ARMORIAL ECLESIÁSTICO BRASILEIRO

 

Monsenhor Antonio Paes Cintra

Autor deste trabalho, nasceu em Espírito Santo do Pinhal, SP, no sítio Santo Antonio, propriedade de seu avô materno a 13 de Setembro de 1898, ordenado sacerdote em Olinda, PE, a 27 de Novembro de 1921, coadjutor da paróquia de S.João Batista da Lagoa, Rio de Janeiro, em 1922, vigário da Ilha de Paquetá, em 1923, vigário de Inhaúma, em 1924, secretário do Sr. Cardeal D. Sebastião Leme, de 1927 até a morte de S.Eminência em 1942, Monsenhor Camareiro, em 1937, pertenceu ao Grande Conselho do Instituto Genealógico Brasileiro, etc.(A.G.2-217; R.G.B. nº 6-369, nº 8-295-298, nº11 e 12, pág.3) Autor da Genealogia dos Cintras - RJ, 1949.Ver sua genealogia à pág.90 dessa extensa obra.

===========================================================

Brasões dos Bispos e Arcebispos do Rio de Janeiro

Obs.: A biografia dos bispos e arcebispos aqui apresentados, tiveram aditamentos feitos pelo Dr. Vasco Smith de Vasconcellos em matéria publicada no Anuário Genealógico Brasileiro - Ano IV - 1942, págs.16 a 27. (Aditamento em verde) 

===========================================================

Don Frei Manuel Pereira

1º Bispo: Don Frei Manuel Pereira, Dominicano, n.Lisboa, nomeado em 1676, renunciando, antes de tomar posse, em 1680, fal., em 6 de Janeiro de 1688, c. 73 anos.No seu brasão, figuram as armas da Ordem Dominicana, e, o rosário que é uma devoção dessa Ordem, encimado por uma coroa.

Este título eclesiástico foi confirmado por bula de 22 de novembro de 1676, do Papa Inocêncio XI  e foi sagrado em Roma.Voltando a Lisboa renunciou a diocese em 1680 antes de tomar posse, falecendo em Portugal em 1688 com 78 anos de idade.

===========================================================

Dom José de Barros Alarcão

2º Bispo: Dom José de Barros Alarcão, n. em Leiria, Portugal, nomeado em 1680, fal., no Rio, em 6 de Abril de 1700, com 66 anos. O seu brasão é familiar (armas de família): note-se o timbre em cima.

Este título foi confirmado por bula pontífícia de Inocêncio XI, em 19 de agosto de 1680. Tomou posse do bispado em 14 de dezembro de 1681, por seu procurador o licenciado Sebastião Barreto de Brito, vigário da Candelária. Chegou em 1 de junho de 1682 ao Rio de Janeiro, tomando posse pessoal a 13 desse mês.Faleceu no Rio de Janeiro aos 6 de abril de 1700, com a idade de 66 anos.Este prelado fundou o "REcolhimento de Santa Teresa", em São Paulo, antes de 1689.

===========================================================

Dom Francisco de São Jerônimo

3º Bispo: Dom Francisco de São Jerônimo, da Congregação de S.João Evangelista, n. em Lisboa, nomeado em 1701, fal. no Rio em 7 de Janeiro de 1721, com 83 anos.O seu brasão é de formato oval.

Cônego secular da Congregação de São João Evangelista, natural de Lisboa. Confirmado pelo Santo Padre Clemente XI, por bula de 6 de agosto de 1701; foi sagrado a 27 de dezembro de 1701, pelo bispo de Vizeu, D. Jerônimo Soares, chegando ao Rio de Janeiro em 8 de junho de 1702, tomou posse no dia 11 do mesmo mês. Faleceu nesta cidade no Palácio da Conceição a 7 de março de 1721, com 83 anos de idade, sendo sepultado na capela da residência episcopal.

===========================================================

Dom Frei Antonio de Guadalupe

4º Bispo: Dom Frei Antonio de Guadalupe, Franciscano, n. em Amarante, Portugal, e nomeado em 1725, transferido para Viseu, Portugal, em 1740, fal. em Lisboa, em 31 de Agosto de 1740, com 68 anos.No seu brasão figuram as armas de São Francisco, da Ordem Franciscana.

Este título foi confirmado por bula do Papa Bento XIII de 21 de fevereiro de 1725; foi sagrado na Sé de Lisboa pelo Cardeal Patriarca D.Tomás de Almeida, em 13 de maio do mesmo ano. Chegando ao Rio de janeiro, em 2 de agosto de 1725, nesse mesmo dia tomou posse do bispado por seu procurador o Deão da Sé, Gaspar Gonçalves de Araújo, e dois dias depois fez sua entrada solene na Catedral, em 4 de agosto de 1725. Transferido para a diocese de Viseu, em Portugal, por carta régia de 12 de fevereiro de 1740, partir do Rio de Janeiro em 25 de maio seguinte, falecendo em Lisboa a 31 de agosto desse ano, aos 68 anos de idade. Este prelado fundou o Seminário de S. José e os Orfãos de S. Pedro.

===========================================================

Dom Frei João da Cruz

5º Bispo: Dom Frei João da Cruz, Carmelita Descalço, n. em Lisboa, nomeado em 1740, renunciou em 1745 o Bispado do Rio e foi transferido, em 1750, para a Diocese de Miranda, em Portugal, onde fal. Em 20 de Outubro de 1756, com 62 anos.No seu brasão figuram as armas da Ordem do Carmo, na parte superior.

Este título foi confirmado pelo Santo Padre Clementino XII, em 1740, foi sagrado em 5 de fevereiro de 1741, na Sé de Lisboa, pelo Cardeal Patriarca D. Tomás de Almeida. Aportou no Rio de Janeiro em 3 de maio de 1741, e nesse mesmo dia, tomou posse do Bispado, por seu procurador o Deão da Sé Gaspar Gonçalves de Araújo, fazendo a sua entrada solene na Catedral a 9 do mesmo mês.Foi este prelado quem lançou a primeira pedra do Convento da Ajuda.Renunciando o bispado, partiu do Rio de Janeiro a 14 de outubro de 1745 com destino a Lisboa.Sendo aceita a renúncia foi transferido para a diocese de Miranda, em 1750 e lá faleceu a 20 de outubro de 1756, com 62 anos de idade.

===========================================================

 Dom Frei Antonio do Desterro

6º Bispo: Dom Frei Antonio do Desterro, Beneditino, n. em Ponte de Lima, Portugal, transferido de Loanda para o Rio em 1745, fal. no Rio, em 5 de Dezembro de 1773, com 79 anos.No seu brasão, em cima estão as armas da Ordem de S.Bento.

Este título foi confirmado Bispo de São Paulo de Loanda, em Angola, pelo Papa Clemente XII em 1738, na Sé Patriarcal de Lisboa.Foi transferido para o Rio de Janeiro por bula de 15 de dezembro de 1745 do Santo Padre Bento XIV, chegando a esta cidade em 1 de dezembro de 1746. Tomou posse do bispado a 15 desse mês, por seu procurador e Cônego Doutoral Dr. Henrique Moreira de Carvalho.Fez sua entrada solene da Sé no dia 1 de janeiro de 1747, falecendo nesta cidade a 5 de dezembro de 1773, com a idade de 79 anos, sendo seu corpo sepultado no Mosteiro de São Bento.Coube a este antítese inaugurar o Convento da ajuda e legou à Diocese a chácara do Rio Comprido. Foi o único prelado que teve bispo coadjutor, D.Vicente da Gama Leal, confirmado Bispo de Helatônia in partibus, pelo Papa Bento XIV, em 19 de julho de 1756, sagrado em Rilhafoles, em Portugal. Tendo D. Vicente renunciado a coadjutoria, antes de tomar posse, em 1771, foi substituído por D.José Joaquim Justiniano Mascarenhas Castelo Branco.

===========================================================

Dom José Joaquim Justiniano Mascarenhas

7º Bispo: Dom José Joaquim Justiniano Mascarenhas, n. no Rio, freguesia da Candelária, nomeado em 1774, depois de ter sido coadjutor, com direito à sucessão, do Bispo precedente, fal. No Rio, em 28 de Janiero de 1805 com 74 anos.Seu brasão é composto por armas de família.

Foi o primeiro antístite brasileiro que sentou no trono episcopal desta diocese. Confirmado pelo Papa Clemente XIV, como Bispo de Tipassa, in partibus e Coadjutor de D. Frei Antonio do Desterro, pela bula de 20 de dezembro de 1773, com direito de sucessão; sendo sagrado em 30 de janeiro de 1774, pelo Cardeal Arcebispo de Evora D. João da Cunha, na capela do seu palácio. Regressou ao Rio de Janeiro em 16 de abril de 1774 como bispo diocesano, por ter falecido D. Antonio do Desterro, tomou posse do bispado em 29 desse mês, por procurador, o seu tio Cônego Doutoral Dr. Paulo Mascarenhas Coutinho. Entrou solenemente na Sé aos 29 do mês seguinte.Faleceu nesta cidade em 28 de janeiro de 1805, com 74 anos de idade, sendo o seu copo inumado na Capela do Palácio da Conceição. O Convento de Santa Teresa, nesta cidade, foi inaugurado por este ilustre antístite.

===========================================================

Dom José Caetano da Silva Coutinho

8º Bispo: Dom José Caetano da Silva Coutinho, n. em Caldas da Rainha, Lisboa, nomeado em 1805, depois de ter sido Arcebispo de Cranganor, na India, fal. em 27 de Janeiro de 1833 no Rio, com 66 anos.Brasão de forma oval, encimado por uma coroa; armas de família.

Nomeado arcebispo de Granganor, na Índia em 24 de junho de 1804, e depois bispo do Rio de Janeiro, em 5 de novembro de 1805, sendo confirmado pelo Papa Pio VII por bula de 26 de agosto de 1806. Foi sagrado na Igreja de S. Domingos, em Lisboa, aos 15 de março de 1807 por D.José Maria de Mello, Bispo do Algarve. Chegou ao Rio de Janeiro em 26 de abril de 1808, e tomou posse do bispado em 28 do mesmo mês por seu procurador o Cônego Cura Antonio Rodrigues de Miranda, fazendo a sua entrada solene a 13 de maio de 1808.Este bispo foi o primeiro capelão-mór da Casa Imperial e teve a oportunidade não só de inaugurar a Capela Real e imperial, como também sagrar o primeiro Imperador do Brasil e batisar S. Magestade D. Pedro II. Em 1826 foi nomeado por D.Pedro I, senador do Império, pela província de S.Paulo.Foi o único bispo que visitou a diocese, vindo a falecer em 1833.Para suceder a D. José Caetano, a Regência Trina nomeou, em 22 de março, e apresentou, em 30 de abril de 1833, o padre Dr. Antonio Maria de Moura, que não foi confirmado pelo Papa Gregório XVI, renunciando então a nomeação em 1 de outubro de 1838.

===========================================================

Dom Manuel do Monte Rodrigues de Araújo

9º Bispo: Dom Manuel do Monte Rodrigues de Araújo, n. em Pernambuco, nomeado em 1839, fal. no Rio em 1863, com 66 anos.Brasão encimado por uma coroa com armas de família (armas dos Araújo).

Foi também conde de Irajá, nasceu na cidade de Recife em PE a 17 de março de 1798; fez seus primeiros estudos com os padres da Congregação do Oratório e depois de receber as ordens sacras no Rio de Janeiro, recolheu-se ao Seminário de Olinda, em 1817, onde lecionou teologia, durante 17 anos.Foi deputado à Assembléia Geral duas vezes, pela província de Pernambuco, nas 3ª e 4ª legislaturas de 1834 a 1841 e pelo Rio de Janeiro na 6ª legislatura de 1845 a 1847. Apresentado para bispo do Rio de Janeiro a 10 de fevereiro de 1839, na regência do Senador Pedro de Araújo Lima, foi confirmado pelo Santo Padre Gregório XVI, a 23 de dezembro do mesmo ano, sendo sagrado na Capela Imperial a 24 de junho de 1840. Capelão-Mór de S.S.M.M. Imperiais e das Princesas D.Januária e D. Francisca, batisou os Príncipes Imperiais. Era prelado doméstico e assistente ao Sólio Pontifício, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, da Academia de Ciências e Artes de Roma e de muitas outras sociedades científicas. Foi agraciado por S.M.Pedro II com o título de Conde de Irajá a 23 de março de 1845; recebeu a Gran-Cruz da Ordem de São Januário e da Ordem de São Francisco I; era também Grande Dignitário da Ordem da ROsa.Escreveu várias obras de teologia Moral e Elementos de Direito Eclesiástico.Faleceu no Paço da Conceição, no Rio de Janeiro, a 11 de junho de 1863.

===========================================================

Dom Pedro Maria de Lacerda

10º Bispo: Dom Pedro Maria de Lacerda, n. em Candelária, Rio, nomeado em 1868, fal. Em 12 de Novembro de 1890, com 61 anos.Brasão de armas simbólicas.

Este título nasceu a 31 de janeiro de 1830 na cidade do Rio de Janeiro. Era filho do Capitão de Mar e Guerra João Pereira de Lacerda e sua mulher d. Camila Leonor Pontes de Lacerda. Fez seus primeiros estudos no Seminário de Mariana, seguindo depois para Roma afim de concluir o seu curso de filosofia e teologia, recebendo então o grau de doutor em direito canônico. Regressando ao Brasil foi nomeado cônego da Sé de Mariana, na então província de Minas Gerais, e continuou a residir no Seminário como professor de filosofia.Eleito bispo do Rio de Janeiro e confirmado pelo Santo Padre Pio IX a 24 de setembro de 1868, tomou posse da diocese por procurador a 31 de janeiro de 1869, fazendo sua entrada solene na Catedral do Rio de Janeiro a 8 de março de 1869. Era do Conselho de S. Magestade o Imperador, seu Capelão-Mór, Grande do Império, assistente ao Sólio Pontifício, prelado doméstico de Sua Santidade e comendador das Imperiais Ordens de Cristo, da Rosa. Foi agraciado pela Princesa Imperial regente, D.Isabel, com o título de Conde de Santa Fé, por decreto de 16 de maio de 1888. Faleceu no Rio de Janeiro a 12 de novembro de 1890.

===========================================================

Dom José Pereira da Silva Barros

11º Bispo: Dom José Pereira da Silva Barros, n. em Taubaté, S.Paulo, transferido do Rio para a Sede Titular de Darnis, em 1895, fal. Em Taubaté em 15 de Abril de 1898, com 63 anos. Sobre este prelado, ver: "Genealogia Paulistana" III, 275; Revista do Arquivo Municipal de S.Paulo", vol.72, de 1940, pág.78, Felix Guisard Filho, "D.Rodovalho e D. José", Biblioteca Taubateana de Cultura, pág.71.Brasão de armas simbólicas.

Também conde de Santo Agostinho, nasceu em Taubaté - SP, no dia 24 de novembro de 1835, iniciando seus estudos no Convento de Santa Clara e concluiu-os no Seminário Episcopal de São Paulo em 1858, recebendo as ordens sacras na cidade de Alfenas, MG. A 18 de setembro de 1862, foi nomeado vigário de Taubaté, sendo colado nesse cargo, do qual tomou posse definitiva a 28 de maio de 1854.Durante o seu longo paroquiato em Taubaté, fundou importantes estabelecimentos, dentre eles o Hospital de Misericórdia e o colégio do Bom Conselho. Foi deputado à assembléia legislativa provincial em duas legislaturas 1866-1869.Eleito bispo de Olinda em 7 de janeiro de 1881, e confirmando pelo Papa Leão XIII, foi sagrado em sua terra natal pelo bispo de São Paulo D. Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, a 28 de agosto de 1881. Transferido para a diocese do Rio de Janeiro em 1871. Alquebrado pela enfermidade resignou o bispado em 1893, retirando-se para Taubaté, sendo então nomeado arcebispo titular de Darnis, passou o resto de seus dias na prática do bem e da caridade.Era camareiro secreto de S.S.Papa Pio IX, membro do Conselho de S.M. o Imperador, Capelão-Mór da Casa Imperial, assistente ao Sólio Pontifício e Prelado Doméstico de S. Santidade, agraciado pela Princesa imperial D. Isabel com o título de Conde de Santo Agostinho, por decreto de 16 de maio de 1888. Faleceu em Taubaté a 15 de abril de 1898 como último bispo do Rio de Janeiro.

===========================================================

Dom João Esberard

1º Arcebispo: Dom João Esberard, n. em Barcelona, Espanha em 10 de Outubro de 1843, vindo para o Rio em tenra idade, filho de Francisco José Teodoro Esberard, belga e, de Antonia Feliciana Eulalia Herting, espanhola, nomeado para o Rio em 1893 depois de ter sido Bispo de Olinda, fal. no Rio em 22 de Janeiro de 1897 com 54 anos.Brasão de armas alegóricas.

Dom João Ferdinando Esberard, nasceu na paróquia de S. José da cidade de Barbacena, na Espanha, em 10 de outubro de 1843.Era filho legítimo e primogênito de Francisco José Teodoro Esberard, natural da Bélgica e de sua mulher Antonia Feliciana Eulalia Herthing Esberard, natural da Espanha.Veio em tenra idade com seus genitores para o Rio de janeiro, onde fez seus estudos e foi ordenado Presbítero em 24 de agosto de 1869 por Dom  Pedro Maria de Lacerda (Conde de Santa Fé). Foi professor do Seminário São José e por muitos anos Capelão do Convento das Carmelitas Descalças de Santa Teresa.Eleito bispo titular de Guerra e Coadjutor com direito de sucessão ao bispo de Olinda D. José Pereira da Silva Barros, pelo Santo Padre Leão XIII no Consistório de 26 de junho de 1890; foi sagrado em 28 de setembro do mesmo ano, na Capela do Coração de Jesus do Seminário do Rio Comprido, no Rio de Janeiro, por Dom Pedro Maria de Lacerda, tendo como assistentes os Protonotários Apostólicos ad instar, Monsenhores Luiz Raimundo da Silva Brito, mais tarde arcebispo de Olinda e Manuel da Costa Honorato, vigário da Matriz da Glória. Sucedeu a D. José da Silva Barros na diocese de Olinda a 12 de maio de 1891.Promovido a primeiro arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro, por breve apostólico de 12 de Setembro de 1893, tomou posse do arcebispado em 6 de janeiro de 1894, por seu procurador Monsenhor Dr. Pedro Peixoto de Abreu Lima. Entrou solenemente na Catedral, em 24 de agosto daquele ano, e aí recebeu a imposição do Pálio, das mãos do Internúncio Apostólico D. Frei Jerônimo Maria Gotti, arcebispo de Petra, mais tarde Cardeal da Santa Igreja Romana. Era insigne literato e pregador exímio.Faleceu com 54 anos, a 22 de janeiro de 1897, no Palácio da Conceição, em cuja capela foi sepultado.Era sócio efetivo do Instituto Histórico Brasileiro em 1891.

===========================================================

Dom Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti

                       

2º Arcebispo: Dom Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, n. em Cimbres, Pernambuco em 17 de Janeiro de 1850, filho de Antonio Francisco de Albuquerque Cavalcanti e de d.Marcolina Doroteia de Albuquerque Cavalcanti, transferido de São Paulo para o Rio, em 1897, fal. no Rio, em 18 de Abril de 1930.Brasão de armas de família; no 1º quartel, uma torre ou fortaleza, parecendo referir-se ao seu lema: Domini fortituto nostra. Foi criado Cardeal em 11 de Dezembro de 1905, sendo o 1º da América Latina.

Este título iniciou sua carreira literária em Cajazeiras, no Estado de Paraíba, a 22 de junho de 1863, concluindo seus estudos no Colégio Pio Latino Americano; frequentou a Universidade Gregoriana, onde obteve as láureas em filosofia e teologia.A 4 de abril de 1874 foi ordenado presbítero pelo Cardeal Constantino Patrizzi, na Basílica de S~çao Joõ de Latrão. Após sua ordenação sacerdotal partiu para Paris afim de se aperfeiçoar, fazendo na Sorbone o curso de ciências naturais.Em 1876, achando-se em Recife, assumiu a reitoria do Seminário Diocesano de Olinda, por nomeação do bispo Dom Frei Vital Maria Gonçalves de Oliveira. Exerceu depois os paroquiatos de Boa Vista, Corpo Santo e Cimbres.Voltando a Recife dedicou-se novamente ao magistério, sendo nomeado Diretor do Ginásio Pernambuco. O Santo Padre XIII, por breve de 27 de maio de 1884 o distinguiu com o título de Prelado Doméstico; apresentado para bispo Coadjutor do Arcebispo da Baia Dom Luiz Antonio dos Santos, por decreto de 9 de maio de 1888, renunciou essa nomeação, sendo então preconizado bispo de Goiás a 20 de junho de 1890, e sagrado na Capela do Colégio Pio Latino Americano a 26 de outubro do mesmo ano, pelo Cardeal Mariano Rampolla del Tindaro, servindo como assistentes D.Antonio de Macedo Costa, arcebispo da Baia e D. Domingos Ferrata, arcebispo de Tessalônica, mais tarde cardeal.Resignando em Roma o bispado de Goiás, sem tomar posse, regressou ao Brasil, recolhendo-se como professor no Colégio de São Luiz, na cidade de Itú, em São Paulo, onde lecionou cerca de dois anos.Por decreto de 26 de agosto de 1892. Sua Santidade o nomeou bispo de Argos e coadjutor de Dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, bispo de São Paulo, com direito de sucessão, tomando posse da coadjutoria em 11 de fevereiro de 1893.Achando-se em Paris, por ocasião do falecimento de Dom Lino Deodato, regressou imediatamente a São Paulo, fazendo a sua entrada solene na Catedral a 30 de setembro de 1894.

Foi muito fecundo o episcopado de Dom Joaquim Arcoverde em São Paulo; fundou o colégio de Pirapora; a Federação das Associações Católicas, mantida e desenvolvida pelos seus sucessores; estabeleceu em prédio próprio que mandou construir a congregação dos Missionários do Imaculado Coração de Maria, na capital, empregando nessa construção o produto da desapropriação da velha igreja do Colégio dos Jesuítas. As portas da velha igreja demolida, foram aproveitadas na feitura do trono episcopal; com essa madeira tradicional também se confeccionou uma bengala para ser oferecida a D. Joaquim Arcoverde, objeto esse de grande estimação para sua Eminência, que usava em passeios quotidianos.Estabeleceu os Redentoristas na capela, hoje Basílica de Nossa Senhora da Aparecida, e os Cônegos Premonstratenses em Pirapora, onde se acha instalado o Seminário Menor, por eles dirigido; nomeou visitadores diocesanos, e muitas outras instituições.

Com o falecimento do arcebispo do Rio de Janeiro Dom Jaime Esberard, foi promovido a arcebispo a 31 de agosto de 1897, fazendo a sua entrada na catedral do Rio de Janeiro a 16 de dezembro de 1897, tomando posse do arcebispado por seu procurador Monsenhor João Pires do Amorim, em 24 de outubro de 1897, tendo nessa ocasião recebido a imposição do Pálio, das mãos de D. Jerônimo Tomé da Silva, arcebispo primaz do Brasil.Mais alta distinção estava ainda reservada a esse eminente prelado, pois o Consistório secreto de 11 de dezembro de 1905, do Papa Pio X, o elevou à púrpura cardinalícia impondo-lhe a murça e o barrete de cardeal a 13 do mesmo mês.A 14 de janeiro de 1906 tomou posse do seu título presbiterial da igreja de São Bonifácio e Santo Aleixo, no Aventino, em Roma.De regresso ao Brasil, chegou ao Rio de Janeiro a 31 de março de 1906, causando-lhe a honra insigne de ser escolhido, dentre os mais distintos prelados, para ser o primeiro Cardeal da América do Sul. Foi comissionado pelo Cabido da Basílica Vaticana de São Pedro para, em seu nome coroar a Imagem da Virgem Aparecida.Por ocasião dos festejos jubilares sacerdotais, Sua Eminência inaugurou a nova residência arquiepiscopal, o palácio "São Joaquim!, onde veio a falecer na sexta-feira da Paixão, aos 18 de abril de 1930.Eleito sócio benemérito do Instituto Histórico Brasileiro a 31 de outubro de 1897.

===========================================================

Cardeal Dom Sebastião Leme da Silveira Cintra

      

Brasão de armas: escudo oval esquartelado, no 1º quartel, em campo prata, o SS. Coração de Jesus; no segundo, as armas dos Lemes; no terceiro, as dos Silveiras e no quarto, as dos Araújos, sendo assim um brasão familiar.Lema: Cor unum et anima una.

3º Arcebispo: Cardeal Dom Sebastião Leme da Silveira Cintra, n. em Pinhal, S.Paulo, em 20 de Janeiro de 1882, Bispo Auxiliar do Rio, em 1911; Arcebispo de Olinda, em 1916; Coadjutor do Rio em 1921, com direito à sucessão, o que se deu em 1930, fal. no Rio em 17 de Outubro de 1942.

Assim se expressa o Dr. Vasco Smith de Vassconcellos, autor do aditamento sobre o Cardeal D.Sebastião Leme:

Na progressista cidade do Espírito Santo do Pinhal, do Estado de São Paulo, nasceu a 20 de janeiro de 1882, Sua Eminência D. Sebastião Leme da Silveira Cintra, filho do professor Francisco Furquim Leme e sua mulher Ana Pio da Silveira Cintra. Começou a vida sacerdotal matriculando-se no Seminário Episcopal de São Paulo, a 1 de setembro de 1894; recebendo a primeira tonsura clerical em 28 de agosto de 1895, seguindo diretamente para o Colégio Pio Latino Americano em Roma, onde se matriculou a 3 de outubro de 1896 afim de ali aperfeiçoar e completar os seus estudos eclesiásticos.Completado o curso de humanidades naquele modelar estabelecimento de ensino, matriculou-se na Pontifícia Universidade Gregoriana a 4 de novembro de 1897, defendendo com brilho as teses para as láureas de filosofia e teologia.Em 28 de outubro de 1904, terminava o curso teológico e recebia a sagrada ordem de presbítero regressando imediatamente ao seu torrão natal, cantou a 15 de dezembro de 1904 a sua primeira missa, na Igreja Matriz de Espírito Santo do Pinhal na mesma Igreja em que fora batisado e fizera a primeira comunhão.

Em 7 de março de 1905 o novel sacerdote era nomeado coadjutor da paróquia d Santa Cecília na Capital paulista; a 11 de fevereiro de 1907.D.Duarte Leopoldo da Silva, nomeava-o cônego, daí a sua nomeação para pró-vigário geral com poderes ordinários de vigário geral, em janeiro de 1910.

Eleito bispo de Artósia a 24 de março de 1911, foi sagrado em, Roma na Capela do Colégio Pio Latino, a 4 de junho do mesmo ano, pelo Cardeal D.Joaquim Arcoverde e assistido pelo arcebispo de Nilópolis, D.Francisco do Rego Maia e pelo bispo de La Plata, D. João Nepomuceno Ferrero y Escalada, regressando ao Rio de Janeiro a 4 de novembro daquele ano, para tomar posse do cargo de bispo auxiliar de Sua Eminência D. Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti.Nomeado arcebispo de Olinda e Recife a 24 de março de 1916, assumiu as altas funções de seu cargo a 17 de agosto de 1916, onde foi recebido com manifestações verdadeiramente sinceras. A 5 de agosto de 1921, D.Sebastião Leme assumiu a jurisdição da arquidiocese da cidade de São Sebastião do Rio de janeiro, para onde fora removido por Sua Santidade o Papa Pio XI. cOm o falecimento do Cardeal D.Joaquim Arcoverde, foi eleito cardeal D.Sebastião Leme, no Consistório de 30 de junho de 1930, sendo-lhe imposto o barrete cardinalício no dia 2 de julho de 1930  no dia seguinte recebia o chapéu cardinalício. A elevação do eminente prelado paulista ao cardinalato, encheu de regozijo a todo o povo brasileiro, deixando de ser apenas um nome nacional para se tornar figura de altíssimo relevo do clero católico internacional. A bordo do transatlântico "Duilio" chegou à metrópole brasileira a figura inconfundível do segundo cardeal sul-americano, no dia 19 de outubro de 1930, tendo sido a sua recepção uma verdadeira apoteose ao novo Cardeal-Arcebispo.

O monumento ao Cristo Redentor que no alto do Corcovado, enfeita e protege a cidade é obra de Sua Eminência, sendo aquele naquele notável monumento atestado eloquente de fé do povo brasileiro, inaugurado a 12 de outubro de 1931, sendo por essa ocasião Sua Eminência nomeado legado pelo Santo Padre afim de representá-lo naquelas festividades. A construção do Colégio Brasileiro em Roma é fruto da generosidade nacional para a qual muito contribuiu o seu grande prestígio como digno representante da Sé Apostólica. Foi ainda o Cardeal D. Sebastião Leme no exercício de sua função pastoral, que criou a Liga Eleitoral Católica, organizando seu programa e estatutos. Em 1933, por ocasião do III Congresso Eucarístico Nacional da Baía, quis o Papa Pio XI dar mais uma prova de afeto paternal a S. Eminência, nomeando-o pela segunda vez seu legado extraordinário, na grandiosa manifestação de fé católica.

Sobre a genealogia desse prelado ver "Genealogia Paulistana", Vol.I, pág.,481, e o estudo do Monsenhor Antonio Pais Cintra, autor desta matéria, em "Origem dos Lemes", Rio, 1944, pág.73; "Anuário Genealógico", X-161.

===========================================================

Cardeal Dom Jaime de Barros Câmara

4º Arcebispo: Cardeal Dom Jaime de Barros Câmara, n. em Santa Catarina, em 3 de Julho de 1894, nomeado para o Rio, em 1943, depois de Ter sido Bispo de Mossoró e Arcebispo de Belém do Pará.Ver sua genealogia no "Anuário Genealógico", VIII, 4.

Brasão de armas: Como Bispo de Mossoró e Arcebispo do Pará usou armas simbólicas em seu brasão.Nomeado Cardeal, em 1945, adotou o seguinte brasão de armas de família: esquartelado: no primeiro e no quarto, as armas dos Raposos; no segundo e terceiro, as dos Barros.Brasão de forma arredondada em semicírculo. Lema: Ignem veni mitere. ("Revista Eclesiástica Brasileira", (1946 vol. II. Pág.363).

Bibliografia Monsenhor Antonio Alves Ferreira dos Santos, "A Arquidiocese do Rio de janeiro", - Rio, Tipografia Leuzonger, 1914 – pág.4; "Anuário Genealógico Brasileiro", IV, 13.

NOTA FINAL: Os dados biográficos aqui transcritos são muito resumidos: para maiores informes e esclarecimentos, consulte as obras, acima indicadas.Na parte heráldica, o autor só conseguiu a descrição dos dois últimos brasões, quanto aos outros apenas indicou uma ou outra de suas características..

ARMORIAL ECLESIÁSTICO BRASILEIRO

No ADITAMENTO ao artigo sobre o "Armorial Eclesiástico" publicado na "Revista Genealógica Brasileira, nº 17 e 18, pág.3, o autor fez referência à uma carta da Santa Sé aos Bispos do Brasil a respeito de brasões episcopais.Posteriormente verificou o equívoco de quem o informou; parece nada existir, especialmente, em relação aos brasões dos bispos brasileiros. Em Ferreres, "Instituitiones Canonicae", edição Subirana, 1920, tomo I, pág.170, encontrou o seguinte:

"Pela Constituição "Militantis", de 19 de Dezembro de 1644, o Papa Inocêncio decretou que os Cardeaes, nos seus brasões de família, não devem usar coroas e outros sinais, exceto aqueles que, dentro do escudo, constituem as notas essenciais do brasão de família. – O que ficou dito sobre os brasões cardinalícios, o Papa Bento XV, pelo decreto da Sagrada Congregação Consistorial, de 15 de Janeiro de 1915, estendeu mais largamente, de tal sorte que os Patriarcas, Arcebispos e Bispos, tanto residenciais como titulares, não podem usar, nos seus selos e brasões familiares, títulos nobiliários, coroas e outros sinais e símbolos seculares que indiquem nobreza de família.Com tudo não são proibidos os títulos seculares pertencentes a uma Sede Arquiepiscopal ou Episcopal, como por exemplo o título de Príncipe de Andorra, anexo ao Bispado de Urgel; nem as insígnias da Ordem de S. João de Jerusalem ou do Santo Sepulcro, - assim como também não são proibidos os sinais ou símbolos que, dentro do escudo constituem as notas essenciais do brasão familiar."

Portanto, sobre o assunto existem esses dois documentos pontifícios, pelos quais podemos concluir a proibição de colocar nos brasões, o elmo, coroa, timbre, etc., e, parecendo assim que tal proibição não se refere ao uso da mitra e baculo, pois estes últimos não são símbolos seculares, mas estritamente eclesiásticos; - dentro do escudo é permitido o uso de sinais (armas) de família.

===========================================================

 índice // próxima