IMIGRAÇÃO JAPONESA NO BRASIL

(centenário)

No começo do século XX, o Brasil precisava de mão-de-obra estrangeira para as lavouras de café enquanto o Japão, passava por um período de grande crescimento populacional. A economia nipônica não conseguia gerar os empregos necessários para toda população, então, para suprir as necessidades de ambos países, foi selado um acordo imigratório entre os governos brasileiro e japonês. 

Nos primeiros dez anos da imigração, aproximadamente quinze mil japoneses chegaram ao Brasil. Este número aumentou muito com o início da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Pesquisas indicam que de 1918 até 1940, aproximadamente 160 mil japoneses vieram morar em terras brasileiras. A maioria dos imigrantes preferiam o estado de São Paulo, pois nesta região já estavam formados bairros e até mesmo colônias com um grande número de japoneses. Porém, algumas famílias espalharam-se para outros cantos do Brasil como, por exemplo, agricultura no norte do Paraná, produção de borracha na Amazônia, plantações de pimenta no Pará, entre outras.

O começo da imigração foi um período difícil, pois os japoneses se depararam com muitas dificuldades. A língua diferente, os costumes, a religião ,o clima, a alimentação e até mesmo o preconceito tornaram-se barreiras à integração dos nipônicos aqui no Brasil. Muitas famílias tentavam retornar ao país de origem, porém, eram impedidas pelos fazendeiros, que as obrigavam a cumprir o contrato de trabalho, que geralmente era desfavorável aos japoneses. Mesmo assim, eles venceram estes problemas e prosperam. Embora a idéia inicial da maioria fosse retornar para a terra natal, muitos optaram por fazer a vida em solo brasileiro obtendo grande sucesso.

Durante o período da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), os japoneses enfrentaram muitos problemas em território brasileiro. O Brasil entrou no conflito ao lado dos aliados, declarando guerra aos países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão). Durante os anos da guerra a imigração de japoneses para o Brasil foi proibida e vários atos do governo brasileiro prejudicaram os japoneses e seus descendentes. O presidente Getúlio Vargas proibiu o uso da língua japonesa e as manifestações culturais nipônicas foram consideradas atitudes criminosas.

Com o término da Segunda Guerra Mundial, as leis contrárias à imigração japonesas foram canceladas e o fluxo de imigrantes para o Brasil voltou a crescer. Neste período, além das lavouras, muitos japoneses buscavam as grandes cidades para trabalharem na indústria, no comércio e no setor de serviços.

Atualmente, o Brasil é o país com a maior quantidade de japoneses fora do Japão. Plenamente integrados à cultura brasileira, contribuem com o crescimento econômico e desenvolvimento cultural de nosso país. Os japoneses trouxeram junto com a vontade de trabalhar, sua arte, costumes, língua, crenças e conhecimentos que contribuíram muito para o nosso país. Juntos com portugueses, índios, africanos, italianos, espanhóis, árabes, chineses, alemães e muitos outros povos, os japoneses formam este lindo painel multicultural chamado Brasil.

    

1 - Navio Kasato Maru, que chegou a Santos em 18 de junho de 1908, com os primeiros imigrantes japoneses

2 - Trem transportando imigrantes japoneses.

Imigração Japonesa em Itapira

Em nossa cidade, houve um afluxo de imigrantes japoneses devido a agricultura ser muito rica oferecendo meios para que os agricultores vindos do Japão  encontrassem trabalho. Isso facilitou que aqui se radicassem, criassem seus filhos e participassem do desenvolvimento de nosso município. Com índole disciplinada e ordeira, muito trabalho, não demorou muito para que se destacassem na sociedade itapirense.Muitas famílias acabaram se estabelecendo nos mais diversos tipos de comércio após terem exercido muito trabalho agrícola. A família mais antiga de japoneses que habitaram por essas bandas de Itapira, (conforme conta Hideo Cachiba) foi a família Kiono que mudou-se para São Paulo e dela não se tem mais notícia.

Família CACHIBA

Essa família veio para o Brasil e o seu patriarca era o Sr. Massakiti Kaschiba, nascido em 19 de junho de 1912 e faleceu em 25 de agosto de 1974. No dia 28 de abril de 1932, sua esposa Tose e seu filho Hideo, saíram de Kobe e rumaram par o Brasil. Desembarcaram no porto de Santos em 27 de junho de 1932 com passaporte Nº201141. De Santos foram para Sertãozinho e dali vieram para Itapira, indo morar na fazenda Santa Bárbara do Istor Luppi. Logo após mudam-se para o atual Bairro de Santa Marta e dai para o bairro da Vila Boa Esperança. Aí criaram sua família: Hideo, Paulo, Luiz, Mario, Francisco, Sebastião e Helena. Hideo, filho de Massakiti Kashiba e Tose primeiramente se trabalhou em um bar e aprendeu a fazer pastel, iniciando esse tipo de atividade por conta própria. Em Itapira estabeleceu-se com uma pastelaria que se localizava na parte de baixo da antiga Associação Comercial. A Pastelaria era dividida por uma separação de madeira com o bar do João Antonio de Oliveira (João Juca), na Rua Com. João Cintra. De lá a pastelaria mudou-se para o térreo do "Palacete Anastácio", também na Rua Comendador João Cintra com o nome de "Pastelaria ABC", onde além de pastéis e o famoso cafezinho, também funcionou um bar com cervejas geladinhas. A antiga "Pastelaria ABC"ainda funciona no mesmo local sob o comando do Nelson Massao (Massa), filho do Hideo kachiba. A Pastelaria Kachiba funciona na rua José Bonifácio, ao lado do Banco Real e é dirigida pelos irmãos Francisco e Sebastião.

Kimatsu Kashiba era irmão de Massakiti Kashiba e foi  casado com Mitko Takeute e também fazem parte dessa família. Chegaram ao Brasil em 1927 e vieram para Itapira em 1942. Kikumatsu era agricultor e o casal teve 6 filhos e 10 netos.

 

           

                               1ª Foto - Neste foto da década de 50, vemos onde funcionou a primeira Pastelaria da família Kashiba

 2ª Foto - O "Palacete Anastácio", onde funcionou a "Pastelaria ABC"

3ª Foto - Os filhos e netos de Massakiti Kashiba: Francisco, Sebastião, Massa e Toshi

Passaporte de Massakiti Kashiba (28-04-1932)

      Massakiti Kashiba e Hideo na Pastelaria      Tose e Hideo no colo       Massakiti Kashiba

Família TAKEUCHI

Akemi Takeuchi chegou a Itapira em 1932 com 3 meses de idade. Era filho de Toshio Takeuchi e de Miyuki. Seus pais saíram de Okayama para o porto de Kobe e de la para o Brasil . Chegaram ao porto de Santos em 07 de novembro de 1932. Trabalharam nas fazendas da  região de São José do Rio Preto. Tiveram além de Akemi mais três filhos: Paulo, Teresa e Bethe. Após seu casamento com Leiko, filha de imigrantes.Tiveram os filhos Adriana e Ricardo A família trabalha no ramo de pastelaria, fazendo feiras na cidade  e também tem banca no Mercado Municipal.

Miyuki Toshio Takeuchi

(Os pais de Akemi)

Documento nº3610 de Visto de entrada no Brasil

           

1ª Foto - Akemi, esposa Marta e neto Giovanni

2ª Foto - Akemi em seu estabelecimento no Mercado Municipal

3ª Foto - Filha Adriana que morou no Japão

Família ONO

A família ONO teve seu início em Itapira com o casamento de Toshico Ono e Minoro Ono. Os pais de Toschico Massayuki e a mãe Kuni vieram para o Brasil junto com as primeiras imigrações. Seus avós paternos Gneugoro  Miatsui  e Mitsuii Miatsui nasceram em Kumamoto e não vieram para o Brasil. Sua mãe Kuni deixou a cidade de Chiba, na região de Kanto, um dos principais portos marítimos do Japão. Trabalhou nas lavouras de café em Guatapará e em Cafelândia. Foi aí que conheceu o marido Massayuki também imigrante japonês. O casal teve 4 filhos: Jorge, Mary, Renato e Yujid. A família ONO está estabelecida com a "Loja Japonesa", na rua José Bonifácio.

          

1ª Foto -  Os pais de Toshico Massayuki Ono e a mãe Kuni comos filhos. Toshico é a primeira à direita.

2ª Foto - Os avós de Toshico, Gneugoro e Mitsuiu Miatsui

3ª Foto - Família ONO comemorando o casamento da filha Mary

 

Família NAKATSUBO

 

A Família Nakatsubo teve seu início no Brasil em 1934 com a chegada de Manjiro e Sadako Nakatsubo. Vieram com seu filho Nobujiro de apenas 9 anos e seus irmãos Yokio, Konyko e Taeko. Rumaram diretamente para a Bahia, seguindo depois para o Rio de Janeiro. Já com os passaportes liberados foram para Santos. Foram encaminhados para a lavoura numa fazenda de Cafelândia, perto de Bauru - SP. Nobujiro vindo para Iapira, casou-se com Laura Miauti no dia 24 de fevereiro de 1949. Dai vieram os filhos: Fumio, Mitiko, Myoko e Yochinobu.

 

           


Outras Famílias Japonesas em Itapira

 

Toshiro MOSHIZUKI foi casado com Fusami Moshizuki. Ocasal tem 9 filhos e 7 netos. É apicultor e veio para o Brasil em 1932.

Hatiro KANI, É pastor evangélico, chegou ao Brasil em 1928 e está em Itapira desde 1984. É casado com Kini Kani e tem uma filha.

Ioshio MYAUTI, agricultor, casado com Komini Myanuti e tem 5 filhos e 3 netos. Aportou no Brasil em 1918 e fixou raízes em Itapira em 1932.

Hatsuk HARA, casada com  Hakuo Hara, tem 9 filhos e 3 netos. Chegou no Brasil em 1934 e está em Itapira desde 1953. É irmã do medico Mosasi Mituzaki.

Tochio KITADA, casado  co Kamiko Kitada com uma prole de 9 filhos. Tem 5 netos. No Brasil em 1929 e na década de 60 trabalhou na montagem de máquina de papel.

Nagayuki SUZUKI, casado com Shizue Goto Suzuki. É fotógrafo em Itapira desde 1964 e chegou ao Brasil em 1935.

 

Abaixo estão as fotos de personagens das famílias japonesas que fazem parte de nossa sociedade:

 

 

Um dos imigrantes que aqui fixaram residência foi o Sr. Jiro Chiba, agricultor aposentado casado com Chijoko Kashiba. O casal teve 5 filhos e 9 netos.

Chegaram ao Brasil em 1932 e em 1952 vieram para Itapira. Chijokoera irmã de Massakiti

 

 

1 - Hideo Kashiba e sua neta  2 - Tose Kashiba e sua bisneta  3 - Ioshio Myauti  4 - Nagayuki Suzuki e esposa Shizue Goto 

5 - Hatiro Kani a esposa Kini Kan e filha  6 - Toshio Kitada e esposa Kaneko Kitada  7 - Toshiro Mochizuki (chegou em Itapira em 1933)   8 - Hatsuk Hara (chegou em Itapira em 1953)

kikumatsu Kashiba e esposa Mithiko Takeuti

 

 

 

1 - Katsumi Inoue, veio para Itapira pelas mãos do ex-prefeito Benedito Alves Lima e possui Cartório de Registros de Imóveis e Anexos localizado

na Praça Bernardino de Campos, no imóvel onde residiu  o Dr. Achilles Galdi.

2 - Dra. Irene Mioko Mitusaka, oftalmologista casada com o gastro cirurgião Cassiano Martelli.

3 - Dr. Mosasi Mitusaki, medico cardiologista e o diretor da Penha S/A Carlos Eduardo Ionezawa.

4 - Débora Arakawa, natural de São José do Rio Preto, enfermeira padrão e esteticista casada com o medico Manoel Otávio Monezzi.

 

 

    

 

Yoshio Funabashi e sua esposa Cecilia. Yoshio é sócio majoritário da Penha S/A.

 

 

 

Foto aérea da FÁBRICA DE PAPEL E PAPELÃO NOSSA SENHORA DA PENHA S/A.

 

Comemorações pelo Centenário

da Imigração Japonesa no Brasil

 

Com a oficialização das comemorações do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil, vem também o justo reconhecimento de um povo ordeiro, disciplinado, educado de cujo bojo tradicional trouxe para o Brasil a fé, a perseverança e a força de seu trabalho. Tanto na agricultura quanto nas mais diversas atividades do comércio, procuraram  engrandecer a sociedade em que viviam. Trouxeram pouca coisa nos seus pertences, porque em seu país de origem passaram por severas dificuldades e vieram com a cara e a coragem para enfrentar um país de costumes e língua diferentes. Adaptando-se aos poucos à nossa sociedade, vieram demonstrar o grande valor de sua mão de obra agrícola e comercial.e industrial, participação inclusive na vida política em nosso município. É o caso  do comerciante Sérgio Yochinore Cachiba que em 1998 foi eleito vereador com representativa participação no Legislativo Municipal. Muitos outros expoentes da Agricultura, Comércio, Indústria, médicos e grandes empresários, atualmente, estão participando de nossa sociedade com muita expressividade, merecendo a confiança e o respeito de todos.

 

Oficializadas as comemorações do Centenário da Imigração Japonesa

Janeiro de 2008, um novo ano e início das festividades e eventos comemorativos dos cem anos da presença japonesa no Brasil

Chegou o tão esperado e planejado ano de 2008 com extensa programação de atividades em Comemoração ao Centenário da Imigração Japonesa no Brasil. Os nossos japoneses completam 100 anos e embora as velas sejam apagadas dia 18/06 os eventos já começaram.

17/01/2008 – A Comissão Nacional Organizadora das Comemorações do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil realizou a abertura oficial das comemorações no Palácio do Itamaraty, em Brasília, com a presença do Presidente Lula, ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim e o vice-ministro para Negócios Estrangeiros do Japão, Hitoshi Kimura, entre outras autoridades. O conhecido desenhista Maurício de Sousa, criador da Turma da Mônica, apresentou a mascote das comemorações

 

 

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