Episcopado Brasileiro

Província Eclesiástica de São Sebastião do Rio de Janeiro

Dr.Vasco Smith de Vasconcellos

No reinado d'El Rei Dom Sebastião de Portugal, oito anos após a fundação da cidade do Rio de Janeiro, o Sumo Pontíifice Gregório XIII criou, por breve "In supereminenti militantis ecclesiae", de 19 de Julho de 1575, a prelazia de São Sebastião do Rio de Janeiro, sujeita à jurisdição espiritual do bispo de São Salvador da Baia.

Esta prelazia era constituída de todo o vasto território que se estendia pela costa marítima desde o rio Jequitinhonha, na então Capitania de Porto Seguro, até as margens do rio da Prata e, no interior, penetrava pelos confins do Brasil, abrangendo as atuais repúblicas vizinhas, ainda sujeitas ao domínio esdpanhol.

Só um século mais tarde, a 16 de novembro de 1676, quando pontificava o Papa Inocêncio XI a prelazia de São Sebastião do Rio de Janeiro foi erigida em bispado, pela bula "Romani Pontificis Pastoralis sollicitudo" continuando porém como sufragânio do arcebispado de São Salvador.

O Santo Padre Leão XIII reorganizando a hierarquia eclesiástica do Brasil pela bula "Ad Universas orbis ecclesias", de 27 de abril de 1892, elevou a Capitall da República à categoria de arcebispado, dividindo o Brasil em duas províncias eclesiásticas: ao norte, a Baia; ao sul, o Rio de Janeiro com os seguintes bispados: Niterói, São Paulo, Mariana, Diamantina, Curitiba, Rio Grande do Sul e Cuiabá.

Tendo em consideração o grande desenvolvimento da religião católica, tornaram-se necessárias outras modificações que viessem facilitar a administração da Igreja, criando-se novas províncias eclesiásticas.Assim, passou o arcebispado metropolitano do Rio de Janeiro a ser constituído pelas dioceses: Campos, Niterói, Espírito Santo, Valença e Barra do Piraí.

Administraram a primitiva prelazia de São Sebastião do Rio de Janeiro, os seguintes prelados: 1) Dr.Bartolomeu Simões Pereira; 2) Dr.João da Costa; 3) Dr.João Bartolomeu Lagarto, que não chegou a tomar posse; 4) Dr.Mateus da Costa Alborim; 5) Frei Máximo Pereira; 6) Pedro Homem Albernaz; 7) Dr.Lourenço de Mendonça; 8) Pedro Homem Albernaz; 9) Dr. Antonio Martins Loureiro; 10) Manuel de Souza Almada; finalmente: 11) Dr.Francisco da Silva Dias.

Desde a criação da diocese até a elevação arcebispado, sentaram-se no sólio episcopal onze bispos: 1) D. Frei Manuel Pereira, que depois de sagrado em Lisboa, renunciou a diocese, não chegando a tomar posse; 2) D.José de Barros Alarcão; 3) D.Francisco de São Jerônimo; 4) D.Frei Antonio Guadalupe; 5) D. Frei João da Cruz; 6) D.Frei Antonio do Desterro: 7) D.José Joaquim Justiniano Mascarenhas Castelo Branco; 8) D.José Castanho(Caetano?) da Silva Coutinho; 9) D. Manuel do Monte Rodrigues de Araújo (Conde de Irajá) 10) D.Pedro Maria de Lacerda (Conde de Santa Fé) 11) D. José Pereira da Silva Barros (Conde de Santo Agostinho). 

Governadores da Prelazia

1) - Dr. Bartolomeu Simões Pereira - Presbítero do hábito de São Paulo.Nomeado por carta régia de 11 de maio de 1577, faleceu segundo conjetura Pizarro, em 1598, tendo se retirado muito antes a 1 de julho de 1591 para a Capitania do Espírito Santo, cheio de desgostos, suspeitando-se entretanto que fora envenenado. Este prelado assistiu a morte do venerável José Anchieta, e fez-lhe a oração fúnebre, em junho de 1597.

2) - Dr.João da Costa - Presbítero do hábito de São Pedro. Ignora-se a época de sua nomeação.Perseguido pelos mesmos inimigos do primeiro administrador, foi deposto por sentença da Relaçao da Baia, não obstante o que sem seu favor declarara a Carta Régia de 15 de maio de 1604.Não se conhece a data do seu falecimento.

3) - Dr. João Bartolomeu Lagarto -Presbítero do hábito de São Pedro.Não chegou a exercer o cargo por desistência ou renúncia.Ignora-se a época da nomeação, desistência ou renúncia.

4) - Dr. Mateus da Costa Alborim - Presbítero do hábito de São Pedro.Nomeado a 20 de julho de 1607, tomou posse em 2 de outubro de 1607, vindo a falecer envenenado a 8 de fevereiro de 1629.Justo como era, diz Pizarro, em distribuir os prêmios, obteve de El-Rei a faculdade de nomear os eclesiásticos para os lugares vagos da prelazia.

5) - Frei Máximo Pereira - Da Ordem de São Bento. Nomeado pelo bispo do Brasil D.Miguel Pereira, para reger interinamente a prelazia, por provisão de 13 de julho de 1629, até que o rei de Portugal nomeasse o efetivo. Em consequencia de enfermidade renunciou a administração em 24 de dezembro de 1629.

6) - Pedro Homem Albernaz - Presbítero do hábito de São Pedro; regeu a prelazia nas mesmas condições do precedente, sendo eleito pelo clero em 23 de janeiro de 1630.

7) - Dr. Lourenço de Mendonça - Presbítero do hábito de São Pedro.Nomeado por provisão de 23 de julho de 1631, tomou posse do seu cargo em 6 de setembro de 1632. Vítima de perseguição de seus adversários abandonou a prelazia, retirando-se para Portugal em março ou abril de 1637, onde se defendeu das imputações que lhe foram feitas, sendo absolvido por sentença do Tribunal da inquisição a 19 de junho de 1637. Nomeado prior da Ordem de Aviz, passou a ser apresentado bispo do Rio de Janeiro, tendo para esse fim previamente requerido o rei D.Felipe III, por carta régia de 7 de outubro de 1639, à Sé Apostólica, a ereção da prelazia em bispado, o que deixou de ter andamento em consequencia da revolução de 1 de dezembro de 1640, em Portugal.

8) - Pedro Homem Albernaz - Este administrador já havia servido interinamente antes do governo do Dr. Lourenço de Mendonça por eleição do clero, e agora novamente por escolha do administrador efetivo, sendo confirmado por provisão de 2 de setembro de 1639.Nesse cargo pouco durou, por ter professado na Companhia de Jesus, servindo em seu lugar o padre  José Coelho.

9) - Dr. Antonio Martins Loureiro - Presbítero do hábito de São Pedro. Nomeado por provisão de 8 de outubro de 1643, tomou posse de seu cargo em 8 de junho de 1644, sofrendo perseguições como seus antecessores,retirou-se para a Capitania do Espírito Santo, onde lhe propinaram veneno, em virtude do que passou a sofrer das faculdades mentais.Retirou-se para Portugal em época desconhecida.Interinamente regeu a prelazia o padre Manuel de Araujo, então vigário geral.

10) - Dr. Manuel de Souza e Almada - Presbítero do hábito de São Pedro.Nomeado por provisão de 12 de dezembro de 1658, tomou posse em 1659, regendo a prelazia por mais de dez anos, até que cheio de desgostos desistiu do cargo. Tão grande era a sanha de seus adversários que, na madrugada de 6 de março de 1668, dispararam contra sua casa um tiro de peça de artilharia, de cujo atentado escapou milagrosamente.Por este fato pediu enérgicas providências a S.Magestade D.João IV, que determinou ao desembargador da Relação da Baía, Dr. Antonio Nabo Pipanha, para proceder a uma sindicância, o qual deixou impune os criminosos, condenando porém o padre nas custas.Recrudescendo por esse fato a perseguição, renunciou o cargo e retirou-se para Portugal em 1670.

11) - Dr.Francisco da Silva Dias - Presbítero do hábito de São Pedro. Este prelado natural do Rio de Janeiro e doutor em teologia por privilégio apostólico, governou a primazia interinamente por carta régia de 7 de março de 1671, depois da renúncia e retirada do Dr.Manuel de Souza Almada.Entregou o governo da prelazia em dezembro de 1681 ao padre Sebastião Barreto de Brito, nomeado governador do bispado, pelo primeiro bispo da diocese.Como prêmio de seus relevantes serviços foi apresentado para exercer o cargo de deão do Cabido. Com este prelado terminou o governo dos administradores da prelazia do Rio de Janeiro.

Fonte: Anuário Genealógico Brasileiro IV - 1942, págs.13 a 16

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