O INFANTE D. HENRIQUE E A ESCOLA DE SAGRES
Conforme é registrado nos dois trabalhos de Luis de Albuquerque, Introdução à História dos Descobrimentos Portugueses e, Dúvidas e Certezas na História dos Descobrimentos Portugueses nunca houve a Escola de Sagres que foi, antes de mais nada, uma escola prática em que os marinheiros foram mestres e alunos. Ou, como muito a propósito escreveu Luciano Pereira da Silva, que os bancos da Escola de Sagres foram as pranchas das caravelas. O historiador Tito Lívio Ferreira nomeia, entretanto, a Escola de Sagres como a 1a Escola Náutica do mundo e informa que ela está ligada ao papado que a financia desde sua criação em 1418 e determina, através de sucessivas bulas papais (de 1418, 1431, 1447, 1452, a 1454), que as descobertas dos pilotos da Escola de Sagres pertenceriam à Ordem de Cristo, que financiava suas viagens, o que torna creditável esta versão, uma vez que a Igreja sempre foi muito esperta/ponderada em suas intervenções comerciais ao longo dos tempos e sempre lucrou, muitíssimo, com as descobertas marítimas portuguesas como foi o caso clássico dos jesuítas no Japão.
O Infante D. Henrique, (1394-1460), era o 4o filho de D. João I, (1357-1433), o Mestre d’Aviz, 10o rei de Portugal, c.c. Felipa de Lancastre, irmã de Henrique IV, Rei da Inglaterra. O Infante D. Henrique foi o 1o Duque de Viseu e Senhor de Covilhã. Sua Casa Senhorial era a mais rica de Portugal pelo volume de seus privilégios fiscais superando à Casa de seu irmão bastardo, o 1o Duque de Bragança, que tinha mais extensão territorial porém, menos rendas.
Após a sua nomeação pelo Papa Martinho V, em 1418, como Administrador Apostólico da Ordem Militar da Cavalaria de Nosso Senhor Jesus Cristo, ou Ordem de Cristo, sucessora em Portugal, da Ordem dos Templários extinta pelo Papa Clemente V em 1312, o Infante, também Príncipe Ecumênico, ficou, ainda, mais rico pois as rendas da Ordem de Cristo são disponibilizadas pelo Papa para os descobrimentos que este Infante se propora a tentar através das viagens que iniciara, cada ano 2 ou 3 navios, quando obteve o governo do Algarve após a tomada de Ceuta em 1415. Um dos grandes sucessos desta empresa de navegação iniciada por D. Henrique foi, a 22/4/1500, o Achamento do Brasil a que Pedro Alvares Cabral dá o nome de Província de Santa Cruz, e que é incorporado ao patrimônio da Ordem de Cristo, e governado pela Monarquia de Portugal.
O Infante viveu em seu paço lisboeta até a morte de seu pai em 1433, quando parou de freqüentar a corte e se isolou no Algarves onde, 5 anos após, já tinha residência em Lagos o porto de saída das naus na região do Cabo de Sagres que é o mais recortado entre os 3 existentes nesta área do litoral próxima a Raposeira, vila existente a meia légua para dentro da terra. São os cabos chamados de Cabo da Almenara, o Cabo Terçanabal/Carphanabal (Cabo de Anibal) que foi uma das fortificações tomadas aos mouros em 1189, e o Cabo de Sagres.
D. Henrique instala a Vila do Infante que não foi, aparentemente, o complexo de construções que ele pretendia fazer compondo um povoamento com casões/armazéns destinados aos apetrechos navais, um paço senhorial com cômodos para pilotos da região e estranhos em transito, casario para mestres e servidores que ali fixassem suas familias e uma capela com casa para os aposentos dos clérigos.
Neste local de Lagos, chegaram as primeiras amostras de indígenas d’África Ocidental. O mais importante registro relata que, a 8/8/1445, chegou um lote de 235 indígenas que iam das feições caucasóides ate às de pele negra, os chamados etíopes, trazidos por Lançarote de Freitas, genro do rico armador Soeiro Gomes, e que, por tal feito foi, lá mesmo, cerimonialmente armado cavaleiro pelo Infante. Para não lesar ninguém procedeu-se à discriminação eqüitativa dos escravos válidos para o que foi necessário separar pais de filhos e irmãos de irmãs. O Infante assistia à parada em cima de um poderoso cavalo e, do seu quinto legal, equivalente a 46 nativos, o grande senhor cristão mandou dividir alguns entre seus criados e reservando os melhores para a igreja Santa Maria de Lagos e para o mosteiro do Cabo, onde um menino negro chegou a ter ordens sacras e a morrer católico cristão.
D. Henrique em 1458, aos 63 anos, ajudou seu sobrinho D. Afonso V, o Africano, (1432-1481), a tomar dos mouros Alcácer-Ceguer, este foi o seu último feito historicamente registrado.
A 13/11/1460, morre este príncipe sempre retratado de negro e austeramente vestido, sonhador, “que se deixava ficar a pensar num mesmo lugar toda uma noite”, meio místico, retraído e pouco afeto às festas da corte que pouco freqüentava e que quase nunca bebia vinho tendo vivido casto a vida inteira usando o cilício para seu auto domínio, ele era de carnadura grossa, membros largos e fortes, de cor branca e corada, com a cabeleira algum tanto alevantada e sem barba e se parecia com o seu pai e aos que despedia por não se agradar deles dizia como foi registrado por Zurara, cronista português: Dou-vos a Deus ! Sejais de boa ventura.
Anibal de Almeida Fernandes, Novembro, 2002.
Bibliografia:
Vida e Obra do Infante D. Henrique, Vitorino Nemésio, Vertente, Porto.
Dúvidas e Certezas na Historia dos Descobrimentos Portugueses, Luís de Albuquerque, Vega.
Introdução à História dos Descobrimentos Portugueses, Luís de Albuquerque, Biblioteca Universitária.
A nacionalidade luso brasileira, Tito Lívio Ferreira, O Estado de São Paulo, pagina 82, 18/1/1970.
PORTUGAL e BRASIL: 1500-1822
Em 1415, após a batalha de Ceuta, o Infante D. Henrique, 1o Duque de Viseu e Senhor de Covilhã, inicia em Lagos, no Algarve, a Escola Naval de Sagres, a 1a Escola Náutica do Mundo, conforme Tito Lívio Ferreira. Em 1418, ele é nomeado pelo Papa Martinho V, Administrador Apostólico da Ordem Militar da Cavalaria de Nosso Senhor Jesus Cristo, ou Ordem de Cristo, sucessora da Ordem dos Templários em Portugal, que fora extinta pelo Papa Clemente V em 1312.
Todas as rendas do enorme patrimônio desta Ordem de Cristo ficam sob a administração de D. Henrique que, graças ao senso prático da Casa Real de Portugal (o Rei português é o único rei europeu que tem entre os seus títulos o de Senhor do Comércio), canaliza, essas rendas, para esta Escola/empresa de descobrimentos marítimos. As Bulas papais de 1418, 1431, 1447, 1452, e 1454, estipulam que todas as terras descobertas pelo Infante D. Henrique, Príncipe Ecumênico, caibam e pertençam à Milícia e Ordem de Cristo pelos tempos futuros perpétuos.
Assim sendo, a 22/4/1500, Pedro Alvares Cabral, ao achar/descobrir a terra que na Carta de Caminha é assim descrita:
neste dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra ! Primeiramente dum grande monte, mui alto e redondo; e doutras serras mais baixas ao sul dele; e de terra chã, com grandes arvoredos; ao monte alto o Capitão pôs nome - o MONTE PASCOAL e à terra – a TERRA DE VERA CRUZ.,
Ele lhe dá o nome de Vera Cruz que, ao se aperceberem que não é uma Ilha, passa a Província de Santa Cruz, que é incorporada ao patrimônio da Ordem de Cristo. O Brasil é pois, patrimônio da Ordem de Cristo e governado pela Monarquia Portuguesa.
Somos nós, brasileiros, como informa Tito Lívio Ferreira, Província de Santa Cruz de 1500[1] a 1548, Estado do Brasil, criado por D. João III (1502-1557), 15o Rei de Portugal, que dura de 1549 a 1643, Principado do Brasil de 1643 a 1720, Vice-Reino de 1720 a 1815, Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves de 1815 a 1822, Império do Brasil de 1822 a 1889, República do Brasil a partir de 1889. Desde 1608 o Conselho da India, mais tarde Conselho Ultramarino, com sede em Portugal, já declarara: Tão Português é o que nasce e vive em Goa, Brasil, Angola, como o que vive e nasce em Lisboa.
D. João VI, (1767-1826), da Dinastia Braganças, 27o Rei de Portugal, o grande estadista português pela visão globalizante e arrojo em sair de seu berço dourado e enfrentar os mares até o Brasil, aqui chegando, rapidamente sabe entender/valorizar/organizar o tremendo potencial de sua possessão ultramarina. Num golpe de mestre, a 16/12/1815, estabelece o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, e cria a primeira Comunidade Global formada pela Monarquia Portuguesa, sediada no Rio de Janeiro, e unindo todos os súditos portugueses, existentes neste Império Português, duas vezes maior que o Romano, pois abrangia, o Reino de Portugal, o Reino do Brasil, Ilhas atlânticas, Angola, Guiné, Moçambique, (províncias africanas), Goa e Macau, (províncias asiáticas), e Timor na Oceania. O Império Português foi o 1o Império com abrangência planetária, coeso em suas mesmas leis únicas, as Ordenações do Reino, seus mesmos direitos, suas mesmas prerrogativas e sua mesma língua, sendo todos portugueses pelo sangue (jus sanguini) e pelo solo (jus soli). Além disso, é necessário destacar que a 22/1/1532, Martim Afonso de Sousa preside a 1a eleição livre e popular realizada nas Américas ao instalar a Câmara de Vereadores de São Vicente. E o Padre Manoel da Nóbrega, 1o secretário da Educação do Estado do Brasil cria, em 1549, o ensino público gratuito no Brasil, com os professores jesuítas pagos pela Monarquia Portuguesa. Esses professores jesuítas lecionam segundo os Currículos da Universidade de Coimbra.
O Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, criado por D. João VI em 1815, é constituído por 10 raças: Lusitanos, Celtas, Ibéros, Gregos, Fenícios, Cartagineses (norte da África), Romanos, Alemães Visigodos, Árabes e Normandos, e serviu de modelo para o Reino Unido da Grã Bretanha criado apenas meio século depois, apenas em 1867 !!!!
ALGUMAS REFERÊNCIAS GEOGRÁFICAS
# GUIMARÃES: No castelo de Guimarães foi fundado Portugal por Afonso Henriques (1109-1185) 1o Rei de Portugal, no século XI.
# COIMBRA: no Mosteiro de Santa Cruz, (1131), está o túmulo de Afonso Henriques 1o Rei de Portugal, (1109-1185), tetraneto de Hugo Capeto, (941-999), fundador da 3a Dinastia Real de França em 987, neto de Afonso VI, (1035-1109), 14o rei de Leão em 1065, 3o rei de Castela em 1073. Afonso Henriques é primo-irmão de Mendo Fernandes de Bragança, que foi seu Alferes Mor e que, também, é neto de Afonso VI. Este Mendo Fernandes de Bragança é meu 26o avô, pois eu descendo de sua filha Urraca Mendes de Bragança c.c. Diogo Gonçalves, que é bisneta de Afonso VI.
# BRAGA: Na Catedral da Sé está a CRUZ que Cabral conduziu na expedição que achou o Brasil em 1500.
# CHAVES: Tem o castelo do 1o Duque de Bragança, Afonso (1377-1461), 8o Conde de Barcelos. Era filho natural de Dom João 1o (1357-1433), o Mestre de Aviz, 10o Rei de Portugal, com Inez Perez Esteves, ele criou para este filho Afonso, em 1442, o Ducado de Bragança, que foi o 3o Ducado criado por este Rei D. João 1o (sendo o 1o Ducado o de Coimbra e o 2o o de Viseu). D. Afonso foi o 1o Chefe da Casa de Bragança com o título de 1o Duque de Bragança. Em 1640, com a Restauração, após o domínio da Espanha de 1580 até 1640, Dom João, 8o Duque de Bragança, foi coroado a 1/12/1640, 21o Rei de Portugal como Dom João IV (1604-1656), o Restaurador, 21o Rei de Portugal, iniciando a Dinastia Bragança (1640-1910) que é a 3a Dinastia Real Portuguesa (a 1a é a de Borgonha (1139-1383), a 2a é a de Avis (1383-1580)), que é a mais longa de Portugal, e que deu ao Brasil, no século XIX, os seus 2 Imperadores.
Dom João IV era casado com Ana Luiza Francisca de Gusmão, filha de João Manoel de Gusmão, 8o Duque de Medina Sidonia.
# ESTORIL: Tem o castelo de Queluz, residência de Dona Maria 1a, a Louca, 26a rainha de Portugal (1777-1816), que é mãe de Dom João VI (1767-1826), 27o rei de Portugal, que é avó de Dom Pedro I, Imperador do Brasil (1822-1831) e depois, Pedro IV, 28o Rei de Portugal, onde morreu em 1834.
# ALCOBAÇA: Tem o Mosteiro com a tumba de Dom Pedro 1o de Portugal (1320-1367) e sua Ines de Castro, feita rainha depois de morta, com quem teve D. João, 1o Duque de Valência.
Anibal de Almeida Fernandes, Novembro, 2002.
Bibliografia:
História de Portugal, Fortunato de Almeida, Coimbra, 1922.
O Infante D. Henrique e a Ordem de Cristo, José de Melo Pimenta, São Paulo, 1968.
Anuário Genealógico Brasileiro, Vol. IX, São Paulo, 1947.
Náufragos, Traficantes e Degredados, Eduardo Bueno, Rio de Janeiro, 1998.
Anibal de Almeida Fernandes, Novembro, 2003.
[1] Entre Setembro de 1502 e Setembro de 1505, o Brasil foi arrendado para Fernando de Noronha por 4.000 ducados/ano. Em conluio com os índios, Fernando extraia o pau brasil que era processado na Holanda e usado na Itália, que já era o centro da moda européia, para o tingimento vermelho das roupas finas. Este comércio lhe dava um lucro anual de 36.000 ducados, (1 ducado = 3,5 gr. de ouro puro) e iniciou a devastação da Mata Atlântica. Só no século XVI foram derrubadas 2 milhões de árvores e a partir de 1558 as melhores árvores só eram encontradas a 20 kms da costa.