CEMITÉRIO MUNICIPAL DE ITAPIRA

Retrospectiva

Referência histórica: O primeiro cemitério da cidade segundo a historiadora Odete Coppos, foi inaugurado provavelmente em 1825 na Penha da Boa Vista e localizava-se numa faixa de terra, que partindo das proximidades da estrada que demandava para Minas Gerais (hoje rua Francisco Glicério e ia alcançar o seu extremo onde agora está o Bar Central. Ficava próxima da  primitiva capelinha de N.S. da Penha inaugurada em 19 de março de 1824.  A capelinha e o cemitério ficavam portanto na ladeira do Cubatão, triangulada pelas ruas General Osório, Francisco Glicério e Embaixador Pedro de Toledo.

 Conf. Jacomo Mandatto  em seu livro "História Ilustrada de Itapira" , vol. 2, editado no ano 2003, com a celebração da missa pelo padre Antonio de Araújo Ferraz.para a inauguração da capelinha de N.S. da Penha ,surge uma questão polêmica com relação a data da fundação da cidade. Assim a data da fundação se dá quando a primeira missa é rezada. Sustenta então Jácomo Mandatto  e outros ilustres historiadores como Tito Livio Ferreira, que a data de fundação de Itapira seria o dia que foi rezada a primeira missa, isto é, 19 de março de 1824. Polêmicas à parte, prossigamos nessa retrospectiva histórica:Algumas décadas a capelinha primitiva foi demolida e construída outra bem maior. Para isso o Comendador João Batista de Araújo Cintra utilizou-se da mão de obra de seus escravos. Desativada a capelinha o cemitério também foi extinto. A partir de 1850, um novo cemitério foi aberto e localizado onde estão localizados atualmente os pr[édios do grupo escolar Dr. Julio Mesquita e a Prefeitura, com divisas para acima com as terras de Manoel Vicente de Araújo Cintra e João Batista
Cintra (atual Parque "Juca Mulato" e pelo lado de baixo com a Rua do Cemitério atual(Rua XV de Novembro).

Resenha histórica

Perdeu-se na noite dos tempos a primeira idéia  para a construção de um Cemitério em Itapira. Os livros  de 1858 a 1881 que apontavam isso, desapareceram. Os primeiros questões sobre esse assunto foram tratadas pelos vereadores em 1883. Segundo alguns relatos o antigo cemitério se localizava nas proximidades com áreas mais centrais da cidade, pelos lados da Matriz de N.S. da Penha, divisando com as terras de propriedade de Manoel Vicente de Araujo Cintra que iam até as proximidades do Grupo Escolar Dr. Julio Mesquita. Elaborou-se um documento encabeçado pelo edil Manoel da Rocha Campos Cardoso em sessão da Câmara de 27 de junho de 1884 propondo-se que se abrisse uma subscrição para obtenção de donativos para fazer-se a remoção dos cemitérios (o doc .apresentado fala em 3 cemitérios) para lugar mais adequado. Tal proposta foi aprovada e os vereadores Bento José de Oliveira Rocha e Campos Cardoso se incumbiram das providências necessária para a sua viabilização.Conforme Jácomo Mandatto em seu texto sobre o assunto, publicada no jornal "Tribuna de Itapira" em 20 de agosto de 1995. não havia 3 cemitérios. "...Porém ao que sabemos tratava-se da remoção do que restava no primitivo 'campo santo' anexo à antiga capelinha N.S. da Penha que existira no início da Ladeira do Cubatão e os outros "dois" eram na verdade um só, porém subdividido por crenças religiosas no Cemitério do Santíssimo Sacramento havia um espaço reservado exclusivamente para os presbiterianos. Daí porque Campos Cardoso menciona uma trinca de cemitérios". João Neto Caldeira autor do "Álbum de Itapira" de 1935 assim se refere ao cemitério dos presbiterianos. "Fundada a egreja evangelica em 10 de janeiro de 1876, os seus membros pediram à Câmara a designação de terreno para o cemitério dessa crença. Simultaneamente a Irmandade do Santíssimo Sacramento fez equal pedido. (acta de 9 de abril de 1876). A Câmara declarou só poder resolver quando o snr. commendador João Batista de Araujo Cintra, doador  dos terrenos da necropole effectivasse tal doação. Logo após - em 4 de maio - o commendador Cintra satisfez os desejos dos edis e estes designaram terrenos para as alludidas corporações, annexos ao cemitério municipal.

A arrecadação apurada na subscrição em prol das finalidades propostas pelo edil Campos Cardoso. Também não não há maiores informações  sobre a construção de um novo cemitério nos anos a partir de 1883. Existe, sim, uma referência de 15 de janeiro de 1887 quando o edil Joaquim Ulisses apresenta a seguinte indicação na sessão daquele dia. " Considerando como medida de urgente necessidade e em benefício público a remoção dos cemitérios para lugar mas apropriado do que aquele em que se acha, pois, estando atualmente colocado quase no centro da cidade, justamente para o lado em que ,dia a dia aumenta-se as edificações - indico a sua remoção para lugar esclarecidamente determinado pela Câmara que, por sua vez além de ouvir o parecer da comissão de obras públicas, ouvirá igualmente o parecer de uma comissão medica, a fim de  que sejam observadas as regras de higiene". Posto em discussão deliberou a Câmara que se remetesse à Comissão de Obras Públicas. Também no decorrer de 1887 não há referências sobre a concretização de obras desse cemitério. Em 31 de janeiro de 1888 o vereador José Gomes de Alvarenga Cunha apresenta uma indicação para que a Casa de leis pela à Assembléia Provincial verbas para obras dentre as quais o valor de 3 contos de réis para a construção do cemitério municipal. A Comissão de higiene cumprindo o que lhe foi determinado pela Câmara, examinou diversos locais nos arredores da cidade que servisse para a construção do Cemitério Municipal, utilizando-se para isso do parecer de um dos médicos. Sua idéia foi a de que o lugar apropriado para esse tipo de construção ficasse em lugar plano, próximo às três cruzes que ficam na beira da estrada que se liga a Mogi Mirim (hoje sabemos ser o Bairro da Santa Cruz e a estrada é a estrada antiga que ligava Itapira a Mogi Mirim que passa onde se localiza a Escola Anglo. (Sala das Sessões da Câmara Municipal 1º de fevereiro de 1888) Ulisses Sarmento Vasconcellos. Este parecer foi aprovado.Ainda sobe o Cemitério , na mesma sessão outra indicação. feita pelo mesmo edil José Gomes Alvarenga Cunha, propôs que a construção do cemitério novo, cujo local já estava escolhido, que se tomasse providência imediatamente tais trabalhos. Aprovada a matéria ficou o fiscal municipal autorizado a mandar proceder a roçada do mato no lugar indicado pela comissão. Em janeiro de 1890 a Câmara encaminha ofício  ao dr. Constante Afonso Coelho , diretor geral das Obras Públicas do Estado de São Paulo, solicitando verba no valor de 5 contos de réis para as obras do Cemitério, cujas obras já haviam começado.. Na data de 15 de julho de 1890 é lavrado termo de abertura do Livro nº 1 para o registro de sepultamentos, sendo assinado por Antonio da Costa Dantas. No mês seguinte a 11 de agosto é empossado o Sr. Joaquim de Almeida Leite como administrador do cemitério. Em 15 de agosto de 1890 a Câmara oficia ao presidente do Estado, dr. Américo Brasiliense de Almeida Mello, fazendo a mesma solicitação que anteriormente fora feita em janeiro de 1890. No dia 26 de agosto de 1890 abre-se o novo cemitério. Dois dias após é registrado o primeiro enterramento. Foi o do menor Benedito de 11 meses, filho de Caetano de Oliveira Xavier e Maria Zeferina da Conceição que morrera de vermes. O primeiro sepultamento de adulto foi o da Sra. Ana Leopoldina de Alvarenga, 70 anos, viúva de Francisco Rocha Campos que morreu de bronquite, sendo enterrada no dia 29. Ao intendente da época cabia fazer comunicados, exonerações e advertências, tendo se valido dessas prerrogativas por diversas vezes.

Rua da Saudade por volta de 1915. Bem ao fundo vê-se o portão de entrada do cemitério (reprodução J.M)

Por volta de 1915 o espaço utilizado pelo Cemitério Municipal já era insuficiente com elevado numero de sepultamentos. O então prefeito da época coronel Francisco Vieira, autorizado pela Câmara obteve "por troca" com o capitão Manoel Vicente de Araújo Cintra um terreno igual ao que era atualizada, situada nos fundos do cemitério, aumentando em igual área o espaço da necrópole. Em 1916 o prefeito Francisco Vieira encaminhou à Câmara, lido  na sessão de 15 de janeiro de 1917, onde solicita a construção de uma capela, dividida em duas dependências, uma para necrotério, outra para a guarda e depósito de materiais e utensílios. Essa capela foi inaugurada no dia de Finados daquele ano. Hoje a entrada foi modificada tendo sido construído ali um pórtico com uma laje de cimento apoiada por 6 pilastras e teve como construtor o Sr. Vitório Coppos.   No seu "O Livro de Itapira", pag.37 a escritora e historiadora Odete Coppos, a capela-mór, também foi obra construída pelo seu seu pai Vitorio Coppos. Acrescenta ainda que havia um maravilhoso afresco de Nossa Senhora do Carmo, pintura a óleo do pintor Terribile. A ampliação de 1916 atendeu às suas finalidades e somente em 1963 o cemitério recebeu uma nova área de terreno, localizada à esquerda, de quem olha do portão principal, na parte em aclive do terreno. Esse aumento da área do cemitérios e deu durante o mandato do prefeito Wilson Victor dos Santos e foi administrado por muito anos pelo Sr. Osvaldo Gomes de Mattos. Devido ao grande crescimento da cidade, o prefeito José Antonio Barros Munhoz, determinou a construção de um novo cemitério no bairro do Cubatão, sendo denominado "Cemitério Parque Municipal da Paz". Sua abertura se deu a 21 de abril de 1981.

Sobre o pintor "Terribile"

LUIZ TERRIBILE

 “João do Norte”, articulista domingueiro do “Jornal Cidade de Itapira” em sua coluna “No Tempo da Vovozinha” em 12 de junho de 1988, assim descreve o mestre  “Terribile”, (fazendo referência à pintura que existia do mestre Terribile estampada na parede da capela do cemitério): ...e aquilo ficou fulgurando em nosso Morituris, ficou ali até que um infeliz pintor de paredes, contratado para caiar a capela, achou mais prático sapecar a tinta por cima da obra do mestre Luiz Terribile, o nosso humilde Michelangelo, Rubens ou Rembrandt, o nosso pintor genial  e que graças a Deus ainda deixou obras primas em algumas casas.No açougue dos Teixeira, ali na José Bonifácio, graças ao zelo dessa gente boa, ali resistiu até o máximo, trabalhos artísticos, executados há 70 anos...(há quase 120 anos, portanto), intactos, perfeitos como se tivessem sido pintados ontem. Também o saudoso Arsênio Fernandes sempre zelou pelas pinturas do mestre “Terribile” gravadas no alto das paredes internas da sua casa (onde foi a Foto Suzuki) e hoje funciona a Imobiliária do Cláudio Nascimento Pinto.

       

 

Portão de acesso ao Cemitério da Saudade em cujo frontispício lê-se

 "Morituris" e a frase "Somos todos iguais"

 

                         

 

Rua principal do cemitério em 1917, vendo-se túmulos de arquitetura imponente. Ao fundo pode se ver a capela antiga (antes da reforma)

Capela do cemitério, obra de Vitorio Coppos, construída na gestão do prefeito Francisco Vieira em 1916  

Jazigo da família Cintra, todo em mármore, logo na entrada do cemitério (foto J.M.)

 

Alguns túmulos antigos de crianças

         

                                                    1                                                       2                                                      3                                                      4                                                      5                                                    6                                                      

1- Túmulo onde estão sepultados: Antonio Ulhoa Cintra (10/06/1900-05/02/1902), Francisco (07/01/1903-27/04/1903) , filhos de Adalberto Pinheiro de Ulhoa Cintra e Maria de Vasconcellos Tavares. Nesse mesmo túmulo foi enterrado Rubens Pereira Filho (02/05/1953-16/06/1953).

2 - Maria Jeanette (29/08/1927-29/10/1927, filha de Izaltino Gomes Pereira e Olga Vicentini. O túmulo com Pedestal e medalhão foram feitos por J.Colucci, de Campinas.

3 - Alcides Secchi (11/06/1902-12/09/1910), filho de João Secchi e Adelaide Destro.

4 - Norbertinho (06/12/1904-13/10/1910), filho de dr. Norberto da Fonseca e Francisca da Silva.

5 - Nestor (12/01/1912-10/01/1913), filho de Silvano Joaquim de Andrade e Lydia Cintra

6 - Manoel Ernesto (03/10/1919, com 18 meses), filho de Manoel Cintra de Ornellas e Diva Magalhães

 

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