João Ramalho, pintura imaginária

de J.W.Rodrigues

JOÃO RAMALHO e SÃO PAULO séc. XVI a XVIII

Autor: Aníbal de Almeida Fernandes, 14 de Setembro, 2008.

Lendo, com bom senso e critério comparativo, Gilberto Leite de Barros (GLB), Alcântara Machado (AM), Nelson Omegna (NO), Eduardo Bueno (EB), Cândido Mendes (CM), Carlos da Silveira (CS) e Francisco de Assis Carvalho Franco (CF), Vianna Moog (VM) e, apenas registrando o que eles informam, se obtém uma realidade muitíssimo diferente do conceito habitualmente difundido que "empresta à sociedade paulista dos dois primeiros séculos o luzimento e o donaire de um salão de Versalhes com homens muito grossos de haveres e muito finos de maneiras, opulentos e cultos, vivendo a lei da nobreza numa atmosfera de elegância e fausto" como descreve Oliveira Viana a São Paulo dos séculos XVI, XVII e XVIII. Para Alcântara Machado, "só a fantasia delirante de um deus seria capaz desse disparate esplêndido".

Abaixo temos uma resenha de todos esses livros para informar/orientar quem tem interesse histórico e capacidade de raciocínio e, alem disso, é atilado e conciso, para apreender/aprender a verdade histórica situando-a nas reais circunstancias da época, sem fantasias delirantes que possam romantizar a realidade sobre a maneira idealista de contar o começo de São Paulo.

Vianna Moog de maneira dura e lapidar assim coloca: os portugueses que vieram ter primeiro às terras de Santa Cruz, vinham sem a mulher, sem os filhos e sem os haveres, traziam já os olhos demasiadamente dilatados pela cobiça, eram conquistadores não colonizadores e ninguém embarcava para o Brasil senão com o pensamento de enriquecer depressa e voltar mais depressa ainda, havia um sentido predatório, extrativista na formação brasileira e os bandeirantes iam e tornavam não se fixavam nunca nos territórios percorridos, antes despovoavam que povoavam trazendo índios dos lugares que habitavam, causando sua morte em grande número ora com maus tratos ora pelas doenças e epidemias que disseminavam entre os índios. Em sua sede de ouro, eram completamente desprevenidos de virtudes econômicas, espírito público e vontade de autodeterminação política. Não havia mundo menos moral que a bandeira. Para começar o seu móvel principal, senão único, era a cobiça. Cobiça e luxúria, caça ao índio e à fêmea e imperava unicamente a lei do mais forte, o princípio da autoridade, bem ilustrada por Fernão Dias Pais mandando matar o filho mestiço por insubordinação. Até meados do séc. XVII e começo do séc. XVIII o termo brasileiro como expressão e afirmação de uma nacionalidade, era praticamente inexistente. Os filhos de portugueses nascidos no Brasil eram os mazonbos, categoria social à parte, a que ninguém queria pertencer, tanto é que o filho do reinol não vacilava em reivindicar o nascimento no Reino, amparando-o em nobres ancestralidades. Fato sintomático entre os 4 primeiros povoadores brancos, dois eram degredados. Mas, terra para explorar ou refugio de trânsfugas e fugitivos o Brasil não passava de intermezzo de aventuras, para os donatários, para os governadores-gerais e para a corte de D. João VI.

1º) O que era Piratininga, depois São Paulo, não passa de um lugarejo humilde habitado por um Bandeirante, pobre e analfabeto e grosseiro de modos e de haveres parcos, vivendo quase na indigência (AM). Em 1606 tinha 190 moradores (GLB) e não passa por longos anos, de miserável aldeia (AM), pois não interessava à Coroa Portuguesa a expansão da agricultura em regiões longínquas do litoral. D. João III dificultou a entrada no campo, reservando-o para o tempo futuro quando estivesse cheia e bem cultivada a terra vizinha aos portos, nos dois primeiros séculos. (GLB) a intenção era consolidar o litoral para protegê-lo dos ataques externos, principalmente de franceses e holandeses. Com a corrida para as minas de ouro em 1748 a capitania de São Paulo, praticamente acaba com o êxodo que acontece e entra em brutal decadência só vindo a ser restaurada em 1765, graças ao açúcar e às tropas de mulas que eram a companhias de transporte da época. Nos 3 séculos iniciais do país, XVI/XVII/XVIII, a única riqueza de São Paulo era o tráfico de escravos índios, pois era uma vila miserável que sobrevivia à margem da civilização, totalmente isolada pela difícil situação geográfica por conta de uma serra quase intransponível e só em 1792 tem o acesso melhorado com a construção da calçada de Lorena alargada e pavimentada que foi assim descrita: uma ladeira espaçosa que permite subir com pouca fatiga e se descer com segurança (Frei Gaspar), porém era interrompida no trecho de Cubatão até Santos que continuou a ser feito por canoas até 1827.

Enquanto bandeirante, e por causa das bandeiras São Paulo, era um dos estados mais pobres e atrasados do Brasil. Somente depois de definitivamente encerrado o ciclo das bandeiras e só com o advento do ciclo do café e, no fim do séc. XIX, com a imigração de tipo pioneiro (vir para ficar) com mais de 100.000 imigrantes por ano e que São Paulo passa para a vanguarda da Federação. (VM).

2º) O tipo de população de São Paulo:

Um núcleo de cabos de sertão, gente sem preparo e aptidão, gente predatória e instável e despovoadora. (GLB).

Os paulistas aceitariam até as mulheres erradas de Portugal, ou seja, as putas portuguesas, tal a carência de mulheres brancas (AM citando carta do Padre Manoel da Nóbrega).

São homens do campo, mercadores de recursos limitados, artífices aventureiros de toda a casta, seduzidos pelas possibilidades com que lhes acena o continente novo (AM).

Mestiços de negros e índios com brancos, no geral, aventureiros assassinos (Herrera: cronista uruguaio do século XVII).

O paulista salientou-se como traficante de escravos índios, só entre 1628 e 1630, está provado que os paulistas roubaram e venderam como escravos 60.000 índios (GLB).

Era uma raça descendente de condenados deportados dos diferentes povos da Europa e de mulheres indígenas (GLB).

No fim do séc. XVIII o Capitão-General (Morgado de Mateus, 1765-1775) informa El Rey sobre os paulistas: "é a pior gente do mundo: relaxada, indolente, orgulhosa, selvagem e estúpida (AM).

Outro exemplo típico é Santo André da Borda do Campo, Visto como um verdadeiro covil de ladrões por Ulric Schimitt pirata alemão. (NO).

Porque nisto de emprestar ao bandeirante atributos que ele nunca teve, o paulista de quatrocentos anos é um perfeito ianque. Se, para valorizar o símbolo que lhe é caro, for preciso atribuir ao bandeirante atributos orgânicos, ele o atribuirá, se para magnificá-lo for preciso torcer a história, ela a torcerá. Pierre Monbeig em tese de concurso, premiada pela Sorbonne em 1952, pondera: isso foi extremamente importante, pois criou o mito do Bandeirante cuja eficácia psicológica é certa.(VM).

3º) A Pretensão à nobreza: A nobreza paulista se entrelaça na descendência de João Ramalho, que teria vivido 99 anos??? numa época onde o europeu vivendo nos trópicos que conseguisse chegar aos 40 anos já era considerado um fenômeno por conta das febres, malária, bouba, opilação, tétano e disenterias que dizimava o estrangeiro. Esta nobreza é descrita por Pedro Taques de Almeida Paes Leme (1714-1777) que é um personagem muito controvertido, uma vez que escrevia por dinheiro para famílias que queriam registrar um passado de glória, e foi preso por desfalque dos cofres públicos e morre sem ser perdoado pelo rei de Portugal, ele se baseia em documentos de 1500 e 1600 que depois foram perdidos!!!! não podendo ser comprovados???? Pedro Taques foi responsável, em 1770, por grave desfalque nas contas publicas que gerenciava como tesoureiro-mor da Bula da Cruzada das capitanias de São Paulo, Goiaz e Mato Grosso. Em 1774 vai para Lisboa tentar a clemência do Rei, porem não é recebido e volta doente (paralisia) morrendo sem perdão e com o nome desonrado e na mais extrema miséria a 3/3/1777. Silva Leme (1852-1919), em sua Nobiliarquia Paulistana (1901-1905), 138 anos depois, já informava que a maior parte das fontes pesquisadas por Taques haviam sido perdidas ou se deterioraram irremediavelmente, ou seja, não há possibilidade de nenhuma análise técnica séria, hoje em dia, para a confirmação das informações feitas pelo Taques.

O português fundador de nossas cidades era marinheiro, soldado, mercador, padre, judeu andejo, homem sem pendor à vida sedentária e, somado ao índio estradeiro, criou o Bandeirante, o minerador, o tropeiro, o comboeiro, o carreteiro e o mascate (NO).

(sic) "Sua Magestade podia se valer dos homens de São Paulo, fazendo-lhes honras e mercês, porque são homens capazes de penetrar todos os sertões e não lhes é molesto andarem pelos sertões, anos e anos", é sabido que em Portugal no séc. XVI escasseava a população (e na 1ª metade do séc. XVI, parte ponderável da população de Lisboa era de escravos negros, por conta das perdas com expedições marítimas)(GLB).

As enumerações de Pedro Taques e Silva Leme, a respeito dos títulos e atributos de fidalguia, são bastante precárias, pois numerosos elementos de classes inferiores, em pagamento de serviços prestados ao Rei, foram elevados a cavaleiros, porém, apesar disso, no dizer de Fernão Lopes, fossem "filhos de homens de baixa condição, que não cumpre dizer" (GLB).

Alfredo Ellis Jr. informa: Se é verdade que um ou outro povoador procedia por algum ramo de sua complicada ascendência (notar o descrédito) de uma genealogia fidalga do reino, não sem passar, porém por muitas bastardias e através de muitos cruzamentos com elementos afro-asiáticos e árabes-bérberes, e ia chegar aos primitivos heróis peninsulares, onde esses poderiam ser contados nos dedos, tão resumido o seu número!(GLB).

Pero Leme (os irmãos Leme eram facínoras desalmados, conforme Paulo Setúbal, baseado em documentos da época) que Pedro Taques diz ser fidalgo muito antigo nos livros de El Rey era um indigente e seus haveres são: um colchão, um travesseiro, duas redes, uma caixa preta, um espelho, um jarro de vidro, uma cadeira de espaldar cuja metade é de sua filha Leonor Leme.(AM com ironia e total descrédito da Nobiliarquia Paulistana, pergunta: que jornaleiro se contentaria, na atualidade, com esse punhado de trastes e utensílios domésticos?).

Eduardo Bueno (EB) pondera que: Homem tão influente e rico, dificilmente iria se expor aos perigos do mar e às agruras de uma viagem oceânica, quando se refere ao judeu Fernando de Noronha, (que foi arrendatário do Brasil entre 1502 e 1505, quando devastou as florestas do litoral na captura do pau Brasil em árvores que chegavam a 30 m., num total anual de 1.200 ton.) e pode ser generalizado para outros ricos e influentes do reino e, principalmente, fidalgos de verdade! titulares da nobreza natural de solar, ligados à Corte e girando em torno dela.

Sobre o primeiro Bueno, Carvalho Franco, diz que era um carpinteiro da armada de Valdez, contratado num local chamado Ribeira e, no entanto, fizeram deste Bartolomeu Bueno da Ribeira um nobre de Sevilha e o Bartolomeu Bueno, que quase foi Rei, era na verdade um fabricante de chapéus, analfabeto, que assinava com uma cruz ou X como queiram (AGB, Ano VI pg. 55 e 56).

Dos 400 inventários seiscentistas, há apenas 20 que descrevem alguma abastança, daí se conclui quanto se distanciam da realidade os que se fiam cegamente na palavra dos linhagistas, (Pedro Taques+Silva Leme).(AM).

Quando nos deixamos guiar pelos documentos dos velhos tempos e aceitamos a designação de nobres dada a certos homens, sentimos que uma certa fantasia foi usada pelos velhos cronistas (Pedro Taques+Silva Leme) ao distribuir aqueles títulos e graças (NO).

Há toda uma série de artifícios manipulada, consciente ou inconscientemente no redoirar a prosápia de muitos conceituados nobres de nossos antigos linhagistas (Pedro Taques+Silva Leme).(NO).

4º) O Morgado de Mateus (1765-1775), chega em Piratininga (São Paulo) em 1765 e só então começa a ser organizada a vida administrativa e social em São Paulo, com o povo tomando consciência de si mesmo:

A cidade tinha 392 moradias, com 648 homens e 867 mulheres e a economia era só comércio de mulas e cavalos, sendo que os negociantes eram nada mais que caixeiros dos negociantes do Rio, porém, graças a esses tropeiros, a sociedade paulista, posto que pobre, já não se apresenta miserável como no século anterior (GLB). Nessa época, para efeito comparativo, Ouro Preto, em Minas Gerais, tinha 120.000 habitantes, e um luxo, riqueza e uma vida cultural de cidade européia, em pleno apogeu da extração do ouro e brilhantes.

Trabalhavam os paulistas, de má vontade como notava em 1788, Arouche Rendon que informa que, um lavrador paulista trabalha no ano de dois a três meses por ano. A par disso, antes de iniciar qualquer empresa, bebia, metia-se na caninha. Arouche, cujo depoimento é de grande valia para verificação dos costumes da época, encarecia os malefícios da bastardia desenfreada dos filhos sem pais conhecidos, desprovidos de um juiz de órfãos para tutelá-los. O futuro Marechal apontava os dois males que distraem o povo do trabalho e que arruínam o comércio: o jogo de dados e a dança, sobretudo no sertão.(GLB).

O mal residia no baixo padrão cultural de um povo estabelecido em região excessivamente distante dos demais centros do país, colocada em um planalto, cujo acesso ao mar tornava-se quase impraticável.(GLB); imaginemos a incrível dificuldade para que os bens de consumo subirem a serra nas costas de índios ou no lombo de burros em meio à chuva e aos ataques dos índios inimigos.

Negociando com muares (mulas), o paulista armazenou boa parcela dos recursos com os quais viria a semear lavouras de açúcar e de café. Muitas fortunas de São Paulo originaram-se desse lucrativo intercâmbio comercial (que eram as empresas de transporte da época), iniciado no Setecentismo e continuando ininterruptamente no século XIX, com muitos chefes de grandes famílias paulistas.(GLB)

Maria Cecília Naclério Homem, informa: entre eles o 1o Barão de Iguape, Antonio da Silva Prado, que era comerciante e tropeiro, pai de Veridiana da Silva Prado, casada com seu tio/primo, Martinico da Silva Prado (a casa deles era onde está, hoje, o Clube São Paulo na Av. Higienópolis) deu um baile, em 1861, para comemorar a formatura de seu filho na Escola de Direito e, não convidou a Marquesa de Santos: Domitila de Castro Canto e Melo Aguiar de Barros porque, por causa do seu passado, ela sofria restrições da melhor sociedade paulista !!!.

Gloria Kaiser, informa: na corte corria a história de que, apesar dos muitos bens que ela angariara, através de D. Pedro I, ela esbanjara quase tudo e de raiva dera os presentes que ganhara do Imperador aos seus criados e a portugueses que lhe eram leais, antes de desaparecer no interior do Brasil, (São Paulo) e casar com Tobias Aguiar de Barros, onde morre em 1867.

5º) João Ramalho: visto por escritores, cronistas e cartas de jesuítas.

O soturno degredado fugitivo ou náufrago João Ramalho tinha, entre muitas concubinas, a principal delas era Bartyra-(EB), portanto sem o controle de registros documentais que eram inexistentes na época é difícil definir quais os filhos de Bartyra.

O pirata Ulrich Schimedel em 1553, ao passar por Santo André, achou-a com aspecto de um covil de bandidos e ficou aliviado ao saber que Johanes Reimelie (João Ramalho) não estava lá, mas no sertão, escravizando índios.(EB).

Aliás, o tráfico de escravos que ele inaugurou, fez São Vicente (conhecida como Porto dos Escravos, graças a João Ramalho), e São Paulo as 2 cidades mais importantes do sul do Brasil.(EB).

Se João Ramalho infundia temor em homens como esse pirata alemão, é fácil supor o que acharam dele os jesuítas. Em 1553 o padre Manoel da Nóbrega dizia que a vida de Ramalho era uma "petra scandali", pois tem muitas mulheres e ele e seus filhos andam com as irmãs (de suas esposas) e tem filhos delas. Vão à guerra com os índios e seus gestos são de índios e assim vivem, andando nus como os mesmos índios. (EB). Ele é o patriarca dos mamelucos que gerou uma série de filhos mestiços que mais tarde comporiam as bandeiras paulistas e revelariam violência inigualável na escravização dos indígenas do sertão.(EB).

João Ramalho, é o primeiro empresário bem sucedido no Brasil, pois era tão influente e poderoso com seu tráfico de escravos e controle sobre os índios do interior que Martim Afonso, em 1533, o faz Guarda-Mor da Borda do Campo. E tem tantos filhos, netos e bisnetos que não ouso dizer à Vossa Alteza, informa ao Rey, Tomé de Souza (EB) o que deixa muito complicada a genealogia correta de seus descendentes, apesar dos escritos de Pedro Taques;

Quando a Inquisição inicia a perseguição aos judeus no Brasil, o mameluco de Santo André ameaça: "acabarei com a Inquisição a frechadas". Os fatos se incumbem de demonstrar aos descendentes de João Ramalho que a fera não se deixa matar tão facilmente.(AM), João Ramalho era um judeu sefaradim.

6º) Carta: Ir. José de Anchieta ao Padre Inácio de Loyola, São Paulo de Piratininga, 1/9/1554.

(sic) De facto, alguns cristãos filhos de pai português e mãe brasílica, que estão apartados de nós 9 milhas numa povoação de portugueses, não cessam nunca de esforçar-se juntamente com o pai por lançar a terra a obra que procuramos edificar com a ajuda de Deus pois exortam repetida e criminosamente os catecúmenos a apartarem-se de nós e a crerem neles, que usam arco e frechas como os índios, e a não fiarem em nós que fomos enviados aqui por causa de nossa maldade. Com esses e semelhantes coisas conseguem que uns não creiam na pregação da palavra de Deus e que outra que parecia já termos encerados no redil de Cristo voltem aos antigos costumes e se apartem de nós para viverem mais livremente. Os nossos irmãos tinham gasto quase um ano e meio a doutrinar uns, que distam de nós 90 milhas e eles, renunciando aos costumes gentílicos, tinham resolvido seguir os nossos e tinham-nos prometido nem matar nunca os inimigos nem comer carne humana. Agora porém convencidos por estes cristãos e levados pelo exemplo de uma nefanda e abominável depravação, preparam-se não só para os matar mas também para comer. Da guerra a que me referi acima, tendo um destes cristãos trazido um cativo, entregou-o a um irmão dele para o matar. E matou-o de fato com muita crueldade, tingindo as próprias pernas de vermelho e tomando o nome de quem matara em sinal de honra, como é costume entre os gentios; e, se o não comeu, deu-o ao menos a comer aos índios, exortando-os a que não deixassem perder a quem ele matara, mas o assassem e levassem para comer.

Outro irmão do mesmo, advertindo-se de que tivesse cuidado com a Santa Inquisição, por seguir costumes gentílicos, respondeu que vararia com flechas duas inquisições.

E são cristãos, nascidos de pai cristão, que sendo espinho não pode produzir rosas.

Este passou quase 50 anos nesta região, junto com uma concubina brasílica, e gerou muitos filhos: a salva-los dedicaram os irmãos de nossa Companhia todos os cuidados e canseiras....

Notando, porém que nenhum fruto se obtinha dele, mas que ao contrário continuavam o maior escândalo, tanto o pai como os filhos, que estão unidos com duas irmãs e duas filhas do mesmo pai começaram os Irmãos a exercer sobre eles algum rigor e violência, sobretudo separando-os da comunhão da Igreja.

Mas eles, que deveriam ter mudado com esta medida, estão a tal ponto depravados, que nos têm o maior ódio e procuram prejudicar-nos de todos os modos, ameaçando-nos até de morte e esforçando-se para inutilizar a doutrina em que educamos e instruímos os índios por concitar ódio deles contra nós.

E assim, se não se extinguir completamente esta peste tão perniciosa, não só não se poderá seguir na conversão dos infiéis, mas terá de debilitar-se e diminuir cada vez mais.

7º) Carta: Ir. José de Anchieta ao Padre Inácio de Loyola, São Vicente, março de 1555.

(sic) Os cristãos nascidos de pai português e mãe brasílica de que fiz menção no último quadrimestre, estão tão duros e cegos que crescem estão cada vez mais o ódio duro que nos têm. Não o podendo exercer contra nós por obras, aplicam-no para a ruína dos índios de maneira que já destruíram completamente uma aldeia em que morava o Padre Francisco Pires e o Padre Vicente Rodrigues, incitando os índios a matar os contrários e a comer sua carne.

Mas ainda não basta aos agentes do demônio. Se pudessem até os próprios portugueses afastariam da fé cristã.

Costumando o Reverendo em Cristo P. Manoel da Nóbrega visitar uma povoação de Portugueses em que residem e levar-lhes o alimento espiritual, pode tanto a iniqüidade e malícia deles que estorvaram o Padre a continuação desta obra, privando os cristãos de alimento espiritual. Dominou-os tanta loucura e fúria que os próprios cristãos, pelo amor que tem ao Padre não deixaram que vala, porque sabem que ele está ameaçado de morte; e preferem antes privar-se deste benefício que pôr em risco a vida do Padre, que ele, todavia não duvida em sacrificar de boa mente por eles. E desta maneira pretendem impedir a que uns não tratem e outros que não se aproximem de Cristo.

Por que se conserva nesta terra esta peste, que contamina a todos com seu nefando contágio? Arranque-se para que não se apague de todo nos próprios cristãos o nome de Cristo.

Vamos sofrendo com paciência que depois da tempestade vem a bonança. Especialmente agora que se encontrou grande abundância de oiro e prata, ferro e outros metais com que enchem as próprias casas onde moram; o que levará o Sereníssimo Rei de Portugal a mandar para aqui uma força armada e numerosos exércitos, que dêm cabo de todos os malvados que resistem à pregação de Evangelho e os sujeitem ao jugo da escravidão.

 

Bibliografia usada para estruturar este trabalho:

 

#Alcântara Machado (AM), José de. Vida e Morte de Bandeirante, São Paulo, Martins, 1972, em especial as pgs: 3, 8, 25, 26, 29, 32, 37, 43, 49, 54, 60, 91, 146, 160, 172, 180, 181 e 185.

#Leite de Barros (GLB), Gilberto. A Cidade e o Planalto, São Paulo, Martins, 1967, 1º Tomo, em especial as pgs: 9, 10, 11, 12, 16, 30, 35, 36, 38, 39, 40, 53, 54, 57, 92, 93, 94, 123, 124, 164, 168, 169, 173, 180 e 186.

#Omegna (NO), Nelson. A Cidade Colonial, Brasília, Ebrara, 1971, em especial as pgs: 57, 59, 60, 119, 123, 124, 125, 135, 136, 137, 254, 255, 259, 261 e 264.

#Bueno (EB), Eduardo. Naufrágios, Traficantes e Degredados, Rio de Janeiro, Objetiva, 1998, em especial as pgs: 71, 74, 75, 173, 177, 178, 179 e 180.

#Pedro Taques de Almeida Paes Leme Revista Genealógica Brasileira, ano VI, 1945, pgs. 76 e 77.

#Luís Gonzaga da Silva Leme Revista Genealógica Latina, nº 6, pgs. 14 e 15.

#Brasil: uma História, Eduardo Bueno, Atica, 2003.

#A Coroa, a Cruz e a Espada Eduardo Bueno, RJ, Objetiva, 2006.

#Café e Ferrovias Odilon Nogueira de Matos, 4ª Edição, 1990, pgs: 29 a 34.

#O Palacete Paulistano Maria Cecília Naclério Homem (USP), pg. 79.

#Pedro II do Brasil, Gloria Kaiser, Agir Editora Ltda, Rio de Janeiro, 2000.

#História de Portugal Jose Mattoso, Vol. 4, Antigo Regime, Edit. Estampa, 1998, várias pgs.

#O feudo Luiz Alberto Moniz Bandeira, 2ª Edição, Civilização brasileira, 2007 em especial as pgs: 66, 71, 72, 76, 95, 98, 107, 116, 126, 146, 619. Na Bahia tivemos Diogo Álvares o Caramurú (nasc. em Viana do Castelo, alguns o rotulam de Judeu. Fal. 5/10/1557, com mais de 70 anos e sua mulher a India Catarina do Brasil, a Paraguaçu, batizada a 30/7/1528 em Saint Malo, França) com 4 filhas perfeitamente documentadas: Ana, Genebra, Apolônia (ou Pelonia) e Grácia. Caramuru estava no Brasil entre 1509 e 1511. A documentação sobre o casal é muito mais consistente e confiável do que a da família de João Ramalho levantada por Pedro Taques que se perdeu, como diz Silva Leme, pois na Bahia houve riqueza e a presença de nobres (2º filho), pois lá havia muito $$$$ com a produção do açúcar e o contato constante com Portugal, pois era sede do governo geral e a presença dos franceses, coisa que não havia em São Paulo perdida/escondida no interior e com uma terrível serra atrapalhando a comunicação com o litoral.

# Bandeirantes e Pioneiros Vianna Moog, 14ª Edição, Civilização Brasileira, 1983, em especial as pgs: 26, 27, 28, 62, 63, 64, 65, 67, 68, 69, 70, 71, 88, 89, 91, 92, 100, 101, 102, 103, 105, 110, 111, 166, 167, 170, 171, 172, 174, 175, 176, 242, 243, 245, 268, 269, 276, 288, 289.

#Site: http://br.geocities.com/projetocompartilhar/bartiraejoaoramalho.htm

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AVELLAR E ALMEIDA, família fluminense de Vassouras, seus Titulares, e suas alianças com outras famílias do Brasil Império.

ANIBAL DE ALMEIDA FERNANDES, Abril, 2005.

 

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1 -   HISTÓRIco

O município de Vassouras, com pouco mais de 1.000 Km quadrados de área, era composto de 4 freguesias:

·       Nossa Sra. da Conceição do Paty do Alferes (1726).

·       Sacra Família do Tingá (1750).

·       Nossa Sra. da Conceição de Vassouras (vila: 1833, cidade: 1857).

·       Santa Cruz dos Mendes (1855).

A Comarca de Vassouras, estabelecida em 1835, abrangia Iguaçu e Valença (vila: 1823) que foi outro ilustre e profícuo berço de titulares e cujas famílias, inúmeras vezes, se aliaram com famílias vassourenses.

Os primeiros povoadores foram Francisco Rodrigues Alves e Luiz Homem de Azevedo, eles receberam, a 06-10-1782, a concessão da Sesmaria[1][1] de Vassouras e Rio Bonito. Em 1792, Francisco Rodrigues Alves já tinha cafezais em sua propriedade para abastecer à sua família. Os dois eram dos Açores, da Freguesia de São Pedro da Ponta Delgada da Ilha das Flores. Pelos dados de 1825 todo o estado de São Paulo produzia, apenas, 250 contos de réis e Vassouras, já em 1828, produzia 3.586 contos de réis de café !. Vassouras foi uma conseqüência da cultura do café e, no seu apogeu entre 1830 e 1875, produzia 70 % de todo o café brasileiro. Essa extraordinária riqueza gera enorme poder para os seus fazendeiros, os verdadeiros Barões do Café que financiaram a guerra do Paraguai. Em 1856, a vila tinha 3.500 almas e já mantinha uma vida de fausto e luxo, inigualados no resto do país, permitindo em seus palacetes da cidade e magníficas sedes de fazenda, que eram verdadeiros palácios rurais, uma vida com hábitos de requinte e elegância que eram estimulados, ainda mais, por conta do fácil acesso à Corte Imperial, graças à linha férrea D. Pedro II, que escoava o café e trazia da Europa as roupas e todos os cristais Saint Louis ou Bacarat, as porcelanas de Sèvres, Limoges ou Vista Alegre e a prataria portuguesa, ou francesa, que ornavam as casas desses vassourenses acostumados aos saraus, às visitas do Imperador, da Princesa Isabel e do Conde d”Eu, que eram recebidos nas casas sem grandes atropelos, tal o trem de vida habitual desses Barões do Café. Tudo isso que hoje faz as delícias dos colecionadores e antiquários, foi só o que restou daquele passado.

No fim do século XIX tudo isto acabou e as terras, os edifícios perderam mais de 60% do valor e os esplêndidos cafezais, que compunham o visual montanhoso da região, foram tragados pelo mato, envelhecendo e morrendo como, também, as fortunas, as soberbas residências, deterioradas pela decadência feroz que a tudo solapou destruindo, inclusive, a memória das várias famílias que lá tiveram sua origem e apogeu e, agora dispersas pelo país, mal sabem quem foram, quais titulares e alianças que tiveram no tempo do Império, esquecidas do seu passado, alheias à sua história de prestígio e requinte.

Hoje em dia, não há mais nenhuma fazenda nas mãos de descendentes daqueles Barões do Café. Alguns casarões foram demolidos, alguns estão em ruínas, outros foram restaurados pelos atuais proprietários que, com bom gosto e respeito ao passado, recuperaram o fausto e o requinte da época, como as fazendas: Cachoeira Grande e Secretário, recuperando a beleza dos magníficos palacetes desse verdadeiro Vale do Loire, brasileiro.

                                                                2 -  AvelLar e almeida

Manoel de Avellar de Almeida, filho de Manoel Coelho de Avellar e Maria Rosa de Almeida, todos naturais e batizados na freguesia de São Pedro da Ponta Delgada da Ilha das Flores, Bispado da Freguesia de Angra de Heroísmo, Açores. Casado com sua prima Susana Maria de Jesus, radicou-se em Sacra-Família no fim do século XVIII, onde tiveram 2 filhos: José e Marcelino e 8 filhas: Ana Maria, Inácia Maria, Mariana Rosa, Luisa Maria, Rita Maria, Maria Rosa, Isabel Maria, Francisca Maria. São meus tetravós e casal tronco da família Avellar e Almeida. Seus descendentes aliaram-se a muitas famílias vassourenses constituindo frondosa e altaneira árvore que até hoje viceja na, 8ª e 9ª gerações, no sec. XXI.

O primeiro título de Barão, entre fazendeiros vassourenses, foi dado em 1828 por D. Pedro I ao riquíssimo fazendeiro José Rodrigues Pereira de Almeida, feito Barão de Ubá. O primeiro título de Visconde foi dado, em 1886, ao Barão de Cananéia, Bernardino Rodrigues de Avellar, neto do patriarca Manoel de Avellar e Almeida, elevado a Visconde de Cananéia, que era vulto de prestígio em Vassouras e na Corte Imperial tanto que, em 1876, a Princesa Isabel e o Conde d’Eu vieram especialmente a Vassouras, a convite do Visconde, hospedando-se no belíssimo palacete Cananéia, que o Visconde herdara do pai, o Barão do Ribeirão. A cama onde dormiu o casal imperial tem a inscrição do fato na madeira da trave do leito, com a respectiva data, e pertence a um Mello Afonso, sobrinho neto do Visconde.

Os seguintes descendentes de Manoel de Avellar e Almeida foram agraciados com títulos de nobreza no 2o Reinado:

1 º)         Barão do Ribeirão a 22/06/1867, (filho): José de Avellar e Almeida. Seu palacete, na praça central de Vassouras, é a mais bela construção neoclássica da cidade, sua escadaria é grandiosa e imponente. Foi transformado em Fórum em 1895, quando já deixara de ser do Barão e do seu filho, o Visconde de Cananéia. Em 1958, o palacete foi tombado pelo Patrimônio Cultural. O Barão foi tenente-coronel da Guarda Nacional e Cavaleiro da Ordem da Rosa e era dono das fazendas: Cachoeira (350 alqueires), Mato Dentro, Ribeirão Alegre, Retiro. Faleceu em Vassouras a 26/03/1874. Tem Brasão.

2 º)         Barão (1868) e Visconde de Cananéia (1886), (neto): Bernardino Rodrigues de Avellar, foi um dos mais destacados membros da nobreza vassourense. Era um benemérito, gastou para auxiliar a cidade, mais de 22 contos de réis em dinheiro e 120 contos em gêneros alimentícios, roupas e remédios, na época da epidemia de febre amarela, em 1880. Tal gasto, numa época que o café já entrara em decadência, arruinou o Visconde. A 03/06/1882, a cidade assistiu uma festa em homenagem ao Visconde, feita pelos pobres, que passou à história do município como a Festa da Pobreza. Foi tenente-coronel da Guarda Nacional e Comendador da Ordem da Rosa. Faleceu em Vassouras a 12/04/1896.

3 º)         Barão de Avellar e Almeida a 07/01/1881, (neto): Laurindo de Avellar e Almeida, Comendador da Ordem de Cristo (Portugal). Faleceu no Rio de Janeiro a 25//11/1902. Tem Brasão que pode ser usado pela Família Avellar e Almeida por ser um título ad personam sul-cognome.

4 º)         Barão de Massambará a 04/09/1867, (neto): Marcelino de Avellar e Almeida, era comissário de café no Rio de Janeiro e foi Comendador da Ordem da Rosa e Cavaleiro da Ordem de Cristo (Portugal). Foi, também, Presidente do Conselho de Intendência, (nome da Câmara Municipal no início da República). O Barão é nome de rua em Vassouras e seu palacete pertence, hoje em dia, à Fundação Severino Sombra e está em ruínas.

5 º)         Maria de Avellar, Baronesa de Werneck, (neta), por seu marido, José Quirino da Rocha Werneck, Barão de Werneck a 24/08/1882.

6 º)         Maria Salomé de Avellar e Silva, 1ª Baronesa do Rio das Flores, (neta), por seu marido, José Vieira Machado da Cunha, 1º Barão do Rio das Flores a 03/04/1867, são meus tios bisavós. Eles estão enterrados no cemitério de Rio das Flores em túmulo restaurado por Marcos Vieira da Cunha, também sobrinho bisneto dos 1os Barões e restaurador das fazendas, Guaritá, Campos Elíseos, Santo Antonio, todas de sua família e que, hoje em dia, estão nas mãos de terceiros. Maria Salomé teve 13 filhos, dos quais 12 viveram, entre eles o 2º Barão do Rio das Flores. Maria Salomé morreu com 33 anos de idade na Fazenda Monte Alverne e o 1o Barão não mais se casou.

7 º)         2º Barão do Rio das Flores a 14/08/1886, (bisneto), Mizael Vieira Machado da Cunha.

As fazendas do clã Avellar e Almeida se localizaram em Vassouras, Cananéia, Massambará, entre elas: Ribeirão Alegre, Mato Dentro, Retiro, São Luiz de Massambará, que foi do Barão de Massambará, retro citado, São Luiz da Boa Esperança e a fazenda Cachoeira, do Barão do Ribeirão, retro citado, com 350 alqueires, se destacava pelo tamanho, pois as propriedades da época tinham, em média, 120 alqueires (sendo de 48.400 m2 o alqueire), com 40 a 50 escravos em média.

Na praça Sebastião Lacerda, atrás da matriz de Vassouras, foram plantadas 16 figueiras (Fícus Religiosa L), originárias da India onde são consideradas sagradas, hoje sesquicentenárias, e que se referem aos 16 barões vassourenses. Neste caso, os Avellar e Almeida, tem direito a 4 dessas árvores pelos seus titulares: Ribeirão, Massambará, Cananéia e Avellar e Almeida, este último tendo no seu Brasão um cafeeiro homenageando a origem dessa nobreza visceralmente ligada à terra brasileira.

Entre os 986 titulares que, nos 67 anos de Império, receberam 1.211 títulos, houve 238 brasões e, apenas 5 tem o cafeeiro: dos Barões de Avellar e Almeida, Bemposta (que é nosso primo pelos Werneck), Vargem Alegre, Silveiras e do Visconde de Aguiar Toledo. Outros 18 brasões apresentam apenas o ramo do cafeeiro: Boa Vista, Castelo, Goiânia, Guaribú, Parayba, Ipojuca, Lorena, São Luís, Almeida Ramos (primo do meu avô materno), 1o 2o e 3o Barões de Santa Justa e Viscondessa de Santa Justa, (são nossos primos e são a única família de titulares brasileiros, em todos os 67 anos de Império, a ter 4 membros com o mesmo nome no título), Serro Formoso, Vila Flor, Santa Clara, Ariró, Tymbohy, Santa Fé, Japaratuba, Barra Mansa.

No município de Rio das Flores, localiza-se a fazenda São Policarpo do Barão do Rio Preto, que a vendeu ao herdar do pai, o Visconde do Rio Preto, a magnífica fazenda Paraíso (ver na página n° 6). Hoje, São Policarpo é uma pousada e, conforme o atual proprietário informa, pertenceu por algum tempo, ao 1o Barão do Rio das Flores.

Entre as várias famílias que se aliaram, por casamento, aos Avellar e Almeida destacaremos as famílias: Alves Barbosa, Werneck, Leite Ribeiro e Arantes.

               3-alves barbosa

Alves Barbosa: de origem açoriana, foram os primeiros povoadores de Vassouras. Ana Barbosa de Sá filha do dono da sesmaria, Francisco Rodrigues Alves, casou-se com José de Avellar e Almeida, Barão do Ribeirão, filho de Manoel de Avellar e Almeida. O irmão de Ana, Eleutério, casou-se com Maria Rosa, 8ª filha de Manoel de Avellar e Almeida. O sobrinho de Ana, Francisco, casou-se com Francisca Maria, a última filha de Manoel de Avellar e Almeida. O sobrinho de Ana, Bernardino, casou-se com Deolinda, neta de Manoel de Avellar e Almeida. O irmão de Ana Barbosa de Sá, Jacinto Alves Barbosa, foi o 1o Barão de Santa Justa, a 30/11/1866. Faleceu em Valença, a 20/12/1872, e tem os seguintes descendentes titulares entre filhos, neto e nora:

·       Leopoldina, (filha) casada com seu primo irmão, José Rodrigues Alves Barbosa, Barão de Santa Fé. Sua filha Maria foi a 2ª mulher de Inácio de Avellar e Almeida, neto do patriarca Manoel de Avellar e Almeida.

·       Maria Alves Barbosa (filha), casada com Balduino de Meneses, Barão de Meneses.

·       Clara Alves Barbosa (filha), casada com João Batista dos Santos, Barão e Visconde de Ibituruna.

·       Francisco Alves Barbosa (filho), 2º Barão de Santa Justa a 28/06/1876.

·       José Silveira Alves Barbosa, (neto), 3º Barão de Santa Justa a 10/04/1886.

·       Bernardina Alves Barbosa, (nora), viúva do 2o Barão de Santa Justa, e mãe do 3o Barão, é feita Viscondessa de Santa Justa a 09/02/1889.

NOTA: Entre os 1.211 títulos concedidos no Império todos ad personam, isto é, vale apenas para a pessoa agraciada em vida, pois não é hereditária a nobreza brasileira, apenas 5 seqüências houve, na mesma família, com 3 títulos seguidos com o mesmo nome como o 1º, 2º, 3º Barão de Santa Justa, pois o Imperador podia conceder o mesmo título às famílias sem nenhum parentesco entre si, como por exemplo: 1º Barão de Campinas, Viscondessa de Campinas e o 3º Barão de Campinas. O simples uso do brasão só era permitido, após um pedido oficial e concessão específica dada pelo Imperador ao requerente, sem direito à continuidade do uso do brasão pelos filhos do requerente e, a partir de 1871, o uso indevido do título, e/ou brasão, foi considerado crime de estelionato, dando cadeia para os infratores. Hoje em dia porém, os juristas especialistas em Direito Nobiliárquico consideram que o apenas o brasão pode ser usado pelos descendentes da família que tenha recebido um título sul cognome isto é, com o nome da família, explo: o Brasão do Barão de Avellar e Almeida pode ser usado pela Família Avellar e Almeida.

Na época de D. José I (1750-1777), Dona Maria I (1777-1816) e, principalmente, durante a estada da Corte Portuguesa no Rio (1808-1821), a desesperada necessidade de recursos para manter a despesa crescente da corte real fez com que fossem concedidas milhares de insígnias de Ordens religiosas e militares e, também, várias Cartas de Brasão de Armas, às famílias paulistanas e fluminenses que solicitavam. No Império quando membros dessas famílias receberam títulos de nobreza, alguns transformaram tais Brasões de Armas, concedidos na época da Colônia e com direito a ser usados por sucessores, em Brasões de titulares do Império, é o caso dos Barões de Itu e Piracicaba que usam o Brasão de Armas da Nobreza e Fidalguia, concedido a José Paes Falcão das Neves, (de quem descendem) terceiro neto de Antonio de Almeida Pimentel e de sua mulher D. Lucrecia Pedroza de Barros, a qual, por pertencer ao tronco da família Barros de São Vicente, Brasil, lhes permitiu obter, pelo Cartório da Nobreza da Torre do Tombo a 18/02/1795, o direito de uso das armas da família Barros na época do Brasil Colônia. Porém no Império as rígidas leis de concessão de títulos e uso de brasão não estendiam o uso aos descendentes, extinguindo-se o direito com a morte do titular ad personam e, a partir de 1871, o uso indevido de título, e/ou brasão, foi considerado crime de estelionato, dando cadeia para quem fosse pego nesse uso ilícito.

Com os Alves Barbosa temos a aliança dos Avellar e Almeida com a família do 1º povoador da Sesmaria de Vassouras, Francisco Rodrigues Alves.

                  4-WERNECK

Werneck: de origem alemã, radicados em Vassouras.

Entre os descendentes do casal tronco Ignácio de Souza Werneck e Francisca das Chagas Monteiro e os Avellar e Almeida são muitíssimos os casamentos tornando muito extensa a interligação total. Para facilitar serão citados, apenas os titulares Werneck e suas ligações com os Avellar e Almeida, iniciando com:

·       Ignácio José de Souza Werneck, filho do Comendador Francisco das Chagas Werneck, casado com Bernardina, neta de Manoel de Avellar e Almeida e filha do Barão do Ribeirão, retro citado. Esse casamento vincula os Avellar e Almeida aos seguintes titulares Werneck:

·       2º Barão de Paty do Alferes, um filho seu era casado com uma cunhada de Bernardina e uma neta sua é casada com o filho único do Visconde de Cananéia, que é irmão de Bernardina.

·       2º Barão de Ypiabas, sobrinho de Bernardina.

·       2ª Viscondessa de Queluz, cunhada de Bernardina.

·       Viscondessa de Arcozelo, cunhada de Bernardina.

·       1º Barão e Visconde de Ypiabas, concunhado de Bernardina.

·       Barão de Potengy, tio de Bernardina.

Nota:    O nome Bernardina foi muito repetido na família Avellar e Almeida, começando com o Visconde de Cananéia, Bernardino Rodrigues de Avellar, continuando com sua irmã Bernardina, chegando à minha avó Bernardina e ao meu tio Bernardino.

·       Barão de Werneck, casado com Maria, neta de Manoel de Avellar e Almeida, Baronesa de Werneck.

     Esse casamento vincula os Avellar e Almeida aos seguintes titulares Werneck:

·       2º Barão de Palmeiras, irmão do Barão de Werneck e cunhado de Maria.

·       Baronesa d’Aliança, sobrinha de Maria Salomé, 1ª Baronesa do Rio das Flores, neta de Manoel de Avellar e Almeida.

·       Baronesa de Águas Claras, prima do Barão de Werneck, marido de Maria.

·       Baronesa de Almeida Ramos, prima do Barão de Werneck. O Barão de Almeida Ramos Joaquim d’Almeida é primo do meu avô, Joaquim Rodrigues d’Almeida.

·       Barão de Bemposta, primo do Barão de Werneck, marido de Maria; a sua fazenda, Santana era vizinha da fazenda do Barão de Massambará, neto de Manoel de Avellar e Almeida.

·       Com os Werneck temos a aliança entre os Avellar e Almeida e a família com mais titulares, não só em Vassouras, mas de todo o Brasil Império.

A Fazenda Piedade, em Vera Cruz, Rio de Janeiro foi o Berço do clã Werneck. Outras fazendas pertencentes à família foram: Monte Alegre em Paty do Alferes, São Fernando em Vassouras e Santarém em Bemposta.

                                                      5  -  LEITE RIBEIRO

Leite Ribeiro: origem portuguesa, radicados em Minas Gerais, tendo como casal tronco, José Leite Ribeiro e sua mulher Escolástica Maria Corrêa de Morais.

Entre os descendentes do casal tronco, José e Escolástica, serão citados os seguintes:

Francisca Bernardina: 14a filha de José e Escolástica, casada com José Teixeira de Almeida, Barão de Itambé e casal tronco da família Teixeira Leite de Vassouras. Tiveram 11 filhos entre eles, o Barão de Vassouras muito amigo da família Avellar e Almeida.

Custódio Ferreira Leite, Barão de Ayuruoca: 9o filho de José e Escolástica. Ayuruoca, MG, é a cidade berço do Tronco Arantes-Aiuruoca, Fazenda Conquista, do qual eu descendo.

Eufrásia Teixeira Leite: bisneta de José e Escolástica, proprietária da Casa da Hera, é sobrinha da mulher de Marcelino José de Avellar e Almeida, filho de Manoel de Avellar e Almeida, ela deixou a imensa fortuna de 30.000 contos de réis, para Vassouras ao morrer solteira.

Maria Leite Pinto: tetraneta de José e Escolástica, mulher de José de Avellar Fernandes, que é bisneto de Manoel de Avellar e Almeida. Dois irmãos desse José, Antonio Fernandes Jr. e Raul Fernandes, (1877-1969), que é nome de rua em Vassouras e foi 2 vezes Ministro das Relações Exteriores do Brasil, (1946-51 e 1954-55), foram os inventariantes da fortuna deixada pela Eufrásia, retro citada, aquele para os bens no Brasil, este para os bens no exterior.

José de Avellar Fernandes Filho: trineto de Manoel de Avellar e Almeida, 5o neto de José e Escolástica, sobrinho tetraneto do Barão de Itambé, ele é casado com Elza Monteiro de Barros Pereira de Almeida, (filha do Barão de Monteiro de Barros). É um conceituado genealogista e no seu trabalho publicado no Anuário Genealógico Latino, Volume 4, ano 1952, no item 47, registra que seu trisavô, Manoel de Avellar e Almeida, (meu tetravô), descende de Urraca Mendes de Bragança que era filha de Mendo Fernandes de Bragança, rico-homem de seu primo, Afonso Henriques, 1o Rei de Portugal (1139-1185). Urraca era bisneta de Afonso VI, 14º Rei de Leão e 3º Rei de Castela. Urraca era trineta de Felipe I, Rei de França, da dinastia Capeto fundada por Hugo Capeto, rei de França em 987, d.C., 3a Dinastia Real de França, com descendentes, Capeto, Valois, Bourbon e Orleãns, entre eles a Família Imperial Brasileira. Urraca é pentaneta de Yeroslav, 1o Grão Duque de Moscou, de quem descende Pedro, o Grande, Czar de todas as Rússias. Urraca descende de Romano I, Constantino VII, e Romano II, Imperadores de Constantinopla. Sua ascendência de Urraca vai até seu 24o avô, Theodoredo, 4º Rei Visigodo de Espanha, eleito em 419 e falecido em 451 d.C. e inclui Clóvis Meroveu (481-511), casado com Clotilde (Santa) e fundador da Dinastia Merovíngea, a 1a Dinastia Real de França, que foi a primeira experiência administrativa bem sucedida de um reino bárbaro no fim do Império Romano e início da Idade Média.

Esse exercício de relatar ascendências tão remotas tem um lastro de probabilidade razoável, pois em toda a Europa no século V d.C, havia um total de 15 milhões de habitantes e foi deles, que vieram os mais de 3 bilhões de ocidentais existentes no mundo no século XXI.

                               6 -  ARANTES

Arantes: origem portuguesa, século XV patriarca, João de Arantes.

O primeiro Arantes foi João de Arantes, Condestável dos Espingardeiros de Dom João II, (13o Rei de Portugal), conforme carta de nomeação, a 02/01/1488. Era Fidalgo Cavaleiro de sangue e espada, Morador da Casa Real, Senhor da Quinta de Romay em Vila de Chaves, Portugal, ele é meu 13º avô, c.c. Genebra de San Payo, como está registrado na escritura lavrada a 16/02/1509, que consta do arquivo 876, no Arquivo Distrital de Braga/Portugal.

Do seu filho único Diogo, Fidalgo Escudeiro dos Reis: D. Manoel (14o Rei de Portugal), e D. João III (15o Rei de Portugal), Senhor da Quinta de Romay, Morador da Casa Real, Tabelião de Entre Homem e Cávado (1511, 1516 e 1522), descendem os mais de 30.000 Arantes brasileiros. Há 3 troncos no Brasil: Formiga, em Minas Gerais; Cunha, em São Paulo e Aiuruoca, em Minas Gerais, cujo patriarca foi o Capitão-Mor Antonio de Arantes Marques, meu 5o avô, nascido em 1738, fundador da fazenda da Conquista no séc. XVIII, berço dos Arantes de Aiuruoca e, até hoje, pertencente aos Arantes. Foi casado com Ana da Cunha Carvalho, minha 5a avó que, por sua mãe, Bernarda Dutra da Silveira, descende de Baltazar de Moraes de Antas, no Brasil desde 1556 e Juiz em São Paulo de Piratininga, em 1579, com carta de nobreza oficialmente reconhecida, a 11/09/1579, pelo Ouvidor Geral da Bahia, Cosme Rangel de Macedo, (Sanches de Baena: Arquivo Heráldico e Genealógico, Títulos 1530-1805).

O filho dele, Manoel Rufino, meu 4o avô, era casado com Ana Joaquina de Carvalho, irmã de João Gualberto de Carvalho, 1º Barão de Cajurú (também meu 4o avô), ambos bisnetos de Antonia da Graça, minha 7ª avó (3 Ilhoas), casada com Manoel Gonçalves da Fonseca, meu 7o avô.

Apesar dos Arantes serem mineiros, pelo casamento de meu bisavô João Antonio, neto de Manoel de Avellar e Almeida, com Ana Margarida, bisneta do Capitão-Mor Antonio de Arantes Marques e Ana da Cunha Carvalho temos a aliança da família Arantes de Aiuruoca MG, com os Avellar e Almeida de Vassouras, RJ.

Outro Arantes de Aiuruoca tem ligação com a região fluminense, Antonio Belfort Ribeiro (do Valle) de Arantes, que é o Barão e Visconde de Arantes, meu tio trisavô, pelo casamento dele com uma filha dos 1os Barões de Cajurú, João Gualberto de Carvalho e Ana Inácia Ribeiro do Valle, (que é trineta de André do Valle Ribeiro, meu 8o avô, Braga, Portugal, sec XVIII), meus tetravós. Um sobrinho do Visconde de Arantes comprou a Fazenda Paraíso[2][2], estupenda propriedade rural em Valença, cuja casa, a mais nobre e bela de todas as sedes de fazenda, foi construída pelo Visconde de Rio Preto e sua mulher, Maria das Dores de Carvalho, (que a tradição oral diz ser tia de minha bisavó, Ana Carvalho de Arantes, que era sobrinha do Visconde de Arantes). A casa começou a ser construída em 1845 e tinha iluminação a gás, (o Pátio do Colégio, em São Paulo, só teve iluminação a gás em 1870) e Taunay, em seu trabalho sobre as fazendas de café, a classifica como o mais elegante palacete rural da época cafeeira. É importante enumerar os vários proprietários da Paraíso, pois pode-se estabelecer uma notável trama familiar que, através de parentescos consangüíneos e contra parentescos, se desenvolve por mais de 150 anos, desde sua compra pelo Visconde do Rio Preto (vide a nota no rodapé) até o atual proprietário, que é sobrinho-bisneto do Visconde de Arantes. Com a morte do Visconde do Rio Preto, em 1868, pouco antes do banquete da memorável festa que ele dava para comemorar a inauguração da estrada de rodagem “União-Indústria”, a Paraíso foi para seu filho, também Domingos, e 2o Barão do Rio Preto, que a manteve até sua morte em 1876. Seu filho, Dominguinhos, a herdou e manteve até 1895, quando a vendeu para o sogro, o Barão d’Aliança (que é sobrinho do 1o Barão do Rio das Flores que, por sua vez, é cunhado do meu bisavô João Antonio, retro citado, casado com Ana Margarida de Arantes). O Barão d’Aliança a manteve até 1912 quando, com muita idade, a vendeu para um sobrinho do Visconde de Arantes e neto do 1o Barão de Cabo Verde, (há um quadro do Visconde de Arantes na fazenda), fechando essa trama familiar. Hoje a Paraíso continua ativa, não mais com café, mas com gado

[1][2] Domingos Custódio Guimarães, Visconde do Rio Preto, em sociedade com João Francisco de Mesquita, Marquês de Bonfim, ganhou muito dinheiro abastecendo com carne, vinda de rebanhos trazidos de Minas, o Rio de Janeiro. Terminada a sociedade, resolveu investir em terras para o plantio de café. Mandou seu sobrinho, Joaquim Custódio Guimarães, procurar fazendas, entre elas a Paraíso e a Loanda que pertenciam a João Pedro Maynard, (companheiro de farras de D. Pedro I e D. Miguel) e foram compradas por sugestão de Domingos Antonio, (futuro sogro do Joaquim), que é filho de João Ribeiro do Valle  (que é  irmão do meu 6o avô Felisberto Ribeiro do Valle). As outras fazendas do Visconde do Rio Preto foram: Sta. Quitéria, Montacavalo, Mirante, São Bento, Sta. Genoveva, Jequitibá, Criméia, São Leandro, São Policarpo, União e São José, a produção de café em todas elas chegava a 60.000 arrobas por ano, (1 arroba é igual a 14,7 kg). algo como US$ 735.000 por ano.

leiteiro, e na posse de Arantes trinetos do 1o Barão de Cabo Verde. E a casa solarenga, onde tantas festas requintadas aconteceram, está restaurada e com grande parte do esplendor que tanta admiração causou em Taunay e no Conde d’Eu e até hoje, mais de 150 anos após sua construção, impressiona numa prova cabal da qualidade de vida dos nossos Barões do Café e faz a Paraíso ser conhecida, na região, como a Rainha das Fazendas, a Jóia de Valença.

              7. CONCLUSÃO

Os Avellar e Almeida hoje desaparecidos como nome, nesse resumo de dados coletados em vários documentos, livros de batismos, livros de casamento, artigos publicados pelo Instituto Genealógico Brasileiro, livros de autores que escreveram sobre a região, memória de família, têm mais de 1.600 anos de história. Os descendentes de Manoel de Avellar e Almeida, diretos ou colaterais, os descendentes dessas famílias ligadas aos Avellar e Almeida, são convidados a acrescentar as informações que possuam para resgatar do passado a serena e grandiosa história dos nossos maiores que, pioneiros da cultura cafeeira há 180 anos atrás, amealharam fortuna e prestígio, criando uma sociedade de hábitos requintados, nas boas maneiras à mesa, no apuro do gosto musical, com as mulheres tocando piano e os homens violino, na cultura expressa na correta linguagem, sem vícios de pronúncia, na singeleza das relações familiares, sociedade essa que, infelizmente, não resistiu ao tempo, mas mesmo assim tem por obrigação se fazer conhecer para o mundo de hoje e para seus próprios descendentes os quais, muitas vezes, nada sabem desse digno e pujante passado, de nosso país, da nossa gente, das nossas famílias.

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8. referências BIBLIOGRÁFICAs

(1)           BRAGA, Greenhalg H. Faria - Vassouras de Ontem. Rio de Janeiro, Cia.

Brasileira de Artes Gráficas, 1975.

(2)           BRAGA, Greenhalg H. Faria - De Vassouras História Fatos Gente. Rio

de Janeiro, Ultraset Ed., 1978.

(3)                 ARANTES, Arnaldo - A Família Arantes. São Paulo, Saraiva S.A., 1953.

(4)                 FERREIRA, Luiz Damasceno - História de Valença 1803 - 1924.  Rio de

Janeiro, Empreza Graphica Editora, 1925.

(5)                 RAPOSO, Ignácio - História de Vassouras. Niterói, SEEC, 1978.

(6)                 STULZER, Frei Aurélio - Notas para a História da Vila de Patí do Alferes.

Patí do Alferes, 1944.

(7)                 WERNECK, Francisco Klörs - História e Genealogia Fluminense. Rio de

Janeiro, Edição do Autor, 1947.

(8)                 RHEINGANTZ, Carlos G. - Titulares do Império.  Rio de Janeiro, Arquivo

Nacional, 1960.

(9)                 CANTOR, Norman F. - The Civilization of the Middle Ages. United States

of America, Harper Collins Publishers, Inc., 1993.

(10)         PIRES, Fernando T.F. - Fazendas, Solares da Região Cafeeira do Brasil

Imperial. Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira (Memória Brasileira).

(11)             SILVA, Rudy Mattos da – Galeria vassourense, Vassouras, 1999.

(12)             MACHADO, Lielza, Lemos – Imagens de Vassouras, Vassouras, 1994.

(13)             IGB, Titulares do Império – Escudos e Armas, A.G.B., São Paulo, Ano II, 1940.

(14)             IGB, Famílias Reais da Península Ibérica, A,G.B., São Paulo, Volume IX, 1947.

(15)             FERNANDES, José de Avellar, Os Morais de São Paulo, A.G.L., São Paulo, 1952.

(16)             IGB, Anuário Genealógico Brasileiro, (A.G.B)., São Paulo, Ano III, 1941.

(17)             SCHWARCZ, Lillian, As Barbas do Imperador, São Paulo, 1996.

(18)             MALERBA, Jurandir, A Corte no Exílio, São Paulo, 2000.

(19)             Todas as publicações do Instituto Genealógico Brasileiro, (IGB): Anuário Genealógico Brasileiro (A.G.B.) 

e Anuário Genealógico Latino (A.G.L.) foram pesquisadas, analisadas e contribuíram com informações para o texto final.

(20)             BARROS, Gilberto Leite de, A Cidade e o Planalto, São Paulo, 1967.

(21)             ANDRADE, Eloy de, O Vale do Paraíba, Real Gráfica, Rio de Janeiro, 1989.

(22)             MÉROE, Mário de, O Direito Nobiliárquico, Editora Centauro, São Paulo , 2000.

Ø     Artigos e anotações de primos que são ilustres estudiosos da genealogia fluminense: Marcos Vieira da Cunha, proprietário e restaurador de fazendas da região, José de Avellar Fernandes e Francisco Klörs Werneck que é Cidadão Vassourense.

Ø     Inventário de Manoel de Avellar e Almeida, de 07 de junho de 1848, cópia reconhecida pelo Tabelião José Maria da Costa a 02/05/1977, Vassouras.

Ø     Notas de Mário Arantes de Almeida, Vereador/Prefeito de Araraquara, SP, sobre a Família Arantes.

Ø     Este trecho, ora revisado e ampliado, já foi publicado na Edição Comemorativa do Cinqüentenário do Instituto Genealógico Brasileiro, IMESP, São Paulo, 1992, página 313.

Ø     Informações dos vassourenses: Paula Corrêa e Castro e Artur Mário Viana, descendentes dos barões do café e atuando no turismo em Vassouras.


[1][1] As sesmarias tinham, em média, entre 1,5 e 2,0 léguas agrárias de sesmaria e, 1 légua de sesmaria é igual a: 4.356 hectares.

[2][2] Domingos Custódio Guimarães, Visconde do Rio Preto, em sociedade com João Francisco de Mesquita, Marquês de Bonfim, ganhou muito dinheiro abastecendo com carne, vinda de rebanhos trazidos de Minas, o Rio de Janeiro. Terminada a sociedade, resolveu investir em terras para o plantio de café. Mandou seu sobrinho, Joaquim Custódio Guimarães, procurar fazendas, entre elas a Paraíso e a Loanda que pertenciam a João Pedro Maynard, (companheiro de farras de D. Pedro I e D. Miguel) e foram compradas por sugestão de Domingos Antonio, (futuro sogro do Joaquim), que é filho de João Ribeiro do Valle  (que é  irmão do meu 6o avô Felisberto Ribeiro do Valle). As outras fazendas do Visconde do Rio Preto foram: Sta. Quitéria, Montacavalo, Mirante, São Bento, Sta. Genoveva, Jequitibá, Criméia, São Leandro, São Policarpo, União e São José, a produção de café em todas elas chegava a 60.000 arrobas por ano, (1 arroba é igual a 14,7 kg). algo como US$ 735.000 por ano.

 

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