Forças Armadas no Brasil-Colônia
(Origens)
No Brasil Colonial as forças armadas eram precárias e sem nenhuma eficiência quanto as estratégias e comportamento disciplinar. Essas forças eram compostos de caçadores, sertanejos, fuzileiros e um aglomerado de gente sem treinamentos e sem responsabilidade nenhuma com a segurança do país. Não havia direitos e nem deveres e nem juramentos que os ligassem a quaisquer planejamento constituído.Eram submetidos a ordens de chefes também despreparados e que os mantinham agregados na defesa da Colônia. Em são Paulo no século XVII surgiram os "Quadrilheiros" e a "Legião Paulista" cujas bases foram o embrião da Corporação.Eram mercenários mas que tinham alguma importância na atuação contra invasões estrangeiras. Após a abdicação de Dom Pedro I e o poder passando para as mãos seu filho Dom Pedro de Alcântara, começou a haver nessa Regência Provisória, um princípio de reorganização das Forças Armadas, agora já livres da tutela lusitana. Conforme a lei de 18 de agosto de 1831, que foi sancionada a 20 que estabelecia a criação das "Guardas Nacionais e Ordenanças".A estas incumbia-se prestar serviços aos municípios e fora destes e auxiliar o Exército de Linha quando fossem necessários. A lei de 10 de outubro de 1831, criou o primeiro núcleo de incorporação militar que tinha como princípio cuidar da manutenção da ordem interna e as necessidades do policiamento das Províncias do Império. Foram o Ato do presidente da Província de São Paulo e a Guarda Municipal Permanente, que deram origem À Força Pública de São Paulo, corporação esta a qual desde então, confia ao Estado a guarda da lei e a manutenção da ordem. O reduzido efetivo permitiu-se a criação da Guarda Policial, que foi constituída por indivíduos, que sem renda própria, não podiam fazer parte da Guarda Nacional.
Em 16 de abril de 1842 com o regulamento baixado pelo barão de Monte Alegre, presidente da Província, a Guarda Nacional ficaria sujeita em cada termo, ao respectivo Delegado de Polícia, que fazia nomeações internas de comandantes, enquanto os subdelegados, em seus distritos, comandavam as Companhia, cabendo às Câmaras Municipais, a missão de alistar e distribuir os soldados da Guarda Policial em companhias, secções e esquadras. Em 26 de março de 1866, foi criada a Guarda Municipal da Província, cuja missão era fornecer destacamento para o interior da Província e policiamento na Capital. Em 1873, São Paulo exigia, pelo seu desenvolvimento rápido, um serviço de segurança maior. Assim a 04 de março de 1875, a lei de força nº 3, autorizava a organização da Guarda Urbana, cuja tarefa além do serviço de presidente do Estado o Dr. Américo Brasiliense de Almeida Mello, por lei, fixou o efetivo da Força Pública de São Paulo, extinguiu as corporações, criando em substituição cinco Corpos Militares de Polícia e uma Companhia de Cavalaria. A lei nº97-B de 21 de setembro de 1892, promulgada pelo Dr. Bernardino de Campos, estabelecia 3.933 homens distribuídos em cinco Batalhões de Infantaria e um Corpo de Bombeiros.
Movimentos Revolucionários de 1924
A
revolução de 1924 está inserida no movimento tenentista, decorrente do levante
Copacabana, ocorrido em 5 de julho de 1922, na então capital do Brasil.
Liderada pelo General Isidoro Dias Lopes ocorreu em São Paulo a Revolução de
1924. No dia 5 de julho, em São Paulo, cerca de 1000 homens ficaram em locais estratégicos, o
objetivo da mobilização era tirar do poder o presidente Artur Bernardes,
no entanto, outra vez, o grupo de tenentes não sobressaiu e foi derrotado
formando a coluna paulista. Logo depois de sair de São Paulo, o grupo partiu
em direção ao interior do estado, liderado por Siqueira Campos Juarez Távora.
No mesmo momento, no Rio Grande do Sul, o tenente Luiz Carlos Prestes que
discordava com a direção política do Brasil, liderou uma ofensiva militar em
Santo Ângelo, seu comando foi em direção ao estado do Paraná encontrar com a
coluna paulista.
Isso gerou a coluna Prestes que contava com uma numerosa tropa bem equipada de
armamentos, tinham como finalidade levar ao interior a luta contra o governo e
suas ramificações de poder, percorreram cerca de 20.000 km em doze estados.
A Revolta Paulista de 1924, também chamada de 'Revolução Esquecida', de "Revolução de 1924" e de "Segundo 5 de julho" , foi a segunda revolta
tenentista Foi o maior conflito bélico já ocorrido na Cidade de São Paulo/
Comandada pelo general reformado Isidoro Dias Lopes, a revolta teve a participação de numerosos tenentes, entre os quais (que faleceu na revolta), Juarez Távora, Miguel Costa, Eduardo Gomes, Índio do Brasil e João Cabanas.
Deflagrada na capital paulista em 5 de julho de 1924 ( 2º aniversário da revolta dos 18 do Forte de Copacabana primeira revolta tenentista), a revolta ocupou a cidade de São Paulo por vinte e três dias, forçando o presidente do estado, Carlos de Campos a se retirar para o interior do estado, depois de ter sido bombardeado o Palácio dos Campos Elíseos sede do governo paulista na época.
Aconteceram rebeliões em várias cidades do interior de São Paulo com tomada de prefeituras Ainda sob a influência da Revolta Paulista de 1924, surgiram motins em outros estados, como o Rio Grande do Sul e o Amazonas também exigindo a renúncia do presidente Artur Bernardes
Os revoltosos entraram em contacto com o vice-presidente do estado Coronel Fernando Prestes de Albuquerque em Itapetininga convidando-o para assumir o governo revolucionário em São Paulo. O Coronel Prestes que já organizara um Batalhão em defesa da legalidade, na região da Estrada de Ferro Sorocabana, respondeu aos revoltosos:
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Só aceitaria o governo das mãos do Dr. Carlos de Campos, livre, espontaneamente, legalmente! — Coronel Fernando Prestes |
A Cidade de São Paulo foi bombardeada por aviões do Governo Federal. O exército legalista (leal ao presidente Artur Bernardes) utilizou-se do chamado "bombardeio terrificante", atingindo vários pontos da cidade, em especial bairros operários como a Mooca e o Brás e de classe média, como Perdizes, onde, até hoje, se comemora a revolução de 1924.
Sem poderio militar equivalente (artilharia nem aviação) para enfrentar as tropas legalistas, os rebeldes retiraram-se para Bauru onde Isidoro Dias Lopes ouviu notícia de que o exército legalista se concentrava na cidade de Três Lagoas no atual Mato Grosso do Sul, Isidoro Dias Lopes e Juarez Távora planejaram, então, um ataque àquela cidade. A derrota em Três Lagoas, no entanto, foi a maior de toda esta revolta. Um terço das tropas revoltosas morreram, feriram-se gravemente ou foram capturadas.Vencidos, os revoltosos marcharam, então, rumo ao sul do Brasil, onde, na cidade de Foz do Iguaçu no Paraná, uniram-se aos oficiais gaúchos comandados por Luis Carlos Prestes, no que veio a ser o maior feito guerrilheiro no Brasil até então: a Coluna Prestes. Os revoltosos foram finalmente derrotados nos primeiros dias de agosto de 1924, retornando o Presidente Carlos de Campos à capital paulista.
Um inquérito feito pelo Governo do Estado de São Paulo, logo após o fracasso do movimento subversivo de julho de 1924, detectou inúmeros casos de vandalismo e estupros no interior do estado de São Paulo, especialmente sob os olhos do Tenente João Cabanas, que comandava um grupo de revoltosos, que foi denominado como A Coluna da Morte. O inquérito também apurou que muitos coronéis do interior que faziam oposição ao Dr. Carlos de Campos apoiaram o movimento subversivo de julho.O general da Divisão Abílio Noronha, comandante da 2ª Região Militar que abrangia São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, acusou políticos de estarem por trás da revolta, incitando os militares à aderirem à revolução.
O General Noronha criticou também a retirada precipitada da capital paulista, do presidente do estado e das tropas leais a ele, alegando que havia como ter resistido e vencido os revoltosos, logo no início da revolta, e dentro da cidade de São Paulo.Os tenentes e demais militares que participaram desta revolta e das demais revoltas da década de 20,receberam anistia dada por Getúlio Vargas logo após a vitória da Revolução de 1930
No bairro de Perdizes, em São Paulo, a revolução de 1924 ainda é comemorada anualmente até hoje em dia

Tenente Cabanas em Itapira, Pref. João Ribeiro Pereira da Cruz (à direita)
e autoridades

Soldados revolucionários comandados pelo Tenente Cabanas em 1924.
É provável que esta foto, pertencente ao sr. Augusto Fracarolli, tenha sido tirada na fazenda Forões de sua propriedade
Após ter iniciado na capital a revolução chefiada pelo general Isidoro Dias Lopes, chegaram à Itapira - procedentes de São Paulo - os primeiros refugiados em 7 de julho, sendo carinhosamente recebidos pela população. Após vários dias sem incidentes no dia 13 de julho aportaram à estação de Sapucaí numerosas tropas legalistas. O povo encheu-se de apreensões pela aproximação de tal contingente, mas aumentando o pânico ao saber-se que os revolucionários - já localizados em Campinas - visavam a ocupação de Mogi Mirim e Itapira, o que não conseguiram porque de surpresa, os legalistas apossaram se das duas cidades, ficando o grosso da soldadesca naquela localidade e aqui permanecendo somente 15 praças.No dia 21, aproveitando-se da circunstância, o tenente João Cabanas, à frente de 200 homens armados de canhões e metralhadoras, chegou a Itapira, depois de tirotear com a patrulha do governo na rua do Amparo, encontrando a cidade deserta, porque a população refugiara-se nas fazendas. Novas lutas foram travadas na cadeia e quartel, assim como na estação do trem, vencendo os revolucionários em conseqüência da extraordinária superioridade numérica e tomando conta das repartições públicas. Logo após seguiram chegando no dia 27 com o objetivo especial de dinamitar a ponte sobre o rio do Peixe, na estrada de Minas, afim de impedir a vinda de tropas legalistas acampadas em Jacutinga. Fracassado o movimento revolucionário, foi auspiciosa notícia sabida em 28, provocaria justificado jubilo e voltando a cidade à sua situação normal. Mais tarde chegaram as forças legalistas tendo à frente o digno prefeito municipal, Sr. coronel Francisco Vieira, acompanhadas pelo povo até o paço municipal, onde usaram da palavra o governador da cidade e o Sr. major Alcides Amaral que lançou em destaque a brilhante atuação do Sr. Cel. Francisco Vieira durante o árduo prélio. Essa tropa comandada pelo Sr. gal. Martins seguiu dois dias após, em direção a Mogi Mirim. A respeito do Sr. coronel Francisco Vieira. sabemos que ele tomou armas frente a um pugilo de companheiros contra o levante do Gal. Isidoro Dias Lopes, tendo participação ativa nesse movimento.
Movimento Revolucionário em 1930
A 3 de outubro de 1930, um grande movimento revolucionário foi desencadeado simultaneamente nos Estados do Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraíba; a Força Pública foi posta em rigorosa prontidão e a Junta Militar Pacificadora fez irromper a Capital da República, então Rio de Janeiro, o movimento que derrubou o governo Washington Luiz. A 25 de janeiro de 1932, comemora-se a efeméride do nascimento de São Paulo com enorme comício contra a ditadura, realizada na Praça da Catedral; alia-se à multidão exaltada, parte da oficialidade do Exército e da Força Pública. No dia 23 de maio desse mesmo ano morrem os quatro moços paulistas, criando a mística do "MMDC", invade e ocupa o velho casarão da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, e fornece o primeiro contingente de paisanos armados, que começa a operar ao lado do Exército e das Forças Públicas. Pela morte do Coronel Julio Marcondes Salgado, foi nomeado Comandante da Força Pública o Coronel Herculano Carvalho, comandante do "Dois de Ouro" no setor do Túnel. A Força Pública batalhou em tomada as frentes com heroísmo e denodo, perdendo inúmeros dos seus filhos.
(trechos do livro, "Anais Históricos da Força Pública", autor Cap. Luiz Sebastião Malvásio, 1967 (pesquisa de Odete Coppos, constando de sua obra "A Revolução Constitucionalista de 1932 (Setor Leste).
A Revolução de 1932

Cartaz de convocação para Enfermeiras Voluntárias paulistas; No centro foto dos dos rapazes, quando em desfile diante do povo na praça da República, a 23 de maio daquele ano.
À direita os quatro heróis da Revolução, Dráusio, Camargo, Miragaia e Martins (M.M.D.C)
O pretexto estava provado. Deu-se então a proclamação da Guerra, na noite de 09 de julho de 1932, levada a efeito pelo governo paulista e classes armadas, a todos os recantos da união. Seguiram para as linhas de frente, batalhões patrióticos vindos das classes mais abastadas, cultas e estudantis. Os paulistas contavam com a vitória. No entanto as forças federais de Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Minas Gerais apresentaram uma realidade diferente do que se imaginava. São Paulo logo se deu conta quando que estava só lutando contra as forças de todo o Brasil, cujos boatos apregoavam que este queria se separar do resto do país. O pretexto de separatismo reforçou a razão da luta. Os avanços e as arremetidas adversárias . Os paulistas usaram de todo o poderio bélico que dispunham, mesmo improvisando meios de defesa (armas, munições, bombardas, granadas, lança-chamas, carros de assalto, os foguetes luminosos, os sapinhos e por fim uma nova arma de guerra, nunca vista dos antigos,nem sonhada pelos presentes, e talvez , nem acreditada pelos pósteros "A MATRACA!", cujo som lembrava o de uma metralhadora. No entanto em 26 de março de 1932, às 10 horas a ofensiva foi geral. Queda de Caconde em (25 de agosto), Eleutério e Santo Antonio do Jardim (26 de agosto), Espírito Santo do Pinhal (30 de agosto) e Mogi Mirim que estava em situação precária. O inimigo se mostrou implacável e já sem condições de combate os soldados abandonavam as trincheiras.A queda de Itapira veio antes de Mogi Mirim. Houve debandada geral nesses pontos e os Comandantes das Forças Constitucionais esgotaram todos os recursos para coibir essa fuga. Agravou-se a situação e Mogi Mirim se rendeu. Aos poucos os jornais e as rádios da capital e interior anunciavam aos quatro cantos, relatos sensacionais e a avalanche de heróis e mártires que perderam suas vidas. De todas as cidades do interior paulista afluíram contingentes de tropas regulares e muitos voluntários: Amparo, Serra Negra, Socorro, Itapira, Mogi Mirim, etc. Inúmeros relatos individuais dão conta das dificuldades sofridas nessa luta e cada um deixou para a posteridade a sua própria experiência.
A Revolução de 1932 em Itapira
O morro do Gravi localizado entre Mogi Mirim e Itapira, é um ponto histórico, que serviu de palco a uma das mais sangrentas batalhas com as tropas constitucionalistas e ditatoriais. Muitos perderam ali suas vidas, no cumprimento do dever cívico. Muitos combatentes vinham de Caçapava, Jacareí...Praticamente toda Mogi Mirim e Itapira estavam sendo guardadas pelas patrulhas paulistas.

O 3º da esquerda para a direita é o Coronel Bertoldo Klinger de sobretudo
Conforme o telegrama nº 24, datado de 08 de maio enviado pelo Tenente Coronel Vila Bela, chefe do S.E.M. do Coronel Klinger, ao coronel Paiva (Campinas ou Jaguari) o Batalhão 9 de julho, do Major Robillot, e o 6º R.I. do major Marco Antonio, do Exército que expressava a necessidade da retirada dessas tropas para essa cidade, nossa região ficaria desguarnecida. No entanto, por razões estratégicas, optou-se por manter por essas bandas as tropas em questão. Dessa maneira, a cidade de Mogi Mirim pode contar com esse contingente para a sua defesa. Então o Morro do Gravi, do Macuco, das fazendas Calunga e dos Pinheiros. A fazenda Santa Bárbara nessa altura, já estava ocupada pelas forças inimigas.
As forças paulistas desesperadas começam a se render.Em 1º de outubro de 1932 o General Bertoldo Klinger se entrega ou como preferem alguns estudiosos, deserta
Eleutério
Trincheiras em Eleutério
Agravada a situação na região de Eleutério, Barão Ataliba e Itapira os oficiais comandantes para aqui destinados não puderam remediar esse conflito e evitar a queda futura de Mogi Mirim que representava um ponto estratégico de toda a frente do Espírito Santo do Pinhal, São João da Boa Vista, São José do Rio Pardo e possivelmente de Araras, Pirassununga, Palmeiras e outras localidades quase todas servidas pela Cia. Mogiana de Estrada de Ferro. Tropas terrestres com artilharia artilharia pesada e bombardeamento aéreo atingiam Sapucaí e Eleutério sem piedade. Aviões eram abastecidos em Ouro Fino e despejavam suas bombas no lado paulista, provocando baixas e fugas. As tropas de Eleutério retraíram-se para Barão Ataliba Nogueira pela pela fazenda Malheiros. Continuavam resistindo, portanto mesmo após a mudança do Quartel General ditatorial ter ido para Ouro Fino. Eleutério enfrentou o seu maior combate com os batalhões provisórios do Rio Grande do Sul, da Baía, Paraíba, Ceará e IV Regimento da Cavalaria de Três Corações. As tropas federalistas avançavam e alcançavam as imediações de Itapira, Amparo e Pedreira. Como Eleutério estava localizado em uma área tática e estratégica para o inimigo, ali se concentrou um poderio de fogo muito grande. Enfim após lutas sangrentas e fuga em massa da população para áreas rurais, travou-se o combate decisivo na noite de 4 para 5 de setembro no morro do Gravi. Foram feitos prisioneiros mais de 400 paulistas, sem contar mortos, feridos e fugidos mato a dentro. Caíram portanto, Itapira, Mogi Mirim, Amparo, Lindóia, Socorro e Pedreira.
Famílias itapirenses e voluntários
Inúmeras famílias itapirenses participaram desse episódio sangrento de 1932. Muitos foram os combatentes voluntariados e pessoas ligados ao auxílio assistencial que punham seus préstimos onde se fizessem necessários.
As Famílias Fiordomo, Coppos, Toledo, Aguiar Toledo, Vieira, Cintra, Anela, Rocha, Torrecillas, Brandão, Rovaris, Pereira da Silva, Salgado, Sarkis, Franklin da Cunha , Cappeletto, Santiago, Guedes, Ravetta, Oliveira, Freiras da Santa Casa, Galdi e muitas outras. José Santiago e Paulino Santiago seu filho, ambos deixaram registros fotográficos importantíssimos dessa época o que tem facilitado as pesquisas por imagem e pelas lembranças desses episódios

José Santiago e Paulino Martins Santiago (pai e filho).
Dr. Hortêncio Pereira da Silva

Foto do Dr. Hortêncio Pereira da Silva e (no círculo) realizando trabalhos de exumação dos combatentes mortos
O medico Dr. Hortêncio Pereira da Silva (1º medico de Itapira) teve uma participação extremamente importante durante a Revolução de 1932.Fez de sua residência hospital para atender os feridos. Ali trabalhavam seus próprios familiares e voluntários. Recebeu em cerimônia solene na sede do M.M.D.C., na capital de São Paulo a medalha de honra póstuma de 1932. O General Aristides Leite Penteado, ex-combatente do batalhão 14 de julho, entregou às mãos da Dra. Lília, sua filha, diploma e medalha que coube ao seu pai pelos profícuos trabalhos de 1932. Conforme Lília por ocasião da revolução foi transformada a Casa de Saúde e Maternidade, que leva o nome do homenageado foi esta foi transformada em Hospital de Sangue para atender os feridos. Chegara a adaptar um caminhão próprio em ambulância, indo como chofer, no fronte de Eleutério onde se travou a maior batalha da revolução. Atendeu com valentia os combatentes e deu-lhes amparo até a última hora, mesmo correndo o risco de ser fuzilado por esse tipo de atendimento.
Religiosos da Santa Casa, enfermeiras e médicos
Grupo de enfermeiros, médicos e autoridades da Santa Casa de Itapira ( Maria Galdi no círculo)

Irmã Angélica D.Maria Galdi Padre Henrique de Moraes Mattos
As religiosas também tiveram participação dinâmica, humanitária e exemplar. A irmã Angélica cuidou dos feridos como enfermeira e levou apoio espiritual no sentido de amenizar as dores de cada um.Segundo irmã Angélica muios se dedicaram ao assistencialismo naqueles dias sangrentos: Dr. Névio Bicudo, Dr. João Cunha, as enfermeiras Therezinha Fonseca, Thereza Sarri, Domingas Bueno, Maria Galdi. Numa época onde ainda não se conheciam os antibióticos e nem o soro os medicamentos eram manipulados nas farmácias pelos, farmacêuticos Antonio Serra e Achiles Galdi
Dr. Hortêncio teve sua casa saqueada pelo revanchismo que se sucederam à derrota do movimento e pela seu denoto no cuidado com os feridos em combate. Para agravar ainda mais a situação a Santa Casa teve cortadas a energia elétrica e a água, obrigando os médicos a operarem a luz de lampião.A alimentação tornou-se escassa e toda a roupa da Santa Casa foi queimada. Também o instrumental cirúrgico foi levado deixando a situação extremamente difícil.
Padre Henrique, pároco da Matriz Nossa Senhora da Penha, ministrou e exerceu seu sacerdócio entre os soldados de 9 de julho. Distribuía suas bênçãos hóstias às levas de soldados que seguiam para as trincheiras de Sapucaí
Combatentes itapirenses

Alcides de Oliveira (Alemão) "Juca Toledo, César Coppos e desconhecido - Soldado Antonio Guedes
Ex prefeito Alcides de Oliveira de saudosa memória, (1908-2006), Antonio Guedes (paraibano, radicado em Itapira).
Alcides de Oliveira, vulgo "Alemão" esportista, político tendo sido eleito para o cargo de prefeito em várias gestões (1965, 1966/1968 e 1969), respectivamente, 28º, 30º e 33º Prefeito de Itapira. Foi um dos combatentes na revolução de 1932 com desempenho extraordinário e muito patriotismo. Esteve presente nas escaramuças do Morro do Gravi e ali demonstrou toda a sua fibra e coragem. Desde então até seu falecimento foi figura de expressão e de presença nas solenidades que envolvem o Morro do Gravi.
Antonio Guedes também demonstrou toda sua coragem e destemor. Com muito orgulho dizia que era da Paraíba, mas sentia-se como um filho de São Paulo. E completava que veio à Itapira para alistar-se como voluntário e juntar-se às forças constitucionalistas. Era o modo de agradecer o que São Paulo fez por mim desde os seus 14 anos.Também participaram ativamente dessa revolução o Jose Toledo Machado "Juca" Toledo, (filho de Américo Firmino Machado) e César Coppos (irmão de Odete Coppos), autora do livro sobre a "Revolução Constitucionalista de 1932 (Setor Leste).
Coronel Francisco Vieira

Cel. Francisco de Assis Vieira e duas fotos de seu busto na Praça Bernardino de Campos
O grande Comandante Coronel Francisco de Assis Vieira, nasceu no dia 13 de agosto de 1883 e faleceu em 05 de maio de 1946. Foi prefeito de Itapira durante 15 anos consecutivos de 1911 a 1925. Era conhecido pela sua coragem e audácia nas questões militares. Durante a Revolução de 1932 teve participação de destaque pelas estratégias, e decisões táticas que se utilizou nesses combates.Reuniu o Comando para discutir estratégias e criou um Comitê de urgência para recrutar novos voluntários que quisessem engrossar as fileiras de combatentes. Tem seu busto perpetuando sua imagem na Praça Bernardino de Campos. Sua biografia é tão extensa que merece um capítulo à parte.
Muitos outros personagens tiveram participação ativa nesse episódio de 1932 e todos eles haverão de ter deixado na memória dos itapirenses seus feitos heróicos.
Todos os anos o movimento revolucionário do dia 9 de julho é lembrado cujas solenidades reúnem as autoridades locais naquele morro onde tombaram dezenas de soldados;
Presença de Soldados em Itapira

1 - Grupo de Soldados paulistas na área rural de Itapira 2 - Combatentes Paulistas em trincheira localizada no Parque 3 - Tropas Paulistas na Estação do trem da Mogiana em Itapira
1 - Grupo de soldados paulistas em Itapira
2 - Na foto do centro vemos a antiga estação ferroviária de Itapira, sendo tomada pelas tropas federais. As tropas federais tomaram a Santa Casa de Misericórdia de Itapira.
Esses soldados posaram junto ao chafariz ali existente e o fotógrafo José Paulino proprietário do Estúdio Photo Santiago era obrigado a registrar as fotos exigidas.
União - Soldados Constitucionalistas de Itapira em pose para a posteridade na Estação do trem da Mogiana.
Solenidades Comemorações e Inaugurações.

1 - Ibrahim Nobre, quando se dirigia ao povo com seu veemente discurso ao contar a história da coragem dos soldados paulistas.
Esse evento ocorreu na inauguração do marco comemorativo à Revolução de 32, localizado no Morro do Gravi, em Itapira.
2 - marco histórico em detalhe erigido no Morro do Gravi, à margem da estrada velha entre Itapira e Mogi Mirim

Foto da esquerda:Com a presença do prefeito João Manoel Pereira de Oliveira, do juiz de direito da Comarca, Dr. Manoel Augusto de Ornellas, do presidente da Câmara, Antonio Eduardo de Almeida, do vigário da Paróquia de N.S.da Penha - Cônego Guerra Leal - dos vereadores Dr. Hortêncio Pereira da SIlva, Anacleto Magalhães Pereira, Dr. Névio Bicudo, João Jacintho Cintra, Francisco Vieira, José Gomes da Cunha Salles e de um público numeroso que prestigiou as solenidades comemorativas do centenário da fundação de Itapira, acompanharam de perto as programações daquela data histórica de Itapira.
Foto da direita: Após o término da Revolução, a estrada que liga Mogi Mirim a Itapira, no Morro do Gravi, foi erigido um obelisco em homenagem aos soldados constitucionalistas que tombaram em combate ali ocorrido. Muitos deles tombaram nas trincheiras feitas naquele Morro contra os federais. Na foto vemos o Promotor Público de Mogi Mirim, Dr. Paulo Teixeira de Camargo, proferindo o discurso de inauguração do obelisco. Em destaque, a foto do saudoso Chiquito Venâncio, mogimiriano morto em combate no Sul de Minas.
De 8 para 9 de julho de 1957 houve vigília na Praça Bernardino de Campos onde se achavam expostas as urnas com os restos mortais dos soldados paulistas tombados no setor de Itapira. Nodia 9, pela manhã, realizou-se o traslado das urnas para o cemitério onde foi celebrada missa pelo padre Henrique de Moraes Matos. Diante ao Mausoléu discursaram o prefeito Caetano Munhoz, o prof. Pedro Ferreira Cintra, o Sr. David Moro, (presidente do "Lions Club" e o Sr. Ângelo Lisi, presidente da Câmara.

Esta foto na Praça Bernardino de Campos ao lado do coreto, mostra as urnas com as cinzas dos soldados paulistas, momentos antes de serem conduzidas ao Cemitério da Saudade na manhã de 9 de julho de 1957. No grupo de pessoas, à esquerda, aparecem David Moro, José Carlos de Camargo Ferraz, Pedro Ferreira Cintra, José de Oliveira Serra Neto, Maria Galdi Terra, Wilma de Barros Munhoz, João Moro, Luis Delfino, Mauro Cintra, Caetano Munhoz e Atílio Stefenon. À direita estão Francisco Gabriel Pinola, Avante Breda, Haarlei Marella, José Serra, capitão Lázaro Vieira de Mattos e outros.
1 - Aspecto da romaria conduzindo as urnas com as cinzas de soldados de 1932
2 - Uma das urnas sendo transportada por estudantes à esquerda, Osmar Soares de Campos); aparecem ainda, o Sr. José Serra, os vereadores Atílio Stefenon,
João Manoel Galdi, David Moro, José de Oliveira Serra Neto e a Sra. Alice Boretti.

Á esquerda: Mausoléu do Soldado Paulista de 1932, no Cemitério da Saudade, inaugurado no dia 9 de julho de 1957 pelo então prefeito Caetano Munhoz. (escultor Alfredo Oliani)
Ao centro: No cemitério discurso proferido pelo prof. Pedro Ferreira Cintra, tendo à esquerda o Sr. Francisco Gabriel Pinola e o radialista Dácio Clemente:
e à direita o prefeito Caetano Munhoz e o vereador José de Oliveira Serra Neto.
À direita: Solenidade junto ao mausoléu no dia 9 de julho de 1963, onde vemos o presidente do Centro Itapirense de Cultura e Arte Jácomo Mandatto.Nessa foto aparecem ainda: Sezefredo Fecci, padre Paulo Nogueira, o prefeito Wilson Victor dos Santos e os meninos do Grupo Escoteiro de Itapira.
Solenidade em Mogi Mirim
Aqui vemos uma expressiva foto feita na Câmara Municipal de Mogi Mirim, em 1952, muitos anos após a Revolução de 32, quando o Movimento Constitucionalista da Capital procurou reaver os restos mortais de soldados falecidos em combate e enterrados pelos cemitérios da região da Baixa Mogiana. Daqui da nossa região foram encontrados cinco corpos, que foram calafetados em caixões especiais e levados para permanecer no Mausoléu do Soldado Constitucionalista.A foto à esquerda foi registrada durante os dias que os soldados paulistas estiveram em Mogi Mirim. O Clube Recreativo se transformou na "Casa do Soldado". Das 7 até às 22 horas. formaram turmas de moços e moças para atender, no tempo de três horas cada uma, os soldados que iam ao Clube tomar café, chá, lanches. O grupo das 7 às 10 horas era formado por rapazes e moças que aparecem na foto, entre soldados e oficiais da tropa paulista. Dos quase 100 voluntários de Mogi Mirim apenas Francisco Ferreira Alves Filho (Chiquinho Venâncio), não voltou, tendo sido morto nos combates do sul de Minas. Mogi Mirim contribuiu com muitos capacetes de aço conseguidos através de angariações em dinheiro para a sua compra. Esse capacetes eram enviados a sede do M.M.D.C. em São Paulo

1 - Muitos senhores que tomaram parte na revolução estiveram presentes à cerimônia de exposição dos caixões. Foram lembrados, da esquerda:, o Sr. Benedito Vaz, mais atrás o Luiz Franklin Silva, o Benedito Britto, o Ary Cunha, mais atrás, o Osvaldo Diogo, o presidente da Câmara, José de Abreu Prado e o corneteiro de São Paulo, o Elias dos Santos Fontes, que acompanhava a caravana e tocava o "Silêncio" nas cerimônias. Senhoras de Mogi Mirim acompanharam a cerimônia na Câmara Municipal que foi transmitida pela Rádio Cultura, pelo Orlando Bronzatto (Pintaca), que se vê bem ao fundo com os fones.
2 - Na foto da direita podemos ver, da esquerda para a direita: Norma Dotta, Maria Navarro, profa. Maria Cristina Almeida, Celeste Brandão, Beatriz Pereira, Quininha Oliveira, Odete Milano, de terno preto Ernani Calbussi e Ida Ceregatti. Bem ao fundo, o prof. Otílio Toledo, diretor do grupo "Oscar Rodrigues Alves". Também tomaram parte, mas não aparecem na foto, os senhores César Ferreira Lima e Alexandre Berdel (esposo da profa. Maria Cristina (arquivo Pintaca)
A Revolução de 1964
Prof.
Aristides Braga
Neste momento no qual a revolução de 1964 comemora seus 40 anos, a partir de 31 de março de 1964, data do seu desfecho, vamos analisar sua realidade, com isenção e seriedade, sem ódio nem paixão, à luz da história.
1 –
Antecedentes
No cenário mundial, a partir de 1946, o mundo ficou dividido em dois grandes blocos: o bloco capitalista, liderado pelos Estados Unidos, e o bloco comunista, liderado pela União Soviética.
O Brasil, por sua tradição histórica e por seu modelo econômico, pertencia naturalmente ao modelo capitalista, sob a égide da livre empresa, aliado ainda à sua forte realidade religiosa incompatível com o ateísmo soviético.Nos governos dos presidentes Jânio Quadros e João Goulart, não por convicção ideológica, mas por miopia política, todo este arcabouço histórico do Brasil foi ameaçado de ruptura violenta tentando estes governos orientarem o Brasil para o lado do bloco soviético. A título de exemplo mencionam-se alguns fatos que confirmam isto: condecoração do guerrilheiro Che Guevara pelo presidente Jânio Quadros, visita do presidente Goulart á China Comunista, envio de caravanas de políticos, professores e estudantes à Cuba e à China, apoio governamental a invasões de terras pelas ligas camponesas lideradas pelo deputado comunista Francisco Julião, apoio de ministros à subversão da ordem, ataques diretos de políticos do Governo aos Estados Unidos, aberta pregação oficial contra a hierarquia militar, e presença com discurso do Presidente da República a uma manifestação gigante de soldados e cabos contra oficiais e ministros, no Rio de Janeiro.
Ao lado desta situação caótica, que provocou protestos da sociedade civil, da Igreja, da Imprensa, dos Empresários, das Classes Profissionais, das donas de casa e dos militares, a Economia Brasileira enfrentava inflação galopante com índices mensais superiores a 60%, elevado desemprego e baixo crescimento.
2 –
Ruptura Institucional
No dia 31 de março de 1964, atendendo aos reclamos das lideranças democráticas e do povo brasileiro, as forças armadas saíram dos quartéis e
destituíram o Governo Goulart, sem revolução civil, sem derramamento de sangue, em clima de ordem, salvando o Brasil do caos comunista.
3 –
Governos Revolucionários
De
1964 a 1984 o Brasil foi comandado por presidentes militares, todos eleitos
pelo Congresso Nacional.
No
primeiro momento, de 1964 a 1970, pelos Presidentes Castelo Branco e Costa
Silva, os quais mantiveram em pleno funcionamento as instituições democráticas
do Congresso Nacional, das Assembléias Legislativas e das Câmaras de
Vereadores, e ainda permaneceram abertos os Tribunais de Justiça, desde o
Supremo Tribunal Federal até aos Tribunais Estaduais.
Nesta primeira fase, a economia brasileira apresentou forte recuperação, com
queda da inflação e renovação do crescimento econômico, e o país voltou ao
clima da ordem. Apenas, como exemplo, a inflação em fevereiro de 1964 foi de
82%, e em junho de 1964 a inflação foi de 18%, baixando a 14% em dezembro.
No
segundo momento, de 1971 a 1979, os Presidentes militares foram os Generais
Emilio Médici e Ernesto Geisel. No primeiro período, o Governo teve que
enfrentar fortes reações de minorias esquerdistas, que apelaram para
seqüestros e atos terroristas tentando desestabilizar o regime, e que foram
tratados com a energia necessária e firme, mantendo-se a ordem. No segundo
período, o Brasil conheceu os mais elevados índices de crescimento da sua
história. No terceiro momento, de 1979 a 1984, o presidente do Brasil foi o
General João Figueiredo, o qual conduziu o país à redemocratização, com a
devolução do poder político aos civis, com a eleição do Presidente civil.
4 –
Principais Realizações da Revolução de 64
No campo político-institucional, o Brasil voltou ao clima de ordem social, com o pleno funcionamento das instituições democráticas do Congresso Nacional e das Assembléias Legislativas, sendo todos os Estados Brasileiros dirigidos por seus Governadores, eleitos pelas respectivas Assembléias Estaduais.
No campo do Poder Judiciário permaneceram abertos e em plena atividade todos os tribunais de justiça, no plano federal e no plano estadual, a partir do Supremo Tribunal Federal.
No campo econômico, o Brasil registrou os mais baixos índices de inflação e os mais elevados índices de crescimento do PIB nacional. Entre as muitas grandes obras realizadas de 1964 a 1984 mencionam-se: a Ponte Rio/Niterói, Os Metrôs do Rio e São Paulo, Barragem de Itaipu, a Barragem do Sobradinho, a Siderúrgica Açominas, a Ferrovia do Aço, a Rodovia Transamazônica,
as Telecomunicações, os Portos de Suape de Pernambuco e de Paranaguá no Paraná, Grandes Rodovias tais como a BR 101, e os Projetos Regionais. No campo social/ previdenciário, foi criado o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço(FGTS), o Banco Nacional de Habitação ( BNH), a Unificação dos Institutos de Previdência, a Reforma da Educação Brasileira e a ampla melhoria da saúde pública.
5 –
Conclusão
Em
1985 a revolução chegou ao fim e o poder civil retornou aos políticos civis,
através de eleições livres, em clima de ordem e paz social.
Claro é que, ao longo dos vinte anos de revolução, ocorreram erros e excessos
de lado a lado, o que não invalida o grande esforço nacional e o que
representou aquele movimento em beneficio do Brasil e do seu futuro.
O
fundamental é que as gerações atuais e futuras conheçam a realidade na sua
forma integral, sem máscaras, e percebam que a revolução de 1964 foi uma
solução necessária diante dos riscos que corria a nação brasileira.
O Brasil mostrou ao mundo que é um país abençoado: entrou e saiu de um processo revolucionário sem guerra civil, devolveu o poder aos civis de forma democrática, e atualmente é governado por partidos de esquerda em um governo legitimamente eleito, tudo em clima de ordem.
Revolução de 1964 em Itapira
Itapira também não ficou fora, tendo enviado nossos reservistas à Brasília na defesa da Guarda Nacional. Muitos jovens deixaram suas famílias e rumaram para para defendê-la caso necessitasse.Ademir Baggini, Armando Neto, Anísio Belinello, Antonio Aparecido Storari, Antonio Batista de Lima, Antonio Benedito dos Santos, Antonio Carlos Martinho, Antonio Carlos Venturini, Jairo Calil, Antonio Rita, Antonio Rubens Simões, Cláudio Porfírio da Silva, Darcy Augusto da Rocha Salgado, Fernando de Oliveira Neto, Francisco Luis de Moraes, Geraldo Mancini, Geraldo Rodrigues Gonçalves, João Laércio Cavenaghi, João Antonio Francatto, Joel de Mello, Jose Aquiles Boretti, José Airton Rogatto, José Alberto da Silva, José Carlos Bariani, José Maria Delfino, José Otelo Boretti, José Pereira da Costa, Laércio Bando, Laércio Bernardo da Silva, Lázaro Mendonça, Luis Antonio Canella, Luis Fernando Bayod,, Mauricio Luis Cavenaghi, Nereu Epifânio Paschoal, Paulo Inácio de Campos, Pio Dácio Amorim, Ramiro Martins de Castro, Reinaldo Anacleto Silva, Rubens Ferraz, Sebastião Rosa, Valdomiro Prette, Vilmor Cavallaro, Walter Bueno de Moraes e Wilson dos Santos. Após o término o dever cumprido tendo os militares assumido o poder e com a queda do regime democrático, nossos jovens retornaram às suas casas, em 18 de julho de 1965, para serem homenageados com muita festa por todos. Muitos foram condecorados pelos bons serviços prestados à Pátria. Nessa relação citamos Joel de Mello, Jose Aquiles Boretti (Tucano) e Nereu Paschoal tendo sido promovidos a cabo.
Durante sua estádia servindo em Brasilia, no BGP (Batalhão da Guarda Presidencial) fizeram muitas amizades e participaram de rígidos treinamentos Na capital federal foi fundado o BS (Batalhã da Saudade), entidade que tinha por objetivo manter a união e a moral da tropa. O futuro de cada um estava nas mãos do Regime Militar que foi instalado e sob essas ordens o comando exigia, participação e disciplina rígida de todos. A organização do Batalhão da Saudade tinha como comandante de honra o Tenente, hoje General Fernando Cardoso e foi nomeado 1º adido Militar das Forças Armadas junto à Embaixada da China, Por sua folha de serviços prestados à nação brasileira foi promovido a General de Brigada em 1991 e em 1992 foi nomeado ministro de Estado Chefe da Casa Miliar. Em 1996 assumiu o Comando das Operações Terrestres do Exército. O Batalhão da Saudade sempre promove encontros para relembrar aqueles idos de 64.

1ª Foto - Antonio Storari em Brasília nos anos de 1964 e 1965, Fazia parte do BGP.Nota-se a metralhadora aos seus pés.
2ª Foto - José Airton Rogatto, armado de fuzil no campo de treinamento na capital federal em 1964.
Dia do Soldado
O dia do Soldado se encaixa nesse calendário onde as forças militares, os tiros de guerra, as revoluções e as guerras são referenciadas. Para tanto iremos fazer um breve retrospecto da história sobre as forças que compunham a guarda policial em nossa cidade, até a criação da Guarda Municipal. Em 14 de agosto de 1932, por iniciativa de Noé Rocha, instalou-se a Casa do Soldado, com o objetivo de fornecer alimentos, refrescos, cigarros, etc., às tropas constitucionalistas deste setor. A data de 25 de agosto vem nos lembrar a comemoração do dia do Soldado em todo o país. Esses bravos agentes da lei tem em seus registros muitos momentos de coragem, ação e atuação nos mais variados segmentos da sociedade. Têm merecido homenagens e galardões pelos seus feitos e sempre com muito orgulho participado na proteção do patrimônio e das pessoas honestas e seguidoras da lei. Não têm medido esforços no combate ao mal contras os transgressores. Também atuam na área educativa promovendo palestras em escolas e ensinando os bons princípios às crianças e aos jovens. Exercem trabalho preventivo contra as drogas e orientam juntamente com profissionais treinados o combate aos maus tratos infantis e agressões familiares. Sua ação tem se estendido na orientação em conjunto com a PM contra as transgressões do trânsito e na manutenção do equilíbrio da paz e da ordem social. São participantes das comemorações, dos jogos de futebol, dos desfiles, dos carnavais, das festas religiosas, dos comícios, cinemas, repartições públicas, etc. e em todas as situações onde há aglomeração de pessoas, tudo no sentido de garantir a ordem e prevenir conflitos. Sempre deram garantias de proteção com patrulhamento preventivo até ostensivo nas ruas da cidade. Permanecem em postos previamente escalados, na própria cadeia, no fórum, nas ruas, praças escolas e lugares mais movimentados como Bancos, parques e logradouros públicos. Em Itapira os soldados estão presentes desde o passado. Por aqui já passaram centenas de guarnições policiais desde os tempos mais remotos. Muitos desses valorosos homens foram e são da própria cidade e muitos vieram de outras localidades. Também muito deles se transferiram de modo definitivo para Itapira e aqui formaram família, tiveram filhos e aqui faleceram. Muitos delegados assumiram esses destacamentos desde a fundação das primeiras cadeias construídas. quem dos anos 30 ou 40 não se lembra do Elpídio Honório da Silva, Augusto de Almeida (Baiano), Félix Martinez, Antonio Guedes, José Pupo, Niquinho, do Sebastião (Bastião soldado) e dos irmãos Leite: Juvenal, Jovino, José e Gentil. Outros soldados da PM que não poderíamos deixar passar em branco foram: O Sargento Liminha (soldado Lima), Carlinhos, Gabriel, Zezinho Vieira, Gilton, Francisco Gonçalves, Celso Cecatto, Arlindo Nerva, Tótero, Alcides dos Santos, Simão Jorge Sarkis, Soldado Russo, Divino, Elói, Salvador, Gilberto de Lima (irmão do Liminha), Sebastião e Joaquim Barbosa. Um soldado que atuou na Revolução de 1932 foi Luiz Pontes Bueno que era um agente de ligação entre o corpo medico criado para atender os feridos na Santa Casa e os diversos comandos da revolução.
Representantes do Fisco e da Polícia local em 1935

Da esquerda para a direita: José Theodoro Pereira da Silva e Ataulfo de Ulhôa Canto, Coletores Federal e Estadual; Pedro Ferreira de Mello Alvarenga, escrivão da Coletoria Federal; Sebastião Aristeu Ferreira, escriturário da Caixa Econômica.; Dr. José Augusto Valle e Almeida, Delegado de Polícia; Durval Vieira de Souza, escrivão da Coletoria Estadual; farmacêuticos Antonio Serra e Lázaro Pereira da Silva, 1º e 2º suplentes do Delegado de Polícia; Joaquim Bento Ferreira Alves, escrivão de Polícia; sargento José Nunes do Nascimento, Comandante do Destacamento; José Botero, carcereiro e sargento Lázaro do Nascimento, auxiliar do Comandante do Destacamento.
História
Em 21 de agosto de 1858 iniciou-se a construção da Cadeia e da Câmara, localizados onde hoje está o coreto, na praça Bernardino de Campos, tendo se incumbido dos trabalhos o Sr. Com. Cintra. Após passar por transformações arquitetônicas, funcionou conforme a cronologia abaixo.. Após isso no dia 20 de agosto de 1958 pela Lei Estadual nº 4.808 a Câmara Municipal passou a funcionar no Fórum local a partir de 1961. A nova cadeia foi construída e passou a funcionar no alto da Rua Duque de Caxias. Após essas mudanças ocorridas e o prédio da cadeia ter passado por uns tempos sem uso esse local passou por reformas, com retirada dos muros laterais instalando-se ali a Casa da Cultura. Desde a construção da Cadeia e Câmara Municipais que determinava a ação policial, judicial e administrativa eram os próprios intendentes, chefes administrativos da Câmara, quase todos investidos de patentes, oficiais (alferes, tenentes, major, capitães, coronéis...).
Abrimos um parêntese para explicar os motivos que se levou a considerar civis e importância político-administrativa e sociais num determinado lugar recebessem esses títulos reservados aos militares. Citamos João do Norte em suas crônicas semanais para suas respostas. " O ardor patriótico do povo brasileiro, depois do Grito do Ipiranga em 7 de setembro de 1822, por questão de cautela, foi fundada, oito anos depois, por Decreto, a Guarda Nacional, contando com civis e com a finalidade patriótica de servir e honrar a Constituição, a liberdade, a integridade do povo e auxiliar o exército na defesa do solo pátrio por mar e terra".
Delegados de Polícia até 1935
Após isso tivemos uma relação de delegados que apresentamos abaixo: Lázaro Vieira de Mattos empossado em 11 de agosto de 1931
Oscar Mascarenhas, Joaquim Bento Ferreira Alves, Drs. Antonio Monteiro de Araripe, Aristides de Albuquerque, Ayres Martins Torres, João Clímaco Pereira, Alberto Quartim de Moraes, Paulo Silva Pinto, Juarez Felix de Godoy, Vidal de Aguiar, Carlos Mendonça Furtado, Pedro de Alcantara C. de Oliveira, Elias de Oliveira, Fábio Barbosa Lima, Dácio A.de Moraes e auxiliares técnicos (dr. Floriano Freitas, Olympio F. de Araújo Cintra Filho e Paulo Teixeira de Moraes), Delduque Garcia Ribeiro, F. de Almeida Peter, Durval Vieira de Souza, Odorico Francisco de Moraes, João Moro (revolução), Guilherme Straling, Carlos Mendes Leite, Guilherme Starling (2ª vez) Geremias Franco, Dr. Armindo Beghini. Muitos outros delegados a partir dessa data atuaram em nossa cidade. No momento vamos enfocar os mais antigos. Posteriormente após pesquisas daremos sequência nessa matéria.
Destacamento delegado e soldados

Nesta foto da década de 50 vemos: Alcides de oliveira (Alemão e prefeito de Itapira), Jorge Witter, Dr. Armindo Beghini (delegado, José Breda (Bepe) e Soldado Elpídio Honório da Silva


Foto dos soldados Antonio Guedes e Alcides dos Santos (este, em frente a Delegacia de Polícia)
Os 4 Irmãos Soldados


Juvenal Leite

1ª Foto - João Batista Lima (Liminha) e João Batista Baggini de Lima. Ambos pertenciam a PM. Liminha é 1º tenente e o filho é 1º sargento.
Salvador Gilberto de Lima (despachante),e que aparece em foto mais abaixo, também faz parte da família Lima.
2ª Foto - João Batista Baggini de Lima, ainda na ativa na cidade de Campinas, ai lado de uma viatura da PM.

1ª Foto - Soldados do destacamento de Itapira em formação, no hasteamento das bandeiras da cidade, Paulista e do Brasil comemorando o dia do Soldado.no gramado do Estádio Cel. "Chico Vieira"
Entre os soldados estão Sargento Lima (João Batista de Lima), Tótero Zordan, Jsoé Vieira e Alcides dos Santos.
2ª Foto - Pelotão em linha no gramado do Estádio Cel. "Chico Vieira", ao lado da Cadeia Pública. Vemos da esquerda para a direita : João Batista Vasconcellos (Cabo Comandante do Destacamento local), Sebastião Silvano de Andrade, Manoel José Pupo, José Vieira (Zézinho), Arlindo Nerva (Fiuza), Simão Jorge Sarkis, Gilton de Carvalho, Francisco José Gonçalves (Chiquinho) e Celso Cecatto.
3ª Foto - Reunião dos soldados locais e de civis: José Otaviano Ghilardi, Francisco José Gonçalves, Divino, Alcides dos Santos, Sargento João Batista de Lima (Liminha), Benedito Ézio Levatti e prof. Luiz Ehmke.

1ª Foto - Comemoração da guarda Mirim. Vemos nesta foto da década de 60 o soldado Juvenal Leite, Chefe da Corporação Mirim. à sua direita estão o soldado Simão Jorge Sarkis, Sargento Lima e Gilton de Carvalho. Á esquerda estão
Tótero, mais um policial e o guardinha mirim João Paniçola de boné.
2ª Foto - Vemos nesta foto o tenente Salvador Gilberto de Lima (farda passeio), sargento João Batista Lima (Liminha). Os outros soldados são do 8º BPM de Campinas.
3ª Foto - Nesta foto de 1968 estão os soldados Tótero, Russo e Gilton de Carvalho prestando serviços na delegacia de polícia local.
Três
momentos da evolução arquitetônica da Cadeia nos anos de 1858 a 1905,



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A Segunda Guerra Mundial
História
Desde o início da Segunda Guerra Mundial, a
ideologia do Estado Novo, implantado por Getúlio Vargas, apontava para um
provável alinhamento do Brasil com os países do Pacto de Aço - Alemanha e
Itália. Em 1937 Vargas havia instalado no País uma ditadura, apoiada em uma
Constituição centralizadora e autoritária, que guardava muitos pontos em comum
com as ditaduras fascista. A própria declaração de Vargas ao comentar a invasão
da Polônia pelo exército nazista, em 1° de setembro de 1939, revelava certa
simpatia pelo nazismo ao prever um futuro melhor: "Marchamos para um futuro
diverso de tudo quanto conhecemos em matéria de organização econômica, política
e social. Passou a época dos liberalismos imprevidentes, das demagogias
estéreis, dos personalismos inúteis e semeadores da
desordem".
Repressão: esta era a ordem política no Brasil na época da Segunda Guerra. O
Estado Novo, decretado em 10 de novembro de 1937, fechou o Congresso, impôs a
censura à imprensa, prendeu líderes políticos e sindicais e colocou
interventores nos governo estaduais. Com um estilo populista, Getúlio Vargas
montou um poderoso esquema de propaganda pessoal ao criar o Departamento de
Imprensa e Propaganda (DIP), claramente inspirado no aparelho nazista de
propaganda idealizado por Joseph Goebbels. A Hora do Brasil, introduzida nas
rádios brasileiras e chamada ironicamente pela intelectualidade de "Fala
Sozinho", mostrava os feitos do governo, escondendo a repressão política
praticada contra uma sociedade pouco organizada na época. Vargas criou o salário
mínimo e instituiu a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), entre outros
benefícios sociais, o que o levou a ser aclamado como "pai dos pobres" pela
população de baixa renda.

Em 1940, um ano após eclodir na Europa, a guerra ainda não ameaçava diretamente
o Brasil. A ideologia nazista, contudo, fascinava os homens que operavam o
Estado Novo a tal ponto que Francisco Campos, o autor da Constituição de 1937,
chegou a propor à embaixada alemã no Brasil a realização de uma "exposição
anticomintern", com a qual pretendia demonstrar a falência do modelo político
comunista. Mais tarde, o chefe da polícia (um órgão de atuação similar à da
Polícia Federal de hoje), Filinto Muller, enviou policiais brasileiros para um
"estágio" na Gestapo. Góes Monteiro, o chefe do Estado Maior do Exército, foi
mais longe. Participou de manobras do exército alemão e ameaçou romper com a
Inglaterra quando os britânicos apreenderam o navio Siqueira Campos, que trazia
ao Brasil armas compradas dos alemães.
Existem divergentes interpretações sobre a postura de Vargas frente a eclosão da
II Guerra. A visão tradicional, considera o presidente como um político
habilidoso, que protelou o quanto pôde a formalização de uma posição diante do
conflito, na medida em que poderia obter ganhos, do ponto de vista econômico,
dos dois lados. O grande sonho do presidente era a industrialização do Brasil e,
nesse sentido, pretendia obter recursos externos. Em 1940 o ministro Souza Costa
publicou um Plano Quinquenal, que previa o reequipamento das ferrovias, a
construção da Usina Hidrelétrica de Paulo Afonso, a instalação de uma indústria
aeronáutica e a construção da Usina Siderúrgica de Volta Redonda, reforçando o
nacionalismo econômico.
Outra visão considera a posição de Vargas frente a Guerra como expressão de uma
contradição, na medida em que o país dependia de forma mais acentuada da
economia norte-americana e ao mesmo tempo possui uma estrutura política
semelhante à dos países do Eixo. A posição favorável a Alemanha poderia
comprometer o desenvolvimento econômico do país, uma vez que os nazistas, apesar
de avançarem na Europa, tinham na América do Sul um interesse secundário. Ao
contrário, a defesa dos interesses dos EUA, quer dizer, das "democracias" contra
o nazi-fascismo, poderia comprometer a política interna de Vargas.
No entanto, as pressões norte-americanas foram intensas, contaram com o apoio de
outros países latino-americanos e utilizou-se de diversos mecanismos, desde
aquele que foi considerado o mais eficiente - a liberação de recursos para a
construção da Usina de Volta Redonda - até um novo modelo de relação, batizado
de "política de boa vizinhança", pelo presidente F. Roosevelt dos EUA.
Intelectuais brasileiros visitaram os EUA, e mesmo o general Góis Monteiro -
germanófilo - ficou encantado em conhecer os estúdios Disney.

Oswaldo Aranha
Veja a opinião do tradicional historiador Hélio Silva:
A América estava dividida e as posições pareciam irredutíveis. "E quando o
chanceler brasileiro [Oswaldo Aranha] se agiganta à estatura dos grandes
estadistas do século. Ele consegue salvar a partida perdida, dando ganho
aparentemente ao adversário. Com uma lucidez absoluta, sente que a fórmula
inicial não poderia mais ser atingida com unanimidade. As pressões dos países do
Eixo - que conhecia e repelira - atuavam na Conferência. Mas, importante que era
a ruptura imediata, (...) não era o princípio em causa, o principal. Este era a
unidade continental, a solidariedade entre as nações americanas, a reação
unânime à agressão. Porque, firmado esse princípio, tudo o mais seria atraído
por ele. Oswaldo Aranha é a grande figura da III Reunião de Consulta. Sem ele,
teria perecido, naquela ocasião, a unidade continental. (...) A Europa ocupada,
a Inglaterra subjugada, a Rússia invadida, não .precisariam os Exércitos
nazistas atravessar os oceanos. As quintas-colunas se aprestariam em tomar conta
dos governos americanos. A Nova Ordem nazista teria, afinal, triunfado no mundo.
(...) A Conferência do Rio de Janeiro teve uma importância decisiva nos destinos
da humanidade. Pela primeira vez, em face de um caso concreto, positivo e
definido, foi posta à prova a estrutura do pan-americanismo. Pela primeira vez
todo um continente se declarou unido para uma ação comum, em defesa de um ideal
comum, a Liberdade".

Em 22 de agosto de 1942, Vargas reúne-se com seu novo
ministério: " diante da comprovação de dos atos de guerra contra a nossa
soberania, foi reconhecida a situação de beligerância entre o Brasil e as nações
agressoras - Alemanha e Itália". Em 31 de agosto foi declarado o estado de
guerra em todo o território nacional.
Durante os primeiros anos da Segunda Guerra Mundial, o governo do Estado Novo
não tomou posição, mantendo neutralidade com respeito às nações envolvidas no
conflito. À medida que a guerra evoluiu, envolvendo os Estados Unidos (a partir
do ataque japonês a "Pearl Harbor", em 7 de dezembro de 1941), a política de
solidariedade continental levou o Brasil a se alinhar entre as nações
democráticas, contra a Alemanha, a Itália e o Japão. Em janeiro de 1942, na
Terceira Conferência de Chanceleres Americanos do Rio de Janeiro, o Brasil
defendeu a política continental de apoio aos Estados Unidos. Em março, pelos
acordos de Washington, foram cedidos vários pontos do Nordeste do país para
servirem de bases navais e aéreas aos norte-americanos.
Desde fevereiro, os alemães torpedearam muitos navios brasileiros. Ao todo,
dezenove embarcações navegando sob bandeira brasileira foram afundadas, com
centenas de vítimas, até que, em agosto de 1942, o governo do Brasil resolveu
romper relações com os países do Eixo e declarar-lhes guerra. Para o governo
alemão, o relacionamento comercial do Brasil com os Estados Unidos era
indesejável, pois significava o abastecimento de materiais básicos e
estratégicos de que os norte-americanos necessitavam para se manterem em luta.
Essa foi a razão do afundamento dos navios mercantes brasileiros por submarinos
alemães. Com tal atitude o governo alemão pretendia intimidar o governo do
Brasil, forçando-o à neutralidade, mas impedindo-o de comerciar com os Estados
Unidos.
Em agosto de 1942, como vimos, o governo brasileiro declarou guerra às nações do
Eixo. No mês de setembro, foi realizada a mobilização geral para o conflito.
Foram convocados todos os reservistas brasileiros para se apresentarem nas
respectivas juntas militares de cada cidade lutarem em defesa da pátria.
formou-se a Força Expedicionária, conhecida como FEB, que em junho de 1944,
rumaram para as cenas da luta armada em território italiano. Ao todo 25.445
pracinhas, seguiram para os de batalha na Europa, dos quais 443 não regressaram.
Itapira na II Guerra Mundial
Itapira também se fez presente, juntamente com o pessoal de Mogi Mirim e outras cidades. Os comandantes locais convocaram os nossos reservistas para o adestramento necessário, em Lorena, Tupã, Lins e Araçatuba, afim de enviá-los à Europa. Foram convocados 10 expedicionários sendo 6 nascidos em Itapira e outros que foram moradores.
Os nossos pracinhas da Força Expedicionária, após treinamento pesado e que rumaram para a frente de batalha foram: soldado Homero C. Pupo, Francisco Raposo, Felício Turato, Sebastião Pinto da Luz, Hilário Ferreira de Almeida, Alberto Viola, Mário Fiorim, sargento Zeferino Crepaldi, Hermínio Bianchi. Desses 9 Sebastião é natural de Serra Negra e residiu em Itapira desde a infância. Zeferino Crepaldi, nasceu em Itapira e residiu muito tempo em Campinas, Hermíno Bianch residia em Caçapava. Não se tem informações a esse respeito sobre Heládio Ferreira de Almeida, Alberto Viola e Homero C. Pupo. A participação dos brasileiros nesse conflito, inspirou muitos artistas, poetas músicos e escritores na produção de obras patrióticas de muita beleza e encantamento. Essas obras levantaram os ânimos dos combatentes sensibilizando-os emocionalmente. Muitas cartas de familiares e telegramas levantavam a moral dos pracinhas, com incentivos, carregados de orgulho e congratulações. Guilherme de Almeida escreveu a linda "Canção do Expedicionário,com música de Spartacco Rossi:
Nossos pracinhas enfrentaram o clima adverso da Europa com frio abaixo de 15 graus negativos em regiões mais agrestes da Itália. principalmente na frente do Rio Serchio e Rio Reno. Enfrentaram a Divisão dos Panzer alemães (tanques) e dominaram a batalha de Monte Castelo.
Herói de Guerra de Itapira - ZEFERINO CREPALDI -
Zeferino Crepaldi, nasceu em Itapira na fazenda Lucas Jorge em 12 de junho de 1922 e faleceu solteiro em Campinas onde residia (Rua Barrinha, 71, Vila Industrial, em 02 de agosto de 1984. Era filho de Higino Crepaldi e de Conceição Maria
Duarte. Foi considerado herói por ato de bravura, sendo condecorado pelo general norte americano Mark Clark com a medalha "Silver Star" (Estrela de Prata). Esse feito foi noticiado por todos os jornais brasileiros conforme nota enviada do "front" pelo jornalista e fotógrafo da antiga Agência Nacional, Thassilo Mitke, no seguintes termos:"O General Mark Clark esteve no QG Avançado do General Mascarenhas de Moraes, para condecorar o Terceiro Sargento Zeferino Crepaldi, de Itapira, em São Paulo, com a "Silver Star".
Entrega da Medalha "Silver Star"
Diante da tropa formada e tendo ao lado os Generais Mascarenhas, Zenóbio e Cordeiro de Farias, o General Clark leu a seguinte citação conferida ao Sargento Crepaldi:
"Na noite de 23 de março partiu para a região sudoeste a patrulha da qual fazia parte o Terceiro Sargento Zeferino Crepaldi. Ao se aproximar do ponto de destino, foi hostilizado por fogo de metralhadoras e granadas de mão, sendo ameaçada de envolvimento. Vendo seis dos seus homens ferido e seu grupo em situação crítica, operando num terreno difícil, quase desconhecido, o Sargento Crepaldi não pensou em recuo, socorrendo-os, atraiu para si o fogo inimigo, e, auxiliado por um cabo e dois soldados, protegeu a retirada dos feridos. Apesar da forte barragem inimiga, conseguiu abrigar-se, com seus homens restantes, atravessando-a num momento oportuno, tendo guiado seus subordinados até vê-los a salvo.Notando a falta do cabo, negou-se a regressar, permanecendo até de madrugada na terra de ninguém, muito próximo das posições inimigas, vasculhando as dobras do terreno, em busca do companheiro desaparecido, até que, vendo baldados seus esforços, retornou às suas linhas tendo antes orientado ainda outra patrulha lançada em busca de dois graduados. Por ter, no comando da patrulha apesar de ameaçado de envolvimento, localizado as posições inimigas e aprisionado três soldados alemães de uma unidade até então não identificada nessa frente, demonstrando assim bravura, sangue-frio, iniciativa, espírito de sacrifício e elevada noção de responsabilidade, no cumprimento do dever, faz jus a esta distinção"
Jacomo Mandatto no seu mandato de vereador (1983-1988, propôs, através da Indicação de nº 46 de 12 de abril de 1984 que se desse o nome do sargento Zeferino Crepaldi a uma rua do conjunto habitacional "Presidente Juscelino Kubtschek de Oliveira", sendo atendido através do Decreto nº 26 de 12 de abril de 1985, exatamente um ano depois - assinado pelo prefeito David Moro Filho
Com o domínio das forças alemães em todo o mundo, incluindo as da Itália a Alemanha capitulou em 7 de maio de 1945 a guerra acabou. Essa noticia explodiu com grandiosas expressões de jubilo e alegria em todo o território nacional. No dia 8 de maio foi assinada em Berlim, pelo marechal de campo Wilhelm Keitel, diante do marechal Zhukov, a rendição da Alemanha. Dois meses após o término da luta armada, a 18 de julho, regressaram da Itália e chegaram ao Rio de Janeiro o primeiro escalão da FEB, sendo recebidos com calorosa manifestação sem precedentes na capital brasileira. De la os pracinhas seguiram para os seus Estados e cidades de origem. Num balanço geral os relatórios mostram que nossos heróis permaneceram 239 dias em combate, fizeram 20.573 prisioneiros, libertaram várias cidades do domínio germânico. Dos 25.334 que integravam as tropas brasileiras, 35 foram feitos prisioneiros, 1.577 ficaram feridos, 451 morreram e 23 desapareceram
Em Itapira houve manifestações escolares com desfiles e um grande queima de fogos, apitos das fábricas, sirenas, buzinas, com o tocar dos sinos das igrejas ecoavam por todo lugar onde se passasse. Foi uma festa geral com toda a participação do povo e autoridades. Todos se dirigiram a Praça Bernardino de Campos, cantando o Hino Nacional e os hinos dos Expedicionários.Discursaram inúmeras autoridades: O Prefeito Antonio Serra, o Sr.. Dr. Juiz de Direito, o advogado Francisco da Cunha Ribeiro, o Promotor de Justiça Célio Almada, o professor Benedito Flores de Azevedo e o Sr. Cesar Bianchi. Tudo isso acontecei ao som das fanfarras e da Banda Lira.do drapejar de bandeiras, do espocar de rojões, da agitação de faixas, tochas, cartazes. Essa ruidosa manifestação compunha um cenário festivo e único nas terras itapirenses.
"Você sabe de onde eu venho
Venho do morro do engenho
Das selvas, dos cafezais,
Da boa terra do coco
Da choupana onde um é pouco
Dois é bom, três é demais;
Venho das praias sedosas
Das montanhas alterosas,
D pampa, do seringal,
das margens crespas dos rios,
Dos verdes mares bravios
Da minha terra natal.
(Estribilho)
Por mais terras que eu percorro
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá
Sem que leve por divisa
Esse 'V' que simboliza
A Vitória que virá;
Nossa Vitória final,
Que é a mira de meu fuzil,
A ração do meu bornal,
A água do meu cantil
As asas do meu ideal
A glória do meu Brasil"
o professor Francisco da Rocha Campos, poeta itapirense, inspirou-se também e
escreveu em 14 de março de 1944, a "Canção do Expedicionário", cujos versos
foram publicados em uma revista de
Santos, onde o poeta morava:
"De Caxias descendentes
Somos soldados conscientes
Do nosso nobre dever!
Amantes de nossa terra,
De Tradições impolutas,
Nosso passado de lutas
É glorioso para nós:
Destemidos patriotas,
Não conheceram derrotas
Nossos pais, nossos avós
(Estribilho)
Vindos de bravos guerreiros
Sabemos ser brasileiros
No céu, na terra, no mar!
No corpo Expedicionário
Não há um só voluntário
Que a morte faça recuar!
Cheios de fé, com valor.
Numa atitude viril,
Lutemos seja onde for,
A sabre tanque ou fuzil,
Contra o covarde agressor
Do nosso amado Brasil!
II
Nas falanges aguerridas
Das bravas Nações Unidas
Para o bem universal
Iremos contra o inimigo,
Seja qual for o perigo,
Pela vitória final!
Partamos, pois, oh! patrícios
Sob os seguros auspícios
Do nosso lindo pendão!
E nos campos de batalha,
Entre o fragor da metralha,
Cantemos esta canção
(Estribilho)
Vindos de bravos guerreiros... e segue
Fotos dos expedicionários de Itapira

A foto da esquerda foi feita em Florença, Itália. Vemos o Francisco Raposo (2º agachado da esquerda para a direita) com um grupo de pracinhas brasileiros e soldados norte-americanos
Na foto da direita vemos um grupo de pracinhas brasileiros na Itália durante confronto com as tropas do eixo

Alberto Viola Hermínio Biacchi Mário Fiorim Mário Fiorim Sebastião Pinto da Luz Felicio Turato

Zeferino Crepaldi sendo condecorado pelo General Mark Clark

Francisco da Rocha Campos, poeta itapirense, autor da letra da "Canção do Expedicionário
Fotos de Treinamentos

A foto da esquerda mostra o treinamento e manobras onde mogimirianos, itapirenses, pracinhas de Lorena, Caçapava, Tupã e Lins tomaram parte antes de partirem para a frente de batalha.
À direita vemos: os mosqueteiros da 9ª Cia. do 3º Batalhão do 5º regimento de infantaria de Lorena: à esquerda dessa foto estão Orlando Bronzato (Pintaca), Orlando Cestaro, Aurélio Bueno e Mário Gozzi. à beira do Rio Negro.
Dados Biográficos dos Pracinhas Itapirenses
1 - Alberto Viola
Filho de Marco Viola e Augusta Consorti, nasceu a 30 de novembro de 1918 e falecido em 26 de março de 2002
2 - Felício Turato
Filho de Vicente Turato e Eva Rigerossi, nasceu a 24 de dezembro de 1920 e faleceu em São Paulo a 5 de março de 1978
3 - Francisco Raposo
Filho de José da Cunha Raposo e Maria Luiza Toledo, nasceu a 24 de julho de 1924 e faleceu em São Paulo
4 - Heládio Ferreira de Almeida
(sem dados)
5 - Hermíno Biacchi,
Filho de Henrique Biacchi e Maria Vicentini, nasceu a 10 de fevereiro de 1913, no bairro da Ponte Nova, e faleceu em Caçapava (SP) a 2 de abril de 1980
6 - Homero C. Pupo
(sem dados)
7 - José Vieira
(sem dados)
8 - Mário Fiorim
Filho de Angelo Fiorim e Amabile Spécie, nasceu a 26 de setembro de 1919 e faleceu a 14 de março de 2002
9 - Sebastião Pinto da Luz
Filho de Cirino Pinto da Luz e Maria Leonora Felizarda, nasceu em Serra Negra (SP) a 25 de dezembro de 1920, mudando-se para Itapira ainda criança.
Em 1948 passou a trabalhar na Câmara Municipal como servente. Mudou-se para Campinas em 1964.
10 - Zeferino Crepaldi (referências completas mais acima)
Zeferino Crepaldi, nasceu em Itapira na fazenda Lucas Jorge em 12 de junho de 1922 e faleceu solteiro em Campinas onde residia (Rua Barrinha, 71, Vila Industrial, em 02 de agosto de 1984.
Era filho de Higino Crepaldi e de Conceição Maria Duarte. Foi considerado herói por ato de bravura, sendo condecorado pelo general norte americano Mark Clark com a medalha "Silver Star" (Estrela de Prata).
Homenagens a ex-pracinhas
Praticamente todos os anos alguma cerimônia é realizada elogiando e enaltecendo os feitos dos nossos pracinhas que lutaram durante o grande conflito bélico de 1945.
Numa dessas homenagens, realizadas no Parque "Juca Mulato", em frente à Casa da Cultura "João Torrecillas Filho", o prefeito José Casimiro Rodrigues e a Junta do Serviço Militar, discorreram sobre temas da Grande Guerra e teceram elogios aos nossos pracinhas brasileiros, incluindo os itapirernses. Estiveram presentes nessa solenidade os ex-pracinhas itapirenses Alberto Viola e Mario Fiorim. Ambos receberam um distintivo honorífico entregue pelo prefeito e por um dos atiradores do Tiro de Guerra de Mogi Mirim. Essas homenagens aconteceram durante a solenidade de entrega dos certificados de dispensa de incorporação ao Exército aos alistados da classe de 1977. A cerimônia foi conduzida pelo tenente Carlos Roberto Sandy, delegado do Serviço Militar para a região, e teve a participação do sargento João de Moura Filho. O ex-pracinha Mário Fiorim foi representado pela sua filha Edna Maria Fiorim. Estiveram presentes ainda nas solenidades os vereadores Antonio Orcini, presidente da Câmara Municipal, Dionísio Coradi Filho, Juraci Olbi, José Ludovino de Andrade, Sebastião Manoel, Décio da Rocha Carvalho e Eliel Corazza. O hasteamento do pavilhão nacional foi feito pela Guarda Bandeira do Tiro de Guerra 02-023.

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