivendo com esses doentes da “cabeça” como diziam.

Muitos morriam esfomeados, pela falta de higiene, maus tratos e ferimentos infectados. Eram criaturas que exalavam, mau cheiro, inspirando o afastamento das pessoas, Eram tidos como loucos amedrontando crianças e adultos. Acabavam sua triste sina na à margem da sociedade. Eram vitimas de chacotas fazendo rir as pessoas menos sensíveis que os alcoolizavam pra vê-los exporem  mais ainda suas fragilidades.

As primeiras providências a serem tomadas partiram de um grupo destemido e com o intuito de minimizar essas iniqüidades.sociais. Em 1924 pessoas que fundaram o Centro “Luis Gonzaga” e outros idealistas passaram a cuidar dessa ferida.

Inicialmente o grupo tendo à frente Américo Bairral, incluindo César Bianchi, (o autor deste livro) e que se tornara irmão nas causas espirituais desde 1924, visitava os enfermos nos leus lares, levando aconselhamento e práticas espíritas no sentido de amenizar seus sofrimentos. Essas práticas se estendiam até o Centro Espírita “Luis Gonzaga”. Muitos eram retirados das cadeias e recuperados através dos tratamentos espirituais. Não faltavam também apoio e aconselhamento espiritual aos familiares desses enfermos Américo Bairral nessa empreitada idealizou a construção de um hospital que melhor atendesse essas doenças social que tanto denegria o ser humano nas suas mais básicas condições de identidade e de existência.

Com o patrocínio da Sociedade Espírita “São Luis Gonzaga”, fundou-se a Caixa de Assistência aos Necessitados que tinha como objetivo comum reunir fundos, donativos, envolvendo outros centros espíritas fora do estado de São Paulo.

 

 

Asilo “Luis Gonzaga” em foto tirada nos seus primeiros dias de funcionamento. 

Desse Asilo surgiria um Hospital para doentes mentais. Podemos ver alguns asilados e João A. Brandão Júnior

 

A planta desse hospital foi inicialmente elaborada pelo saudoso arquiteto João de Oliveira. Para que isso ocorresse Onofre Batista, um grande e benemérito irmão das causas espíritas, pertencente ao grupo, doou um terreno o qual foi vendido para adquirir um outro terreno na nascente da Vila Isaura. Onofre como construtor arregaçou as mangas e pôs-se ao trabalho e César Bianchi proprietário de uma Carpintaria e Marcenaria se ofereceu para esses misteres. Muitos outros como o Miguel Costa e o saudoso Benjamim Zanovello colaboraram com a mão-de-obra. Após a morte de Américo Bairral em 1931 as obras ficaram temporariamente paralisadas. Nesse ínterim o modesto prédio foi sendo utilizado como abrigo a pessoas pobres. Após alguns anos como o fim a que se destinava o prédio se desvirtuara acabou sendo utilizado aquele espaço como asilo espírita, “São Luis Gonzaga”, passando a abrigar os pobres inválidos. O terreno era bem grande e a instituição foi aos poucos sendo melhorada.

 

 

(31.07.1900 - 26.07.1981)

João A. Brandão Júnior assumiu o reinício das obras paralisadas do Asilo "São Luis Gonzaga"

 

 João Augusto Brandão Júnior na qualidade de membro da diretoria do centro espírita assumiu o reinício das obras que estavam então paralisadas.João Brandão cuidou durante muito tempo da manutenção do prédio, administrando mesmo com poucos recursos os problemas de toda ordem que surgiram.

Posteriormente outros abnegados valores se juntaram no auxílio: Dr. José Carlos de Camargo Ferraz, ex-promotor Público de nossa comarca que teve muita atuação na ampliação do asilo como também da instalação do ambulatório “Hilário Silva” e que depois foi transferido para o Serviço de Obras Sociais – S.O.S. O Asilo “Luis Gonzaga” após mudança dos estatutos passou a denominar-se “Casa de Repouso Allan Kardec”. Essa entidade sofreu ampliações prestando melhor assistência aos inválidos e aos enfermos mentais.

(1930 - 30.11.2004)

Dr, José Carlos de Camargo Ferraz numa de suas palestras na FEAB

O Sanatório "Américo Bairral"

Foto tirada em 1937 – Frente primitiva do prédio da Instituição, vendo-se da esquerda para a direita: Luis Martins de Souza e Manuel Batista, empregados; Orlindo Rodrigues, fiscal; Clemente Frutuoso, enfermeiro; João Martins Santiago e João ª Brandão Júnior, diretores; Antero de Freitas, guarda-livros e Sebastião ª Ferreira, secretário. Na porta do prédio: César Bianchi e José Primo Avanzini, diretores e Dalila Batista Bianchi, enfermeira. Na janela à direita, vê-se dona Carmela, esposa do Primo Avanzini.

        

1 - Onofre Batista  2 - Gracinda Batista Ferreira

Onofre Batista, nasceu em Portugal em 1886. Veio para o Brasil ainda criança.Escolheu a profissão de pedreiro, dando preferência a empreiteiro de obras. Casou-se na cidade de Serra Negra com Gracinda Batista Ferreira, também portuguesa em 1905. Veio para Itapira em 1907. Era dotado de grande resistência física, de temperamento expansivo, mas de bons sentimentos, tanto assim que de certa feita arrancou das mãos grosseiras de dois soldados um prisioneiro e o levou para cadeia numa demonstração de humanidade junto aos dois militares. Sua presença impunha respeito. Apreciava a equitação e se apresentava sempre garboso, calçando botas reluzentes, trazendo um lenço de seda branco no pescoço.Tornara-se conhecido como homem valente, enérgico, trabalhador e bom. Sempre ligado às causas humanitárias e muito afeito a religião espírita ele mais sua esposa Gracinda davam assistência aos menois favorecidos. Construindo sua casa na Rua da Penha e também a chamada "Coloninha do Onofre", que eram sete casinhas destinadas para as famílias pobres, cedendo umas de graça e outras por um pequeno aluguel. No porão de sua casa dava assistência aos enfermos pobres, doentes mentais e abandonados pela família. Gracinda era evangélica da igreja presbiteriana e demorou para aceitar a doutrina espírita seguida pelo seu marido. Nessa época Onofre frequentava as sessões espíritas na residência do saudoso Fernando Gonçalves da Silva. Aos poucos Gracinda motivada por "transes mediúnicos", acabou participando também das sessões com o marido. Gracinda foi um braço direito para Onofre e ambos com muita humildade e sacrifício abrigavam os mis necessitados.

Assim, nesse ambiente começou a despertar a necessidade de ampliar seus préstimos ensejando por construir um asilo que pudesse albergar esses seres humanos. Auxiliado pelos espíritas liderados por Américo Bairral, traçou um plano de assistencialismo. Conseguiu um terreno para a construção do Asilo “Luis Gonzaga”, na então nascente Vila Isaura e, imediatamente deu início ao primeiro pavilhão. Simultaneamente aceitou a tarefa de angariar assinantes pra o jornal “O Clarim” e Revista Internacional do Espiritismo”, de Matão. Percorrendo as cidades por onde passava alem de angariar donativos  para a manutenção do Asilo aproveitava para pregar a doutrina espírita. Com o falecimento de Américo Bairral as obras ficaram paralisadas e Onofre já estava com idéias de construir em outro lugar por sua própria iniciativa e de sua esposa Gracinda, um hospital para doentes mentais. Em 1936, na então nascente Vila Pereira adquiriu uma quadra de terra e lança a pedra fundamental que tempos após se tornaria a Fundação Espírita “Américo Bairral”. Nomeando uma diretoria provisória e deixando a organização e direção ao genro César Bianchi, venceu todos os percalços e dificuldades de uma obra dessa extensão e natureza. Onofre ainda teve a satisfação de ver a obra concluída e prestando relevantes serviços aos enfermos que por eles tanto lutou. Grande golpe apanhou-o de surpresa com o falecimento em 1946 de sua esposa D.Gracinda. A 22 de novembro contrai segundas  núpcias com Hortência Lima Batista. Após 17 anos de feliz companhia essa também faleceu e o deixou a 29 de março de 1965. Com idade já bastante avançada e sem forças físicas para continuar a frente de tarefas tão difíceis em 1954 Onofre deixou de viajar para suprir as necessidades da instituição. Três meses após o falecimento de sua segunda esposa, precisamente em 19 de junho de 1965 Onofre também faleceu. Seu nome está imortalizado numa das ruas da cidade.

Onofre Batista em 1926 era um dos remanescentes do grupo formado para instalação do hospital para enfermos mentais. Após o falecimento de Américo Bairral desinteressou-se em prosseguir trabalhando para essa obra, mas manteve-se firme  no propósito de um dia ver realizada a idéia de Américo Bairral em nossa cidade. Onofre  nessa ocasião trabalhava para o jornal “O Clarim” e para a “Revista Internacional” do Espiritismo ambos da cidade de Matão.Certa vez Onofre comunicou a d, Gracinda, sua esposa  e César Bianchi a resolução da instalação de um hospital pra doentes mentais em Itapira. Em setembro de 1936 o casal Onofre e Gracinda adquiriu uma gleba de terra na então nascente vila Pereira. Nessa vila já residia Onofre e sua prole de filhos. Ali em outubro desse mesmo ano, idealizou doar em homenagem a  “Américo Bairral”, uma parte desse terreno  para a fundação do que já havia sido idealizado anteriormente pelo grande espírito empreendedor de Américo Firmino Machado. 

             

Pai e filho, construtores projetistas e arquitetos, foram os responsáveis pela construção dos 

prédios do Centro Espírita "Luis Gonzaga" e da Fundação Américo Bairral.

A 17 desse mesmo mês em contato com o construtor Vitório Coppos deu-se início a um modesto prédio para abrigar de imediato os doentes mentais e os pobres. Para angariar verbas, Onofre não se acanhava em pedir ajuda, tanto em dinheiro como em material de construção. Enquanto viajava aproveitava também para angariar fundos para a instituição que estava promovendo.Percorreu muitas cidades e estados do Brasil.

            

1 - Foto de César Bianchi na década de 60   2 - Dalila Batista (filha de Onofre) 

Quanto a César Bianchi, este se mostrou infatigável em sua carpintaria e sua pequena indústria de móveis ao trabalhar em prol dessa instituição que se anunciava para o futuro. Até seus funcionários eram utilizados na mão-de-obra em prol da construção do hospital.

Os primeiros doentes começavam a ser recolhidos mesmo sem ainda estar concluída a obra, tal a extrema necessidade de abrigo para esses doentes que acabavam trazendo todo tipo de problemas para a sociedade.

A primeira enferma trazida para internação foi Maria Aparecida de Souza em 1937 em extrema agitação e que foi trazida pela polícia de Serra Negra.

A partir daí aumentou o número de enfermos desse tipo, uns trazidos pela própria polícia outros abandonados pela família na frente ao próprio prédio. Assim o número de funcionários também foi aumentando, muitos deles trabalhando como voluntários.

A partir de 10 de maio de 1938 o responsável direto pela instituição era o sr. Onofre Batista e após essa data convocou-se uma eleição para nova diretoria. A diretoria provisória ficou constituída pelo Dr. Hortêncio Pereira da Sillva (1º medico de Itapira), presidente; Dr. Achilles Galdi, vice-presidente; para diretora e vice-diretora, Gracinda Batista e Dalila Bianchi; para secretário, Sebastião Aristeu Ferreira; para tesoureiro: José Primo Avancini e para diretor dos trabalhos de evangelização dos estatutos: César Bianchi.

A 7 de junho de 1938, em assembléia geral, foram aprovados os estatutos e com um quadro social já organizado foi eleita a diretoria definitiva, que ficou assim constituída: provedor e vice: Dalila Batista Bianchi e César Bianchi; 1º, 2º secretários: Sebastião ª Ferreira e Jôão Martins Santiago; 1º e 2º tesoureiros: José Primo Avanzini e João Augusto Brandão. Essa diretoria fé\ as seguintes nomeações: procurador geral: Onofre Batista; gerente interna Gracinda Batista e para diretor e vice-diretor clínico Dr. Hortêncio Pereira da Silva e Dr. Achilles Galdi.

A doação oficial do terreno pelo casal Batista deu-se a 1º de setembro de 1938. A aprovação dos estatutos pelo curador geral, a 19 do mesmo mês e o registro deste em cartório, no mês seguinte. Estava dessa forma legalizada a situação do hospital como “FUNDAÇÃO ESPÍRITA AMÉRICO BAIRRAL” (FEAB).

A última etapa, talvez a mais difícil do ponto de vista burocrático foi vencida e somente em 1945 é que se pode ver a instituição registrada no “Serviço de Medicina Social, no Conselho Nacional do Serviço Social e no Serviço Nacional de Doenças Mentais”

Muitas dificuldades de toda ordem surgiram desde a falta de recursos para dar prosseguimento aos serviços de hotelaria, tratamento medico e aumento do número de internações, gastos com luz, água, ridicularização pela fuga de internados, cobranças para novas internações urgentes a qualquer hora do dia ou da noite, fora a superlotação e as improvisações que se tinha que resolver. Isso aumentava cada vez mais os gastos e exauria os recursos, angariados e doações dos próprios diretores. Houve muitas críticas injustas e preconceituosas e até perseguições, com declarações de médicos, contrários, ao tratamento de doenças medicas por espíritas.A própria psiquiatria naquela época não possuía recursos terapêuticos específicos capazes de minorar os sintomas graves dos doentes. O Hospital não possuía transporte próprio, tudo sendo feito à pé, em lombo de cavalos carrocinhas e charretes. Além disso, o hospital não era provido de água encanada, rede de esgotos. Isso só foi resolvido em 1949 através da Prefeitura Municipal de Itapira que encontrou muita dificuldade para levar essa benfeitoria ao hospital, já que este se localizava em um altiplano de bastante aclive. O complemento do abastecimento de água no hospital dependia dos encanamentos da Prefeitura e também de uma ligação direta da adutora da fazenda Águas Claras. Continuava ainda a escassez de água e foi daí o hospital adquiriu o terreno da  chácara  “Bonelli, cujo manancial acabou provendo de água todo o manicômio. A grande Guerra de 1939 a 1945 trouxe dias horríveis ao bom funcionamento do hospital já que todos os produtos estavam  racionados. O transporte ficava difícil devido ao racionamento d gasolina e os materiais de construção, alimentos etc. se tornavam difíceis para chegar ao seu destino.

Mesmo assim o idealismo se confrontava com as dificuldades e a angariação de donativos por intermédio de seu fundador Onofre Batista foi melhorando e o hospital foi sendo aos poucos reconhecido pela expansão no ritmo das internações e no auxílio cada vez profícuo dos objetivos assistencialistas direcionado aos mais necessitados. Onofre percorreu vários estados e cidades desde 1937 a 1954 sempre na busca de melhores dias para a sua obra. Aqui em nosso município os srs. Manuel Roldão, Luis Martins e o sr. Ângelo Puggina foram os transportadores em suas carrocinhas dos víveres e alimentos para os internos.. Muitos artifícios foram utilizados com o fim de angariar fundos para manter os gastos hospitalares. As Prefeituras auxiliavam contribuíam com quantias irrisórias e ainda pagavam com atraso os compromissos firmados com a  instituição.Foi instituída também a campanha de sócios contribuintes.De conformidade com os estatutos, as mensalidades deveriam ser espontâneas e de acordo com a posse financeira de cada um. O número de colaboradores foi crescendo e também o reconhecimento pelos benefícios que eram prestados a sociedade.

Fachada do "Sanatório Américo Bairral" em 1950

Somente a partir de 1953 quando foi oficializada a assistência às instituições filantrópicas é que a situação passou a melhorar.

 

José Primo Avanzini foi um membro do quadro social que reunia qualidades de grande prestígio tendo sido tesoureiro dessa instituição na década de 30.

O prédio onde funcionava o hospital se tornou pequeno e obsoleto para as finalidades a que se propunha e veio daí a necessidade de ampliação e modernização de suas estruturas externas e internas.Dessa maneira contam com todos o internados que estavam sendo recuperados ou que estavam albergados nessa instituição. Todos, numa luta intensa e com muito trabalho, foram oferecendo seus préstimos e respectivos ofícios. Destacam-se José Maria Sobrinho, O Batista, a Bernardina Martins dos Passos e centenas de outros que já passaram pela instituição desde os seus primórdios.

César Bianchi começou suas experiências de administrador por volta de 1924 quando foi membro do grupo fundador do Centro Espírita “Luis Gonzaga”. Após isso se insurgiu como grande colaborador na construção do Hospital Américo Bairral. Assim em 1936 iniciou o monumental empreendimento sem quase nenhuma experiência nesse setor. Contando com sua fé, grande força de vontade e capacidade de servir, postou-se ombro a ombro com Onofre Batista e sem esmorecer iniciou suas atividades.Sem folgas, férias, descanso ousou planejar, administrar suas tarefas durante anos a fio. Tinha como base no cumprimento das leis sociais e mente sempre aberta às soluções, evolução dos métodos de tratamento. O método implantado permitia uma administração dinâmica e de perfeito entrosamento entre os chefes, subalternos e diretores. Cada um era responsável pelo que produzia agindo sempre no senso de economia individual e na da própria instituição que os abrigava.Tudo tinha que estar dentro dos parâmetros da harmonia para o bom funcionamento dos vários departamentos, das alas dos colegas de trabalho e dos pacientes.

Ao nível da legalidade muitas leis dimensionaram e distinguiram as entidades filantrópicas declaradas de utilidade pública e que tiveram isenção das contribuições a órgãos do estado – IAPS - (parte do empregador) e total isenção dos impostos federais, estaduais e municipais, bem como imunidade fiscal, desde que destinem a totalidade das rendas apuradas ao atendimento gratuito de suas finalidades, que os diretores, sócios ou irmãos não percebam remuneração nem usufruam vantagens ou benefícios sob qualquer título.Em face dessas leis os sócios pertencentes ao quadro de funcionários e de fornecedores do hospital tiveram que ser excluídos do quadro de funcionários e de fornecedores do hospital, tiveram de ser excluídos do quadro social e, quanto aos diretores que exerciam outros cargos além da diretoria e que eram remunerados nessas atividades, tiveram de optar pelo cargo diretor sem remuneração ou pela atividade remunerada. César Bianchi, na época  ocupava o cargo de provedor e sem meios de sub-existência teve que optar pelo cargo de administrador geral da instituição, deixando o de provedor, o mesmo acontecendo a outros diretores. Segundo César essa foi uma medida legal, mas não muito feliz. Havia que se pensar nos direitos adquiridos por esses ex-sócios e pela consideração que a eles deveria ter sido dispensada em face dos méritos conquistados.

Em 1961 foram introduzidos administradores internos como nossos auxiliares por exigência destes, o método liderado foi modificado pelo autocrático. Acabaram-se as reuniões de grupo e as de ordem geral e o resultado foi de conseqüências desastrosa, criando-se um ambiente de falta de autoridade...E a harmonia antes reinante passou  às dificuldades conflitantes. Por volta de 1963 muitas das regalias e concessões foram suprimidas dos funcionários, provocando muito descontentamento o que nem precisava acontecer já que a instituição passava por condições financeiras excelentes e em franco progresso de autonomia. Enfim tudo mudou e as normas administrativas evoluíram no sentido da auto-suficiência tanto no aspecto técnico mecânico, profissional, agro-pecuário e dos mais variados serviços internos, criando contraste com os meios de obtenção desses serviços em relação aos dos tempos anteriores.

Convênios

Conforme já referido a assistência social pelo estado praticamente inexistia e os familiares dos enfermos mendigavam vagas nos poucos hospitais particulares e filantrópicos existentes. Aqui em Itapira ocorria a mesma coisa e o hospital no seu início vivia superlotado sem condições para o abrigo satisfatório desses doentes.Havia ignorância e muitas dificuldades em se obter assistência através dos recursos do estado.

Mais tarde os institutos de previdência social, passaram a conceder aos seus segurados além do auxílio-doença, também a assistência, medico hospitalar extensiva aos seus dependentes.

O primeiro convênio da instituição foi realizado com o IAPB em maio de 1957. Na época o IAPS vivia com dificuldades financeiras. O segundo convênio for feito com o IPASE a 10 de setembro do mesmo ano com o pagamento de diárias mais baixas que o normal, tendo em vista as dificuldades que o instituto estava passando. Com o crescimento financeiro desses institutos mais tarde e logo que o DNPS passou a regular as diárias dos mesmos, estas tiveram um aumento progressivo e foram equiparadas com todos os institutos.O convênio que viria beneficiar em definitivo as finanças da instituição foi o firmado com o IAPI. Dessa maneira a instituição tornou-se uma grande fonte de renda, possibilitando a sua autonomia como instituição e fundação. 

Muitos setores de importância para o andamento hospitalar puderam ser criados e mantidos em virtude das melhorias orçamentárias após a criação do convênio assistencial aos hospitais pelo estado Esse convênio com o IAPI, foi realizado na gestão de César Bianchi em janeiro de 1962 e proposto inicialmente para 20 leitos cativos e 20 facultativos.Logo após alguns meses foi elevado para centenas de leitos. Em 1963 mais de 300 leitos eram liberados de gratuitos para a categoria de pensionistas. Apenas em um dia 31 internados gratuitos passaram para a categoria de pensionistas. Reduziu-se então a porcentagem de internações gratuitas o que deu plenos poderes financeiros à instituição. O IAPS nessa época passou a denominar-se INPS possibilitando que muitos hospitais do estado aumentassem as suas receitas, permitindo-lhes maior contratação de pessoal técnico e outros funcionários, além de ampliar suas instalações e aparelhagem medico hospitalares.

Métodos Terapêuticos

A instituição não se restringia apenas à prática da caridade, assistencialismo a enfermos pobres e doentes mentais. Existia um objetivo maior que era o de colaborar com a medicina psiquiátrica, demonstrando a existência de causas espirituais também na manifestação dos sintomas de cada paciente. Através disso procurava amenizar com práticas mediúnicas,  evangelização, orações, passes, fluidificação de água, aulas sobre espiritismo ajudando todos os pacientes a entender as causas de seus sofrimentos, etc. Jamais se procurou confrontar a terapêutica psiquiátrica com as práticas espirituais sendo cada uma complemento da outra.

Os métodos psiquiátricos ainda envolvem as práticas de laborterapia ou terapia ocupacional, a convulsoterapia (ECT), química e elétrica (esta, praticamente extinta, na moderna psiquiatria). A Insulinoterapia também já banida dos hospitais; a quimioterapia cada vez mais utilizada mesmo em pacientes fora do ambiente hospitalar. A Psicoterapia, a Hipnose, a impregnação, as desintoxicações, a fisioterapia, a ludoterapia, a esporteterapia, etc. Muitas práticas já foram abolidas e outras estão sendo aplicadas na moderna terapêutica dentro dos manicômios com sucesso.

Hoje a administração hospitalar vista pelo Ministério da Saúde, através do SUS, cada vez mais está limitando o número e a freqüência das internações. Muitos doentes estão sob tratamento ambulatorial e residindo com suas próprias famílias, permitindo assim maior humanização no tratamento.

As técnicas psiquiátricas estão então divididas em Quimioterapia, Socioterapia e Psicoterapia. São três vertentes da personalidade. A quimioterapia está tratando da parte mental e suas perturbações; a socioterapia está trazendo o meio social para o doente se sentir como parte de sua família e da sociedade e a psicoterapia vem permitindo a integração mental aos próprios padrões individuais e específicos. O arsenal químico terapêutico da psiquiatria teve um desenvolvimento abrangente conforme as descobertas de psicofármacos cada vez mais específicos e atuantes e que hoje está satisfazendo tanto pacientes como os psiquiatras.

  A tarefa de César foi meritória e a maior glória em suas atividades estava em seguir os desígnios altruísticos de servir. Estava assim definida desde os idos da década de 20 a sua trajetória em busca de seu destino. Não foi nada fácil renunciar aos interesses materiais às glórias e vantagens terrenas. Para ver triunfar seu idealismo, reunindo homens idôneos para as tarefas certas garantindo a sua continuidade e cooperação com seus fundadores. Nessas escolhas sempre optou por pessoas de boa vontade, com potencial para o trabalho e qualidades ímpares. Surgiram inúmeros companheiros de lutas e muitos extrapolaram as qualidades exigidas para esse mister. 

           

 

Empreendedores dinâmicos, tendo ambos, trabalhado exaustivamente em prol da construção do Hospital

José Primo - (07.11.1898 - 29.06.1973) 

César lembrou muito bem do José Primo Avanzini, figura de extrema importância no começo dessa empreitada.”José Primo sempre dizia que na pobreza, são poucos os que têm coragem de aceitar cargos eletivos e a lutar pelas causas e suas soluções. Muitos teriam até vergonha de pertencer ao quadro diretivo. Ao contrário quando a causa está ganha muitos se atropelarão para disputar tais cargos e se sentirem honrados com tal destaque. Os que realmente lutaram e deram tudo de si para a construção dessa imponente obra de assistência serão esquecidos. A glória será dos que vierem depois”. César deixou o hospital em julho de 1964. Sua obra permanece e o seu livro conta todos os momentos de dificuldades, incluindo as mágoas por não ter tido o reconhecimento dos pósteros, quanto à sua atuação administrativa, diretiva e como provedor durante a sua atuação no decorrer da década de 60. As ilações ficam por conta do leitor. Muitos negros se destacaram como grandes auxiliares dessa imensa obra que foi a construção do hospital. 

             

1 - D.Bernardina   2 -  João Batista   3 -  José Maria

Citamos Dona Bernardina, interna que soube dar valor ao acolhimento que recebeu. Possuidora de fibra, forte e saudável, trabalhava com disposição e entusiasmo sempre dizendo a todos os outros internos: "A casa é pobre e voceis estão aqui de graça, precisam ajudar trabalhando".

 Citamos também o "Batista", negro forte que apareceu em Itapira por volta de 1932. Vivia perambulando pela cidade até ser recolhido na cadeia local. Ali passou a exercer serviços de faxina. Foi encaminhado ao hospital logo no início de seu funcionamento. O ambiente ficou adequado às necessidades do Batista, calmo, tranquilo, passou a cuidar dos pacientes sabendo dominá-los sem constrangê-los.Ajudava no serviço de guarda noturna e audava a todos em qualquer ala que era requisitado.Um homem de confiança, pacato e exremamente dócil. Passou a receber um salário mensal pelos seus préstimos. Soube-se muito tempo depois que se chamava João Batista. Nunca calçou sapatos andava sempre descalço.Faleceu assim, ainda jovem e na mansidão de sua tranquilidade.

Outro negro que colocou-se humildemente a serviço do Sanatório fopi o José Maria Sobrinho, negro, de conduta retilínea, trabalhador, homem da lavoura, não recusava qualquer tipo de serviço.Não era interno do hospital, mas emprestava seu serviço braçal e sua experiência voluntária em prol da construção do hospital. Zé Maria residia em Barão Ataliba Nogueira e trabalhava de segunda a sábado. Aos domingos, seu único dia de descança lá estava ele no "Bairral", emprestando toda a sua capacidade de trabalho. Como reconhecimento acabou recebendo um salário mensal e uma casinha para morar. Essa casinha era a que moraram os fundadores Onofre e Gracinda Batista. Ali viveram, o Zé MAria e sua esposa D.Noca e foram os primeiros zeladores da Instituição que nascia.Seus filhos logo também passaram a funcionários do hospital. A filha Antonia deixara o hospital para casar-se com Durval que também como eletrotécnico resolveu ter sua própria oficina para esse fim. Zé Maria aposentou-se e continuou na instituição falecendo no dia 29 de maio de 1972. 

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HISTÓRIA E GENEALOGIA DE CESAR BIANCHI

     "OFFICINAS DE MARCENARIA E CAPINTARIA"  

Foto reproduzida, mostrando o interior da Marcenaria e Carpintaria de César Bianchi, 

que aparece de chapéu à direita. À esquerda e ao fundo vemos seus 12 funcionários

                      As "Officinas de Marcenaria e Carpintaria" do Sr.César Bianchi (de saudosa memória), também funcionou durante muito tempo em nossa cidade. Esse importante estabelecimento de caráter industrial e comercial estava situado a Rua da Penha,7 com telefone número 57 e ali trabalhavam perto de 12 operários que sob a direção do sr. César produziam sob encomenda todos tipos de moveis, madeira para construção, venezianas e partes de madeira para automóveis.(na época os carros tinham partes de madeira, nas portas, bncos e painéis. Havia também a secção de vidraçaria que atendia a demanda na época.César foi casado com D.Dalila Batista, filha do idealizador do Sanatório Américo Bairral, sr.Onofre Batista. César foi pai de Zoraide, Ida e César Filho. Ida casou-se com João de Freitas estes pais de Edson Vladas, Sidnei,(falecido), Denise, Dalila e João Filho.O sr. César Bianchi, nasceu nesta cidade em 14 de Agosto de 1902 e foi posteriormente Diretor Administrativo do Sanatório Américo Bairral ao qual estava ligado com seus fundadores desde 1924. Em 1925 já era secretário do Centro Espírita "São Luis Gonzaga" e ali aprimoraria seu ideal espírita.César deixou para a posteridade o seu livro". A História do Sanatório Américo Bairral", publicada no ano do centenário de Américo Bairral em 1984, onde relata toda a sua trajetória e experiências como administrador, espírita e acima de tudo como ser humano sensível e humanitário. A Marcenaria e Carpintaria do Dr. César Bianchi também teve o seu fim provavelmente na década de 40, já que cada vez mais seu proprietário se revelava um excelente administrador do Sanatório Américo Bairral, tendo sido absorvido por essa sua nova atividade.

                        Cesar Bianchi,conforme já vimos nasceu em 14 de Agosto de 1902, era filho de Agostinho Bianchi e Angela Osti (1865-1939), (filha de Domingos Osti e Maria LAmari). Casou-se em 24 de Outubro de 1924 com D.Dalila Batista (11-01-1907 - 17-07-1981), (filha de Onofre  Batista  e Gracinda Ferreira). Era neto paterno de José Bianchi (1833 - 02-02-1925) e de Maria Luiza Dallariva.

                       Foram seus irmãos:

 

                               1 - Maria  Bianchi (1891-1913) que casou-se com José Ziliotto (1889-1943?), (filho de Luigi Ziliotto e Ângela Sartorelli), minha bisavó paterna. José era irmão de minha avó Teresa Ziliotto casada que foi com Manuel de Freitas meu avô paterno.Estes foram pais de: Orlando (Orlando Fubá ), marceneiro de mão cheia que morava no fim da rua do Amparo (Rua da Penha) e que trabalhou muito tempo no Bairral; Arlindo, Maria de Lurdes, Renato, Irene, Irineu e Anita.

                               2 - Sebastião Bianchi que casou-se com Graciosa  de tal e foram  pais de: Maria, Benedito, José, Iracema, Demetrio e Antonio.

                               3 - Francisco, faleceu solteiro.

                               4 - Virginia, faleceu na infância.

Seu tio Domingos Bianchi outro filho de José Bianchi e Maria Luiza casou-se em primeiras núpcias com Florentina Caretti (1887-1933), (filha de Julio Caretti e Hermínia Bagini) e foi um ramo bastante prolifero tendo os seguintes filhos:

                               1 - Julio que casou-se com Maria Eugenia Costa

(filha de José Daniel da Costa e Duzolina Luchetti).Foram pais de: Diógenes, Elaine, Elisete e Julio César.

                               2 - Domingos Filho, que casou-se com Manuelina da Silva e são pais de: Sandra e Sergio.

                               3 - Adelaide que casou-se com Oreste Bagini e são pais de: Eurico.

                               4 - Ricardo que casou-se com Rovena Ataliba e são pais de: Rodnei, Rubens e Rute.

                               5 - Julieta casada que foi com Gregório Longhi  (filho de Sílvio Longhi e Diamanta Sartório). Gregório foi motorista de táxi em Itapira nas décadas de 40 e 50. Foram pais de: Carlos (Carlucha que tanta alegria nos deu nos tempos da famosa "vermelhinha", jogador que era da famosa Sociedade Esportiva de Itapira.Gregório e Julieta foram pais ainda de: Maria Aparecida, casada com Pedro Belli e de Renata Maria 

                               6 - Dalva casada com Dario Longhi (filho de João Longhi e Albina Cavallaro), pais de: Marisa e João

                               7 - Gioconda casada com Paulo Bueno.Pais de: Mirna e Mirtes.

                               8 - Romualdo casado com Maria da Conceição Barbosa.Pais de Maria Odete, brilhante e famosa cantora a nível nacional, tendo iniciado sua carreira artística cantando na Rádio Clube de Itapira e no Cine Teatro Américo Bairral nas décadas de 50 e 60. São seus irmãos Luis Alberto e Veradalva.

                               Domingos casou-se em segundas núpcias com Maria da Costa (filha de João Daniel da Costa e Maria Eugênia Moggi (velha Costinha da Rua do Amparo). Foram pais de: João e Mercedes Bianchi. Este Domingos, tio do César Bianchi era aquele que possuía um Circo de Cavalinhos do qual já nos referimos em matéria anterior. A ascendência de César Bianchi revela ainda que seu  avô José Bianchi teve ainda (em estudos e não confirmado) os seguintes prováveis irmãos:

                              1 - Vicente Bianchi casado com Antonia Pupa que foram pais de Domingas.Esta casou-se  com Cristovão Coloço e foram pais dos ramos dos Coloco em Itapira: José Benedito, João, Belízio, Benedita, Maria, Rosa, Vicente e Antonia. 

                               2 - João Bianchi casado com Paula Tonolli. Pais de: Ângelo e Luis Bianchi.

                               3 - Antonia Bianchi casada com Jacomo Gobatto, pais de: Santa.

                                   O enfoque dessa matéria nos ensina a lição histórica de um carpinteiro que escolhido, aceitou; que chamado se fez presente; que além de suas forças batalhou, suou e semeou.Se no afã de sua labuta e na lide esperançosa da conquista, como sói acontecer com todos aqueles que se atiram no conflito dos ideais, pecou por falta ou por excesso não nos cabe julgar. O que se deve considerar é o brilho personalíssimo da intenção e a simplicidade quase que totalmente leiga do idealismo espontâneo dirigido para o coletivo.Era um aprendiz da vida, em cujo bojo trazia  a  majestade da obra e a efêmero do reconhecimento.César foi assim: tido como decidido, arrojado e de uma certa explosividade doce e respeitosa. Seguiu a máxima do Espiritismo: a caridade e deixou que através dela fluíssem a sua abnegação, o seu altruísmo, a sua despretensiosa simplicidade e principalmente a sua humildade.Estas, ele as submeteu ao Deus maior permitindo que a colheita e os frutos de sua semeadura fossem provados por todos, sem distinção. César certa vez quando presenteava meu pai Néco de Freitas, (seu amigo de vereança), com seu livro “A História do Sanatório Américo Bairral”, surprendí-o dizendo: "Néco, nasci, fui carpinteiro, tive filhos, plantei muitas árvores e escrevi um livro.Agora, só  me resta esperar a minha vez. A tarefa está cumprida. Que este livro possa em algum tempo futuro mostrar aos pósteros um pouco daquilo que aprendemos. E finalizou contrariando a máxima "A César o que é de César" dizendo: O que é de César, não é de César..."

Patrimônio incontestável da Fundação Espírita Américo Bairral: No centro Américo (Fermino Machado) Bairral, 

à esquerda Onofre Batista e à direita César Bianchi, respectivamente idealizador, fundador e primeiro administrador.

(Foto reproduzida da capa do livro de César sobre a história do “Sanatório Américo Bairral”.

O carpinteiro se foi, mas entalhou seu nome e burilou sua alma nos entraves de seus conflitos.Perpetuou com seu jeito pseudo arrogante de ser, uma personalidade "sui generis". Podia até mesmo ser arrogante que isso nem importância teria já que a grandiosidade de sua obra lhe permitia isso. Falava do "Bairral" como se fosse seu filho e punha vaidade nisso.Lógico, sabia ele que nos bastidores a direção leiga se exercitava no afã de cumprir com os desígnios superiores no sentido de auxiliá-lo nas suas mais preementes necessidades.Lógico também que não se esquecia ele dos seus idealizadores e fundadores.E cooperava com tudo e com todos.A obra terminou e a tarefa foi cumprida.

Falar da Marcenaria e Carpintaria do César Bianchi foi a intenção primeira desta matéria, no entanto não se desliga a figura do nosso homenageado da grandiosidade de um Américo Bairral, de um Onofre Batista, de D.Gracinda, sua esposa, de D.Dalila esposa de César...Inúmeros outros se assentariam aqui cuja cooperação em todos os níveis permitiu o surgimento do maior Hospital Psiquiátrico da América Latina.Plagiando os momentos finais de seu livro encerro esta matéria com a frase latina: "FINIS CORONAT OPUS" e ouso acrescentar: Ah aluno, aluno meu, ensina-me a ensinar! Porque mestre é aquele que aprende não o que ensina!

Comentários de Ernesto Alves Filho sobre a obra de César Bianchi 

A posteridade julgará e para isso escreveu Ernesto Alves Filho (Transcrito do “Correio Popular”, de Campinas, de 05.03.67. – Ernesto Alves Filho foi jornalista, professor, advogado, redator do “Correio Popular” Deixou a vida material em 19.09.72.):

“Conto este episódio como quem cumpre um dever de consciência. Os fatos começaram há muitos anos. Nunca pensei que deveria escrever sobre eles hoje, tanto tempo depois. Eu era pastor da Igreja Presbiteriana. De Campinas ia a Itapira todos os meses, dois fins de semana. Naquele promontório do parque sobre o Cubatão e o extenso vale no horizonte longínquo as montanhas esfumaçadas de Minas busquei muitas vezes pelas manhãs ou às tardes, o momento tranqüilo da Meditação. Foi ali no parque, ao contemplar as paisagens nessas ocasiões, que meus olhos demoraram muitas vezes nos telhados de umas casinhas, ao lado, à direita. No começo as paredes e os muros sem reboco, coisa muito rústica, - mas me falaram que ali, para além daqueles muros, um grupo de homens e de mulheres trabalhava numa porfiada luta de socorro a doentes mentais, a criaturas que não teriam, doutra forma, nem sequer onde reclinar a cabeça.

Embora, pobres e baixos, aqueles telhados tinham frutificado de muito esforço, - a benção de Deus, sem dúvida, em meio do desespero e da pobreza. Foi assim, naqueles tempos, que nasceu o que é hoje o sanatório”Américo Bairral”. Havia um homem, em meio a tudo, desde o princípio. Esse homem não tinha sossego, - mas aquele desassossego era uma chamada de Deus. Desassossego da solidariedade. Porque os doentes chegavam de toda parte. Gente que chega, gente que sofre, gente que grita, gente desesperada, dementes dentro da noite...Gente largada nas ruas, gente tombada na sarjeta, gente que nem pais ou parentes podiam levar de volta, gente que tinha que ficar. E gente que ficava.

Um homem, aquele homem os ia buscar, os ia socorrer, os ia abrigar sob os tetos pobres, em quartos onde já pouco espaço havia, - mas a misericórdia sempre alarga o espaço e os cômodos. Não havia previdência, não havia institutos com verbas, não havia auxílio oficial, - não havia dinheiro certo para alimento, para remédios, nem para nada. Isso veio depois.Mas havia aquele homem e os outros homens, seus companheiros. Havia  o incessante trabalho deles, havia busca de donativos, eram pedintes permanentes em favor dos coitados. E aquelas paredes foram se levantando, a obra foi crescendo e se expandindo e o “Américo Bairral” se foi fazendo o que é e chegou à imponência de hoje – tudo sobre o sangue, suor, e as lágrimas dos lutadores diante de Deus e dos homens, em prol dos pobres necessitados, despojados da vida e da razão.

Luta que luta, trabalha que trabalha, - mas que grande, que imenso foste tu, César Bianchi, que imenso à frente dos companheiros, na Cruzada da Misericórdia! Porque aquele homem do princípio, aquele dos primeiros alicerces, esse homem de sempre, o do sangue e do suor, o da porfia e do socorro, o samaritano em meio da pobreza, o que ia abrigar o abandonado dentro da noite, - aquele homem, esse homem, chama-se César Bianchi. Hoje o sanatório “Américo Bairral é uma potência, tem a previdência a lhe entregar recursos financeiros. Não há problemas e samaritanos dentro da noite. Não há quem precise perder o sono por causa do sofrimento alheio. Quem tomou o coitado nos ombros na noite de outrora foi César Bianchi. Não se pode, porém silenciar a obra do Semeador quando ingrata, dura e terrível era a terra sob o sol.”

Autor César Bianchi . Livraria Espírita “Katie King” Lar da Família Universal Rua Casa do Ator, 311 – Vila Olímpia – SP Cep 04546 – tel.611694  (Cep  e tel. antigos)

1ª Edição 1 de novembro de 1984, 238 páginas..

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Do autor da página:

Centro Espírita

Ironildo Boselli, pertencente ao Conselho Curador da Fundação Espírita Américo Bairral, diz que existe também um centro espírita no Bairral que presta assistência limitada pelo material humano de quem dispõe. “O voluntariado de Itapira é relativamente pequeno para o tamanho das obras que temos aqui”, explica. “Além do Bairral e da Casa de Repouso Allan Kardec, temos uma creche e quatro centros espíritas com uma parte assistencial bastante desenvolvida. É pequeno o número de pessoas que costuma se envolver ao mesmo tempo com mais de uma obra. O nosso grande problema é material humano, mas, dentro dos limites, é dada toda a assistência espírita aos internos. Cada local, prédio central e unidades externas, tem uma biblioteca espírita à disposição dos pacientes. Nós temos dois funcionários que se dedicam exclusivamente à parte espiritual junto aos funcionários”. Além disso, também são realizadas reuniões públicas no anfiteatro, que já chegou a contar com a presença de até trezentos pacientes, nas quartas-feiras de noite. Assim, dentro do campo doutrinário, tudo o que é possível é feito.

O próprio Ironildo, há 25 anos, dirige um grupo no Centro Espírita Luís Gonzaga, trabalhando, entre outras coisas, com tratamentos de desobsessão. Mas o problema é o mesmo: falta de material humano. “Esse grupo conta agora”, ele diz, “com meia dúzia de médiuns, e o hospital tem oitocentos pacientes. Não dá pra atender”.

É bom que se saiba que o tratamento no Bairral é exclusivamente clínico; no entanto, os pacientes que procuram a parte espiritual são atendidos. “Nós não impomos nada”, explica Ironildo Boselli. “O paciente que procura é assistido. Agora, na parte que dependa de iniciativa do plano espiritual, nós não temos controle. Eles é que selecionam e direcionam o grupo daqui e os grupos que funcionam na cidade. Aqui o indivíduo se interna e passa exclusivamente para a parte técnica. Alguma coisa da parte espiritual acontece depois, mas não existe possibilidade de diagnóstico diferencial. Tudo isso ainda é um sonho. O que acontece depois é por decorrência da iniciativa do voluntariado e, por outro lado, por iniciativa do plano espiritual, quando for o caso. Mas na internação, o indivíduo é tratado exclusivamente no lado técnico”.

Dessa forma, apesar de se manter fiel à filosofia com que foi fundado, existe uma separação de atividades entre a área clínica e a espírita. A maioria dos médicos não é espírita. “Na parte técnica”, conta Ironildo, “temos dois ou três médicos que são da doutrina. A diretora clínica é espírita, um dos médicos assistentes, e têm alguns simpatizantes. Os diretores e a maioria dos integrantes do conselho curador são espíritas e representantes de entidades espíritas”.

Nessa área espírita, Ironildo Boselli também está envolvido em algumas experiências científicas com relação à fotografia Kirlian e fenômenos como os poltergeist. Essas pesquisas vêm sendo realizadas na medida do possível, sempre procurando atualizar e ampliar os conhecimentos.

Quem vê o Bairral pelas fotos já fica maravilhado com a qualidade das unidades terapêuticas. Mas quem visita o local percebe que essa preocupação constante com a qualidade vai muito além do que se pode imaginar, com cada detalhe das instalações merecendo uma atenção constante.

É um alívio saber que, numa área tão delicada quanto a da psiquiatria, e que tem despertado tantas discussões acaloradas – especialmente no que diz respeito ao fechamento de clínicas e asilos psiquiátricos – o Inst. Bairral dá uma mostra muito clara de que é possível fazer um trabalho de primeira qualidade no Brasil.

Saber mais?

Instituto Bairral de Psiquiatria (Fundação Espírita "Américo Bairral")
R. Dr. Hortêncio Pereira da Silva, 313 - Itapira - SP - Tels.:(019) 3863-9400 Fax: 3863-4255.
E-mail: bairral@bairral.com.br 
Internet: www.bairral.com.br

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